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Artigo
original
Efeitos
do
plasma
rico
em
plaquetas
na
epicondilite
lateral
do
cotovelo:
estudo
prospectivo,
randomizado
e
controlado
夽
Evandro
Pereira
Palacio
∗,
Rafael
Ramos
Schiavetti,
Maiara
Kanematsu,
Tiago
Moreno
Ikeda,
Roberto
Ryuiti
Mizobuchi
e
José
Antônio
Galbiatti
FaculdadedeMedicinadeMarília,Marília,SP,Brasil
informações
sobre
o
artigo
Históricodoartigo:Recebidoem17defevereirode2015
Aceitoem31demarçode2015
On-lineem9deoutubrode2015
Palavras-chave:
Plasmaricoemplaquetas
Tendinopatia
Cotovelodotenista
r
e
s
u
m
o
Objetivo:Avaliarosefeitosda infiltrac¸ãodoplasmaricoem plaquetas(PRP) em
pacien-tescomepicondilitelateraldocotovelo(ELC)pelaanálisedosquestionáriosDeficiênciado
Brac¸o,OmbroeMão(Dash)eAvaliac¸ãodoPacientePortadordoCotovelodeTenista(PRTEE).
Métodos:Foramrandomizadoseavaliadosprospectivamente60pacientes,apósreceberem
infiltrac¸õesdetrêsmililitrosdePRP,ouneocaína0,5%,oudexametasona.Paraoprocesso
depontuac¸ão,ospacientesforamconvidadosapreencherosquestionáriosDashePRTEE
emtrêsocasiões:nodiadainfiltrac¸ão,90e180diasapós.
Resultados:Dospacientessubmetidosaotratamento,81,7%apresentarammelhoriados
sin-tomas.Ostestesestatísticosdemonstraramqueháevidênciasdequeataxadecuranão
estárelacionadacomasubstânciaaplicada(p=0,62).Houvetambémintersec¸ãodos
inter-valosdeconfianc¸adecadagrupo,comdemonstrac¸ãodequeasproporc¸õesdepacientes
cujossintomasmelhoraramforamsemelhantesemtodososgrupos.
Conclusão:Emumníveldesignificânciade5%,nãohouveevidênciadequeumtratamento
foimaiseficazdoqueaoutro,quandoavaliadospelosquestionáriosDashePRTEE.
©2015SociedadeBrasileiradeOrtopediaeTraumatologia.PublicadoporElsevierEditora
Ltda.Todososdireitosreservados.
Effects
of
platelet-rich
plasma
on
lateral
epicondylitis
of
the
elbow:
prospective
randomized
controlled
trial
Keywords:
Platelet-richplasma
Tendinopathy
Tenniselbow
a
b
s
t
r
a
c
t
Objective:To evaluate the effects of platelet-rich plasma (PRP) infiltration in patients
withlateralepicondylitis oftheelbow,through analysisoftheDisabilitiesofthe Arm,
ShoulderandHand(Dash)andPatient-RatedTennisElbowEvaluation(PRTEE)
question-naires.
夽TrabalhodesenvolvidonoDepartamentodeOrtopedia,TraumatologiaeMedicinadoExercícioeEsporte,FaculdadedeMedicinade
Marília(Famema),Marília,SP,Brasil.
∗ Autorparacorrespondência.
E-mail:[email protected](E.P.Palacio).
http://dx.doi.org/10.1016/j.rbo.2015.03.010
Methods: Sixtypatientswithlateralepicondylitisoftheelbowwereprospectively
randomi-zedandevaluatedafterreceivinginfiltrationofthreemillilitersofPRP,or0.5%neocaine,
ordexamethasone.Forthescoringprocess,thepatientswereaskedtofillouttheDASH
andPRTEEquestionnairesonthreeoccasions:onthedayofinfiltrationand90and180days
afterwards.
Results:Around81.7%ofthepatientswhounderwentthetreatmentpresentedsome
impro-vementofthesymptoms.Thestatisticaltestsshowedthattherewasevidencethatthecure
ratewasunrelatedtothesubstanceapplied(p=0.62).Therewasalsointersectionbetween
theconfidenceintervalsofeachgroup,thusdemonstratingthattheproportionsofpatients
whosesymptomsimprovedweresimilarinallthegroups.
Conclusion:Atasignificancelevelof5%,therewasnoevidencethatonetreatmentwasmore
effectivethananother,whenassessedusingtheDashandPRTEEquestionnaires.
©2015SociedadeBrasileiradeOrtopediaeTraumatologia.PublishedbyElsevierEditora
Ltda.Allrightsreserved.
Introduc¸ão
Aepicondilitelateraldocotovelo(ELC)éumadoenc¸aqueafeta
principalmentepacientesquefazemmovimentosrepetitivos
comopunhoe/oudedos.1Onome“cotovelodetenista”não
correspondeàrealidade.Emboracercade40a50%dos
jogado-resdetênisapresentemadoenc¸a,especialmenteaquelesque
praticamoesportehámaistempo,2essegrupocompreende
apenas5%dototaldepacientesafetados.3,4Emboraotermo
“epicondilitelateraldocotovelo”tambémsejadeuso
inapro-priado,umavezque essa condic¸ãopatológicanãoenvolve
umprocessoinflamatórioverdadeiro,masdegenerativo,5-8ele
seráusadonesteestudopor seramplamentedifundido na
literatura.
Alesão envolve predominantemente a origem do
mús-culoextensorradialcurtodocarpo,noqualsedesenvolvem
microrupturasdecorrentesdousoexcessivoeanormal,com
aformac¸ãodeumtecidodereparac¸ãoimaturo.5
Os sintomas da ELC são, geralmente, autolimitados e
podemvariar de algumas semanas a meses.Contudo, em
algunscasos, nãoháresoluc¸ãoespontâneadossintomas,o
queinvariavelmentelevaaumacondic¸ãocrônica.9,10Deve-se
considerartambémqueaELCestáassociadaalongosperíodos
deafastamentodotrabalho,oquegeraaltoscustos
previden-ciárioseperdasubstancialdaprodutividadeprofissional.11-14
Existem relativamente poucas evidências, baseadas em
estudos clínicos de qualidade, que apoiem as várias
for-masdetratamentodaELCdescritasnaliteratura.Asopc¸ões
detratamento variam entreo repousorelativo associado a
imobilizac¸ão,fisioterapia,aplicac¸ãodetoxinabotulínica,
acu-puntura,terapiadeondasdechoque,anti-inflamatóriosnão
esteroidesorais,injec¸õesdeesteroidese,maisrecentemente,
ouso de plasmarico emplaquetas.15-20 Osprocedimentos
cirúrgicos são recomendados apenas quando os sintomas
durammaisdeseis mesese/ouporfalhade outrasopc¸ões
detratamentonãocirúrgicas.5,17,20
Considerando-se a alta frequência dessa enfermidade,
osgastosdecorrentesde seutratamentoe,principalmente,
a falta de consenso nas diversas bases de dados
dispo-níveis, principalmente ortopédicas nacionais, os autores
propõemopresenteestudo,cujoobjetivoéodesecomparar,
prospectivamente,osresultadosdetrêsdiferentesopc¸õesde
tratamentodaELC,comousodosquestionáriosvalidadose
recentementetraduzidosparaoportuguêsDashePRTEE.
Material
e
métodos
Participantesedesenhodoestudo
OprotocolodoestudofoiaprovadopeloComitêdeÉticaem
Pesquisa Envolvendo Seres Humanos sob n. 453/12. Todos
ospacientesouseustutoresconcordaram emparticipardo
estudo,assinandooTermodeConsentimentoLivree
Escla-recido,apósteremsidoinformadosdetalhadamentesobreo
conteúdoeaformadoestudo.
Otamanhoamostralfoideterminadopreviamenteao
iní-cio do estudo, considerando-se os riscos ˛ (5%) e ˇ (20%),
bemcomoavariabilidadedasvariáveis(p1=0,2ep2=0,63),
chegando-seaumnúmero mínimode20 participantespor
grupo.
Entrefevereiro de2012efevereirode2014,72 pacientes
consecutivoscomELCforamselecionadosparaesteestudo.Os
critériosdeinclusãoforam:idademínimade18anose
posi-tividadeparadoisdosseguintestestesclínicos:Cozen,Mill,
GardnereMaudsley.Foramexcluídosospacientesjá
subme-tidosaquaisquertratamentospréviosnaregiãodocotovelo,
osportadoresdeoutrasenfermidadesnomembrosuperior,
comoasíndromedonervointerósseoposteriore/ousíndrome
dotúneldocarpo,pacientescomdoenc¸assistêmicas,como
diabetesmellitus,hipotireoidismoe/ouartritereumatoide,
paci-entes gestantes e,finalmente, pacientesem usode drogas
anticoncepcionais.10,11Examesdeultrassonografiaforam
fei-tosapenasparadocumentac¸ãoeacervodeimagens.Dessa
maneira,foramincluídos60pacientesnestapesquisa.
Instrumentos
Osinstrumentosmaisusadosparasemedirafuncionalidade
eograudecomprometimentodaregiãodocotovelodos
paci-entessãoosquestionáriosDash(DeficiênciadoBrac¸o,Ombro
eMão)ePRTEE(Avaliac¸ãodoPacientePortadordoCotovelode
medea incapacidadedomembrosuperior como uma
uni-dadeúnica,sempresobaperspectivadopaciente.12,14,15Em
contrapartida,oquestionárioPRTEEfoidesenvolvido
exclusi-vamenteparaavaliac¸ãodaELC.
Ambososquestionáriosforamaplicadosemtodosos
paci-entes, em três momentos distintos: no dia da infiltrac¸ão
(Dash-0ePRTEE-0),após90dias(Dash-90ePRTEE-90)e180
diasapósainfiltrac¸ão(Dash-180ePRTEE-180).
Processodecegamentoerandomizac¸ão
Comointuitodesegarantirmaiorconfiabilidadeaos
resulta-dos,bemcomomaiorpoderinvestigativoàpesquisa,optou-se
porseinstituiroprocessodetriplo-cegamento.
Oprocessoderandomizac¸ãofoifeitopelométodode
enve-lopesopacoselacrados,21,22nosquaisconstavamosgrupos
envolvidos:grupoA(n=20;neocaína5%),grupoB(n=20;
dexa-metasona)egrupoC(n=20;PRP).
Preparac¸ãoeaplicac¸ãodoplasmaricoemplaquetas
OPRPusadonesteestudofoiobtidoconformepreconizadopor
Vendraminetal.:2360mldesangue,previamenteretiradosdos
pacientes,foramcolocadosemseistubosde10mlcomcitrato
desódio.Ostubosforamentãosubmetidosadoisciclosde
centrifugac¸ão,sobforc¸asde400ge800g,durante10minutos.
Dois terc¸os do volume original (plasma pobre em
pla-quetas)sãodesprezadosnessemétodo;apenasumterc¸oda
amostradesangueoriginalconsistedePRP(fig.1).
Pressãodigitallocalfoiusadaparaidentificac¸ão,pelo
paci-ente,daregiãodemaiordor(fig.2).Previamenteàcolocac¸ão
doscamposocularesestéreis,eramfeitososprocedimentos
de assepsia e antissepsia com clorexidina. Em seguida, os
pacientes dogrupo A foram submetidos ainfiltrac¸ão local
de3mldeneocaína0,5%; ogrupoBrecebeuinfiltrac¸ãode
3mldeacetatodedexametasonaeospacientesdogrupoC
receberaminfiltrac¸ãode3mldeplasmaricoemplaquetas.
Figura1–Preparac¸ãodoplasmaricoemplaquetas.
Figura2–Identificac¸ãodolocaldeinfiltrac¸ão(circulado) edonervointerósseoposterior(PIN).
Todasasseringasforamcobertascomduplacamadadepapel
alumínio,previamenteàinfiltrac¸ão,porpessoalnãoligadoao
estudo.
Análiseestatística
Pararealizac¸ãodoscálculosestatísticos,foramusadosos
pro-gramasSigmaStat®3.5(SystatSoftwareInc.,2006)eMinitab®
versão15(MinitabInc.,2007),considerando-seonívelde
sig-nificânciade5%(p<0,05).
Asvariáveisforamanalisadaspormeiodetestes
estatís-ticosdescritivos,testesparamétricosenãoparamétricos,em
ummodelointeiramentecasualizado.Aopc¸ãoparamétricafoi
usadaquandoavariávelapresentavacomportamento
gaussi-ano(testetdeStudenteAnova);seadistribuic¸ãoeradotipo
nãogaussianaaopc¸ãonãoparamétricaeraindicada(testeU
deMann-WhitneyetesteexatodeFisher).Foramcalculados
os valoresmédios,desviospadrões,medianas,frequências,
percentagenseintervalosdeconfianc¸a(IC)de95%(˛=5%).
Resultados
AidadenogrupoAvarioude 22a85anos(média:47,9;IC
95%:42,2-53,6 anos);nogrupo Bhouvevariac¸ão entre19e
61anos(média:46,2;IC95%:41-51,5anos)enogrupoCaidade
variouentre26e61anos(média:46,6;IC95%:41,6-51,6anos)
(Kruskal-Wallis,p=0,99)(fig.3).
Emtodosostrêsgrupos,apontuac¸ãodoquestionário
Dash-90 foi menor do que a encontrada no Dash-0, embora os
valoresmáximosencontradosnoDash-90tenhamsido
maio-resdoqueosencontradosnoDash-0.Essadiscrepânciapode
serexplicadapelapontuac¸ãodeumpacientequeatingiu75,8
e80,8pontosnosquestionáriosDash-0eDash-90,
respecti-vamente.Alémdisso,outroparticipanteregistroupontuac¸ão
maisbaixanoDash-0(34,2)emcomparac¸ãocomoDash-90
(37,5).Pelasmesmasrazõespôde-seobservartambémum
dis-cretoaumentodosvaloresdoerropadrãonosquestionários
Dash-90 emcomparac¸ãocomosDash-0 (tabelas1e2).Os
valores dosquestionáriosDash-180foram zeradosnos três
Tabela1–Pontuac¸ãodosquestionáriosDash-0nostrêsgrupos
Grupo Pontuac¸ãomínima Pontuac¸ãomáxima Mediana Média Erropadrão
A 25,0 73,3 49,2 49,7 3,0
B 15,0 75,8 40,4 44,3 4,4
C 22,5 82,5 40,8 45,7 3,8
Tabela2–Pontuac¸ãodosquestionáriosDash-90nostrêsgrupos
Grupo Pontuac¸ãomínima Pontuac¸ãomáxima Mediana Média Erropadrão
A 0,8 71,7 10,2 16,6 3,8
B 0,0 80,8 12,1 19,8 4,9
C 1,7 79,2 5,0 10,7 4,0
Tabela3–Pontuac¸ãodosquestionáriosPRTEE-0nostrêsgrupos
Grupo Pontuac¸ãomínima Pontuac¸ãomáxima Mediana Média Erropadrão
A 18,0 82,5 52,5 51,7 4,4
B 17,0 83,5 35,8 42,9 4,3
C 24,5 88,5 37,0 47,1 4,9
Tabela4–Pontuac¸ãodosquestionáriosPRTEE-90nostrêsgrupos
Grupo Pontuac¸ãomínima Pontuac¸ãomáxima Mediana Média Erropadrão
A 1,5 80,0 9,5 15,5 3,9 B 0,0 85,0 12,8 21,8 5,5 C 0,5 91,5 6,5 13,0 4,7 90 80 70 60 50 40 30 20 10
Grupo A Grupo B Grupo C
Idade (anos)
Figura3–Idadedospacientesnosgrupos(Kruskal-Wallis; p=0.99).
Com relac¸ão ao questionário PRTEE, notou-se que, em todos os três grupos, apontuac¸ão relativa aoPRTEE-90 foi menordoqueaencontradanoPRTEE-0.Contudo,apontuac¸ão máxima nosgrupos Be Cfoi maiselevadanos questioná-riosPRTEE-90 doque nos PRTEE-0.Essa discrepância pode serexplicadapelapontuac¸ão deumparticipanteque atin-giupontuac¸ãode65,5(PRTEE-0)ede85,0(PRTEE-90),ambos dogrupoB;além de outropacientequeatingiupontuac¸ão
de 83,0 (PRTEE-0) e de 91,5 (PRTEE-90), ambos do grupo C. Importante notar também que outros cinco indivíduos apresentaram pontuac¸ãomais alta noquestionário PRTEE-90 (dois do grupo A, dois do grupo B e um do grupo C) (tabelas3e4).OsvaloresdosquestionáriosPRTEE-180foram
zeradosnostrêsgrupos.
Atabela5mostraaquantidadeabsoluta(n)eaproporc¸ão
depacientes(%)querelataramalgumamelhoriadossintomas,
demonstradapeladiferenc¸aentreosquestionáriosDash-0e
Dash-90maiorouiguala15(distribuic¸ãobinomial).Osvalores
dosquestionáriosPRTEE-180foramzeradosnostrêsgrupos.
Nogeral,81,7%dospacientestiveramalgumamelhoriados
sintomas.NosgruposAeChouverelatodemelhoriaem90%
doscasosede65%nogrupoB(p=0,62),ouseja,háevidências
dequeaproporc¸ãodecuranãoestárelacionadaàsubstância
usada,emumníveldesignificânciade5%.Alémdisso,houve
cruzamentodosintervalosdeconfianc¸aentreosgrupos,oque
evidenciaqueaproporc¸ãodemelhoriadossintomaséigual
nostrêsgrupos.
AfimdeconfirmarosresultadosparaoquestionárioDash,
asproporc¸õesdemelhoriaforamemparelhadasecomparadas
pelo testet deStudent.Relativamenteaoemparelhamento
Tabela5–Diferenc¸aentreosquestionáriosDash-0 eDash-90(pontuac¸ão≥15)
Grupo n % Erropadrão IC95%
A 20 90,0 6,8 [68,3-98,8]
B 20 65,0 10,9 [40,8-94,6]
Tabela6–Diferenc¸aentreosquestionáriosPRTEE-0 ePRTEE-90(pontuac¸ão≥7)
Grupo n % Erropadrão IC95%
A 20 90,0 6,8 [68,3-98,8]
B 20 85,0 8,2 [62,1-96,8]
C 20 90,0 6,9 [68,3-98,8]
Tabela7–TesteKappaparaanáliseintraobservadores demelhoriadossintomas(DashePRTEE)
PRTEE
Semmelhoria Commelhoria Total
Dash
Semmelhoria 10,0 8,3 18,3
Commelhoria 1,7 80,0 81,7
Total 11,7 88,3 100
A/BeB/C,asproporc¸õesforamestatisticamenteasmesmas (p=0,56),assimcomonoemparelhamentoA/C(p=0,41).
AmelhoriadossintomasnoquestionárioPRTEEédefinida comoadiferenc¸aentreaspontuac¸õesentreosquestionários maiorouiguala7.Nesteestudo,90%dosparticipantesdos gruposAeCrelatarammelhoria,assimcomo85%nogrupoB. Otestedeindependênciaentreosgruposnãoapresentou sig-nificânciaestatística(p=0,85)(tabela6).Damesmamaneira
quenoquestionárioDASH,háevidênciasdequeaproporc¸ão
decura,independedasubstânciausada,emumnívelde
sig-nificânciade5%.
Novamente,afimdeconfirmarosresultadosparao
questi-onárioPRTTE,asproporc¸õesdemelhoriaforamemparelhadas
e comparadas pelo teste t de Student. Relativamente ao
emparelhamentoA/B,B/CeA/C,asproporc¸õesforam
esta-tisticamenteasmesmas(p=0,66).
Atabela7mostraosresultadosdotesteKappa,para
con-cordânciainterobservadores,relativamenteaosquestionários
aplicados. Pode-se observarque houve concordância
subs-tancial entre os dois questionários (p=0,6). Com relac¸ão à
concordânciainternadosquestionários,otestealfade
Cron-bachdemonstrouhaverconsistênciaentreosquestionários
(p=0,8).
Discussão
Aescalavisualanalógicaparaanálisededor(EVA)éamais
comumenteusadaparamensurarquadrosálgicos,devidoà
suarápidaefácilaplicabilidade.Contudo, aEVAapresenta
limitac¸õespráticasnocenárioclínico,umavezqueamaioria
dospacientesrelatadificuldadedesetraduzir,emmilímetros,
aintensidadefísicadesuasdores.20
Sãodescritosnaliteraturaváriosmecanismosdeac¸ãodo
PRPque,emprincípio,explicamamelhoriaclínicados
partici-pantesdestapesquisa:aac¸ãohemostáticalocaldasubstância
noperíododepós-operatório,alémdesuainfluênciana
oste-ogênese e cicatrizac¸ão de partes moles, especialmente as
musculares.11Existeaindaahipótesedequeinjec¸ões
autó-logasdesanguetenhaminfluênciadiretasobreacascatade
inflamac¸ãoeiniciemprecocementearecuperac¸ãodotecido
degenerado.10
Infiltrac¸ões locais de corticosteroides, consideradas por
muitoscirurgiõesortopédicoscomoamelhoropc¸ãode
tra-tamento da ELC, têm sido questionadas. Alguns autores
sugeremqueamelhoriaobservadanessespacientestem
efi-cáciaparcialetemporária.16
Emboraalgunsautores12relatemousodoPRPcomoomais
promissormétododetratamentodaELC,opresenteestudo,
através da análise prospectiva de duas diferentes escalas
validadasdeavaliac¸ão,demonstrouresultadospouco
anima-dorescomrelac¸ãoaocrescentemodismodoPRP:nãohouve
diferenc¸a estatisticamente significativa entre asformas de
tratamentoaolongodos180diasdeacompanhamentodos
pacientes (tabelas 5e 6). Ademais,a melhoria intraestudo
dossintomasmostrou-seestatisticamenteequivalentepara
astrêssubstâncias(tabela7).
Éimportanteressaltar,contudo,que,quandomaisdeduas
infiltrac¸õesperitendíneassãofeitas,algunsefeitoscolaterais
indesejados,comonecroselocal,atrofiadotecidoeruptura
tendínea, podemocorrer.1,8,13 Talvez essas sejamas
verda-deirasrazõespelasquaisosprofissionaismédicos prefiram
aaplicac¸ãodoPRPàdecorticosteroides.
Conclusão
EsteestudonãoforneceuevidênciasestatísticasdequeoPRP
proporcionemelhores resultadosdoqueotratamento com
corticosterodesouanestésicoslocaisnotratamentodaELC.
Poroutrolado,houveforteapoioestatísticode
concordân-ciaentreasescalasDashePRTEE.Ambososquestinários,na
versãoemportuguês,demonstraramsereficazesnaavaliac¸ão
daevoluc¸ãodadoenc¸a.
Conflitos
de
interesse
Osautoresdeclaramnãohaverconflitosdeinteresse.
Agradecimentos
Agradecemos àFundac¸ãode Amparoà PesquisadoEstado
deSãoPaulo(Fapesp),processos2012/19254-0e2012/19291-2,
peloapoiodadoaodesenvolvimentodestetrabalho.
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