• No se han encontrado resultados

Outros tempos do viver...Repensando a envelhescência

In document Longevidade, reforma e estilos de vida 1 (página 98-126)

Junia de Vilhena - Psicanalist a. P rofess ora do Programa de Pós - Graduação em Psi col ogi a Clí ni ca da P ont ifí cia Universidade Católi ca do Rio de J anei ro (P UC -Rio). Coord enadora do Laborat óri o Int erdis ci plinar de P esquis a e Int ervenção Soci al – LIP IS da P UC -Ri o. M embro Ass ociado da Euros ci ence Organization. Inves ti gadora -Col aboradora do Institut o de Psicologi a Cogniti va da Uni versi dade de Coim bra. P esquis adora corres ponde nt e do Cent re de R echerches Ps ychanal ys e et Médecine, CRPM-P andora. Universit é Deni s -Diderot P ari s VII. www.juniade vilhena.com.br E -mail: vilhena@puc -rio.b r

Carlos Mendes Ro sa - Psi cól ogo; Doutor em Psi cologi a Clínica pel a PUC-Ri o; P rofessor adj unto da Univers idade Federal do Tocantins (UFT);

Docent e do P rogram a de Pós Graduação em Ens ino em C iências e S aúde da UFT; Pesquis ador associ ado do Laboratório I nt erdis ciplinar de Pesquis a e Intervenção Social (LIP IS) da PUC -Rio. Pesquis ador Convi dado do Insti tuto de Psi cologi a Cogniti va da Universidade de Coimbra. Bol si sta de Produti vidade da UFT.. carlo smendesrosa @gmail.com

Joana V. No vaes Professora do Program a de Mestra do P rofis sional e Dout orado em Ps icanáli se, S aúde e S oci edade da Universidade Vei ga de Alm eida. Doutorado em P sicologia Clí ni ca pela PUC -Ri o. P ós -doutorado em P sicologia Soci al (2008) e Psi col ogi a M édi ca pel a UERJ (2012).

Pesquisadora corres pondente do C en t re de R echerches Ps ychanal yse et Médecine -Universit é Denis -Di derot Pari s 7 CRPM -P andora. Bol sist a de Produtivi dade da FUNADESP

www.joanadevilhenanovaes.com.br [email protected]

99

A clínica psicana lítica con temporâ nea tem se dep arado com questõe s no vas e m sua pr ática co tidiana. Vemos um mundo em constante transformação, onde as ce rte zas se e vanesce m cada ve z mais e a liquide z ganha espaço em praticamente todos o s campos da existência. Ne sse quad ro clín ico e cultural as queixas de pacientes (de sde criança s até ido sos) também se modificam. Muda a maneira dos suje itos se re lacionare m com o tempo, o espaço, o outro e consigo mesmos.Em nosso te xto, tentamos reco rtar a subjetividade do id oso na contempora neidade e a s no va s formas de exp ressão do sofrimento psíquico e do s possíveis destinos para a pulsão na ve lhice.

As no vas formas d e mal -estar na con temporaneidade se deslo cam do polo clássico freudiano da culp a, fruto de uma sociedade repressora e ca stradora, para uma ampla gama de deslocamentos tributá rio s da liberdade absoluta que conqu istamos. De fato, somos esmagados pelo pe so dessa liberdade e nos sentimos, muitas ve ze s, enve rgonhados p or não conse guirmos apro ve itar todas as

“oportunidades” que o mundo livre nos oferece. Destarte, tentamos buscar o go zo abso luto e no s consumimos diante da impo ssib ilidade de o a lcança rmos. Essa situa ção nos leva a um quadro d escrito por vá rio s ana listas da cultu ra ta is como Christophe r Lasch que define o nosso tempo através do que ele chama de “Cultura do Narcisismo”.

Uma condição qu e difere dos qua dros típ icos da p sicaná lise freudiana e se ancora mais em uma angústia difusa e paralisante.

Como aponta o autor:

O sujeito não sofre de fixações ou fobias debilitante s, ou de con versão de energia se xual reprimid a em moléstias nervosa s; ao invés, ele se queixa de ‘insatisfação difusa, vaga, com a vida’, e sente que sua e xistência é fútil e sem finalidade. Ele descre ve

‘sentimentos de vazio sutilmente experimentados, embora

100

penetrantes, e de depressão’, ‘oscilações violentas de autoestima’

e ‘uma incapacidade geral de progredir’. (Lasch, 1983, p.62).

Se na população, como um todo, essa condição de in capacidade ge ral é prob lemática, na velh ice esse cenário gan ha novos contornos quando se soma as pe rdas co gnitiva s, relacionais e a pro xim idade da morte. Porém, o s descaminhos da pulsão não le vam tão somente a desfechos infelize s. A potência criado ra e o acúmulo de expe riência s, típicos da velh ice, n os fazem re conhecer no idoso do nosso tempo u ma capacidade de lidar com as e xigências da cultu ra cont emporânea que, muita s ve zes, nós não en contramos, por e xemplo, nos mais jo vens, o s quais se deixam en redar, em algun s casos, por um certo niilismo contemporâneo que a tudo desencanta. A certeza de que as co isas são pa ssa geiras (dado que muitas e muitas coi sas já passa ram na vida de sses homens e mulheres) faz com que en xerguem a vida, e os de safios contidos nela, por um p risma, ora mais rea lista , ora mais otimista.

É essa a sensa ção que temos ao trab alhar, semanalmente, com um grupo de idosos que pa rticipam de um projeto de “Roda de Conversa” na universidade em que lecionamos. Apesar das dificuldades de u ma vida rep leta d e obstáculo s, desencontros e ausências (fenômenos comuns entre as cla sses popu lares, de onde os participante s são oriundos) todos são capa z es de tra ze r suas expe riên cias significantes com d ignidade e um ce rto otimismo, claramente, com o intuito de reforça re m a satisfação por estarem ali e por um desejo d e que todo s ao red or tenham maior confiança na vida.

Algo que nos faz re tomar em Benjamin (1987) o valo r da expe riên cia vivida. A p rópria e xperiência como um a forma de conhecimento que exige concu rso do entendimento, de sorte que só conhecemos das coisas o que nós mesmos nelas co lo camos. Também muito similar ao que pensa Olive r Sacks (2013) ace rca da maleabilidade da

101

memória e suas possib ilidades de diferentes inte rpre taçõ es acerca do mesmo fato ao longo de uma vid a. Para o autor a indiferença sobre as fontes (de conhecimento ) nos permite assim ila r o que lemos, o que nos contam, o que outro s diz em, e pensam, escre vem e pintam, de uma forma tão rica e tão intensa como se fossem expe riên cias p rimá rias. Tal fato nos permite ver e escutar com os olhos e ou vidos do s outro s, entrar na mente dos demais, assimila r a arte e a ciência e a religião de toda uma cultura.

Sobre esse aspe cto, Saramago come nta que "O tempo não é uma corda que se possa medir de nó a nó. O tempo é uma superfície oblíqua e ondulante onde só a memória é capa z de se mover e apro xima r".

Talve z possamos pensar então que a que stão da tra n sito riedade apontada por Freu d (1915), quando afirma que tudo que é belo nesse mundo tende a perecer, tenha realmente uma faceta positiva.

Pois se todos estamos sujeitos “às ondulações do tempo” então somos todos tão mortais e temos todos, e xatamente, o m esmo tempo, o tempo necessário (e suficiente) para acrescenta r mais uma cena à nossa memória.

Há vida antes da m orte?

O tempo da velhice , prelúdio da morte , se contamina com adjetivo s similare s aos u tilizados pela socieda de em rela ção a e sta última.

Cerque ira Filho (20 13, p. 172) descre ve o encontro com a morte no conto de Guimarães Rosa. “Não a morte final – equestre, ceifeira, ossosa, tão atardalhadora, mas a outra, aquela”. Onde o "homem fica com alguma coisa de cadá ver". A aparência de no ssos velhos faz com que nos le mbremos dos cadá ve res?

Paula Sibilia dirá que em nossa sociedade “a velhice é censurada como algo ob scen o e ve rgonhoso, que deve ria pe rman ecer ocu lto, fora da cena, sem ambicionar a tão cotada visibilidade” (Sibilia, 2011, p. 94).

102

O afastame nto dos ve lhos e moribundos do con vívio socia l é o sina l mais e vidente da n ão identificação entre os jo vens e os que estão enve lhecendo e morrendo. Se essa nã o identificação é a preendida, pode também ser a lterada, o que co lo ca um papel fundamental para a educação das nova s ge raçõe s. Atua lmente, o pavo r da morte e de tudo que lhe é associado é ensinad o, muito cedo, às crianças.

Segundo o antrop ólogo b ritân ico Ge offrey Go rer, em seu ensaio acerca do que chamou de Porno grafia da Mo rte, atu almente, a morte e o luto são tratados com o mesmo pudor com que os impulsos se xuais eram trata dos há um século a trás.

No âmbito da ed ucação, ou se ja, da socia lização primária e secundária, pais e professores e vita m falar da morte: quer seja daquele s que mo rrem ou dos que em bre ve morrerão. Quem morre são os outro s. Esse fato parece indicar a estranha ló gica que busca apagar a fin itude como dimensão da vida. As crianças, às ve zes, são impedida s de ve rem pessoa s mortas e de vive nciarem as emoções pro vocad as pela morte. A p ossib ilidade de tra nsformar a relação dos jo vens com os ve lhos e moribund os passa, necessariamente, pela supe ração do ocultamento da mo rte du rante a infância, bem como pela in serção da criança e m relaçõe s afetuosas e de amizade com a s pesso as que se encontra m p ró ximas do fim da vida (Vilh ena, No vaes &Rosa 2014a).

Em trabalho recente acerca do morre r na contemporaneidade e das práticas funerárias, Lana Veras (2014 ) afirma que no s tem pos atuais a morte é “feia”, é “velha”, é “suja” e os mortos, “contaminam”. Por essa razão, “devem ser adotadas todas as ações que “corrijam”

essas desa gradá ve is ca racte rísticas e expre sse m beleza, juventude, assepsia, tranquilidade, conforto”. A constatação da autora acerca dos estereótipos que cercam o fenômeno da morte nos dá uma d imensão do horro r que a sociedade ad qu iriu em rela ção à finitude da e xistê ncia.

103

Baudrilla rd (1997 ) nos diz que é no século XVI que essa figu ra moderna da morte se gene raliza, porque antes a morte era vivenciada de maneira d iversa. Ao observa rmos as imagens da Idade Média, vemos dançando o rei, a corte, o guerreiro e a morte, representada pelo esqueleto dança ndo junto com a s pessoa s (Vilhena, No vae s e Rosa, 2014a).A d escrição se refere à imagem mais popula r da morte na Idade Média, se gundo Huizin ga (2010 ), a Dança Macabra , u ma alego ria sobre a unive rsalidade d a morte que lembra va sua ine vitabilidade, funcion ando como comunicação da moral vigente e co ntrole socia l.

Na Idade Média , se gundo Ariès (2000), a morte era viven ciada com familiaridade e maior se renida de. No entanto, apesar de maior abertura pa ra trata r do tema, havia, também nessa época, o temor à morte. Diferente, contudo, do temor contemporâneo, que e vita os ind ício s da finitud e no corpo, o medo da morte na Idade Média esta va ligado à p unição no a lém , medo influenciado pela forte religiosidade do período. (Elias, 1 994; Veras, 2014 ; Vo velle, 1974,1983).

Essa p ro ximidade com que a morte é tratada na Idade Média, com traços marcados d e aceita ção da ine xo rabilidade e un iversalidade do processo de morrer, se modifica no s séculos posteriores. A visão coletiva do ju ízo final cede espaço, com o surgimento do indivíduo, a um julgamento no qua l cada a lma é suje ita a uma espécie de exame onde tudo da sua biografia é le vado em conta. A mudança nas atitude s diante da morte o corre u paulatinamente nos sécu los que se se gu iram à Idade Média. Entre tanto, entre o final do século XIX e in ício do sé culo XX se proce ssa uma alteração intensa nas maneiras de lida r com a morte e o morrer. Esta passa a ser inte rdita, concebida como fracasso, impo tência ou imperícia, de ve ser e vitada ocultada e silenciada (Ariès, 2000, 2003). De maneira que, se repara rmos nos a djetivo s utilizados pelos auto res que tratam do

104

tema, não encontra remos o medo re ve rente dos antigos te mpos, mas um asco, uma certa repulsa de morre r.

Grandes pensado res como Freud e Foucault também apontaram esse espinho en cravado no na rcisismo das sociedade s modernas.

No seu belíssimo e nsaio a cerca da cu ltura Freud (1930), escre veu que uma das três principais fontes d o so frimento humano estaria relacionada ao nã o controle sobre o s destino s de um corpo com marcha constante em direção ao seu próprio fim. Para ele, vive r em sociedade e xigiu d o ser humano uma renúncia pu lsional, devido à existên cia de um a ntagonismo entre a s e xigência s das p ulsões e as da civiliza ção.

Em Reflexões para os tempos de guerra e morte, Freud apresenta novamente a sua preocupação para com o tema da morte, já que como “criaturas civilizadas, tendemos a ignorar a morte como parte da vida”. Como nos diz o autor, nenhum de nós acredita na própria morte e nem m esmo conse gue imaginá -la. “Uma convenção ine xplícita faz trata r com re servas a m orte do pró ximo. Enfatizamos sempre o acaso: acidente, infecção, etc., num esforço de subtrair o caráte r necessá rio da morte. Essa desatenção empobrece a vida”

(Freud, 1916, p. 300). As pala vras de Freud e videnciam o que narra a persona gem de Tolstoi (1997) na o bra chamada A Mo rte de Ivan Ilitch, publicada e m 1886. A ló gica que ha via sido pe rfeitamente entendida, na dim en são racional, d o silo gismo que a preendera:

“Caio é um homem, os homens são mortais, logo Caio é mortal”, parecia não faze r sentido algum quand o aplicada a ele p róprio. Fato evidenciado na se guinte constata ção de Ilitch:

“Se eu tinha de morrer, assim como C aio, deveriam ter-me avisado antes. Uma vo z den tro de mim desde o in ício deve ria ter -m e dito que seria assim. Ma s não havia nada em mim que indica sse isso; eu e todos meus amigo s sabíamos que no nosso caso se ria d iferente. E eis que ago ra... Não... Não pod e ser e, no entanto é assim! Como entender isso?” (Tolstoi, 1997, p.63)

105

Um ano antes, ao disco rre r sobre a transitoriedade, Fre ud já nos avisa ra que e xigên cia de imorta lidade , por ser tão ob via mente um produto dos nosso s desejo s, não po de reivind ica r seu d ire ito à realidade (Freud, 1 915). Todos nós p adecemos do medo da perda dos nossos objetos de inve stimento afetivo. A perda re laciona -se em última análise com o receio da morte, ou seja, a perda da existência (Vilhena et al, 2013). O homem primitivo aprende u a admitir a mo rte como fato inalterá ve l, mas não consegue assimilar a sua própria aniqu ila ção. Nada do pulsiona l solicita a crença da pró pria morte;

além do fato da e xperiência da morte rep resentar a castração po r excelência, uma ve z que é irre versíve l e incapa z de ser co mpensada atra vés de substitu tos (Gon çalve s, 20 01).

Nas palavras de Foucault; “Agora é sobre a vida e ao longo de todo o seu desenro lar que o poder estabelece seus pontos de fixação; a morte é o limite, o momento que lhe escapa; ela se tor na o ponto mais secreto da existência, o mais “privado”.” (1988, p. 130).

Em coluna do Jornal El Pais, Elian e Brum (2015a) citou Oliver Sacks, e scrito r, neurolo gista e um dos pensadores mais intere ssantes do n osso tempo, que e scre veu um artigo sobre o seu próprio percurso em direção à morte, na página do The Ne w York Times. A jorna lista lembrou que em feve reiro, ele ha via anunciado que esta va com câ ncer no fíga do, se m possibilidade de cura, em um texto belíssimo sob re a vida, que foi traduzido e publicad o no mundo inteiro. O que ch ama atenção neste te xto é a pos sibilidade de encantamento com o mundo que não cessou. Apesar d a doença, Sacks fala va de sua expectativa pe las re vistas que ch egarão às bancas e, sobre tudo, do fascínio com a bele za do unive rso. "Esse esplendor ce leste de imediato me fez perceber o quão p o uco era o tempo e a vida que me resta va. Minha percepção da bele za do céu, da eternidade, era in separá ve l da minha percepção da transitoriedade – e da morte”. Contou então seus sentimentos aos amigos que o acompanhavam, dizendo: “Eu gostaria de ver esse cé u

106

novamente quando estiver morrendo”. Disse ainda o escritor: caberá a mim decid ir como viver o que me resta. Estou a go ra de frente pa ra a morte, mas ainda não terminei de vive r.

Curiosamente, a própria Eliane, em u ma entre vista re ce nte para a Folha de São Paulo , comentou a sua relação particu lar co m a morte:

Só espero ter sabe doria para viver minha vida com in tensidade até o último susp iro. E sabedoria pa ra morrer, sem tentar espichar a vida nem ab re viá -la . Não go staria de m orre r de repente, co mo tantos desejam. A cu rio sidade semp re mo veu meus passos. Quando a morte chega r, não quero pe rder a única chance de olhar no seu olho.

Quero saber o que é morrer. Quero m e lambuza r de morte como me lambuze i de vida. Quero vive r. Até o fim. (Brum, 2015b, p. 1).

Serão esses relato s sinais de mudança na forma como encaramos a morte? Esperamos que sim. Se gun do afirma Eliane Brum, de maneira bastante o timista, depo is de se tornar interd ita e silen ciada no século 20, a m orte ganha cada vez mais espaço e m narrativas confessionais de n otáve is e de anônimos. Nós pensamos que talve z sejam apenas e xp ressões sin gula res de uma forma muito intere ssante de lid ar com a morte. No entanto, essa s ma nifestações isolada s como a de Sacks não criam uma tendência. A maior parte das pessoas que f alam sobre a mo rte não o fazem de maneira a elabora r esse fato. Talve z se ja m uito mais uma questão de publiciza r algo da vida privada. O ce rto é que mudar a nossa rela ção com a morte significaria , necessa riam ente mudar nossa relação com a ve lhice e com a vida.

Essa no va forma de encarar a morte já seria uma grande conqu ista de nosso tempo. Pois, como afirma a escritora Ines Pedrosa "O excesso de con sciência da vida (ou seja, da morte ) aniquila -nos a própria e xpe riência da vida. Corre mos, em ve z de vive r mos.

Precipitamo -no s, e m ve z de esco lhermos."

107

Enfocando a questão específica do envelhe cimento, conforme afirmamos em um outro trabalho, a chamada “terceira idade”, atualmente, é o terceiro mundo da política ou da vida. É um peso morto gestionário, socia lm ente margin al, cujos cu stos, quando não estão alimentando a indústria do turismo pa ra 3ª idade, dos cosméticos ou do body fitness, representam um “peso” muito grande na balança de pagamentos da previd ência (Vilhena, No vaes & Rosa 2014a).

Infelizmente, quan to mais se vive b iolo gicamente neste modelo societá rio menor é o reconhecimento simbólico. Talve z, por isto , cada ve z mais au mentem os in vestimentos naqu ilo que alguns soció lo gos chama m de adultescência – a eterna busca pela aparência jo vem seja no co rpo, se ja nas roupas, seja n o estilo de vida. Como se o ve lho só pudesse existir socialme nte sob a roupagem de uma juven ilidade mercad ológica.

Dito isso, entende mos que a possib ilidade de tran sformar a re lação dos jo vens com os ve lhos e moribun dos passa, necess ariamente, pela supera ção do ocultamento da m orte durante a infância, bem como pela in serção da criança em re lações afetuosas e d e amizade com as pe ssoas que se en contram pró ximas do fim d a vida. Até porque se con stitu i em uma relação salutar pa ra ambas as partes.

Em seu livro Filo sofia do espírito científico, Bache lard (1972) aponta a importância do “velho” conhecimento na formulação dos novo s. O que significa dize r que a expe riência do vivido e dos antigos sabere s nã o pode e não de ve ser despre zada. Se m o ve lho conhecimento não se cria o no vo. Ou nas pala vras de W innicott, nenhuma inova ção se cria que não se ja fundada na tradição.

Mais uma ve z retomamos a noção de expe riência em Benjamin, agora em sua ve rte nte negativa, de pe rda.

Qual o valo r de to do o nos so patrim ônio cultu ral, se a expe riên cia não mais o vin cu la a nós? A ho rríve l mixó rd ia de estilos e concepções do mundo do século passado mostrou -nos com tanta

In document Longevidade, reforma e estilos de vida 1 (página 98-126)

Documento similar