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crescimento econ ómico quanto o inve stimento em máquinas e equipamentos.
Hoje a educação não é apen as fundamental na sua fase inicia l (esco lariza ção bá sica e secundá ria ), mas de ve a co mpanhar o individuo ao lon go da sua vida. O re latório Delo rs de 1996 marcou a mudança do uso do termo “educação ao longo da vida” para
“aprendizagem ao longo da vida” (ALV) , sendo está “toda e qualquer actividade de aprendiza gem, com um objectivo , empreendida numa base contínua e visando melho rar o s conhecimentos, aptidões e competências. Os seus prin cipa is ob jectivos são a pro moção da cidadania e/ou o fomento da empregabilidade.” (Pires, 2002, p. 54).
A falta de um modelo próp rio de formação/educação p ara adulto s le vou ao surgime nto, em 1968, por Malcolm Kno wle s, de um movimento teórico que re ivind icou uma especificidade pa ra ensinar este público, a and ra gogia, a ciência de educação de adultos.
Podemos dize r que a educação de adultos no nosso país começou a nível oficia l na década de 50, atravé s do Plano de Educação Popular. Dese ja va -se desta maneira aumentar o cumprimento da escola ridade ob rigatória, atra vé s do s cursos de ed ucação para adultos. As L inhas Gera is da Reforma e do Ensino Sup erio r dessa época referem pela primeira ve z a Educação Permanente e foram criados cu rsos ge rais do ensino liceal nocturno e, ree struturados os curso s nocturno s do ensino técnico e os curso s de educa ção básica para adultos.
Posteriormente, e m 1979, com a e la boração do Plano Naciona l de Alfabetização e Ed ucação de Base s d e Adultos, tentou -se promo ver permanentemente uma educação de adultos, u tilizand o uma via educativa não -formal e a criação de um ve rdadeiro sub sistema de educação de adultos, mas nunca se conse guiram alcançar o s objectivos p re visto s.
Em 2005, surgem a s iniciativa s No va s Oportunidades, os Centro s de Reconhecimento, Validação e Certificação de Co mpetências
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(CRVCC) e os cursos EFA ( Cursos de Educação e Formação de Adultos), entre tanto reformulados.
Um projecto eu rope u importante nesta área f oi o programa Grundtvig de intercâmbio de p rojectos educativos para adulto s a n íve l europeu, entretanto substitu ído pelo pro grama ERAMSUS +.
Ainda uma referência ao pro grama Ma iores de 23, criado pelo Decre to-Le i nº 64/2006, de 21 de Março, que facilita e promove o ingresso ao En sin o Superio r da que las pessoa s, com mais de 23 anos, que, mesmo não possuindo habilita ções específica s, possuam expe riên cia p rofissional ou compe tências que lhe permitam ingressar numa faculdade. Na Unive rsidade Clá ssica d e Lisboa, entre 2007 e 2012, entraram 832 aluno s atra vés deste pro grama dos quais 19,5% tinha m mais de 43 anos e 87% tinham uma actividade profissiona l re munerada (Petró, 2012 ). Ainda na Un ive rsidade de Lisboa, apenas 0 ,5% dos a lunos do p rograma Ma iores de 23 terem mais de 63 anos, o que dá a entender que o púb lico idoso 5 não está muito inte ressado em frequentar o u conclu ir cu rsos superiore s tradiciona is.
Os d istintos p ro jectos educa tivo s e formativos para adultos que existiram em Portugal, nunca conseguiram cria r um currícu lo específico para a educação de adultos, que fosse a lte rnativa ao sistema de en sino tradiciona l, antes pelo contrário. Algumas das falhas nos vá rios projectos de educação para adultos, estive ram relacionadas com a ava lia ção dos ad ultos (que tem que incidir nos seus conhecimentos adqu iridos ao longo da vida e não só nos conhecimentos re tidos nas aulas); com a formação dos formadores/profes sores (que têm que ter metodolo gias adaptadas aos adultos e “cortar” com os hábitos dos professores do ensino normal) e com os curriculum dos cursos (que têm d e ser mais práticos e activo s d o que teó ricos).
5 Consideramos “sénior” o maior de 55 anos e “idoso” o maior de 65 anos.
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Em Portuga l nunca se valo rizou mu ito a formação de adultos e Silvestre indica “se consideramos que a educação e formação de adultos tem sido m argina lizada, esta f aixa etá ria (idosos) tem sido super-h ipe r-u ltra -marginalizada” (2011, p 117).
Educação para seniores e idoso s
Podemos conside rar que a educ ação e a formação são um grande aliado do en ve lhecimento activo e de uma velh ice mais positiva e inclusiva. A UNESCO refere, em 1986, “a importância da promoção de actividades edu cativa s e cultu rais para uma melho r assunção, por parte dos reformados e idos os, d o seu próp rio en velhecimento, para lhes asse gu ra r melhores cond içõ es de existência e, ainda, para fazer com que a s sociedades beneficiem da sua lon ga expe rien cia (p. 29).
Com o p ro gre ssivo en ve lhecimento da popula ção surgiu a necessidade de criar um modelo teórico e peda gó gico especifico para adultos mais ve lhos, em que a qualificação p rofissional não é a ve rtente mais importante. Su rgiram os con ceitos de gerontopedagogia, geragogia (em oposição á pedagogia, “peda” de crianças) ou da ge rontolo gia educ ativa, conforme os autores. Pa ra Osório “o propósito (da gerontologia educativa) é prevenir o declínio prematuro, facilitar o desen vo lvimento de papéis sign ifica tivos para as pessoas sen iores, fomentar o de sen volvimento psicológico de modo a prolongar a sa úde e os anos produtivo s e aumentar a qualidade de vida das pessoas seniores” (2005, p 280).
A ge rontopedago gia tem como objetivo s a con cepção e desenvo lvimento de modelos e pro gramas de animação, estimulação, en riqu ecimento pessoal, f ormação e instruçã o d irigidos aos idosos, ou “seja a sua área de actuação são todas as actividades educativas em que participem idosos” (Jacob, 2012).
Podemos ainda co nsidera r dentro de stes obje ctivos a n ecessidade
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e utilidade de uma educação para a reforma, ou de uma educação para a aposentaçã o, como defendido por Simões (2006).
A educação para idosos tem sido objecto de nume rosos estudos e actualmente sã o aceite s du as perspectivas teóricas complementares: u ma que concebe a educação como estraté gia de
"sociote rapia", p romovend o e estimu lando a inte gra ção socia l, e nesse caso a educação é um instru mento de promoção social. A segunda pe rspe ctiva concebe um enve lhecimento melhor pa ra aquele s que man têm a mente activa atra vés de a ctividades educativas. Nesta visão a educação é simu ltaneamente uma espécie de ginástica menta l, que e vita o deterio ramento das capacidades cogn itivas, e u m instrumento para aqu isição de novos conhecimentos.
Entre a educação para adultos e a educação pa ra idoso s há diferenças re le vantes tais como o objectiv o, a motiva ção, a duração das aulas, a p repa ração destas e os métodos a utiliza r.
É neste conte xto que surgem as Un iversidade s Senio res (US) que são hoje um exemplo exce lente de cidadania, inclu são socia l, vo luntariado, con hecimento, apren diza gem e desenvo lvimento comunitário. Encon tramos ecos deste reconhecimento nas pala vras do actual ministro do Trabalho, So lid ariedade e Se gura nça Social, Vieira da Silva em entre vista ao Jorna l Público de 20 de Setembro de 2017, (VS: De pois, entramos nu m factor -cha ve do tema da conferência que é a realização do potencial de uma so ciedade com mulheres e homens com mais idade. - Público: “Como é que se realiza esse poten cial? - VS: Fa zen do com que se m odifique a imagem que a sociedade tem do envelhe cimento. Temos expe riên cias muito intere ssantes que são as unive rsidad es sénio r e toda a economia so cial, um campo onde a transição entre etapas de vida encontra um espaço de realiza ção muito importante do ponto de vista social e económico.”)
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Existiam em Outubro de 2017 em Portu ga l, 315 Unive rsidades Seniores re gistada s na RUTIS (Associação Rede de Unive rsidades da Terceira Idade) que sign ificam 46.000 alunos e 5.500 professores vo luntários.
As Un ive rsidade s Seniores, su rgiram como movimento específico de ensino pa ra os se niores em França em 1972, na Un ive rsidade de Toulouse, com o Dr. Pie rre Vellas (méd ico e in vestigador, 1930 -2005 O modelo rapidame nte expand iu -se e chegou a outros pa íse s que o adaptaram á sua realidade. Existem hoje dois grande s modelos de organiza ção das US, o mo delo francês ou continenta l e o modelo inglês ou b ritân ico. O mode lo francês associa a s US às universidades formais, en quanto o modelo britânico dese nvo lveu -se tendo por base a s associa ções sem fins lu crativo s ou grupos auto - organizado s.
O modelo francês t em por base lo gística uma universid ade formal (os professo res e os recu rsos); privile gia a in vestigação e pode criar curso s superiore s e de pós -gradu ação para senio res, o que pressupõe e xigências cultu rais para o acesso.
O modelo in glês, n o qual o modelo po rtu guês se base ia é mais livre e independente, informal, com origem no movimento asso ciativo ou de grupos informais de amigos. ap ro xima mais os professores e os alunos, tem mais abertura à participação destes; os pro gramas, para além do ensino, d esen volv em as ve rtentes sociais e re creativas e os professores e xercem a sua actividad e em regime de voluntariado.
«O modelo britânico é o único a opera r numa base de a ju da mútua.
Nem os professores, nem os dirige ntes são pago s, e xcepto em circunstâncias e xcepcion ais. Os professore s e os líde res dos grupos oferecem vo luntariamente os seus p réstimos e qualificações. As aulas são informais, dadas pelos pró prios membros, gratuitamente e a nível loca l.» Thompson e Swinde ll, 1995.
A Un iversidade da Terceira Idade o u Un iversidade Sé nior «é a resposta socioedu cativa, que visa criar e d inamiza r re gula rmente
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actividades sociais, educacionais, cultu rais e de con vívio, preferencia lmente para e pelos maio res de 50 anos. As actividades educativas rea liza das são em re gime não fo rmal, sem fins de certificação e no contexto da formação ao lon go da vid a» (site da RUTIS, 2016 e Re solução do Conse lho de Ministro s 76 /2016), ou conforme Pinto (2003) «instituições que se dedicam a dar respo sta à procura de ensin o não formal em variados d om ínio s e à procura de actividades recreativas ou outras p or parte da popula ção sénior».
Da mesma forma, o actual go ve rno reconheceu o papel importante e vital da s Un ive rsidades Sen iores e da RUTIS na promoção do enve lhecimento ativo, assinando e m Abril d e 2016 um novo protocolo entre a RUTIS e o Min isté rio da Solidariedade, Trabalho e Segu rança Social o nde se pode ler o seguinte te xto e lucidativo:
“A abordagem do envelhecimento ativo e bem -sucedido baseia-se no reconhecimento dos direito s humanos das pess oa s m ais ve lhas, e nos p rin cípio s de independência, pa rticipação dign idade, assistência e autorrealização. O plan eamento estraté gico deixa de ter um enfoque ba seado nas necessid ades e passa a e star baseado nos dire itos, o qu e permite o recon hecimento dos d ireitos das pessoas mais velh as à igualdade de oportunidades e tra tamento de todos os aspetos d a vida à medida qu e enve lhecem.
Esta abo rdagem te m dupla importância: do ponto de vista ind ividua l é fundamental para uma ve lhice mais positiva, ativa ou bem - sucedida; por outro lado, do ponto de vista cole tivo é d o interesse genera lizado que a sociedade se ja constitu ída por pessoas saudáve is. Quanto mais saudá ve is e a tivas forem as pe ssoas mais ve lhas, maio r a sustentabilidade dos serviços de saúde e de apoio socia l.
Os re sultados da a ção das Un ive rsida des e Academias Sénior são inque stioná veis qu anto ao bem -e star que p ropiciam, que r no reforço das perspetivas de inse rção e pa rticip ação socia l, que r n a melhoria das condições e qu alidade de vida das pessoas que as frequentam.
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Verifica -se igua lmente que a frequência destas estruturas tem impacto na alte ração dos modos de vida, propo rcionando benefícios a vá rios n íve is: aumento dos conhecimentos adquiridos, nomeadamente atravé s do aumento da cultura gera l e da perceç ão da melhoria contínua das capacida des de aprendiza gem, assim como da promoção de estilos de vida saudáve is, atra vé s da prática de exe rcício f ísico e de hábitos de a limentação equilibra da.
As mais-valias não se situam apenas na manutenção de atividades de índo le inte lectu al e física e na a qu isição do conhecim ento em si mesma, mas é, igu almente, primord ial o seu cariz de sociabilização e de manutenção de contactos socia is.
Se, por um lado, os estímulos à capacidade de aprendizagem e de participação pode m contribu ir pa ra a sociedade se d istancia r de algun s este reótip os e imagen s negativas atribuídas ao enve lhecimento e à ve lhice , por outro lado, e do ponto de vista individual, a judam a perspetivar p rojetos e objetivo s futuros, promovendo, assim, o aumento d a esperança de vida com qua lidade e dignidade.
As Universidades Seniores p roporcionam re gula rmente aulas, palestras, e ventos e roteiros cultura is, oficinas temáticas, tertúlias, sessões de divu lgação e informação, rastreio s, acções de vo luntariado e so lid ariedade, e spetáculos, jo gos florais, concursos, seminários, jornad as inte rgera ciona is e visita s a museu s, teatros e monumentos a todos os senio res inte ressados, indepen dentemente do seu nível a cadé mico, económico o u socia l.
Ao dar um “grupo” aos seniores , que vivem mais sós, as US proporcionam um p orto de abrigo, uma no va rede social de suporte e um loca l onde po dem escla rece r dú vidas a p roblemas que têm. As US, muitas ve ze s, desp istam p roblemas que o s senio res apresentam, desd e os mais simples, aos mais gra ve s, como violên cia doméstica, abusos, burlas, doenças ou depressões.
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Dive rso s estudos científicos e a cadémicos demostram e confirmam que frequenta r um a universidade sé nior aumenta a qu alidade de vida dos seus fre qu entadores, melhora o seu estado gera l de saúde, diminui os sentim entos de depressão e isolamento, diminui o consumo de medicamentos e aumenta a inserção socia l, ve r Jacob (2009), Jesus (201 0), Pocinho (2015 ) e Rebelo (2016).
Ver quadro resumo .
A grande maioria das un ive rsidade s sen iore s po rtu guesas são criadas po r associações já e xistente s ou criada s e xp ressamente para o efeito. A média de discip lina s p or un ive rsidade é d e 15, com uma média de 150 alunos po r universidade. Em rela ção a os alunos, 74% são mulhe res, de idade mediana e ntre os 60 e 75 ano s (a aluna mais ve lha tem 103 anos), de todo s os n íveis de habilita ções e 78%
estão reformados. No que conce rne a os professores 29% tem menos de 30 anos, a maioria é licenciada, metade ainda trabalha e 85%
sente-se muito feliz po r se r p rofessor vo luntário n as nossa s universidades.
De sa lienta r que a maioria dos aluno s, (RUTIS, 2014) tem ou te ve aulas de informática, contribu indo d ecisivamente para combater a exclusão digital e promo ver o conhecimento. "Os resultados compro vam a satisfação gera l d a tota lidade do s in quirid os (a lunos das US) que são un ânimes quanto ao contributo da formação em TIC na melhoria da su a qua lidade de vid a, prin cipa lmente no que d iz respeito ao aspeto da comunicação", (Varela, 2012 ).
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O que le va os seniores a pa rticipa rem n estes pro jecto s?
A vontade de aprender, actua liza r e pa rtilhar os seus conhecimentos, ma nterem -se activo s e participativos, a procura de nova s formas de la ze r inte lectua l, con viver e conh ecer no va s pessoas, combaterem o isolamento, criarem no vos p ro jectos de vida e entrarem em actividades lúd ica s e cultu rais. Para alé m disso, o facto de ser aluno e andar numa Universidade Sénior dá “status” e auto-estima, oferece às pessoas idosa s um sentimento renovado de importância e de finalidade, algo po r qu e esperar, até mesmo a f orça para luta r contra u ma doença e para conqu ista r no vas esperanças.
Segundo Flo rindo (2009, p. 67 ), a p rincipal ju stifica ção para vo lta r a estudar é a necessidade ou desejo d e aprender e melho rar os seus conhecimentos (40 %), se guida da vo ntade de manter a actividade (13%). 43% dos seniores responde ram que depois de reformados gosta riam de se de dicar a um passate mpo e 75% concordam com a existência de oferta de formação para pessoas reformadas.” Jacob, 2012
Como complemento das Unive rsid a des Senio res surgem os projectos un ive rsitários pa ra sen iore s. Ultimamente têm surgido em Portu gal o s p rimeiros pro jectos de edu cação para senio re s oriundos das unive rsidades tradiciona is. Este movimento surge pela maior sensib ilização po r parte destas ent idades para este tema, pela redução do s a lunos jo ven s e o me rcad o sénio r puder de certa forma compensar um pouco esta situação e por ha ver um número cada ve z maior de senio res que que rem um modelo de educa ção mais formal e exigente.
Podemos considera r que este s pro jecto s estão entre as UT Is (ensino não-formal) e o programa Maio res d e 23 (ensino formal) e que se destinam a senio re s com um grau aca démico mais e le va do.
Os diferentes p ro gramas que têm su rgido são muito heterogéneo s nos seus obje ctivo s, metodol ogias, custos e duração. Enquanto o