UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE
CAMPUS DE LARANJEIRAS
DEPARTAMENTO DE ARQUITETURA E URBANISMO
ANTEPROJETO ARQUITETÔNICO PARA NOVA UNIDADE
DO SENAC ARACAJU, SE
ELISA BORGES DE CARVALHO
Laranjeiras - SE
2016
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE
CAMPUS DE LARANJEIRAS
DEPARTAMENTO DE ARQUITETURA E URBANISMO
ELISA BORGES DE CARVALHO
ANTEPROJETO ARQUITETÔNICO PARA NOVA UNIDADE
DO SENAC ARACAJU, SE
Trabalho de Conclusão de Curso
apresentado ao Departamento de Arquitetura e Urbanismo, como requisito parcial para a conclusão do Curso de Graduação em Arquitetura e Urbanismo.
Orientador: Prof. Me. Fernando de Medeiros Galvão
Laranjeiras – SE
2016
ELISA BORGES DE CARVALHO
ANTEPROJETO ARQUITETÔNICO PARA NOVA UNIDADE
DO SENAC ARACAJU, SE
Trabalho de Conclusão de Curso
apresentado ao Departamento de Arquitetura e Urbanismo, como requisito parcial para a conclusão do Curso de Graduação em Arquitetura e Urbanismo.
Orientador: Prof. Me. Fernando de Medeiros Galvão
Aprovado em: ____/____/____
Banca Examinadora:
___________________________________________________________________ Profº. Me. Fernando de Medeiros Galvão
Universidade Federal de Sergipe
___________________________________________________________________ Profª. Me. CarolinaMarques Chaves Galvão
Universidade Federal de Sergipe
___________________________________________________________________ Prof. Me. Fábio Augusto Toscano Bellini
Dedico este trabalho a Deus, a meus pais e a meu querido namorado, por toda força e incentivo, a meus ex-chefes e ex-colegas de estágio, por todos os dias de convívio e aprendizagem, aos colegas de faculdade, que me ajudaram direta e indiretamente, a meu orientador e co-orientadora, pela paciência, pois sem todos eles eu não conseguiria.
RESUMO
O trabalho a seguir é um estudo para o desenvolvimento de uma proposta de um anteprojeto para uma nova unidade do SENAC Aracaju, localizado no Centro da cidade, com a intenção de que as instalações do edifício sejam ideais às atividades específicas que a instituição oferece. Antes do resultado, o estudo contou com diversas pesquisas para fazer uma análise do Sistema “S”, que engloba não só o SENAC, mas outros tipos de serviços, para mostrar o motivo de ser este o escolhido e qual método de isolamento acústico empregar, pois o bairro é bastante movimentado e pelo tipo de edifício é recomendável que haja o mesmo. Além disso, o projeto segue as legislações locais e as diretrizes próprias dos SENACs nacional e local, além das legislações municipais, de modo que ainda conta com o relato de visitas e entrevistas feitas na sede com a gerente geral e com o setor de engenharia, o que facilitou o entendimento das necessidades e do diagnóstico dos prédios existentes, já que em Aracaju não existe apenas uma unidade, e sim 6 unidades (até o fim desta pesquisa).
LISTA DE FIGURAS
Figura 01: SENAC – Centro de Formação Profissional Aracaju 17
Figura 02: Fachada SESC Sede Aracaju 18
Figura 03: Ed. Albano Franco – SENAI/SESI Aracaju 18
Figura 04: Sebrae Aracaju 18
Figura 05: Entrada SEST/SENAT Aracaju 19
Figura 06: SESCOOP Aracaju 19
Figura 07: Entrada Parque João Cleofas – SENAR 19
Figura 08: mapa do SENAC e localização dos respectivos anexos 21
Figura 09: SENAC CFP – Rua Ivo do Prado, 564, São José 22
Figura 10: SENAC anexo I, Rua Doutor Leonardo Leite, 702 - Colégio Brasilia 22
Figura 11: SENAC anexo II, Rua Senador Rollemberg, 648 22
Figura 12: SENAC anexo III, Rua João Carvalho de Aragão, 69 - Col. Atlântico 23 Figura 13: SENAC Anexo IV, Rua Laranjeiras, 307, Centro 23 Figura 14: SENAC anexo V, Avenida Ivo do Prado, 182 –Colégio do Salvador 23
Figura 15: Edifício Oviedo Teixeira, salas 913, 914 e 915 24
Figura 16/17/18: SENAC Lagarto, Itabaiana e Tobias Barreto respectivamente 24
Figura 19: Pavimento Térreo SENAC CFP Aracaju 30
Figura 20: 1º Pavimento SENAC CFP Aracaju 31
Figura 21: 2º Pavimento SENAC CFP Aracaju 31
Figura 22: Entrada SENAC 32
Figura 23: Primeiro contato, recepção 32
Figura 24: Sala de coordenação 33
Figura 25: Sala dos Professores 33
Figura 26: Auditório 33
Figura 27: Sala de corte e costura 34
Figura 28: Sala de aula convencional 34
Figura 29: Salão do restaurante 34
Figura 30: Salão lanchonete 35
Figura 31: Sala de servidores 35
Figura 32: Biblioteca 36
Figura 34: Salas de aula do bloco C 36 Figura 35/36: Fachadas com características de linhas horizontais 37
Figura 37: Planta baixa do térreo da escola 38
Figura 38: Planta baixa pavimento superior 39
Figura 39: Planta Baixa e Pavimento Tipo 40
Figura 40: Banco Sul Americano e Torre de Escritórios 41
Figura 41: Terreno escolhido, atualmente um estacionamento 42
Figura 42: Localização Terreno Nova Unidade SENAC 43
Figura 43: Primeira Implantação + Fluxograma 47
Figura 44: Implantação Final 48
Figura 45: Volumetria Final 48
Figura 46/47/48: Primeiro, segundo e último Estudos da Estrutura 50
LISTA DE SIGLAS
SESC Serviço Social do Comércio
SENAC Serviço Nacional de Aprendizagem ao Comércio
SESI Serviço Social da Indústria
SENAI Serviço Nacional de Aprendizagem à Indústria SEST Serviço Social do Transporte
SENAT Serviço Nacional de Aprendizagem ao Transporte
SEBRAE Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas
SENAR Serviço Nacional de Aprendizagem Rural
SESCOOP Serviço Nacional de Aprendizagem ao Cooperativismo
ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas
MEC Ministério da Educação
UNESCO United Nations Educational Scientific and Cultural Organization
LDB Lei de Diretrizes e Bases da Educação
CLT Consolidação das Leis de Trabalho
CNC Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo
ZAP Zona de Adensamento Preferencial
cm Centímetros
dB Decibéis
LISTA DE TABELAS
Tabela 01: Serviços participantes do “Sistema S” e seus significados Tabela 02: Criação dos Serviços
Tabela 03: Início em Sergipe
Tabela 04: Índices Urbanísticos para o terreno do SENAC-Aracaju Tabela 05: Índices Urbanísticos ZAP 1
Tabela 06: Programa de necessidades proposto Tabela 07: Horário estipulado (set a nov)
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO 9
1.1 CONSTRUÇÃO DO OBJETO DE ESTUDO 11
1.1.1 Educação Profissionalizante e Técnica no Brasil 11
1.1.2 Sistema S no Brasil, no Nordeste e em Sergipe 14
1.1.3 SENAC Nacional – SENAC Aracaju 20
1.2 PROBLEMATIZAÇÃO 25
1.3 JUSTIFICATIVA 26
1.4 OBJETIVO 27
1.5 METODOLOGIA 27
2 PROJETOS CORRELATOS (ESTUDOS DE CASO) 29
2.1 PROJETO 1 – SENAC Aracaju 29
2.2 PROJETO 2 – Banco Sul-americano 37
2.3 PROJETO 3 – Escola de Governo do Estado do Rio Grande do Norte 39
3 ELABORAÇÃO DO ANTEPROJETO 41 3.1 ESCOLHA DO TERRENO 41 3.2 PROGRAMA DE NECESSIDADES 44 3.3 ESTUDOS DE IMPLANTAÇÃO 46 3.4 ANTEPROJETO 49 4 CONCLUSÃO 53 5 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 54 APÊNDICE 57 ANEXO 58
9
1 INTRODUÇÃO
Para a Constituição Federal de 1988, no artigo 6º, “a educação é um direito social a qualquer cidadão”, “além de um dever da família e do Estado”, como está no artigo 2º da lei Nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Porém, para a representação da Unesco no Brasil, através do Relatório de Monitoramento Global de Educação para Todos de 2015, ela possui “acesso dificultado, tratada como um sonho para muitos, em algumas partes do país em virtude da pobreza, a disparidade de gênero, isolamento geográfico e situação de minoria”. (UNESCO, 2015, p. 1)
Cada vez mais, nos dias de hoje, é necessário um estímulo a todo tipo de ensino, seja ele fundamental, médio, superior ou técnico, pois a educação é essencial no crescimento intelectual ou financeiro de qualquer pessoa, independente de raça, gênero ou status, além de uma importante iniciativa para inserção social. Porém, no início do ano de 2015, foi noticiado que o Governo Federal fez um corte na verba da educação, sendo este o ministério mais prejudicado, mesmo mantendo o orçamento acima do permitido pela Constituição (Portal Planalto, 2015, p. 1), o que contradiz a realidade atual, ainda assim mantendo iniciativas para o ensino técnico como o Pronatec, que possui ofertantes não só da rede federal, mas também da rede privada, como as do Sistema S (PRONATEC, 2015).
O ensino técnico, por sua vez, possui muitas vantagens, como a duração menor que a de um curso superior, os professores são qualificados (alguns também ensinam em universidades), rápida inserção no mercado de trabalho, há também a gratuidade, e para os cursos pagos, os valores são bem acessíveis, além de que, para começar um curso técnico o aluno pode ter pouca idade e ter apenas o ensino fundamental. Já o comércio, por ser um segmento crescente em todos os cantos das cidades e ser diretamente relacionado à economia, é importante que exista cada vez mais um estímulo a esse segmento, seja em investimento, seja em mão de obra.
É com esse pensamento que o seguinte trabalho traz como tema principal uma proposta para um novo prédio do SENAC Aracaju, já que o ensino técnico possui
10 requisitos independentes e articulados ao mesmo tempo com o ensino médio, para o ingresso a qualquer instituição educacional, segundo a Resolução CNE/CEB Nº 04/99.
1.1 CONSTRUÇÃO DO OBJETO DE ESTUDO
1.1.1 Educação Profissionalizante e Técnica no Brasil
A aprendizagem profissionalizante no Brasil se deu após a Revolução Industrial1 com a necessidade de suprir o aumento da população nas cidades e nas indústrias. Consequentemente, a demanda crescente do mercado produtivo, mais precisamente após a Proclamação da República (15/11/1889), - com a criação de dezenove Escolas de Aprendizes Artífices em estados diferentes, por Nilo Peçanha enquanto presidente, em 1909, que para muitos antecedem os Centros Federais de Educação Tecnológica (CEFET), futuro das Escolas Técnicas Federais de Minas Gerais, Paraná e do Rio de Janeiro, de acordo com a Lei nº 6.545/1978 - trouxe com ela a necessidade cada vez maior de mão de obra qualificada. Anteriormente a isso, os trabalhadores eram trazidos de outros países. O alvo dessas escolas eram crianças entre 10 e 13 anos, com o intuito de tirá-las da inatividade e da criminalidade. As instalações dos edifícios dessas escolas eram incapazes de atender as necessidades dos alunos, além de que havia uma carência na quantidade de professores qualificados, sendo assim, era visível a baixa efetividade (OLIVEIRA; SALES, sd).
A partir do mandato de Getúlio Vargas, na década de 1930, a industrialização no país realmente se desenvolveu e, com esse impulso, além de causar transformações na organização do Estado para acompanhar esse seguimento, foi necessário a utilização de novas técnicas para qualificação da mão de obra. É pensando assim que:
[...] são orientadas políticas no campo da educação com o objetivo de atender às demandas do processo de industrialização e do crescimento vertiginoso
1 A Revolução Industrial ficou marcada pelas alterações ocorridas no modo de manufatura e se deu
originalmente após o século XVIII na Inglaterra, porém no Brasil aconteceu apenas a partir de 1930. (AZEVEDO, 2010)
11
da população urbana, começando pela criação do Ministério da Educação e da Saúde em 1930, quando se inicia uma autêntica reestruturação no sistema educacional brasileiro, notadamente no âmbito do ensino profissional, que ao instituir a Inspetoria do Ensino Profissional Técnico, ampliou os espaços de consolidação da estrutura do ensino profissional no Brasil (SANTOS, 2003, p. 216 apud OLIVEIRA; SALES, sd, p. 9).
Com essas transformações, pode-se perceber nas primeiras décadas do período Republicano que há uma divisão no sistema de ensino brasileiro em que de um lado há escolas direcionadas a atividades braçais e manuseáveis, práticas, e do outro lado escolas direcionadas a atividades mentais, teóricas (TEIXEIRA, 1976 apud
OLIVEIRA; SALES, sd). Esse contexto foi confirmado após a execução da Reforma Capanema em que definia pelas Leis Orgânicas que os concluintes dos cursos técnicos só podiam acessar o ensino superior em áreas semelhantes às que cursaram anteriormente no ensino profissional, sendo elas suspensas apenas com a efetivação da Constituição de 1946 (OLIVEIRA; SALES, sd).
Após a criação da lei nº 5.692/1971 que modifica a LDB de 1961 (lei nº 4.024, de 20 de dezembro de 1961), foi determinado que seria obrigatória a profissionalização nos cursos técnicos, chamada então de compulsória. Ela tinha como função controlar o crescimento na procura de vagas para os cursos de ensino superior, sendo anulada com a lei nº 7.044/1982 já que foi constatado que ela não funcionava corretamente (OLIVEIRA, 2003 apud OLIVEIRA; SALES, sd). Assim,
ao contrário do fracasso registrado no ensino profissionalizante de segundo grau, as Escolas Técnicas Federais gozavam de grande prestígio junto ao empresariado. De escolas antes destinadas aos desvalidos e aos desprovidos de fortuna no tempo em que eram Escolas de Aprendizes Artífices, essas instituições se converteram em Escolas Técnicas, nas quais a grande parcela dos técnicos por elas formados, com contexto dos anos 60 e 70, eram recrutados, quase que sem restrições, pelas grandes empresas privadas ou estatais (SANTOS, 2003, p. 220 apud OLIVEIRA; SALES, sd).
Desde então, percebe-se um questionamento em relação ao ensino deixado pelo Império, mostrado ainda no início do período republicano, uma vez que favorecia a alta sociedade, que tinha direcionada para si o ensino secundário e superior, visto
12 que com as variações nos quesitos sociais, industriais e econômicos, crescia a necessidade de se incluir um público diferente (OLIVEIRA; SALES, sd).
Para falar da lei de aprendizagem, precisa-se voltar a 1943, quando a CLT foi lançada e, no seu art. 429 dizia que as indústrias foram obrigadas a contratar aprendizes entre catorze e dezoito anos, que estivessem matriculados em cursos de aprendizagem (BRASIL, 1943). Um ano antes, foi lançado o Decreto-Lei 5.091/1942, em seu art. 1º, que:
dispõe sobre o conceito de aprendiz, para os efeitos da legislação do ensino, considera-se aprendiz o trabalhador menor de dezoito anos e maior de catorze, sujeito à formação profissional metódica do ofício em que se exerça o seu trabalho.
Ambos no governo de Getúlio Vargas. Já em 1946, foi promulgado o Decreto-Lei nº 8.622/1946 e no seu art. 1º afirmava que:
os estabelecimentos comerciais de qualquer natureza, que possuírem mais de nove empregados, são obrigados a empregar e matricular, nas escolas de aprendizagem [...], um número de trabalhadores menores como praticantes, que será determinado pelo Conselho Nacional, de acordo com as práticas ou funções que demandem formação profissional [...].
Através das Leis Orgânicas, ou Reforma Capanema, já mencionada anteriormente, foram criados então, os primeiros serviços (SENAI e SENAC) a fazer parte do Sistema S (abordado no próximo tópico), em consequência da carência crescente de pessoas qualificadas para a indústria e para o comércio, respectivamente. A contribuição desses serviços para o mercado de trabalho é feita até hoje, além de que com o passar dos anos, outros serviços que englobam outras áreas também foram criadas. Seu público alvo são os jovens aprendizes e com a criação do Estatuto da Criança e do Adolescente, em 1990, ganharam algumas vantagens em relação às suas condições de trabalho, como diz no art. 69:
O adolescente tem direito à profissionalização e a proteção no trabalho, observados os seguintes aspectos, entre outros: I – respeito à condição
13
peculiar de pessoa em desenvolvimento; II – capacitação profissional adequada ao mercado de trabalho (BRASIL, 1990).
A partir do ano 2000, quando a lei da aprendizagem foi revisada e, assim, lançada uma nova (10.097/2000), novos benefícios para os aprendizes foram gerados. Sendo assim, a indústria e o comércio não eram mais os únicos a deter a responsabilidade de matriculá-los, ampliando para outras instituições essa exigência e caso houvesse insuficiência de vagas, as entidades sem fins lucrativos ou escolas técnicas poderiam conceder inscrições para os remanescentes. Um pouco mais tarde, em 2005, a Lei nº 11.180/2005 fez com que a idade máxima desses aprendizes passasse de 18 para 24 anos, sendo proibido o emprego de menores de 16 anos, exceto como aprendiz (BRASIL, 2005). Em áreas, em que a quantidade de registros fosse insuficiente para abertura de novas turmas, o EAD foi levado para esses locais, por determinação da Portaria nº 1.003/2008, em seu art. 4º § 7.
O Sistema S, hoje em dia, possui então algumas das maiores organizações para aprendizagem e emprego de menores aprendizes em uma parceria que fortalece essa conexão, além da oferta de serviços sociais para seus contratantes.
1.1.2 Sistema S no Brasil, no Nordeste e em Sergipe
Assim como mostra no site do Senado Federal, o Sistema S é um grupo de organizações com características semelhantes, como exemplo o fato de serem privadas e receberem contribuição mandatória das empresas das respectivas áreas, mas que recebem recursos do governo e que começam com a letra “S”. Oferecem vários tipos de serviços direcionados a “capacitação profissional, assistência social, consultoria, pesquisa e assistência técnica”. Criado na década de 1940, no governo de Getúlio Vargas, está presente em todo país e reune vários campos de atuação como indústria, comércio, agropecuária, transporte e outros.
14 Tabela 01: Serviços participantes do “Sistema S” e seus significados
Sigla Significado Administração
SESC Serviço Social do Comércio Ambos administrados pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e
Turismo. SENAC Serviço Nacional de Aprendizagem
Comercial
SESI Serviço Social da Indústria
Ambos administrados pela Confederação Nacional da Indústria
SENAI Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial
SEST Serviço Social do Transporte
Ambos administrados pela Confederação Nacional do Transporte
SENAT Serviço Nacional de Aprendizagem ao Transporte
SESCOOP Serviço Nacional de Aprendizagem
ao Cooperativismo Sistema Cooperativista Nacional SENAR Serviço Nacional de Aprendizagem
Rural
Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária do Brasil
SEBRAE Serviço Brasileiro de Apoio às Micro
e Pequenas Empresas Autônomo Fonte: sites do Sistema S
SESC: “é uma entidade privada que tem como objetivo proporcionar o bem-estar e a qualidade de vida aos trabalhadores do comércio, mantido pelos empresários do comércio de bens, de turismo e serviços.” (SESC, sd)
SENAC: “é, desde sua criação, o principal agente da educação profissional voltado para o Setor do Comércio de Bens, Serviços e Turismo.” (SENAC, sd)
SESI: “tem como desafio desenvolver uma educação de excelência voltada para o mundo do trabalho e aumentar a produtividade da indústria promovendo o bem-estar do trabalhador. Oferece soluções para as empresas industriais brasileiras por meio de uma rede integrada, que engloba atividades de educação, segurança e saúde do trabalho e qualidade de vida.” (SESI, 2015)
SENAI: “é um dos cinco maiores complexos de educação profissional do mundo e o maior da América Latina. [...] Sua missão é promover a educação profissional e tecnológica, a inovação e a tranferência de tecnologias industriais, contribuindo para elevar a competitividade da indústria brasileira.” (SENAI, 2015)
SEST/SENAT: “são entidades civis sem fins lucrativos, criada com o objetivo de valorizar os trabalhadores do setor do transporte.[...]
15
Responsável por gerenciar, desenvolver e apoiar programas que prezam pelo bem-estar do trabalhador em áreas como saúde, cultura, lazer e segurança no trabalho.”
SENAR: “é uma entidade de direito privado, paraestatal, mantida pela classe patronal rural, vinculada à Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil – CNA e administrada pelo Conselho Deliberativo tripartite. Têm como missão realizar a educação profissional e promoção social das pessoas do meio rural, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida e para o desenvolvimento sustentável do país.” (SENAR, sd)
SESCOOP: “tem o objetivo de organizar, administrar e executar o ensino de formação profissional, a promoção social dos empregados de cooperativas, cooperados e seus familiares, e o monitoramento das cooperativas em todo território nacional.” (SESCOOP, sd)
SEBRAE: “é uma entidade privada atua com foco no fortalecimento do empreendedorismo e na aceleração do processo de formalização da economia por meio de parcerias com os setores públicos e privado, programas de capacitação, acesso ao crédito e à inovação, estímulo ao associativismo, feiras e rodadas de negócios.” (SEBRAE, sd)
Na tabela abaixo, encontram-se os serviços com suas respectivas característi-cas em âmbito nacional:
Tabela 02: Criação dos Serviços
Sigla Datas de Criação / Decretos Nº de Unidades
Sergipe Nordeste Brasil
SENAI Decreto nº 4.048 de 22 de janeiro de 1942 06 74 1022 SENAC Decreto nº 8.622 de 10 de janeiro de 1946 04 70 455
SESI Decreto nº 9.403 de 25 de junho de 1946 01 58 710 SESC Decreto nº 9.853 de 13 de setembro de 1946 08 104 396 SEBRAE CEBRAE - 17 de julho de 1972
SEBRAE – Dec. nº 99.570 de 09 de outubro de 1990 06 260 661 SENAR Decreto nº 8.315 de 23 de dezembro de 1991 01 09 27
SEST/
SENAT Decreto nº 8.706 de 14 de setembro de 1993 02 25 147 SESCOOP Decreto nº 1.715 de 03 de setembro de 1998 01 09 27
Total 29 609 3445
16 Em Sergipe, a ordem de aparecimento para cada serviço do Sistema S não seguiu exatamente como ocorreu no restante do país. Abaixo, segue tabela com de-monstração:
Tabela 03: Início em Sergipe
Sigla Ano de lançamento Em Sergipe SENAI 1945 SENAC 1947 SESC Janeiro de 1948 SESI Maio de 1948 SEBRAE 1990 SENAR 1991 SEST/SENAT 1993 SESCOOP 1998 Fonte: sites do Sistema S
Figura 01: SENAC – CFP Aracaju
17 Figura 02: Fachadas SESC Sede Aracaju
Fonte: própria autora
Figura 03: Ed. Albano Franco – SENAI/SESI Aracaju
Fonte: www.se.sesi.br
Figura 04: Sebrae Aracaju
18 Figura 05: Entrada SEST/SENAT Aracaju
Fonte: Google Street View
Figura 06: SESCOOP Aracaju
Fonte: Google Street View
Figura 07: Entrada Parque João Cleofas - SENAR
19 1.1.3 SENAC Nacional – SENAC Aracaju
Após o fim da Segunda Guerra Mundial, o país estava necessitado de trabalhadores qualificados das mais variadas áreas, devido à mudança econômica e política nacional. Foi assim que surgiu a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), se tornando, então, a instituição superior na área comercial (CNC, sd). Dessa forma, a CNC criou no ano seguinte, com o Decreto-Lei nº 8.621 de 10 de janeiro de 1946, o SENAC, um dos maiores mecanismos de aprendizagem do país, porém obteve essa função apenas com o lançamento do Decreto-Lei nº 8.622 da mesma data. Ele foi se expandindo ao ponto que os anos se passavam e estão, atualmente, distribuídos em todas as unidades federativas nacionais, levando a demanda de cursos aos locais mais afastados das cidades grandes (SENAC, sd).
Era cada vez mais notório o quanto havia de carência no aumento da demanda de cursos nas localidades, trazendo então como solução, por uma colaboração do SENAC e SESC-SP, o lançamento da Universidade do Ar (UNAR), uma maneira de transmitir o ensino através do rádio para as pessoas que trabalhavam no comércio, a princípio no interior do estado de São Paulo. Foi assim que se deu início o ensino à distância (EAD), que mais tarde adotaria as unidades móveis, tornando-se bastante importante para o referido seguimento (SENAC, sd). Alguns anos mais tarde, a partir da década de 90, a Rede EAD SENAC, foi criada com intuito de levar cursos de pós-graduação latu senso, após liberação do MEC, mas apenas nos anos 2000 a mudança para SENAC EAD marcou a ida não apenas desses, mas também de cursos técnicos a nível universitário e de graduação (SENAC, sd).
Outra modalidade em que o SENAC se destaca a partir da década de 60 e mostra sua força até hoje é a chamada empresa-escola, onde o estudante executa em ambiente apropriado o que aprende na sala de aula, como por exemplo hotéis-escola e restaurantes-hotéis-escola. Além disso, também a partir da década de 90, a Editora SENAC, recém criada, passa a produzir material didático que auxiliam seus alunos e outros de outras instituições (SENAC, sd). Como se não bastasse, houve ainda a criação da Rede SESC-SENAC, em que teleconferências eram feitas para encorajar
20 discussões entre especialistas e pessoas em geral e, mais a frente, o Espaço SENAC, hoje em dia Sintonia SENAC, após passar por estensão, um programa de rádio existente em mais ou menos 1000 emissoras no país (SENAC, sd).
Em Aracaju, a primeira sede estava localizada na rua José do Prado Franco, 497 e foi inaugurada em 13 de agosto de 1947, porém levada para a Av. Ivo do Prado, 564 - Bairro São José que hoje se encontra desde 1952. A primeira Unidade Móvel veio para o estado apenas em 1970, levando para as cidades do interior o mesmo objetivo que a unidade fixa, difundir o ensino técnico. Em 1999, duas escolas-móveis foram adquiridas com o início do Programa SENAC Móvel e nelas continham cursos de administração e informática e a outra de moda e beleza. Já em 2001 a terceira escola-móvel veio para disseminar cursos de hospitalidade e turismo (SENAC, sd).
Até então, o SENAC Aracaju contava com 1 sede e 5 anexos espalhados pela cidade. No mapa abaixo, seguem demonstrados suas localizações:
Figura 08: mapa do SENAC e localização dos respectivos anexos
21 Figura 09: SENAC Centro de Formação Profissional – Rua Ivo do Prado, 564,
São José
Fonte: Própria autora
Figura 10: SENAC anexo I, Rua Doutor Leonardo Leite, 702 - Colégio Brasília
Fonte: Própria autora
Figura 11: SENAC anexo II, Rua Senador Rollemberg, 648
22 Figura 12: SENAC anexo III, Rua João Carvalho de Aragão, 69 – Colégio Atlântico
Fonte: Própria autora
Figura 13: SENAC Anexo IV, Rua Laranjeiras, 307, Centro
Fonte: própria autora
Figura 14: SENAC anexo V, Avenida Ivo do Prado, 182 – Antigo Colégio do Salvador
23 Atualmente, segundo informações dadas pela gerente geral na época da entrevista e pelo arquiteto2 do SENAC, dos anexos citados anteriormente, 04 estão inativos por motivos de “edifício devolvido ao dono” (anexos I, IV e V) ou “falta de verba do governo” (anexo III). Porém, um novo anexo precisou ser incluído ao quadro pois ainda assim a demanda continua crescente e nem todos os cursos conseguem ser comportados na sede. Ele está localizado na Av. Rio Branco, 186, Centro (Figura 15), com apenas 03 salas alugadas.
Figura 15: Edifício Oviedo Teixeira, salas 913, 914 e 915
Fonte: Própria autora
Além da sede e dos anexos citados, mais 03 unidades levam os serviços do SENAC ao interior do estado, que podem ser conferidas nas imagens a seguir:
Figuras 16,17,18: SENAC Lagarto, Itabaiana e Tobias Barreto respectivamente
Fonte: www.senac.se.br
24 Assim, esses mais de 60 anos traz como resultado toda dedicação, não só por parte dos serviços oferecidos e de seus funcionários, mas também de mais de 40 milhões de pessoas certificadas em ensino técnico pelo SENAC.
1.2 PROBLEMATIZAÇÃO
Em Aracaju existem 6 unidades: a sede localizada na Av. Ivo do Prado, 564 - Bairro São José, com seu setor administrativo totalmente concentrado, e os 5 anexos, sendo o anexo III, localizado na Rua João Carvalho Aragão, 69 - Bairro Atalaia, recém desativado devido à falta de verba para a continuação do Pronatec. A primeira delas com instalações na rua José do Prado Franco, 497, como Delegacia Estadual desde 13 de agosto de 1947. Os anexos são edifícios já existentes adaptados para comportar turmas que excederam a quantidade de vagas na sede. Dessa forma, minha proposta para um novo prédio do SENAC consiste em unificar os 02 anexos localizados no Centro da cidade, pois eles são adaptações de edifícios alugados já existentes e tirar do diagnóstico, os problemas encontrados na sede do SENAC Aracaju. Segundo entrevista3 feita na própria sede do SENAC, o edifício, por ser antigo, não dispõe de mais espaço para uma ampliação pois os índices urbanísticos da região não permitem. Os maiores problemas no SENAC Aracaju são:
a falta de vagas de garagem para os estudantes, que utilizam a Av. Ivo do Prado como estacionamento durante a noite, período de maior fluxo de pessoas,
as cozinhas precisam de uma câmara frigorífica, devido a grande quantidade de geladeiras, que por ocuparem bastante espaço tiram da superfície de bancadas, necessárias para o tipo de cozinha,
o almoxarifado não possui espaço para materiais quebrados e usados, que ficam amontoados no canto da garagem interna.
25 Inicialmente, a ideia para o novo prédio do SENAC partia da unificação de todos os outros anexos existentes na cidade, já que são 05 ao total, por serem edifícios reformados e adaptados. Porém, com um melhor estudo, resultado de algumas visitas e entrevistas feitas na sede com a gerente geral e com o pessoal do setor de engenharia, foi feito um diagnóstico. Através das conversas, os problemas relatados do SENAC estão no subdimensionamento de alguns ambientes, como a garagem com vagas apenas para funcionários, almoxarifado insuficiente, cozinha escola com número de alunos acima do comportado e sem câmara frigorífica, banheiros sem acessibilidade, não há vestiário para funcionários e a necessidade cada vez maior de crescer, devido a demanda que também cresce.
1.3 JUSTIFICATIVA
Por existir vários serviços que fazem parte do Sistema S na cidade, a escolha final pelo SENAC se deu devido à facilidade de acesso às informações, não apenas digitais como físicas e também por ser uma instituição com grande procura por pessoas que queiram se requalificar perante o mercado. Um dos fatores que afunilaram as escolhas foram, como exemplo, a difícil entrada no SENAI, mesmo informando o motivo da visita e no SEST/SENAT4 (sedes integradas) não se observou necessidade de ampliação ou de fazer uma nova proposta para a unidade, pois tanto a demanda de cursos quanto a quantidade de pessoas que usufruíam do espaço e dos serviços eram suficientes, segundo informou um dos funcionários presente no local. Com o SENAC, foi perceptível a necessidade de realização de um crescimento pois vários são os anexos distribuídos pela região, além de haver disponibilidade por parte dos funcionários.
Para isso, a proposta do novo prédio se localiza no Centro da cidade em razão da concentração do comércio, trazendo assim uma troca de favores entre os donos de estabelecimentos comerciais e técnicos recém-certificado, como também de sua proximidade com o Terminal Rodoviário Governador Luiz Garcia. Ele dinamiza também a locomoção dos alunos que moram em cidades vizinhas. Não esquecendo
26 o fato de existir, naquele bairro, 02 anexos adaptados para aproveitamento de turmas remanescentes.
A procura maior pelos serviços ligados ao governo se sobressae das outras em consequência da transparência em meios de publicidade e na importância para pessoas de menor poder aquisitivo. Outra causa considerável é a relação direta com a educação e com o mercado de trabalho, visto que para o público citado, o curso técnico é muito importante, posto que a duração destes é menor que a de uma graduação, por exemplo, porém não tão importante.
1.4 OBJETIVOS
Geral:
Desenvolvimento de anteprojeto de uma nova unidade SENAC – Aracaju.
Específicos:
Compreender a estrutura do Sistema S no Brasil, no Nordeste e em Sergipe;
Investigar a atuação física na oferta de cursos de educação profissionalizante através do SENAC – Aracaju;
Fazer uso de recursos de adequação climática ao projeto arquitetônico como instrumento que otimize funcionamento e a manutenção da edificação.
1.5 METODOLOGIA
Foram feitas pesquisas de campo em vários locais, como SEST/SENAT e o SENAI, antes de chegar ao SENAC, que foi o local com maior facilidade de informações para se obter o que era necessário para o trabalho final. No SEST/SENAT, apesar de haver apenas uma unidade em Aracaju, o local é bem distribuído, com ofertas de cursos e demanda suficientes, além de um espaço organizado. Porém, para conseguir o material de pesquisa houve um pouco de dificuldade, não só no material físico como no digital. Além disso, houve indisponibilidade por parte da coordenação.
27 Já o SENAI, mesmo dizendo o motivo para se fazer tais visitas, houve demora na obtenção de uma resposta da coordenação. Dessa forma, devido à transparência da gerência e do setor de engenharia que o SENAC possui, esse foi um dos motivos determinantes para se chegar à idealização do trabalho.
De início, houve uma entrevista com a gerente da unidade operativa de Aracaju5 para falar sobre o funcionamento do SENAC e a quantidade de funcionários que possuía. Após a primeira visita, foi feito um agendamento de horário para que pudesse adentrar as instalações e poder fazer o levantamento fotográfico pretendido, já que era notório a necessidade de uma ampliação no referido local, devido às reclamações dos entrevistados. Por fim, uma conversa informal com o arquiteto
ajudou nas informações conclusivas para o trabalho. Muitas das
informações/ambientes essenciais não havia possibilidade de acesso, pois nunca antes houve a obrigação de se fazer qualquer tipo de análise, além de que, nem todos os ambientes puderam ser adentrados, por motivos internos da administração.
O trabalho começou a ser escrito após revisão bibliográfica, que contou com mais pesquisas em sites da internet dos respectivos serviços, (muitas das informações já constavam online), e houve fornecimento do calendário de cursos com horários e período de realização pelo SENAC.
O projeto foi elaborado após confecção do programa de necessidades com ajuda do setor de engenharia do próprio SENAC. Visita foi feita para que pudesse analisar os pontos fortes e fracos daquele edifício que hoje em dia é a sede do serviço na cidade. Alguns layouts precisaram ser adaptados com o tipo de aula que seria ministrada em sala específica. Feito isso então, pôde ser iniciado o projeto executivo com o uso de alguns softwares como AutoCad, Revit e Photoshop.
28
2 PROJETOS CORRELATOS (ESTUDOS DE CASO)
Com a intenção de um melhor entendimento na construção da concepção do referido anteprojeto, alguns projetos correlatos foram selecionados para referenciar as escolhas feitas que vão do terreno ao emprego de componentes estruturais e estéticos, por exemplo, além da escolha do tema, que está direcionado à educação nacional, porém, mais especificamente ao ensino técnico. Segue abaixo alguns exem-plos.
2.1 PROJETO 1 – SENAC ARACAJU
O primeiro correlato a ser abordado é o SENAC Aracaju, principal objeto de estudo para este trabalho, pois é dele que saem as informações para construir as necessidades do anteprojeto. Possui seu Centro de Formação Profissional localizado na Av. Ivo do Prado, nº 564, Bairro São José, Aracaju/Se e é um dos principais polos de educação profissionalizante da cidade, já que sua localização é um grande atrativo para aqueles que procuram o ensino técnico da área especificada. O terreno conta com uma área total de 5.950,54 m², está localizado na ZAP 3 e há mais ou menos 63 anos, pois antes disso era conjugado com o SESC.
Tabela 04: Índices Urbanísticos para o terreno do SENAC-Aracaju
ZONA PAV RECUO MÍNIMO FRONTAL RECUO MÍ-NIMO DE FUNDO RECUO MÍ-NIMO LATE-RAL ALTURA MÁ-XIMA TAXA DE OCUPAÇÃO MÁXIMA Z A P 2 A 5 1º (tér-reo) Fachadas Norte e Oeste – 3m Fachadas Sul e Leste - Isento Isento Isento Para a soma dos pavimen-tos 7.5m c/ uso de gale-ria de lojas 6m s/ uso de galeria de lo-jas 90% desde que resguar-dados os re-cuos mínimos 2º Isento 1.50m 3º 3.00m 1.50m 1.50m
29 4º em diante 3.00m p/ vias coleto-ras II e lo-cais 5m p/ vias coletoras I, expressas e principais RF=1.5+0.2( NP-5) Desde que resguarda-dos os recuos mínimos acima RF=1.5+0.2( NP-5) Desde que resguarda-dos os recuos mínimos acima A que o lote permitir, aten-didas as exi-gências de potencial construtivo e recuos 70% desde que resguar-dados os re-cuos mínimos Fonte: www.aracaju.se.gov.br
Figura 19: Pavimento Térreo SENAC CFP Aracaju
Fonte: SENAC Aracaju
Restaurante/ Lanchonete/ Almoxarifado Setor Enge-nharia Idiomas Salão de Be-leza (recém Inaugurado)
30 Figura 20: 1º Pavimento SENAC CFP Aracaju
Fonte: SENAC Aracaju
Figura 21: 2º Pavimento SENAC CFP Aracaju
Fonte: SENAC Aracaju
Diretoria/ Coordenação Recursos Hu-manos Salas de Esté-tica Núcleo Financeiro/ Salas de Aula Laboratórios de Infor-mática Salas de Aula
31 O edifício conta com os mais variados ambientes, desde o básico, que são os banheiros, até a cozinha do restaurante, diferenciada por ser para aprendizagem, e as salas específicas para aulas de rádio e TV, tudo dividido entre 03 blocos. De acordo com o site do SENAC, o bloco A, chamado de Carlos Alberto Sampaio, possui:
“08 salas de aula, 01 ateliê de artes plásticas, 01 laboratório de informática para pessoas com deficiência, 01 salão de beleza – com instalações para manicura e pedicura, depilação, maquiagem e cuidados com o cabelo -, secretaria escolar e central de atendimento ao cliente, além de 01 lanchonete, 03 cozinhas didáticas, 01 auditório com capacidade para 200 pessoas e 01 restaurante com capacidade para 80 pessoas”.
Adiante, alguns ambientes correspondentes ao bloco A:
Figura 22: Entrada SENAC
Fonte: própria autora
Figura 23: Primeiro contato, recepção
32 Figura 24: Sala de coordenação
Fonte: própria autora
Figura 25: Sala dos Professores
Fonte: própria autora
Figura 26: Auditório
33 Figura 27: Sala de corte e costura
Fonte: própria autora
Sala 28: Sala de aula convencional
Fonte: própria autora
Figura 29: Salão do restaurante
34 Figura 30: Salão lanchonete
Fonte: própria autora
Figura 31: Sala de servidores
Fonte: própria autora
No Bloco B, por sua vez, chamado de Edifício Walker Martins, a quantidade de ambientes é maior, assim, ainda de acordo com o site do SENAC, ele dispõe de:
“04 salas de aulas convencionais, 01 laboratório de estética, 01 laboratório de saúde, 03 laboratórios de idiomas, 01 biblioteca integrada às demais salas de multimeios do SENAC espalhadas pelo Brasil, 01 videoteca, 01 miniauditório com capacidade para 30 pessoas, 01 laboratório para curso de Manutenção de Computadores e 05 laboratórios de informática. Além dessas, há também as instalações do Banco de Oportunidades, dos cursos de Rede EAD de pós-graduação e ambientes para os cursos de Educação a Distância”.
35 Figura 32: Biblioteca
Fonte: própria autora
Figura 33: Laboratório de Informática
Fonte: própria autora
Já o Bloco C, são “05 salas de aula e ambientes pedagógicos modernos com capacidade para 150 pessoas” (SENAC, sd). A seguir, imagem externa do bloco:
Figura 34: Salas de aula do bloco C
36 Mesmo com 03 blocos e a grande quantidade de salas, o edifício torna-se pequeno para a crescente demanda do SENAC, ainda que sua grade p1ossua inúmeras opções, ela tende a mudar de 03 em 03 meses (ver apêndice e anexo), pois muitos dos cursos além de ficarem defasados e precisarem de atualizações, pode haver mudança na quantidade de matrículas para cada curso, separadamente.
Devido a regras internas da diretoria, nem todos os ambientes puderam ser fotografados6 como por exemplo as cozinhas do restaurante e da lanchonete, além de algumas salas de idiomas, os laboratórios de radio e TV, como algumas salas que naquele horário estavam acontecendo as aulas.
2.2 PROJETO 2: ESCOLA DE GOVERNO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE, Natal, Carlos Ribeiro Dantas Arquitetos Associados, 2010
Apesar da proposta do novo prédio do SENAC ser um edifício de 07 andares, o projeto desta escola foi escolhido pelo seu desenho marcado pelas linhas horizontais, plástica definida pelos seus elementos estruturais, como rampas, balcões e brises. Essa característica foi facilitada devido ao comprimento do terreno escolhido para este trabalho que é bastante extenso e permitiu que pudesse ser percebida de forma mais clara nas suas passarelas, além da aplicação também de brises nas fachadas com maior incidência solar (ARCHDAILY, 2016).
Figuras 35/36: Fachadas com características de linhas horizontais
Fonte: www.archdaily.com.br
37 A Escola de Governo do Estado do Rio Grande do Norte foi assim chamada pois sua construção marcou a necessidade dos servidores públicos de aperfeiçoar seus conhecimentos a respeito da gestão pública, já que até então não havia local específico para tal ofício. Então, sua função é basicamente voltada ao ensino e conta com uma biblioteca que ajuda no arquivamento de material sobre esse assunto, porém possui auditórios que recebem também solenidades de outros locais (ARCHDAILY, 2016).
Figura 37: Planta baixa do térreo da escola
Fonte: www.archdaily.com.br
Na imagem acima, percebe-se no número 08 da legenda, os 04 auditórios localizados um ao lado do outro, e ainda divididos por portas que possuem mobilidade com a intenção de aumentar a quantidade de pessoas comportadas no ambiente, mas que não excluem a acústica do local e, paralelamente, está localizada a rampa que liga o térreo ao pavimento superior, onde estão localizados a biblioteca, o arquivo e outros ambientes que servem de apoio para alguns espaços do pavimento térreo (ARCHDAILY, 2016). Na imagem a seguir, percebe-se a localização dos ambientes mencionados: 1. Subestação 2. Administração 3. Praça de Alimentação 4. Camarins 5. Salas de Aula 6. Setor Pedagógico 7. Secretaria 8. Auditório 9. Foyer
38 Figura 38: Planta baixa pavimento superior
Fonte: www.archdaily.com.br
2.3 PROJETO 3: BANCO SUL-AMERICANO, São Paulo, Rino Levi, 1961-1963
Este edifício foi escolhido pela utilização de brises em suas fachadas e trouxe para este anteprojeto característica marcante em sua estética e na adequação ao clima de Aracaju. É um projeto do arquiteto brasileiro Rino Levi, último antes de seu falecimento, está localizado na cidade de São Paulo, comportava, originalmente, o Banco Sul-Americano, diferente do que está lá hoje em dia, e foi elaborado e concluído entre 1961 e 1963. O Instituto de Pesquisa Tecnológica da Universidade de São Paulo – IPT – o declarou como maior em eficiência na utilização da energia elétrica na Avenida Paulista, pelo fato de haver brises em suas fachadas, que contribuem com o não uso do ar condicionado. A área em questão, que se revelou ser o centro econômico da cidade, antes era dominada pelas residências, ainda na época em que o prédio se ergueu (CAVALCANTE, SD).
1. Arquivo 2. Biblioteca 3. Salas de Estudo 4. Bibliotecários 5. Guarda-volumes 6. Sala de conferência 7. Controle do Auditório
39 Passou por uma reforma, recentemente, com a intenção de adicionar 02 pavimentos de subsolo, a fim de expandir a quantidade de vagas para veículos, locar um refeitório e os caixas fortes, mesmo com grande despesa, porém defendida pelas qualidades da construção (CAVALCANTE, sd).
Ainda que erguido para funcionamento de um banco, a construção ganhou altura e relevância após designar alguns de seus pavimentos a salas de escritórios e, sem transferir a atenção, esse aspecto é percebido através da localização das portas de entrada, pois enquanto as do banco estão bem visíveis, destacadas pela posição das jardineiras em uma entrada e de uma escada na outra, a dos escritórios está escondida (CAVALCANTE, sd), como mostra a imagem a seguir:
Figura 39: Planta Baixa e Pavimento Tipo
Fonte: CAVALCANTE, sd
Ao olhá-lo, percebe-se a diferença entre os dois edifícios, pois possuem geometrias diferentes. Enquanto o banco, como suporte, reserva 39% da área, equivalentes a 7.528 m², a torre está com os 61% restantes, equivalentes a 13.345 m². Seu programa foi elaborado da seguinte forma:
Entradas Banco Entrada Escritórios
40
Um subsolo (estacionamento de clientes e funcionários, caixas fortes e refeitório), um térreo (salão para o público, microfilme, programação e vestuários), um mezanino onde se encontra a contabilidade e arquivos, um primeiro andar com a administração, um pavilhão de recepção e jardim no terraço intermediário; além dos dois pavimentos do edifício torre, também destinadas para escritórios do próprio banco, pois há uma escada e um elevador para funcionários do banco que só aparecem nesses andares. O edifício de escritórios [...] se compõe de 14 plantas tipos (sendo 12 independentes do banco), uma portaria no térreo e um estacionamento no segundo subsolo. (CAVALCANTE, sd).
Figura 40: Banco Sul Americano e Torre de Escritórios
Fonte: CAVALCANTE, sd
Por não estar em uma localização favorável em relação ao sol, a utilização de brises no edifício foi a escolha do arquiteto para adequação ao clima da cidade e a incidência direta do sol naquelas fachadas. Esses brises excluem duas fachadas, que não possuem iluminação e ventilação naturais.
41
3 ELABORAÇÃO DO ANTEPROJETO
3.1 ESCOLHA DO TERRENO
O terreno proposto possui quase forma de retângulo, mede aproximadamente 42,20x26,70m, em suas extremidades verticais e horizontais, com área total aproximada de 1.102,29 m² e está localizado no bairro Centro, mais precisamente na Travessa João Quintiliano da Fonseca nº 171, possui ainda saída para a Rua Geru, paralela a anterior e atualmente funciona como um estacionamento privado para pessoas que pretendem fazer qualquer tipo de ofício na região, como mostra na imagem abaixo:
Figura 41: Terreno escolhido, atualmente um estacionamento
Fonte: própria autora
Foi escolhido com a intenção de aproximar os alunos diplomados no SENAC ao comércio local, onde há inúmeras chances de emprego. Essa premissa foi feita baseada na necessidade do SENAC Aracaju, após uma conversa com alguns funcionários no local em que foi observado o quanto é vantajoso tanto para o serviço quanto para o mercado de trabalho, essa troca de favores, já que ele possui sua sede próxima ao Centro da cidade, local de grande concentração do comércio e na
42 substituição de 03 anexos7 localizados lá mesmo, pois, como já citado anteriormente, são prédios privados que foram alugados adaptados ao uso do serviço.
Figura 42: Localização Terreno Nova Unidade SENAC
Fonte: adaptação do Google Maps, 2016
Como se pode ver no mapa acima, além das vantagens citadas anteriormente, o bairro é composto por outros atrativos para se ter um SENAC naquela localidade, como por exemplo, o Terminal Rodoviário Governador Luiz Garcia, que serve de local para se obter transporte intra-estadual, pois uma parte do público vem também de outras cidades do estado que não foram contempladas com unidades do SENAC. Próximo a ele também, há o edifício Maria Feliciana, também conhecido como edifício Estado de Sergipe, com o Banco do Estado de Sergipe (Banese) que ocupa seus primeiros pavimentos e os andares seguintes ocupados por departamentos de cunho tanto estadual quanto federal.
O terreno possui ainda índices urbanísticos, de acordo com o Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (2000) favoráveis para implantação de um edifício desse porte, já que o terreno é estreito, a altura depende dos números restantes, como mostra na tabela 05:
7 Anexo IV – Rua Laranjeiras 307, Centro, Anexo V – Av. Ivo do Prado, 182, Centro, e novo Anexo da Av. Rio
Branco 186, Ed. Oviedo Teixeira, salas 913 a 915, Centro.
Ri
o
S
erg
43 Tabela 05: Índices Urbanísticos ZAP 1
Fonte: www.aracaju.se.gov.br
A partir daí então, pôde-se começar a pensar na setorização do edifício, priorizando a circulação e uma forma de amenizar a insolação solar, já que o terreno é retangular, e tem suas laterais mais estensas viradas para a trajetória que o sol percorre (leste-oeste).
3.2 PROGRAMA DE NECESSIDADES
O programa de necessidades foi concluído com ajuda do setor de engenharia do SENAC, pois eles já possuem um modelo produzido por eles mesmos para novos projetos. Essa iniciativa foi dada pela diretoria nacional, para as diretorias regionais, já que é intencional uma futura expansão em qualquer estado, e que assim sejam levadas mais unidades para outras cidades do interior. Porém, nem todos os ambientes foram aproveitados, já que a intenção da proposta é complementar a sede administrativa, excluir os anexos localizados no Centro e, com isso, realocar as salas,
Zona Pav. Recuo Mínimo Fontal (m) Recuo Mínimo de Fundo (m) Recuo Mínimo Lateral (m) Altura Máxima (m) Taxa de Ocupação Máxima Z A P 1 Térreo Fachadas Norte e Oeste: 3m Fachadas Sul e Leste: isento Isento Isento
Para a soma dos pavimentos: 7,5 m com uso de galerias 6m sem uso de galerias 90% desde que resguardado s os recuos mínimos 2º Isento 1,50 Isento 3º 3,00 1,50 1,50 A que o lote permitir, atendidas as exigências de potencial construtivo e recuos 60% desde que resguardado s os recuos mínimos 4º em diante 3,00 para vias coletoras II e locais 5,00 para vias coletoras I, expressas e principais RF=1,5+0,2( NP-5) desde que resguardados os recuos mínimos acima RL=1,5+0,2( NP-5) desde que resguardados os recuos mínimos acima
44 além de trazer idealização ao projeto. A tabela abaixo sinaliza o programa com o que foi utilizado e o que não foi:
Tabela 068: Programa de necessidades proposto
ITEM NECESSIDADE PRÉ-DIMENSIONAMENTO 01 PELO MENOS 02 FUROS DE SONDAGEM EM
PONTOS CRÍTICOS DO PROJETO E DO TERRENO. X
02 01 PORTARIA COM SALA DE ESPERA 14,20 m²
03 06 SALAS DE AULA CONVENCIONAIS PARA 35
ALUNOS CADA. 54,36 m²
04 01 BIBLIOTECA 60,12 m² 05 01 SALA PARA ATENDIMENTO DE ALUNOS. 8,37 m² 06 01 SETOR DE MATRÍCULAS. 14,20 m² 07 01 SECRETARIA ESCOLAR. X 08 01 LANCHONETE X 09
01 COZINHA INDUSTRIAL TRIVIAL COMPOSTA DE PELO MENOS 05 AMBIENTES PARA MANIPULAÇÃO DE ALIMENTOS.
50,50 m² 10
01 AUDITÓRIO PARA 400 PESSOAS, REVERSÍVEL PARA ATÉ 03 SALAS, EQUIPADO COM SALA DE CONTROLE E 02 CAMARINS.
X
11 02 SALAS DE ADMINISTRAÇÃO DA ESCOLA. X 12 01 SALA DE ADMINISTRAÇÃO PEDAGÓGICA. 20,65 m² 13
BATERIAS DE BANHEIROS EM TODOS OS PAVIMENTOS, MASCULINOS E FEMININOS, PARA COLABORADORES E USUÁRIOS, COM VESTIÁRIOS SEPARADOS PARA ALUNOS E PROFESSORES
15,32 m² 14 ÁREA DE CONVIVÊNCIA. 21,36 m² 15 01 SALA DE CONTROLE E MONITORAMENTO DE
CFTV 4,38 m²
16 01 SALA DE SERVIDORES DE INFORMÁTICA 6,08 m² 17 DEPÓSITOS PARA MATERIAL DE LIMPEZA 3,24 m
18
SISTEMA DE TRATAMENTO DE ESGOTO E REAPROVEITAMENTO DE ÁGUAS PLUVIAIS E ÁGUAS SERVIDAS.
X
8 De vermelho estão os ambientes utilizados no edifício e de preto os que não foram. De azul, estão os ambientes
45 19 02 LABORATÓRIOS DE INFORMÁTICA COM 13
PESSOAS 35,84 m²
20 01 ALMOXARIFADO 4,80 m²
21 01 SALA DOS PROFESSORES 30,17 m²
22 01 PORTARIA 3,20 m² Fonte: SENAC Aracaju, 2015
Para o dimensionamento, foi utilizado como referência a 18ª edição de 2014 do livro “A arte de projetar em arquitetura”, de Ernst Neufert. Dos ambientes citados acima, a cozinha precisou de uma atenção especial, pois mesmo o SENAC Aracaju possuindo um modelo padrão para futuros projetos, ela precisou de uma consulta à RDC 216 da Vigilância Sanitária que se trata das boas práticas para manipulação e serviços de alimentação.
A respeito de ter alguns ambientes e outros não; o que for relacionado à área administrativa seja resolvido na sede e o que for de interesse do aluno possa ser resolvido ali mesmo, (matrícula, estudo e alimentação) e, por isso também, ambientes como a cozinha industrial e a biblioteca foram trazidos para esse projeto. Como já citado anteriormente, houve a junção de 02 anexos localizados no centro e incluídos na proposta. O total subiu para 12 salas de aula convencionais com um total de 30 alunos por sala (sugestão da gerente geral) e 02 laboratórios de informática, porém com um número reduzido de alunos nos laboratórios, já que a necessidade era de apenas 01 com capacidade para 20 pessoas. Com o número de ambientes designado e a quantidade de pessoas que irão frequentar o local, é inevitável a utilização da verticalização no edifício.
3.3 ESTUDOS DE IMPLANTAÇÃO
Para se obter a volumetria final do edifício, primeiramente foi necessário fazer o estudo do terreno, para saber onde seriam implantados os ambientes com maior concentração de pessoas e onde ficaria a circulação vertical, uma vez que ficou constatado que seria um edifício com vários pavimentos. Com base nesse estudo, como as duas maiores laterais para melhor aproveitamento de área útil do terreno estão de frente a leste e oeste, foi determinado que os ambientes receberiam maior
46 incidência solar na fachada leste, já que a temperatura tende a aumentar durante a tarde e assim, posicionar a circulação horizontal a oeste e os ventos predominantes vêm de leste e sudeste durante o ano.
“Observa-se uma predominância dos ventos de Leste nos meses de Setembro a Fevereiro, com velocidade variando de 4,1 m/s a 3,3 m/s. Enquanto que os meses de Março a Agosto os ventos dominantes são de Sudeste, com velocidade variando de 2,7m/s a 3,7m/s. Conclui-se portanto que, os ventos de maior intensidade são os de Leste.” (SOUZA,2005)
Com o objetivo de favorecer, então, o conforto térmico do edifício, foi feito um estudo de implantação adicionado a um fluxograma que, para se chegar ao resultado, foi definido ainda que uma circulação lateral de pedestres, no térreo, que ligasse as 02 ruas paralelas pudesse beneficiar a vista para dentro do edifício (figura 44).
Figura 43: Primeira implantação + fluxograma
Fonte: própria autora, 2015
Um segundo estudo (figura 45) foi feito com a intenção de aproveitar o espaço utilizado no terreno, uma vez que quanto menor a área utilizada, mais alto teria que ser o edifício e uma grande circulação horizontal seria necessária para ligar a circulação vertical ao restante dos ambientes. Posto isto, a parte mais isolada, com menor ventilação e que pudesse ter maior insolação, a noroeste do terreno, ficou
Edifício vertical Edifício horizontal Ligação 2 ruas Delimitação terreno Entrada/Saída pedestres Entrada/Saída veículos Circulação pedestres LEGENDA N
47 destinada para os banheiros, dado que os pavimentos precisariam de grupos de banheiros para os alunos, e para a própria circulação vertical.
Figura 44: Implantação final
Fonte: própria autora
Com essas informações, o edifício ficou com um total de 7 pavimentos (incluindo o térreo). Ao seguir essa linha de raciocínio, a volumetria final (figura 44) ocorreu de forma a separar cada grupo de zonas, de acordo com o programa de necessidades, depois de completo e com o estudo do terreno preparado, forma-se então um “L” em que no maior volume se encontram os ambientes mais importantes do programa.
Figura 45: Volumetria final
Fonte: própria autora Edifício vertical Edifício horizontal Ligação 2 ruas Delimitação terreno Entrada/Saída pedestres Entrada/Saída veículos Circulação pedestres Salas de Aula / Administração / Restaurante LEGENDA LEGENDA Circulação vertical Banheiros Garagem N
48 3.4 ANTEPROJETO
Antes de finalizar o anteprojeto e com a volumetria já definida, o próximo passo foi a estrutura em concreto, pensada, basicamente, para se obter módulos iguais que pudessem facilitar a disposição dos ambientes. A dificuldade maior estava na garagem – esta possui entrada oposta em relação aos pedestres -, pois conforme o código de obras de Aracaju (2010) e após feitos os cálculos, é imposto o mínimo de 28 vagas para carros, que seriam distribuídas em 2 pavimentos. Primeiramente, após conversa com engenheiro9, previu-se robustez nas alturas das vigas e nos pé esquerdos nos 1º e 2º pavimentos aumentando para 1,50 m e 4,50 m, respectivamente, e excluir o pilar central (figura 45). Os pilares medem 40x80 cm, as lajes 20 cm e as vigas dos outros pavimentos 20x50 cm. Depois, ao constatar a necessidade de uma rampa de veículos que ligasse o primeiro pavimento ao segundo, o pilar central precisou ser adotado, porém deslocado para a lateral da rampa, pois as vigas que antes se estendiam até o último pilar não poderiam cortá-la, já que não haveria altura suficiente para que os carros passassem, deixando ainda as vigas com a mesma altura nos 2 primeiros pavimentos (figura 46). Um terceiro e último teste (figura 47) foi realizado em razão de diminuir a altura dos 1º e 2º pavimentos e, consequentemente, das vigas, pois a legislação (plano diretor) não permite altura acima de 7,50 m no segundo pavimento. Então, após nova consulta com um segundo engenheiro10 foi adotado o mesmo pé esquerdo para todos os pavimentos, ou seja, 3,40 m, vigas com 20x60 cm nos 1º e 2º pavimentos e 20x50 cm do 3º ao 7º pavimentos, e a laje permaneceu com 20 cm. Feita esta análise, foi feito um ensaio para tentar encaixar uma quantidade de vagas suficientes para atender o total entre 02 pilares e o número final foi 03.
9 Victor Alejandro Mejías Ruiz – VMR Projetos e Consultoria
49 Figura 46, 47 e 48: Primeiro, segundo e último estudos da estrutura.
Fonte: própria autora
Visando o zoneamento (figura 49) dos ambientes, já que no 1º e 2º pavimentos foram localizadas as garagens com entrada pela Travessa João Quintiliano da Fonseca, incluiu-se ainda a recepção no 1º pavimento, com entrada pela rua Geru e um grupo de banheiros com vestiário para funcionários em geral no 2º pavimento. No 3º, localiza-se o restaurante e um terraço com área de convivência. No 4º, 5º e 6º estão distribuídas as salas de aula e os 2 laboratórios de informática, e no 7º estão localizados os ambientes administrativos e a biblioteca.
Figura 49: Zoneamento
Fonte: própria autora
Como já citado anteriormente, alguns dos ambientes precisaram de uma atenção especial, como por exemplo a cozinha por ser direcionada ao ensino. Segundo o arquiteto do SENAC, a cozinha deve ser dividida em 5 ambientes
Salas de Aula Administração Banheiros Circulação Vertical Restaurantes Garagem
50 específicos, - com divisórias em vidro para que os alunos que não conseguissem entrar nas cabines (previsão para 15 alunos por aula ministrada na cozinha) pudessem assistir de fora o que o professor estivesse ensinando ao voluntário, - além dos espaços para lavagem, congelamento, resfriamento, cocção e resíduos (esse isolado dos restantes):
Entremetier: está relacionado à pessoa que prepara sopas;
Garde-manger: relacionado à pessoa que elabora comidas frias como saladas, canapés e outros;
Saucier: relacionado ao preparo de ensopados de carne em geral, molhos quentes e outros;
Patissier: relacionado à confecção de sobremesas;
Poissonnier: relacionado ao preparo de pescados;
Para a escada de emergência, a Instrução Técnica 11/2015 foi consultada, em conformidade com o Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo, também utilizada na cidade de Aracaju/SE.
Outro ponto a ser destacado é o conforto acústico, pois a região é bastante movimentada e possui altos níveis de decibéis. Em teste feito utilizando aplicativo Decibelímetro do sistema operacional Android, entre 8:10 e 8:20 da manhã foi constatado um nível máximo de 64 dB, considerado razoável, apenas com carros e motos passando. Porém, ao passar ônibus e motos acelerando, pôde-se perceber um aumento no ruído e no número de decibéis, que chegou a 86 dB, considerado prejudicial à saúde a longo prazo. O emprego de algumas soluções para barrar o som como mantas acústicas, telhas termoacústicas, portas e janelas antirruídos são suficientes para diminuir esses números consideravelmente.
Por fim, para completar todo o estudo, foi implementado um horário que pudesse aproveitar todo o espaço e preencher as necessidades do SENAC ao transferir alguns de seus cursos para nova unidade:
51 Tabela 07: Horário estipulado (set a nov)
EIXOS TECNOLÒGICOS CURSOS HORÁRIO CARGA HORÁRIA Informática Informática Básica Manhã, tarde, noite 70h
Photoshop Manhã, tarde, noite 40h
Gastronomia
Culinária para Executivo Manhã, tarde, noite 39h Comida de Boteco Manhã, tarde, noite 24h Salgadeiro Manhã, tarde, noite 160h Bolos Artísticos
Avançados Manhã, tarde, noite 39h Canapés Manhã, tarde, noite 24h Infraestrutura
Frentista Manhã, tarde, noite 160h Porteiro e Vigia Manhã, tarde, noite 160h Agente de Limpeza e
Conservação Manhã, tarde, noite 160h Comunicação Oratória Manhã, tarde, noite 75h
Gestão e Negócios
Almoxarife Manhã, tarde, noite 160h Promotor de Vendas Manhã, tarde, noite 160h Recepcionista Manhã, tarde, noite 180h Assistente de Pessoal Manhã, tarde, noite 160h Licitações e Contratos Manhã, tarde, noite 45h
Auxiliar de RH Manhã, tarde, noite 180h Representante comercial Manhã, tarde, noite 160h Vendedor Manhã, tarde, noite 160h
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4 CONCLUSÃO
A idéia inicial para o anteprojeto estava relacionada, primeiramente, com a educação, pois ela é essencial na vida de qualquer pessoa, tanto para seu crescimento intelectual quanto para o profissional. Segundo, que pessoas com menor poder aquisitivo são mais necessitadas devido a falta de capacitação para geração de renda. Sendo assim, após pesquisas de campo, o serviço de educação a ser escolhido foi o ensino técnico, mais precisamente o SENAC, pelo seu impacto no centro da cidade, por ser o local com maior concentração comercial e por ser um dos mais procurados entre os existentes no município.
A partir daí, com o estudo do diagnóstico e a necessidade do edifício da sede, pode-se perceber que por estar localizado próximo ao comércio, seus anexos também são localizados próximos uns dos outros e da própria sede, tanto por causa da locomoção quanto pela procura. A escolha do terreno foi feita, de forma a contribuir com tais características.
O SENAC possui, atualmente, deficiência em comportar novos alunos em suas salas de aula, já que a sede está localizada em um edifício antigo com índices urbanísticos que não o deixam ampliar e sua demanda cresce cada vez mais naquele ponto. Isso acontece devido a inativação de alguns anexos, como visto anteriormente - apenas 1 continua ativo e 1 novo, assim, cerca de 40% da demanda foi transferida para a sede e para esse novo anexo.
Por fim, é possível completar que este trabalho contribui de forma positiva no entendimento do funcionamento dos serviços de ensino técnico na cidade, podendo estabelecer de que se trata o Sistema S, suas exigências e suas necessidades, além de dar base para as próximas análises relacionas ao SENAC em Sergipe.
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5 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ARCHDAILY, Escola de Governo do Estado do Rio Grande do Norte, 2016. Disponível em: <http://www.archdaily.com.br/br/784803/escola-de-governo-do-estado-do-rio-grande-do-norte-carlos-ribeiro-dantas-arquitetos-associados> Acesso em 27 de abril de 2016
AZEVEDO, Esterzilda Berenstein, 2010. Patrimônio Industrial no Brasil. Esterzilda Berenstein de Azevedo. Disponível em:
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BRASIL, Decreto-Lei nº 5.091, de 15 de dezembro de 1942. Disponível em:
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<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/Del5452.htm> Acesso em: 16 de setembro de 2015
BRASIL, Lei nº 6.545, de 30 de junho de 1978. Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L6545.htm> Acesso em: 21 de setembro de 2015
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<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8069.htm> Acesso em: 16 de setembro de 2015
BRASIL, Lei Nº 9.394 de 20 de dezembro de 1996. Disponível em: <http://www.pla-nalto.gov.br/CCIVIL_03/leis/L9394.htm> Acesso em: 03 de agosto de 2015
BRASIL, Lei nº 10.097, de 19 de dezembro de 2000. Disponível em:
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