• No se han encontrado resultados

La realidad personal del ser humano

2.1 La dimensión de la corporalidad

En el c a p ítu lo a n te rio r to m a m o s c o m o b a s e lo s a p o rte s de la b io ­ lo g ía y las n e u ro c ie n c ia s para la c o m p re n s ió n del s e r h u m a n o y, p o r ta n to , no d u d a m o s , c o m o D e s c a rte s , d e la e x is te n c ia de n u e s tro p ro p io c u e rp o . Al c o n tra rio , s o s tu v im o s q u e la p rim e ra e v id e n c ia d e n u e s tra p ro p ia re a lid a d h u m a n a e s n u e s tra e x is ­ te n c ia fís ic a . M e d ia n te el cu e rp o , el s e r h u m a n o se re a liz a en el m u n d o y co n lo s d e m á s , de tal m a n e ra q u e el v e rd a d e ro h o m o e s el h o m o c o rp ó re o . P ero, ¿ q u é e s el c u e rp o ? , ¿ a c a s o e s s o ­ la m e n te el c o n ju n to de fu n c io n e s fis io ló g ic a s q u e c o n s titu y e n la b a s e m a te ria l d e n u e s tra vid a y q u e a c tú a n d e m a n e ra c o o rd in a ­ d a para m a n te n e rla ? Jo se p h G e v a e rt1 se ñ a la q u e la a n tro p o lo g ía h e b re a u tiliz a v a rio s té rm in o s p a ra re fe rirs e al s e r h u m a n o , ta le s c o m o basar, n e fe s y ru a h ; é sto s indican la viv e n c ia del sujeto com o u n id a d , s in u n a d is tin c ió n ta ja n te e n tre el e s p ír itu y la re a lid a d m a te ria l. P o r e je m p lo , b a s a r s ig n ific a c a rn e o c u e rp o , no c o m o a lgo o p u e s to al a lm a e s p iritu a l sin o in c lu id o d e n tro de lo in m a te ­ rial. N e fe s, q u e se ha tra d u c id o p o r p s iq u e (g rie g o ) o a n im a (latín), sig n ifica a lie n to vital o vida, p e ro no c o m o n o ció n a b s tra c ta , sin o co m o el s e r v iv ie n te c o n c re to en q u ie n flu y e la s a n g re , el a lie n to de la vida; p o r eso el h o m b re es n e fe s, e s un s e r v iv ie n te . R uah, q u e se tra d u ce al griego p o r p n e u m a y al latín p o r spiritus, significa en h e b re o re s p ira c ió n o vie n to , e in d ica “a q u e llo q u e en el h o m b re lo h ace c a p a z de e s c u c h a r a D io s ” ;2 p o r ta n to , R u a h in d ica cie rta c a p a c id a d h u m a n a para e s ta b le c e r u n a re la c ió n e s p e c ia l con D ios en la m e d id a en que se le m a n ifie s te ; e s la e s fe ra en la q u e la d i­ v in id a d es c a p a z de in flu ir en el s u je to y no ta n to u na fu n c ió n in ­ he re n te al p ro p io sujeto.

P ara la a n tro p o lo g ía s e m ita c ie rta s fu n c io n e s , q u e p o r lo g e n e ra l se a trib u y e n al c u e rp o , so n c o n c e b id a s c o m o fu n c io n e s d e la p s iq u e (n e fe s ), p o r e je m p lo , el d e s e o d e b e b e r, d e c o m e r, e tc. P o r o tro la d o , el p e n s a r o el a m a r tie n e n s ie m p re un e le m e n to co rp o ra l; p a ra la tra d ic ió n h e b re a el c u e rp o m is m o c o n s titu y e la p re s e n c ia d e la p e rs o n a . La s e x u a lid a d no e s s ó lo la u n ió n d e los c u e rp o s , ta m b ié n es el e n c u e n tro d e las p e rs o n a s , y p o r e n ­

1 Joseph Gevaert, El problema del hombre. Introducción a la antropología fi­ losófica, Trad. de Alfonso Ortiz, Salamanca, Sígueme, 10a. ed., 1995. 2 Ibidem, p. 73.

d e no e s n e g a tiv a ni p e c a m in o s a , s in o b u e n a , ya q u e h a c e p o s i­ b le la fe c u n d id a d , la a p a ric ió n d e m á s p e rs o n a s . El c u e rp o no e s e n to n c e s el c e n tro del pe ca d o ; p o r el contrario, el p e c a d o es c o m e ­ tid o p o r el s e r h u m a n o to ta l, y el p e rm a n e c e r en el p e c a d o s ig n i­ fic a v iv ir (b io ló g ic a y p s íq u ic a m e n te ) a p a rta d o d e D io s.

P o r el c o n tra rio , en la a n tro p o lo g ía g rie g a , e s p e c ia lm e n te con P la tó n , se a c e n tú a un d u a lis m o q u e o p o n e al a lm a co n el cu e rp o , y s u b ra y a q u e e s te ú ltim o no e s s in o un o b s tá c u lo , u n a c á rc e l q u e tie n e p ris io n e ra al a lm a , y d e la c u a l el s e r h u m a n o se v e rá lib re en el m o m e n to d e su m u e rte . S ó lo c u a n d o el a lm a se s e p a ­ re del cu e rp o , p u rific a d a a tra v é s de una s e rie d e re e n c a rn a c io n e s (m e te m p s ic o s is ), s e rá c a p a z d e lle g a r a la p le n itu d d e la c o n ­ te m p la c ió n de la v e rd a d .

El d u a lis m o a n tro p o ló g ic o d e P la tó n tie n e su s ra íc e s en la re lig ió n ó rfic a , la cu a l a firm a la n e c e s id a d d e la re e n c a rn a c ió n — é s ta es un p ro c e s o de p u rific a c ió n del a lm a c u y o o b je tiv o ú ltim o e s lib e ­ ra rs e del c u e rp o — . P o r o tro la d o , ta m b ié n es v e rd a d q u e , a c o rd e co n su c o n te x to c u ltu ra l, P la tó n s u b ra y a la im p o rta n c ia d e la d i­ m e n s ió n c o rp o ra l d e l s e r h u m a n o en s u s re fle x io n e s s o b re la e d u c a c ió n , a s e n ta d a s e n d iá lo g o s c o m o La R e p ú b lic a (o b ra de m a d u re z ) y L a s L e y e s (o b ra d e su v e je z ). En e lla s le d a un p a p e l p re p o n d e ra n te a a q u e lla s a c tiv id a d e s , c o m o la g im n a s ia y las a r­ te s m a rc ia le s , q u e c o n trib u y e n a m a n te n e r el c u e rp o á g il, s a n o y b e llo . S in e m b a rg o , la in te rp re ta c ió n d u a lis ta q u e d e s p re c ia al c u e rp o e s la q u e se tra n s m ite al p e n s a m ie n to c ris tia n o d e los p rim e ro s s ig lo s , en e s p e c ia l c u a n d o san A g u s tín de H ip o n a le da fo rm u la c io n e s te o ló g ic a s q u e le o to rg a c a rta d e c iu d a d a n ía en la fe c ris tia n a , y q u e h a b ría de s e r el d is c u rs o d o m in a n te e n la c u l­ tu ra o c c id e n ta l. D u ra n te m u c h o s s ig lo s , y h a s ta la fe c h a , el c ris ­ tia n is m o ha e n fre n ta d o u n a lu c h a en su in te rio r c o n tra el in flu jo n e g a tiv o d e e s te d u a lis m o .

El d u a lis m o a n tro p o ló g ic o d e la c u ltu ra o c c id e n ta l se v e fo r ta le ­ c id o c o n la filo s o fía d e R e n é D e s c a rte s (1 5 9 8 -1 6 5 0 ), c o n s id e ­ ra d o c o m o el fu n d a d o r d e l p e n s a m ie n to filo s ó fic o m o d e r n o , e s p e c ia lm e n te co n su o b ra E l d is c u rs o d e l m é to d o . En e s te lib ro p la n te a la n e c e s id a d d e lle g a r a u na v e rd a d in c u e s tio n a b le , p a ra lo cu a l s e p ro p o n e d u d a r m e to d o ló g ic a m e n te d e to d o a q u e llo q u e no se p re s e n te a su e n te n d im ie n to c o m o e v id e n te . A s í, tra s

h a b e r d u d a d o d e la in fo rm a c ió n d e los s e n tid o s y, p o r e n d e , d e la e x is te n c ia de l m u n d o m a te ria l, D e s c a rte s q u e d a “a tra p a d o ” en el so lip s is m o del cogito, p o r lo q u e s e v e ló g ic a m e n te o rilla d o a a fir­ m a r q u e la ú n ica v e rd a d e v id e n te e s q u e p ie n s a : “P ie n so , lu e g o e x is to ” . D e s p u é s d e fo rm u la r e s ta fa m o s a c o n c lu s ió n , el filó s o fo fra n c é s se ve en s e rio s p ro b le m a s p a ra d e m o s tra r la e x is te n c ia de su p ro p io c u e rp o 3 y d e l m u n d o real. P a ra D e s c a rte s , el c u e rp o e s ra d ic a lm e n te d is tin to de l a lm a , y a q u e e x is te y fu n c io n a s o b re la ba se del m o v im ie n to m e c á n ic o d e la re a lid a d m a te ria l. El a lm a id e n tifica d a co n la c o n c ie n c ia , “c u y a e s e n c ia y n a tu ra le z a to d a e s p e n s a r” ,4 no d e p e n d e d e n in g u n a c o s a m a te ria l.

El d u a lis m o c a rte s ia n o c o n tin u ó s ie n d o d e fe n d id o p o r el ra c io n a ­ lism o d e p e n s a d o r e s p o s te r io r e s c o m o L e ib n iz ( 1 6 4 6 - 1 7 1 6 ) y M a le b ra n ch e (1 6 3 8 -1 7 1 5 ). S in e m b a rg o , a c tu a lm e n te no e n c u e n ­ tra un fu n d a m e n to s u fic ie n te en la e x p e rie n c ia p e rs o n a l ni en la c ie n cia , q u e c a d a d ía tie n e m a y o re s c e rte z a s s o b re la in te rd e ­ pendencia e n tre los fe n ó m e n o s p s íq u ic o s y los fe n ó m e n o s fis io ló g i­ cos del c u e rp o , ta l c o m o lo s e ñ a la m o s e n el p rim e r c a p ítu lo . A p a rtir d e n u e s tra e x p e rie n c ia p e rs o n a l n o s v iv im o s c o m o s u je to s cu y a s a c c io n e s e s p iritu a le s y c o rp o ra le s e s tá n p ro fu n d a m e n te im b ric a d a s ; no s o m o s d o s s e re s s in o un s o lo se r, un o rg a n is m o v iv ie n te q u e c re c e , d u e rm e , s u e ñ a , a m a co n su m e n te y co n su c u e rp o de m a n e ra s im u ltá n e a .

3 Descartes divide tajantemente la realidad en res cogitans y res extensa, es decir, en pensamiento y materia; él tiene como verdad evidente sólo la realidad de pensamiento. Para demostrar la existencia de la res extensa, a la que per­ tenece el cuerpo, y de cuya existencia había dudado al invalidar el conoci­ miento sensorial, tuvo que recurrir a la demostración de la existencia de Dios, y para ello retomó el argumento de San Anselmo sobre la idea de per­ fección. Dios, como ser bueno y perfecto, no quiere engañarnos y, por lo tanto, la realidad material (extensa) existe. René Descartes, Discurso del método, Trad. de Jorge Carrier Vélez, Barcelona, Educomunicación, 1998. 4 Ibidem, p. 71. La cita completa de Descartes es la siguiente: “conocí con eso, que yo era una sustancia cuya esencia y naturaleza toda es pensar, y que no necesita, para ser, de ningún lugar ni depende de ninguna cosa ma­ terial; de manera que este yo, es decir, el alma por la cual yo soy lo que soy, es enteramente distinto del cuerpo e incluso más fácil de conocer que éste, y, que, aun cuando éste no fuese, aunque el cuerpo no fuese, el alma no dejaría de ser todo aquello que es”.

N o s e x p e rim e n ta m o s e n u n id a d co n n u e s tro p ro p io c u e rp o , y no c o m o un e s p íritu q u e “ h a b ita ” e n un s e r e x tra ñ o a n o s o tro s m is ­ m o s , p o r lo q u e no p u e d e d e c irs e q u e “te n e m o s ” un c u e rp o , s in o m á s b ie n q u e “s o m o s ” n u e s tro c u e rp o . E s v e rd a d q u e n u e s tro c u e rp o , c u a n d o se c o n v ie rte e n o b je to d e e s tu d io d e la s c ie n ­ cia s, ta le s c o m o la q u ím ic a , la a n a to m ía o la fis io lo g ía , se a n a li­ za d e s d e un p u n to d e v is ta o b je tiv o : el c u e rp o s e c o n v ie rte en o b je to d e c o n o c im ie n to cie n tífico , pero e n to n c e s ya no es m i c u e r­ po, ta l c o m o lo v iv o y lo e x p e rim e n to d e s d e d e n tro d e m í. E d ith S te in , e n su te s is d o c to ra l, a b o rd a d e m a n e ra b rilla n te la s re la ­ c io n e s e n tre el y o y el c u e rp o v iv o , en e s ta e x p e rie n c ia d e a lte ri- d a d y d e u n id a d .5 D ic h a v iv e n c ia in te rn a d e l p ro p io c u e rp o lo e le v a a la c a te g o ría d e “ h u m a n o ” , co n lo cu a l s e q u ie re in d ic a r la p o s ib ilid a d c o n c re ta q u e te n g o d e e x is tir y c o m u n ic a rm e co n los d e m á s : “ El c u e rp o e s lo q u e p e rm ite s e r co n lo s d e m á s y re a li­ z a rs e en el m u n d o . E s el p u n to d e in s e rc ió n e n el m u n d o ”

P o r o tro la d o , lo q u e p u e d e d a r p ie a la s p o s tu ra s d u a lis ta s es q u e a la e x p e rie n c ia d e id e n tific a c ió n c o n m i p ro p io c u e rp o ta m ­ b ié n d e b e n a ñ a d irs e e x p e rie n c ia s d e no id e n tificació n ; é sta s tie n e n lu g a r c u a n d o el sí m is m o p e rc ib e q u e en él e x is te u n a d im e n s ió n q u e n o s e d e ja o b je tiv a r d e n in g u n a m a n e ra . U n a d e e s ta s e x p e ­ rie n c ia s e s la v iv e n c ia d e l sí m is m o c o m o c e n tro d e d e c is io n e s lib re s , e s d e c ir, c o m o c o n c ie n c ia . J e a n P a u l S a rtre c a p ta co n a g u d e z a e s ta e x p e rie n c ia d e s d e u n a v ía n e g a tiv a c u a n d o a d ­ v ie rte q u e e x is te n m ira d a s q u e in te n ta n c o s ific a rn o s , a p re s a rn o s c o m o o b je to s d e d e s e o o c o m o in s tru m e n to s m a n ip u la b le s . La m ira d a d e l o tro q u e o b je tiv a al c u e rp o s e c o n v ie rte e n un in fie r­ no; d e s d e a h í e s e x p lic a b le la c o n o c id a fra s e s a rtria n a “el infierno s o n los o tro s ” .7 P e ro la re a lid a d p e rs o n a l, e n c u a n to fu e n te d e la s p ro p ia s a c c io n e s y c a p a c id a d d e re fle x ió n , e s a q u e llo q u e h a c e p o s ib le lo q u e H a n n a h A re n d t lla m a la “to m a d e in ic ia tiv a ” , el p o d e r d e in a u g u ra r,8 q u e s ó lo s e e x p lic a si a firm a m o s la lib e r­ ta d c o m o c e n tro c la v e p a ra la c a p ta c ió n d e l s ig n ific a d o d e s e r

5 Edith Stein, Sobre el problema de la empatia, Madrid, Trotta, 2004. 6 Joseph Gevaert, El problema del..., op. cit., p. 86.

7 Véase la conocida obra de teatro de Jean Paul Sartre, A puerta cerrada, Trad. de Aurora Bernárdez, Buenos Aires, Losada, 8a. ed., 1997.

8 Hannah Arendt (1958), La condición humana, Trad. de Ramón Gil Novales, Barcelona, Paidós, 1998. En el capítulo 5 del presente trabajo se abordará con mayor detalle este tema.

p e rs o n a . A u n en c o n d ic io n e s d e s u p re s ió n d e la lib e rta d física o corporal persiste la ca p a cida d de m a n te n e r la “ libertad in te rio r” ; e x­ pe rie n cia s com o las re la ta d a s p o r V íc to r F rankl9 en los c a m p o s de c o n c e n tra c ió n d a n c u e n ta d e e s te fe n ó m e n o .

E x is te a d e m á s o tra s itu a c ió n en la q u e el c u e rp o se c o n v ie rte en el v e h íc u lo q u e n o s tra n s p o rta a u n a d im e n s ió n no m a te ria l; se tra ta d e la e x p e rie n c ia h u m a n a d e la c o m u n ic a c ió n d e un yo fre n te a un tú, la cu a l re v e la u n a c o n e x ió n d e c a lid a d in m a te ria l, q u e no c o in c id e co n el c u e rp o y q u e n o s lle v a a v iv e n c ia r n u e s ­ tra p ro p ia u n ic id a d fre n te al o tro q u e se re v e la ta m b ié n c o m o ú n ic o y co n u na d ig n id a d d is tin ta d e la q u e p u e d e n te n e r las c o ­ s a s, las p la n ta s o los a n im a le s . U n a te rc e ra e x p e rie n c ia d e n o - c o in c id e n c ia del y o co n su c u e rp o e s la v iv e n c ia del a m o r, el a c ­ to d e q u e re r el b ien d e l o tro y d e s e n tirs e u n id o (re lig a d o ) a o tro (s ) a p e s a r de la d is ta n c ia g e o g rá fic a o te m p o ra l.

S in e m b a rg o , e s ta s v iv e n c ia s d e lib e rta d in te rio r, q u e tra s c ie n ­ d e n las c o o rd e n a d a s e s p a c io -te m p o ra le s en la s q u e se h a y a in ­ s e rto el c u e rp o , no s e ría n p o s ib le s si no s e p a rtie ra d e la v iv e n c ia p rim o rd ia l d e l p ro p io c u e rp o . La p e rs o n a h u m a n a v iv e en y a tra v é s d e su c u e rp o , el c u a l tie n e v a rio s s ig n ific a d o s : e s e x p re s ió n , le n g u a je , p re s e n c ia e in s tru m e n to , y ta m b ié n lím ite . En c u a n to p re s e n c ia , 0 el c u e rp o e s tá o rie n ta d o h a c ia lo s d e m á s y e s p e rc ib id o p o r e llo s c o m o h u m a n o ; e s tá d e d ic a d o a la c o m u ­ n ic a c ió n y m e re c e re c o n o c im ie n to c o m o in te rlo c u to r p o s ib le de to d o s los d e m á s : “tie n e d e re c h o a s e r tra ta d o c o m o s e r h u m a n o y no c o m o c o s a ” .11

C o b ra m o s c o n c ie n c ia d e l s ig n ific a d o d e la p re s e n c ia h u m a n a , c o m o d ife re n te d e l s im p le “ e s ta r a h í” d e la s c o s a s , e x a c ta m e n te c u a n d o s e n tim o s la a u s e n c ia d e u n a p e rs o n a . La m u e rte del s e r

9 Víctor Frankl, El hombre en busca de sentido, Trad. de Diorki, Barcelona, Herder, 6a. ed., 1985.

10 El cuerpo como presencia ha sido objeto de reflexión para Gabriel Marcel, quien en su obra Homo viator sostiene que la presencia es algo más que sim­ plemente el “estar ahí” propio de las cosas. La presencia se refiere al hecho de que el sujeto humano es reconocido por los demás como humano. Gabriel Mar­ cel, Homo viator. prolégoménes a une metaphysique de íespérance, París, Au- bier Montaigne, 1944.

a m a d o e s la e x p e rie n c ia m á s ra d ic a l d e e s te fe n ó m e n o , c u a n d o el c a d á v e r no e s ya u n a p re s e n c ia , sin o u n a a u s e n c ia ; a lg o q u e e s tá fís ic a m e n te , p e ro d a d o q u e su c a p a c id a d d e in te rlo c u c ió n ha s id o c a n c e la d a , ha p e rd id o su c a lid a d h u m a n a y s e e n c u e n tra “fu e ra ” d e l m u n d o . El c u e rp o e s p re s e n c ia p o rq u e e s el c a m p o d e e x p re s ió n d e la p e rs o n a . C o n tra rio a lo s p rin c ip io s de l d u a lis m o , h o y en d ía no p o d e m o s h a b la r de un s u je to h u m a n o re a liz a d o c o m p le ta m e n te en la in te rio rid a d d e su c o n c ie n c ia d e b id o a q u e é s ta no se da n u n c a d e u n a fo rm a p u ra , a is la d a d e l m u n d o , s in o q u e s ie m p re a p a re c e y e v o lu c io n a g ra c ia s al c o n ta c to c o n c re to y re a l co n las p e rs o n a s y las c o s a s . En re a lid a d , el p e n s a m ie n to no p u e d e fo rm a rs e sin la p a rtic ip a c ió n del c u e rp o , e s d e c ir, sin el fu n c io ­ n a m ie n to d e to d o el o rg a n is m o , d e la s a n g re q u e a lim e n ta los c irc u ito s n e u ro n a le s y d e to d o s los p ro c e s o s fís ic o s y m e ta b ó li- c o s q u e h a c e n p o s ib le la a c tiv id a d c e re b ra l. N o e x is te , c o m o c re ­ ía D e s c a rte s , un p e n s a m ie n to s e p a ra d o de l c u e rp o .

En c u a n to al le n g u a je , el c u e rp o e s en sí m is m o u n a fo rm a d e le n g u a je ; s u s d iv e rs a s p a rte s p a rtic ip a n en el ju e g o d e la c o m u ­ n ic a c ió n : las m a n o s , la e x p re s ió n de l ro s tro , la p o s tu ra d e la c o ­ lu m n a v e rte b ra l, el m o v im ie n to de la c a b e z a , so n un le n g u a je : “ en el fo n d o to d o s los le n g u a je s no h a c e n m á s q u e d e s a rro lla r y e s p e c ific a r el le n g u a je fu n d a m e n ta l q u e e s el p ro p io c u e rp o ” .12 T a m b ié n la m a n e ra d e v e s tir del c u e rp o in d ic a su fu n c ió n s o c ia l, c o m o la n e ce sida d de p e rte n e n cia , de p rotesta, de reivin d ica ció n , etc. El s ig n ific a d o c o n c re to de l le n g u a je de l v e s tid o , a s í c o m o del le n g u a je d e la e x p re s ió n c o rp o ra l, e s tá n s ie m p re in flu id o s p ro ­ fu n d a m e n te p o r el c o n te x to c u ltu ra l e h is tó ric o en el q u e se vive . El c u e rp o ta m b ié n es le n g u a je en el tra b a jo : la a c tiv id a d fís ic a es la m a n e ra en la q u e los s e re s h u m a n o s tra n s fo rm a n la n a tu ra le ­ z a y c re a n la c u ltu ra . P o r el tra b a jo e x p re s a m o s la n e c e s id a d de m a n te n e r un c o m p ro m is o co m ú n en el d o m in io de las fu e rz a s de la n a tu r a le z a ; d e a h í q u e el c u e rp o s e a ta m b ié n un in s tr u m e n to d e l p ro p io h o m b re . M ic h e l F o u c a u lt ha e la b o ra d o un in te re s a n te a n á lis is del c u e rp o c o m o in s tru m e n to y d e lo s m e d io s q u e h is tó ­

ric a m e n te se h a n e m p le a d o p a ra d is c ip lin a rlo . El d o m in io in s ­ tr u m e n ta l d e l m u n d o re q u ie re un c u e rp o a d ie s tra d o ; e je m p lo de e llo lo te n e m o s en el e jé rc ito o e n el d e p o rte , en a m b o s c a s o s el c u e rp o s e a d ie s tra p a ra a d q u irir d e s tre z a s q u e p e rm ita n la in s e r­ ció n de la p e rs o n a en la s o c ie d a d c o n c re ta d o n d e e s ta s d e s tre z a s s o n d e m a n d a d a s , d e m o d o q u e la in s tru m e n ta lid a d de l c u e rp o en sí m is m a e s tá o rie n ta d a s o c ia lm e n te : el c u e rp o no e s s ó lo un in s tru m e n to p a ra d o m in a r al m u n d o , s in o ta m b ié n p a ra s e r re c o ­ n o c id o p o r los d e m á s e n e s te m u n d o .

A s im is m o , el c u e rp o s e e x p e rim e n ta c o m o un lím ite d e las p ro ­ p ia s c a p a c id a d e s d e e x p re s ió n y d e re a liz a c ió n . E n E l m a le s ta r d e la c u ltu ra , F re u d s e ñ a la q u e el s u frim ie n to n o s a c e c h a en el p ro p io c u e rp o , en el m u n d o e x te rio r y e n la s re la c io n e s in te rp e r­ s o n a le s , así:

d esde el propio cu e rp o que, co n d e n a d o a la d e ca d e n cia o a la aniquilación, ni s iq u ie ra pue d e p re s c in d ir de los signos de alarma que representan el dolor y la angustia del mundo exterior, ca p a z de e n c a rn iz a rs e en n o so tro s con fu e rza s destructoras o m n ip o te n te s e im p la ca b le s; p o r fin, de las relaciones con otro s se re s h u m a n o s .14

De h e c h o , los a s p e c to s p o s itiv o s d e n u e s tro p ro p io c u e rp o (su p re s e n c ia , su le n g u a je , su in s tru m e n ta lid a d ) v a n s ie m p re a c o m ­ p a ñ a d o s p o r la c o n c ie n c ia d e l lím ite q u e la m is m a d im e n s ió n c o rp o ra l nos im p o n e . En el n iv e l d e la e x p re s ió n , a m e n u d o e x ­ p e rim e n ta m o s n u e s tra in c a p a c id a d p a ra c o m u n ic a r y re a liz a r, m e d ia n te n u e s tro c u e rp o , lo q u e q u e re m o s v e rd a d e ra m e n te e x ­ p re sa r. D e sd e el a s p e c to b io ló g ic o , n u e s tro c u e rp o se e n c u e n tra s ie m p re a m e n a z a d o p o r la e n fe rm e d a d , y en ú ltim o té rm in o s a ­ bem os que e sta m o s c o n d e n a d o s a la e x tin c ió n . P o r su inse rció n en el tie m p o y en el e s p a c io , e s d e c ir, p o r su s o m e tim ie n to a las le ­ ye s de la n a tu ra le z a fís ic a , el c u e rp o s e p re s e n ta c o m o u n a lim i­ ta n te entre el q u e re r y el p o d e r hacer. El cu e rp o , d e s d e su s e n tid o b io ló g ic o a n im a l, s e c o n v ie rte e n un o b s tá c u lo p a ra la e x p re s ió n

13 Michel Foucault (1975), Vigilar y castigar. El nacimiento de la prisión, Trad. de

Aurelio Garzón del Camino, México, Siglo XXI Editores, 27a. ed., 1998.

14 Sigmund Freud, El malestar de la cultura, Trad. de Luis López Ballesteros, México, Editorial Iztacíhuatl, 1985, p. 24.

d e n u e s tra in te rio rid a d , d e n u e s tra c o n c ie n c ia : la s p u ls io n e s in s ­ tin tiv a s a m e n u d o re q u ie re n s e r c o n tro la d a s y e d u c a d a s , p u e s d e o tro m o d o n o tra s c e n d e ría m o s el e s ta d o a n im a l. D e a h í q u e d e s d e el p u n to d e v is ta d e la e d u c a c ió n e x is ta u n a c la ra n e c e s i­ d a d d e d is c ip lin a r al c u e rp o d e tal m o d o q u e p u e d a c o n v e rtirs e en u n a e x p re s ió n d e la c o n c ie n c ia h u m a n a . A s í, u n a d e las p rio ­ rid a d e s d e la e d u c a c ió n en la e d a d te m p ra n a e s la a d q u is ic ió n d e h á b ito s , m e d ia n te los c u a le s s e a d ie s tra al c u e rp o y se d o m i­ n an c ie rta s te n d e n c ia s c o rp o ra le s n e g a tiv a s c o m o la p e re z a , la g u la , la la s c iv ia y, en g e n e ra l, las p a s io n e s q u e p ro v ie n e n de n u e s tra c o n d ic ió n c o rp o ra l.

En s u m a , en c u a n to e x p e rie n c ia d e s e r p e rs o n a s e n el m u n d o , n u e s tro c u e rp o e s v iv id o ta m b ié n c o m o u n a e x p e rie n c ia de fra g i­ lid a d , lo q u e n o s e v id e n c ia la n e c e s id a d q u e te n e m o s d e u n a v i­ d a en c o m ú n , d o n d e lo s o tro s s o n el a p o rte p a ra s u b s a n a r y a p o y a r n u e s tra s p ro p ia s lim ita c io n e s en u n a c o n tin u a re la c ió n de in te rd e p e n d e n c ia .

El s ig u ie n te e s q u e m a re s u m e las id e a s s e ñ a la d a s e n e s te a p a r­ ta d o :

/

El cuerpo como realización [Experiencia del bien

Nuestro cuerpo

\

j Experiencia del mal

El cuerpo como límite

Dolor físico Discapacidad Vejez Enfermedad Muerte Expresión Lenguaje Presencia "Instrumento"

2.2 La dimensión de la conciencia

Si bie n p u e d e a c u s a rs e a D e s c a rte s d e h a b e r c o n s tru id o filo s ó fi­ c a m e n te un d u a lis m o in a c e p ta b le q u e re b a ja al c u e rp o a la c a ­ te g o ría de u n a s im p le m á q u in a , p o r o tro la d o , le d e b e m o s el é n fa s is q u e p o n e en la re a lid a d d e la c o n c ie n c ia , p u e s d e s d e é s ta n o s e x p e rim e n ta m o s c o m o s u je to s p e n s a n te s . La c o n c ie n ­ c ia e s la a c tiv id a d m e d ia n te la c u a l el s u je to s e da c u e n ta ta n to d e la re a lid a d “e x te rio r” c o m o d e su p ro p ia p re s e n c ia “ in te rio r” : al m is m o tie m p o q u e tie n e c o n c ie n c ia d e lo o tro q u e no e s él, s e da c u e n ta de q u e él e s q u ie n c o n o c e , e s d e c ir, q u ie n p e rc ib e , e n ­ tie n d e , ju z g a , v a lo ra , e tc. B re n ta n o y lu e g o H u s s e rl (su d is c íp u lo ) a firm a b a n q u e la c o n c ie n c ia no es a lg o v a c ío , m á s b ie n e s s ie m p re u n a c o n c ie n c ia d e a lg o ; e s in te n c io n a l, en el s e n tid o de q u e e s tá d irig id a , q u e a p u n ta a un o b je to :

N uestro s e r hu m a n o se d espliega p ro p ia m e n te en el ca m ­ po de la in te n cio n a lid a d que es lo que lla m a m o s nuestra s u b je tiv id a d : N u e s tra s e x p e rie n c ia s , d e s e o s , im á g e n e s , conceptos, creencias, juicios de valor, sentim ientos. Las acti­ vidades in te n cion a le s tienen dos ca ra cte rística s: son c o n s­ cie n te s y sie m p re se refieren a un o b je to .15