As bibliotecas religiosas da ilha da Madeira no século XVIII
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(3) Em memória da minha avó Fernanda. 3.
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(5) AGRADECIMENTOS. A elaboração desta Dissertação não é um acto isolado, nela participaram de forma indirecta muitas pessoas que com o seu apoio, e simples palavras de incentivo ajudaram-me a continuar a investigação. Quero agradecer em primeiro lugar aos meus pais e à minha irmã Joana por me apoiarem incondicionalmente e incentivarem-me nesta fase da minha vida. Uma palavra de agradecimento muito especial a Dra. Ana Isabel Spranger, pela sua amizade e disponibilidade em conversar comigo ajudando-me a esclarecer ideias. À Professora Doutora Gisélia Felício, e ao Professor Emilo Torné Valle o meu Orientador.. 5.
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(7) RESUMO O objectivo deste estudo é conhecer a realidade das bibliotecas religiosas na Ilha da Madeira no século XVIII e o destino dos seus acervos após a sua confiscação. Para atingirmos o objectivo proposto estudamos profundamente cinco bibliotecas religiosas madeirenses do século de XVIII. Reconstituímos os fundos bibliográficos das duas maiores casas conventuais da Madeira, através do inventário realizado por ordem do Edital de 10 de Julho de 1769, para a biblioteca Colégio dos Jesuítas, e o inventário realizado aos bens do Convento de São Francisco do Funchal, em 1834, altura do seu encerramento e o inventário realizado em 1838. Analisamos outras três bibliotecas religiosas, uma de um organismo religioso a Mitra do Funchal, a biblioteca particular do Bispo D. Gaspar Brandão e a do Chantre Salvador Nunes da Fonseca. A biblioteca da Mitra do Funchal e do Bispo D. Gaspar Brandão, foram reconstituídas através da consulta directa dos livros. Já a do Chantre foi reconstituída através do inventário da sua biblioteca que se encontra no fundo da Real Mesa Censória. O resultado é a elaboração do catálogo destas cinco bibliotecas religiosas activas no século XVIII segundo a norma da ISBD (A). PALAVRAS-CHAVES: Bibliotecas religiosas, Companhia de Jesus, Ordem de São Francisco, Bibliotecas religiosas privadas, Mitra do Funchal, Bispo D. Gaspar Brandão, Chantre Salvador Nunes da Fonseca, Ilha da Madeira, Século XVIII.. ABSTRACT The aim of this report is to have an acquaintance of the relality of the religious libraries in Madeira Island by the 18th century and the destination of their collection after their confiscation. Five Madeiran religious libraries of that century were deeply studied. In addition to that, it was also possible to rebuilt the bibliographic background by two inventories. The first inventory was accomplished by the Ordem do Edital, 10th July 1769 for the Colégio dos Jesuítas Library and the second one, was accomplished to 7.
(8) the Convento de São Francisco do Funchal property in 1834, the date of its closing, which inventory was accomplished in 1838. At the same time, three other libraries were analyzed. The first one belonged to a religious organism, Mitra do Funchal, the second one, was the private library of the Bishop D. Gaspar Brandão and the third one, the library of Chantre Salvador Nunes da Fonseca. The libraries of Mitra do Funchal and Bishop Brandão were rebuilt by inventory. The library of the Chantre was rebuilt by its inventory which is in the backround of the Real Mesa Censória. The result is the catalog formulation of these five religious libraries that were active in the 18th century, since ISBD (A) norm. KEYWORDS: Religious libraries, Companhia de Jesus, Ordem de São Francisco, Religious private libraries, Mitra do Funchal, Bishop D. Gaspar Brandão, Chantre Salvador Nunes da Fonseca, Madeira Island, 18th century.. 8.
(9) ÍNDICE. INTRODUÇÃO 1. INTRODUÇÃO. 13. 2. OBJECTIVOS. 15. 2.1. Aspectos formais. 15. 2.2. Delimitação do trabalho. 15. 2.3. Objectivo principal. 16. 2.4. Objectivos secundários. 17. 2.5. Necessidade de investigação. 17. 3.. METODOLOGIA. 18. 4.. FONTES DE INVESTIGAÇÃO. 19. PRIMEIRA PARTE: AS BIBLIOTECAS CONVENTUAIS 1.. BIBLIOTECA DO COLÉGIO DE SÃO JOÃO EVANGELISTA. 23. 1.1. Contextualização histórica da Companhia de Jesus na Madeira. 23. 1.2. Percurso da biblioteca do Colégio após o encerramento da casa. 25. 1.2.1. Funcionamento das Bibliotecas dos Colégios Jesuítas 2.. 29. ANÁLISE DA BIBLIOTECA DO COLÉGIO. DE SÃO JOÃO EVANGELISTA. 34. 2.1. Estudo do catálogo. 35. 2.1.1. Catálogo de teologia. 36. 2.1.2. Catálogo de jurisprudência. 41. 2.1.3. Catálogo filosofia. 44. 2.1.4. Catálogo de matemática. 47. 2.1.5. Catálogo da medicina. 49. 2.1.6. Catálogo da história. 52. 2.1.7. Catálogo das belas letras. 54 9.
(10) 2.2. Análise geral do catálogo. 58. 3. BIBLIOTECA DO CONVENTO DE SÃO FRANCISCO 3.1. Contextualização histórica da Ordem Seráfica na Madeira. 62. 3.2.Percurso da biblioteca do Convento após o encerramento da casa. 63. 3.3.Análise do catálogo da biblioteca do Convento de São Francisco. 67. SEGUNDA PARTE: BIBLIOTECA DA MITRA DO FUNCHAL. BIBLIOTECA DO BISPO D. GASPAR AFONSO DA COSTA BRANDÃO. BIBLIOTECA DO CHANTRE SALVADOR NUNES DA FONSECA 1. IDENTIFICAÇÃO DAS BIBLIOTECAS DA MITRA DO FUNCHAL E DO BISPO D. GASPAR BRANDÃO 2. A CENSURA DOS LIVROS NO SÉCULO XVIII EM PORTUGAL. 73 75. 3. MITRA DO FUNCHAL 3.1. Contextualização histórica da Mitra do Funchal. 80. 3.2. Análise do catálogo da biblioteca da Mitra do Funchal. 81. 4. BIBLIOTECA DO BISPO D. GASPAR AFONSO DA COSTA BRANDÃO 4.1. Aspeto biográfico do Bispo D. Gaspar Brandão. 86. 4.2. Análise da biblioteca do Bispo D. Gaspar Brandão. 101. 5. BIBLIOTECA DO CHANTRE SALVADOR NUNES DA FONSECA 5.1. Aspeto biográfico do Chantre Salvador Nunes da Fonseca. 105. 5.2. Análise da biblioteca do Chantre Salvador Nunes da Fonseca. 106. TERCEIRA PARTE: CATÁLOGOS 1.. Catálogo da Biblioteca do Colégio de São João Evangelista. 113. 2.. Catálogo da Biblioteca do Convento de São Francisco do Funchal. 330. 3.. Catálogo da Biblioteca da Mitra do Funchal. 390. 4.. Catálogo da Biblioteca do Bispo D. Gaspar Afonso da Costa Brandão. 403. 5.. Catálogo da Biblioteca do Chantre Salvador Nunes da Fonseca. 408 10.
(11) CONCLUSÃO. 417. ———————————. ANEXOS 1.. BIBLIOGRAFIA E FONTES. 433. 2.. ÍNDICES. 443. 2.1. Biblioteca do Colégio de São João Evangelista 2.1.1.. Índice de autores. 445. 2.1.2.. Índice de títulos. 467. 2.1.3.. Índice de lugares de impressão, impressores, editores e livreiros 526. 2.1.4.. Índice cronológico. 540. 2.2. Biblioteca do Convento de São Francisco do Funchal 2.2.1.. Índice de autores. 548. 2.2.2.. Índice de títulos. 555. 2.3. Biblioteca da Mitra do Funchal 2.3.1.. Índice de autores. 574. 2.3.2.. Índice de títulos. 575. 2.3.3.. Índice de lugares de impressão, impressores, editores e livreiros 578. 2.3.4.. Índice cronológico. 579. 2.4. Biblioteca do Bispo D. Gaspar Afonso da Costa Brandão 2.4.1.. Índice de autores. 580. 2.4.2.. Índice de títulos. 581. 2.4.3.. Índice de lugares de impressão, impressores, editores e livreiros 582. 2.4.4.. Índice cronológico. 583. 2.5. Biblioteca do Chantre Salvador Nunes da Fonseca 2.5.1.. Índice de autores. 584. 2.5.2.. Índice de títulos. 586. 2.5.3.. Índice de lugares de impressão, impressores, editores e livreiros 590. 2.5.4.. Índice cronológico. 3. DOCUMENTOS E IMAGENS 3.1. Índice dos documentos e imagens. 592 595 621. 11.
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(13) INTRODUÇÃO 1.. INTRODUÇÃO O tema base da nossa dissertação de doutoramento são as bibliotecas religiosas. do século XVIII da Ilha da Madeira. Este estudo pretende ser uma mais-valia para conhecermos da realidade destas bibliotecas na Madeira nesse século. Ao nos pedirem que definamos bibliotecas religiosas a nossa primeira definição será considerar bibliotecas religiosas só as bibliotecas conventuais. Mas dentro do conceito de bibliotecas religiosas devem ser incluídas outras bibliotecas. Tais como as bibliotecas das sés, colegiadas, dioceses, seminários, conventos ou seja, a de todas as organizações religiosas. Mas podemos também compreender nesta definição as bibliotecas privadas dos religiosos. Muitos religiosos possuíam bibliotecas privadas. Estas bibliotecas privadas tinham como finalidade auxiliar as suas tarefas diárias, ou simplesmente, demonstra o gosto que muitos tinham nas suas leituras individuais. Através destas bibliotecas religiosas privadas é possível conhecer os interesses literários dos seus detentores. A Madeira foi descoberta em 1420 pelos navegadores portugueses. Embora já configura-se nos mapas italianos era uma ilha desabitada. O povoamento da Ilha pelos portugueses iniciou-se na década de vinte do século XV. A presença religiosa fez-se sentir desde o início. A primeira construção religiosa é tão antiga que os historiadores têm dificuldades em lhe atribuir a data exata da sua construção, pensa-se que terá sido por volta de 1425. A edificação da Catedral data de 1485. Como se vê nos primórdios do povoamento. A primeira ordem religiosa a vir para a Madeira foi a de São Francisco. Segundo Henrique Henriques de Noronha contam os religiosos da seráfica ordem de São Francisco, a mesma antiguidade nesta Diocese, que o seu principio.1 Ao longo dos séculos a comunidade religiosa foi crescendo na Ilha. No segundo quartel do século XVI, a Companhia de Jesus veio para a Madeira a pedido da população. A chegada dos Padres desta Ordem foi uma mais-valia para os madeirenses uma vez que beneficiaram das suas pregações, e do seu colégio, embora existissem outros centros de ensino como 1. NORONHA, Henrique Henriques de – Memorias seculares e eclesiásticas para a composição da história da Diocese do Funchal. Funchal, 1986, p. 231Diocese do Funchal. Funchal, 1986, p. 231. 13.
(14) por exemplo o seminário vocacionado para formar futuros sacerdotes. O Colégio tinha as suas portas abertas a todos os jovens que quisessem estudar independentemente da sua origem. Ao propormo-nos estudar as bibliotecas religiosas da Madeira no século XVIII, tencionámos dar resposta às questões que até a presente data não foram dadas. O nosso estudo incide sobre cinco bibliotecas religiosas. A das duas maiores casas conventuais da Ilha, a biblioteca de um organismo religioso, e as bibliotecas privadas de dois membros do clero. Não nos é possível estudar todas as bibliotecas religiosas que existiram na Ilha nesta centúria. Mas para que o nosso estudo fosse o mais abrangente possível escolhemos estas cinco bibliotecas, pois permite-nos ter contacto com três realidades diferentes de bibliotecas religiosas. Tencionámos assim no final do nosso trabalho responder se as duas maiores casas conventuais da Madeira tinham uma biblioteca. Caso tenham qual a dimensão do seu acervo documental? Quais as temáticas que abordavam? Quem as consultava? O que foi feito dos espólios bibliográficos quando estas casas encerraram? No caso das bibliotecas privadas do Bispo D. Gaspar Brandão e do Chantre Salvador Nunes da Fonseca quisemos conhecer quais eram os seus interesses de leitura, bem como a dimensão dos acervos documentais que as constituíam. As perguntas formuladas sobre a biblioteca da Mitra do Funchal vão de encontro com as que elaboramos para as bibliotecas conventuais. Já no âmbito de carácter documental tencionamos analisar detalhadamente os catálogos obtidos em que as descrições foram feitas segundo a norma da ISBD (A). A realização de um estudo dos respectivos catálogos verificando: quais os séculos presentes; qual o século com mais publicações; quais os centros impressores existentes; quais as temáticas que compõem os acervos documentais destas bibliotecas; por fim saber quais os autores mais lidos. Cronologicamente cingimo-nos ao século XVIII, porque neste século o clero regional já manifestava uma organização estável. Por estável queremos disser que não vieram novas ordens religiosas para a Ilha, e que hierarquicamente não sofreu alterações. Outro motivo para a escolha deste século é o facto de que pela primeira vez uma ordem religiosa ter sido expulsa de Portugal. Em 1759 a Companhia de Jesus foi expulsa de Portugal e dos seus domínios. Esta expulsão abriu as portas para que no século seguinte as restantes as ordens religiosas fossem extintas de Portugal através do Decreto de 30 de Maio de 1834. 14.
(15) Em consequência da expulsão da Companhia de Jesus o Estado português pela primeira vez na história teve que dar uma solução aos fundos bibliográficos que a Ordem de Santo Inácio de Loyola deixou nos seus colégios. Situação que se verificará mais tarde no século XIX mas desta feita o Estado criou um organismo, o Depósito das Livrarias do Extintos Conventos que geriu este património. Para conseguirmos atingir os nossos objectivos serão levados a cabo consultas aos arquivos portugueses que através dos seus acervos nos permitirão responder às questões formuladas. A procura pelas fontes primárias fica a dever-se ao facto de não existir estudos que nos sirva de ponto de partida.. 2.. OBJECTIVOS. 2.1. ASPECTOS FORMAIS A realização da presente tese de doutoramento é um requisito para obtenção do título de doutor e concluir os estudos do terceiro ciclo. Estando licenciada em História, pela Universidade Aberta desde 2008.. 2.2. DELIMITAÇÃO DO TRABALHO A tese doutoral consiste no estudo de cinco bibliotecas religiosas da Ilha da Madeira. Duas pertencentes as maiores casas conventuais da Ilha. Uma de um organismo religioso, a Mitra do Funchal, e as bibliotecas privadas de dois membros do clero: a do décimo sétimo Bispo do Funchal D. Gaspar Afonso da Costa Brandão e do Chantre Salvador Nunes da Fonseca. Como não foi possível a consulta material dos livros das duas bibliotecas conventuais e a do Chantre Salvador Nunes da Fonseca, o presente estudo foi levado a cabo através da transcrição dos catálogos realizados em 1769 com a publicação do Edital que obrigava a todos quantos tivessem bibliotecas particulares ou publicas que realizassem o inventário das mesmas. O estudo da biblioteca do Convento de São Francisco do Funchal foi desenvolvido através inventário de 1834 elaborado aquando 15.
(16) do encerramento da casa religiosa e pelo catálogo produzido em 1838 à biblioteca deste convento por ordem do Governador para dar resposta ao Director do Depósito das Livrarias dos Extintos Conventos. O estudo das bibliotecas da Mitra do Funchal e do Bispo D. Gaspar Brandão foram realizados através da consulta dos livros depositados no Arquivo Regional da Madeira. A reconstituição do acervo bibliográfico das bibliotecas conventuais e do Chantre Salvador Nunes da Fonseca foi realizada através da consulta dos catálogos bibliográficos delas, de acordo com as referências aí contidas, e as edições identificadas em diferentes catálogos bibliográficos. Os índices apresentados das outras duas bibliotecas foram realizados através da consulta direta das obras.. 2.3. OBJECTIVO PRINCIPAL O objectivo geral da tese é a realização do estudo sobre as bibliotecas religiosas da Ilha da Madeira no século XVIII. A falta de investigações sobre este tema fomenta um grande desconhecimento sobre a realidade destas bibliotecas na Ilha. Para a elaboração de um estudo mais exaustivo analisaremos cinco bibliotecas religiosas insulares, são elas: duas bibliotecas conventuais, a biblioteca privada de dois membros do clero e a de um organismo religioso. Com esta pesquisa ficaremos a conhecer a realidade das bibliotecas religiosas nesta Ilha no século XVIII, permitindo o auxílio a futuros estudos sobre a história das ideias e cultura nesta época na Ilha da Madeira.. 16.
(17) 2.4. OBJECTIVOS SECUNDÁRIOS Objectivos de carácter histórico contextual: •. Saber se as duas maiores casas conventuais tinham uma biblioteca?. •. Quais as dimensões dos seus acervos?. •. Quais as temática que as componham?. •. Quem as consultava?. •. Após a extinção destas casas religiosas qual o destino dos seus acervos. bibliográficos? •. Quais os interesses de leitura do Bispo D. Gaspar Brandão e do Chantre. Salvador Nunes da Fonseca? •. O que se lia na biblioteca da Mitra do Funchal?. •. Quando é que a biblioteca da Mitra do Funchal e do Bispo D. Gaspar. Brandão foram confiscadas? Objectivos de carácter documental: •. Analisar detalhadamente os catálogos obtidos em que as descrições. foram feitas segundo a norma da ISBD (A). •. Realizar um estudo dos respectivos catálogos verificando: o. Quais os séculos presentes;. o. Qual o século com mais publicações;. o. Quais os centros impressores presentes;. o. Quais as temáticas que o compõem os acervos documentais destas. bibliotecas; o. Quais os autores mais lidos.. 2.5. A NECESSIDADE DE INVESTIGAÇÃO A necessidade sentida para realização desta investigação prende-se com a falta de estudos nesta área para a Ilha da Madeira. Assim sendo, há um grande desconhecimento sobre a certeza da existência das bibliotecas religiosas, a constituição dos seus acervos bibliográficos, quem consultavas e o destino que tiveram estes fundos bibliográficos após terem sido arrestados. 17.
(18) Devido a lacuna de estudos nesta área das bibliotecas religiosas na Ilha da Madeira, incidimos o nosso trabalho em cinco bibliotecas religiosas madeirenses do século XVIII, duas conventuais, uma de um organismo religioso e a biblioteca privada de dois membros do clero. Esta investigação possibilitará conhecer as temáticas lidas nas duas maiores bibliotecas conventuais da Madeira, na biblioteca da Mitra do Funchal, na do Bispo D. Gaspar Brandão e na do Chantre Salvador Nunes da Fonseca. Além disso ficamos a conhecer o destino dado ao acervo destas bibliotecas após a sua confiscação.. 3.. METODOLOGIA Em seguida explica-se o processo metodológico seguido e em cada um dos. pontos especificasse cada uma deles. As etapas, do processo pode-se enumerar da forma seguinte: 1.. Conhecer o estado da investigação sobre o tema. Neste primeiro ponto. do estudo sentimos necessidade de procurar trabalhos de investigação realizados anteriormente sobre o tema a que nos propomos investigar. 2.. Determinar as fontes de informação necessárias. Para alcançarmos os. objectivos delineados analisamos a bibliografia disponível sobre este tema. Como não foram realizados estudos sobre esta questão para a Madeira, decidimos procurar trabalhos de investigação nesta área feitos para outras regiões de Portugal Continental. Nesta busca por trabalhos de investigação não encontramos nenhum semelhante ao que nos propomos realizar, mas deparamonos com estudos sobre a história do livro e da leitura em Portugal que nos orientou para as fontes primárias. Uma vez que através destes estudos ficamos a conhecer quais as fontes primárias que nos serão úteis para a concretização da nossa investigação.. 3.. Obtenção da informação necessária. Devido à falta de estudos sobre. este tema para a Ilha da Madeira no século XVIII, as únicas fontes disponíveis para a elaboração da nossa investigação são as fontes primárias. Nesta fase da 18.
(19) investigação consultamos o acervo documental de arquivos públicos e privados portugueses, bem como o acervo de bibliotecas públicas, municipais e privadas onde se encontram estas fontes primárias. 4.. Analise dos dados recolhidos. Através dos dados recolhidos. conseguimos dar resposta à questão principal deste trabalho, bem como a elaboração dos cinco catálogos das bibliotecas estudadas. Destes catálogos extraímos autores, títulos, lugares de edição e datas das obras que constituíam o acervo documental destas bibliotecas.. 4.. FONTES DE INVESTIGAÇÃO Por falta de trabalhos investigação nesta área tivemos de nos socorrer. principalmente das fontes primárias. Através da consulta destas fontes conseguimos dar resposta às questões que formulamos. Até chegarmos a elas foi-nos muito útil a consulta de trabalhos de investigação realizados sobre percursos de bibliotecas portuguesas do século XVIII, pois ajudou-nos a compreender quais as fontes que nos ajudaria conhecer os seus percursos. Não só este aspecto como também compreender o mundo das bibliotecas portuguesas no século XVIII. Devido há falta de estudos sobre a realidade das bibliotecas religiosas da Madeira, a nossa investigação recaiu sobre as fontes primárias. Para obtermos as respostas as questões enunciadas, sentimos a necessidade de consultar vários arquivos portugueses (públicos e privado). Em seguida são elaboradas as referências às fontes primárias consultadas e o objectivo em consulta-las. As fontes que recorremos foram: 1.. O Arquivo da Real Mesa Censória. A utilização desta fonte prende-se. com a realização dos inventários de 1769. Por ordem de D. José I todas as pessoas e instituições públicas e privadas eram obrigadas a fazer um inventário das suas bibliotecas e remete-los á Real Mesa Censória. Foi através do inventário realizado por ordem do Edital de 10 de Julho de 1769 que tivemos acesso aos inventários das bibliotecas do Colégio de São João Evangelista do Funchal e do Chantre Salvador Nunes da Fonseca;. 19.
(20) 2.. O Arquivo do Paço Episcopal do Funchal. A consulta deste Arquivo. ajudou-nos a dar resposta a diversas questões em diferentes fases da nossa investigação; 3.. A consulta do Fundo Governo Civil do Funchal. Dentro deste fundo. encontra-se os livros do Governador João António de Sá Pereira. A importância da consulta destes livros é por este ter sido Governador da Ilha no período em que nos encontramos a estudar. Neste fundo também consultamos os livros de correspondência entrada e saída deste organismo público, no século XIX; 4.. Os livros de actas da Junta Geral do Distrito para a década de sessenta do. século XX; 5.. Foi também consultado a documentação referente à Madeira que se. encontra no Arquivo Histórico Ultramarino; 6.. Colecção de legislação portuguesa dos séculos XVIII e XIX;. 7.. O Arquivo do Ministério das Finanças em especial os inventários. produzidos em 1834 às casas religiosas da Madeira; 8.. Fundo de Periódicos do Arquivo Regional da Madeira para conhecemos. quais as reações dos madeirenses á extinção dos conventos em Portugal; 9.. O Fundo da Câmara Municipal do Funchal. A consulta deste fundo deve-. se a necessidade de saber em que data a biblioteca do Convento de São Francisco do Funchal foi entregue a Biblioteca Municipal do Funchal; 10. A consulta do fundo de reservados da Biblioteca Municipal do Funchal. Uma vez que a biblioteca do Convento de São Francisco do Funchal encontra-se à sua guarda; 11. A consulta do fundo de reservados da Biblioteca da Cúria Diocesana do Funchal; 12. A consulta do fundo de reservados da Biblioteca do Arquivo Regional da Madeira; 13. Foram consultados vários catálogos em linha de várias bibliotecas nacionais e estrangeiras. A consulta destes OPAC prende-se com o facto de não termos os livros em presença no caso das bibliotecas conventuais e na do Chantre Salvador Nunes da Fonseca e assim ser possível a identificação das obras descritas nos catálogos manuscritos das bibliotecas estudadas.. 20.
(21) PRIMEIRA PARTE. AS BIBLIOTECAS CONVENTUAIS. 21.
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(23) 1.. BIBLIOTECA DO COLÉGIO DE SÃO JOÃO. EVANGELISTA 1.1. CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA DA COMPANHIA DE. JESUS NA MADEIRA A vinda dos primeiros Padres da Companhia Jesus ficou a dever-se a um ataque dos corsários franceses ocorrido no ano de 1566. Os três Padres, Francisco Vargas, Francisco Gonçalves e Simão Tavares, integravam a armada de socorro enviada pela corte portuguesa, comandada pelo futuro Governador João Gonçalves da Câmara. A estadia dos Jesuítas, designação para denominar os Padres desta Ordem, prolongou-se por um ano. Durante o tempo em que estiveram na Ilha aproveitaram para espalhar as ideias da sua Ordem. Não, só, isso como consolaram a população do abalo provocado pelo ataque dos corsários francos. Quando regressaram ao reino na Primavera do ano seguinte os funchalenses inconformados enviaram na mesma embarcação um fidalgo, com a missão de pedir ao Rei D. Sebastião a fundação de um colégio dos Padres da Companhia de Jesus no Funchal. Pedido esse que contou com o aval régio que há muito desejava que as Ilhas atlânticas da Madeira e dos Açores contassem com um colégio desta Ordem Religiosa. Não era só D. Sebastião que apoiava este pedido da população como também os três jesuítas madeirenses que tinham uma posição de destaque na corte são eles os irmãos Martim e Luís Gonçalves da Câmara e o Padre Leão Henriques. A resistência á fundação do colégio partia do Provincial pois temia não ter recursos humanos suficientes para o bom desempenho das funções da Companhia na Ilha da Madeira. Depois de concedido o aval, os Padres da Companhia zarparam de Lisboa em Março de 1570, enquanto a cidade se debatia com uma peste. Por este motivo quando chegaram ao Funchal, não puderam entrar na cidade, tiveram que esperar quarenta dias na praia até o puderem fazer. Para não ficarem na praia um fidalgo da praça ofereceulhes as suas casas que se situavam nos arredores do Funchal. Foi aí que puderam permanecer durante a sua quarentena. As aulas do Colégio de São João Evangelista abriram as suas portas no dia 6 de Maio de 1570, dia dedicado a São João Evangelista, segundo padroeiro da cidade, razão para a escolha do nome do Santo para o Colégio. Uma das missões da Ordem era a 23.
(24) pedagogia. O ensino constituía uma das suas actividades essenciais. As aulas eram abertas a todos os jovens independentemente do seu estatuto social. Isto permitia aos Padres escolherem os melhores alunos para integrarem os quadros da Companhia de Jesus. Segundo Henrique Henriques de Noronha o Colégio do Funchal contava com duas aulas de latinidade e uma aula de teologia moral. Nas aulas de latinidade estudavase latim e gramática. Além destas duas aulas os alunos podiam contar com a exposição de casos de consciência. Hierarquicamente o Colégio de São João Evangelista era organizado por um Reitor o superior da comunidade religiosa, seguia-se o Prefeito que contactava com colegiais e docentes do Colégio. A 3 de Setembro de 1759 a presença da Companhia de Jesus deixou de ser bemvinda em Portugal. Nesta data foi promulgada a Lei Proscrição, desnaturalização e expulsão dos regulares da Companhia de Jesus, nestes reinos e seus domínios. Na Madeira aquando da entrada em vigor desta lei já os Padres da Companhia encontravam – se presos no seu Colégio, uma vez que o Governador José Correia de Sá tinha dado ordens para cercar militarmente o Colégio de São João Evangelista a 16 de Maio desse ano de 1759. Esta foi uma acção conjunta entre o Prelado e o Governador da Ilha. A 2 de Junho de 1759, o Governador José Correia de Sá escreve para Lisboa dando conta do cerco militar ao Colégio de São João Evangelista, aproveitando a ocasião para informar que já tinham apreendido os bens, e mandará proceder ao respectivo inventário dos mesmos. No mesmo mês mas no dia 23 envia um relatório para a Corte dando conta da forma como fora feito o arrolamento dos bens. Os dezoito Padres Jesuítas presos no seu Colégio foram enviados para Lisboa no dia 16 de Julho de 1760.. 24.
(25) 1.2. PERCURSO DA BIBLIOTECA DO COLÉGIO DE SÃO JOÃO EVANGESLISTA APÓS O ENCERRAMENTO DA CASA RELIGIOSA Até a expulsão da Companhia de Jesus existem referências a Livraria do Colégio de São João Evangelista, mas não sabemos o que lhe aconteceu aquando do encerramento do Colégio. Pois os livros apreendidos foram os pertencentes á sua economia2. Mesmo no inventário que encontramos no Arquivo do Ministério das Finanças que se encontra confiado ao Arquivo Nacional Torre do Tombo não é feita qualquer referência à mesma livraria, existem sim alusões aos objectos artísticos e as jóias. Após a saída dos Jesuítas da Madeira, as instalações do Colégio tiveram diferentes ocupantes. Um desses ocupantes foi o Seminário Diocesano do Funchal, que até a data da expulsão da Ordem de Inácio de Loyola, encontrava-se a funcionar na residência do Bispo do Funchal. Alguns autores apontam que a biblioteca do Colégio terá sido integrada na biblioteca do Seminário do Funchal. Mas se analisarmos o inventário do Seminário Diocesano realizado em 1854, encontramos referência na parte de livros e papéis a cinquenta e oito livros dispersos pelos quartos, capela e refeitório. E destes muitos, têm a indicação de inexistentes. Não pomos em causa que um estabelecimento de ensino para formar novos sacerdotes não contasse com uma biblioteca, até porque em 1870 é feita a nomeação de um bibliotecário para a biblioteca do Seminário devido: sendo aumentado muito a livraria do nosso Seminário com o grande número de volumes e de obras magníficas recomendáveis pelos seus autores, sendo a impressão de algumas delas raras...3. As obras que causaram este acréscimo foram adquiridas pelo Deão António Joaquim Gonçalves de Andrade e por ele mesmo escolhidas, com permissão do Governo de Sua Majestade, das livrarias dos extintos convento.4 A mesma fonte classifica a biblioteca existente no Seminário de pequena e deficiente biblioteca5. Assim sendo a volumosa biblioteca do Colégio de São João Evangelista não podia ter sido integrada na modesta biblioteca do Seminário. Não nos foi possível consultar a biblioteca do Seminário Diocesano para confirmarmos se no seu acervo existia alguns livros que tivessem pertencido a esta biblioteca que nos encontramos a estudar. Tivemos autorização de consultarmos a biblioteca da Cúria 2. MADEIRA, Cx1,doc. 164, in AHU - APEF, Lv.º 11, p.142v.º a 144, in ARM 4 - APEF, Lv.º 182, in ARM 5 - Idem 3. 25.
(26) Diocesana. No seu espólio de livros antigos impressos encontramos livros com marcas de posse pertencentes aos extintos conventos do reino e ao Seminário Diocesano, mas não do Colégio de São João Evangelista. Voltamos a encontrar notícias da biblioteca pertencente ao Colégio de São João Evangelista do Funchal após a publicação do Edital de 10 de Julho de 1769, onde é ordenado que todos os livreiros, impressores, mercadores de livros, universidades, religiões, comunidades, corporações, pessoas particulares, assim desta Corte, como de todos os meus Reinos e domínios, sejam obrigados a formarem um catálogo de todos os livros impressos, ou manuscritos, científicos, e literários, que tiverem nas suas casas, lojas, oficinas, livrarias…6 A 14 de Junho de 1770 o Corregedor da Comarca Francisco Correia de Matos escreveu ao Rei informando-lhe que tinha dado ordens para o cumprimento do Edital de 10 de Julho de 1769 pomos na presença de vossa Majestade os catálogos dos livros que foram apreendidos nesta cidade do Funchal da Ilha da Madeira em virtude do Edital que Sua Majestade me mandou remeter com data de 10 de Julho do ano de 1769 os quais mandei logo faze-los como há-de constar da certidão que remeti á secretária da Real Mesa Censória.7 Mais informa o Corregedor da Comarca que deixo por remeter o catálogo pertencente a livraria do Colégio de São João Evangelista confiscada aos denominados Jesuítas, por não estar completo por causa da doença do Padre Mário João aquém esta encarregue da feitura do mesmo catálogo, por ser pessoa inteligente e a livraria ser muito volumosa e concluindo que seja o remeterei a Real Mesa.8 No Edital publicado a 10 de Julho de 1769 são dadas indicações de como estes catálogos devem ser elaborado. O qual será reduzido a sete classes, a saber: teologia, jurisprudência, filosofia, matemática, medicina, história e belas letras. Em cada uma das classes se assentarão por ordem alfabética, primeiramente os livros de fólio, seguindo-se logo os de quarto, a estes, os de oitavo, &c., declarando-se em todos, e cada um deles os nomes próprios dos autores, principiando pelos primeiros apelidos, e cognomes, ou por aqueles, que fizerem mais conhecidos, depois do que se especificarão os títulos de cada um; o número da edição, e dos tomos; lugar, e o tempo da impressão; e no fim de todos, dentro de cada uma das respectivas classes, com suficiente 6. - EDITAL de 10 de Julho de 1769 -Real Mesa Censória Cx 138, in ANTT 8 - Idem 7. 26.
(27) separação, se descreverem pela mesma ordem alfabética os livros anónimos, principiando pelos títulos, sendo tudo feito com certeza e boa letra.9 Analisando o catálogo que se encontra hoje à guarda do Seminário Diocesano do Funchal, constatámos que se acha dividido nas sete classes do saber, expressas pelo Edital, bem como os dados apresentados estão dispostos de acordo com as indicações dadas pelo mesmo diploma. O que nos leva a concluir que este documento que se encontra hoje na biblioteca do Seminário Diocesano é o catálogo produzido em consequência da publicação do presente Edital. Embora a obrigatoriedade da realização destes catálogos pelos possuidores de bibliotecas, e do cumprimento que foi dado pelas autoridades locais em envia-los para a secretaria da Real Mesa Censória, a verdade é que ao consultarmos o arquivo deste organismo público as referências às bibliotecas madeirenses são escassas. Encontramos menções a algumas bibliotecas particulares, até mesmo bibliotecas privadas de membros do clero, mas não encontramos qualquer alusão as bibliotecas religiosas conventuais da Ilha. O mesmo Corregedor da Comarca a 24 de Novembro de 1770 quando envia o rol dos livros pertencentes ao Doutor António Filipe da Cunha Bulhões, Juiz de Fora, informa o Rei a causa pela qual ainda não ter enviado o mapa da livraria do Colégio que foi dos Jesuítas proscritos nesta concluindo que por ser livraria muito volumoso este padecido repetido moléstias o bibliotecário a quem o encarreguei se não tem expedido mais cedo, e eu pelas minhas bem notórias ocupações o mais pude ajudar.10 Na carta datada de 14 de Novembro de 1774 redigida pelo Marquês de Pombal ao Governador João António de Sá Pereira, começa por referir que o Rei tivera conhecimento que os livros da biblioteca do Colégio de São João Evangelista encontravam-se mal conservados. Sendo presente el Rei meu Senhor, que os livros pertencentes à confiscação dos bens denominados Jesuítas dessa Ilha, se estão arruinando.11 Ordenou o Marquês que mande coligir, encaixotar e transportar na primeira ocasião oportuna para a Alfândega desta Cidade de Lisboa com direcção á Real Mesa Censória dando-me Vossa Excelência conta de assim haver executado.12 Isso mesmo aconteceu a 10 de Março de 1775 quando a Biblioteca do Colégio de São João Evangelista embarcou no Bergantim Português Nossa Senhora da Boa Viagem, 9. - Edital de 10 de Julho de 1769 - Real Mesa Censória Cx. 138, in ANTT 11 - Real Mesa Censória Cx. 188, in ANTT 12 - Idem 10. 27.
(28) Santo António das Almas, de que é Capitão José Gonçalves todos os livros pertencentes á confiscação dos bens dos denominados Jesuítas desta Ilha, que vão inclusos em 41 barricas a entregar na Alfândega dessa Corte com direcção a essa Real Mesa Censória.13 Tendo o Mestre do Bergantim ficado responsável pelos livros até a sua entrega na Alfandega de Lisboa. O Capitão, ou Mestre do dito Bergantim deve dar conta de todo o dito transporte até a referida Alfândega, como se obrigou pelo recibo, que remeto incluso de que me passou dois do mesmo teor.14 A acompanhar os livros foi uma lista do conteúdo de cada barrica inclusa também remeto a relação de todos os ditos Livros, com separação dos que compreendem cada barrica.15 Alguns livros de direito foram confiados ao Corregedor por este alegar que lhe faziam falta no desempenho das suas funções. A condição para que ficasse com os livros era a de que quando terminasse as suas funções e apresentasse na corte teria que entregá-los na Real Mesa Censória. Em poder do Desembargador Corregedor ficaram os que constam do recibo também incluso, no qual se obriga a entrega-los nessa Real Mesa quando partir desta Ilha, para essa Corte, pois antes disso julga não ter comodidade de haver a si outros semelhantes volumes.16 É desta forma que a biblioteca do Colégio de São João Evangelista integrou a Biblioteca da Real Mesa Censória. Aquando da extinção deste organismo público o acervo da sua biblioteca integrou o acervo da Biblioteca Pública da Corte antecessora da Biblioteca Nacional de Portugal. É por este motivo que no Catálogo Nacional de Reservados podemos encontrar dezasseis livros com marca de posse do Colégio de São João Evangelista (Funchal). 17 Podemos concluir que os livros permanecerem no Colégio até a altura de terem sido enviados para a Real Mesa Censória por ordem do Marquês de Pombal.. 13. -Real Mesa Censória Cx 176, in ANTT - Idem 15 -Idem 16 -Idem 17 -Ver anexos 6 e 7 14. 28.
(29) 1.2.1. FUNCIONAMENTO. DAS. BIBLIOTECAS. DOS. COLÉGIOS. JESUÍTICOS Infelizmente os regulamentos do Colégio de São João Evangelista do Funchal encontram-se perdidos. Por esse motivo existem questões para às quais não conseguimos dar resposta. Para compreendermos o funcionamento das bibliotecas dos colégios da Companhia de Jesus observarmos as bibliotecas dos colégios do Brasil e os de Espanha. Esta Ordem religiosa assentava em dois âmbitos de actuação, são eles: a evangelização e a instrução. A rede de colégios fundados em Portugal permitiu a que muitos jovens tivessem acesso à, instrução. É o caso do Padre madeirense Manuel Álvares nascido na Vila da Ribeira Brava na Madeira no seio de uma família humilde encontrou nos Padres da Companhia a forma de se instruir. A metodologia de ensino utilizada pelos Padres da Companhia de Jesus era inovadora, conseguindo de uma forma harmoniosa conciliar o estudo e a formação religiosas dos indivíduos. A base do seu ensino era o pensamento humanista. OS BENEFÍCIOS DA FUNDAÇÃO DE UM COLÉGIO TRAZIA A UMA REGIÃO A fundação de um colégio proporcionava às localidades onde estes estavam inseridos, acesso às pregações destes Padres, ao ensino ministrado nos seus colégios e às bibliotecas dos mesmos. PERÍODO EM QUE AS BIBLIOTECAS JESUÍTAS TIVERAM O SEU APOGEU As bibliotecas jesuítas tiveram o seu auge durante o século XVII e início da centúria seguinte até a expulsão de Portugal e dos seus domínios. A IMPORTÂNCIA DAS BIBLIOTECAS PARA O COLÉGIO As bibliotecas eram vitais ao bom funcionamento dos colégios da Companhia de Jesus, isso mesmo demonstrou Luiz António Gonçalves da Silva no seu trabalho, As bibliotecas dos jesuítas: uma visão a partir da obra de Serafim Leite quando refere o 29.
(30) caso particular do Brasil, a quando da formação de uma nova missão os Padres levavam livros na sua bagagem. Numa visita realizada á Confraria dos Meninos de Jesus em 1552, o Padre Manuel Álvares ficou indignado com a pobreza do acervo documental da biblioteca toda a biblioteca constava de um livro18. Ao contrário uma boa livraria proporcionava aos colégios oferecerem aos seus alunos novos temas de estudo. No Colégio de São João Evangelista, do Funchal no catálogo de História descobrimos duas edições da Bibliotheca scriptorum Societatis Iesu, a primeira impressa em 1608 e a segunda publicada sessenta e oito anos depois, em 1676. Sendo esta uma obra de referências bibliográficas demonstra a atenção que o responsável do Colégio madeirense e o seu bibliotecário davam na formação do acervo bibliográfico. Como se pode verificar pelo caso do Brasil os Padres da Companhia de Jesus, davam muita atenção às bibliotecas das suas missões. O cuidado com a formação, conservação e aumento das bibliotecas não foi apanágio dos Jesuítas portugueses pois os espanhóis também demonstraram uma grande atenção a estas, como se verificou nas colónias americanas. Na verdade, a Companhia desenvolvia as mesmas actividades que incrementava na Europa nos locais onde criavam as suas missões. QUEM ERA RESPONSÁVEL PELA BILIOTECA? O fundador da Companhia de Jesus deixou expresso a necessidade de que um dos Padres do Colégio ficasse responsável pela biblioteca. O bibliotecário teria à sua responsabilidade o acervo documental que deveria manter organizado. Mas os utilizadores destas bibliotecas tinham que zelar pela conservação das obras, para isso deveriam ter cuidado no manuseamento das mesmas e não rasura-las. Luiz António Gonçalves da Silva no seu trabalho apresenta as diferentes designações que os bibliotecários tinham: conservador da biblioteca (bibliothecae custos), prefeito da biblioteca (bibliothecae praefectus), bibliotecário (bibliothecarius), livreiro (bibliopola; libraruis), encadernador (librorum instaurator; bibliopegus), tipógrafo (typographus) e impressor (impressor)19. O mesmo indica-nos que os Padres que tinham a seu cargo as. 18. - SILVA, Luiz António Gonçalves da. As bibliotecas dos jesuítas: uma visão a partir da obra de Serafim Leite in http://www.scielo.br/scielo.php? Script=sci_arttext&pid=S1413-99362008000200014. 19. -Idem. 30.
(31) bibliotecas exerciam muitas vezes outras funções dentro do colégio mas sempre relacionadas com os livros. AS REGRAS DA BIBLIOTECA Da, análise que realizamos ao funcionamento das bibliotecas da Companhia de Jesus na Espanha e no Brasil constatamos que os bibliotecários tinham que seguir doze regras. Entre elas contavam-se o sistema de organização do acervo, a sinalética para identificar a temática das estantes, existência de um ficheiro dos livros emprestados, saber quem tinha autorização para requisitar livros da biblioteca, ficheiro de autores, índex dos livros proibidos, limpeza e manutenção da biblioteca. O primeiro regulamento das bibliotecas jesuíticas em Portugal foi o da biblioteca da Universidade de Coimbra datado do ano de 1542. O PAPEL DO BIBLIOTECÁRIO NA HIERARQUIA DO COLÉGIO O bibliotecário era um dos elementos mais importantes dentro da hierarquia do colégio. Dele esperava-se que mantivesse o acervo organizado de forma a conseguir dar resposta aos pedidos dos seus utilizadores, não só isso como deveria saber identificar as edições defesas de forma a evitar a entrada destas na biblioteca Mas os bibliotecários também filtravam o acesso à informação. Aquando do encerramento as bibliotecas, estas eram trancadas, para evitar a consultas indevidas das obras e o roubo das mesmas. A chave era colocada num local seguro. Era uma responsabilidade ter a chave da biblioteca pois se uma obra desaparecesse do acervo o bibliotecário ou quem tivesse a cópia da chave, ou soubesse onde ela era guardada era responsabilizado. A MANUTENÇÃO DAS OBRAS Cabia ao bibliotecário a conservação das obras. Enquanto na Europa os Padres só se preocupavam com o pó dos livros e as traças que deveriam limpa-los com regularidade, no Brasil e na Índia existiram além dessas pragas o caruncho. As encadernações que revestiam os documentos serviam para proteger as obras. Era uma preocupação dos bibliotecários que os livros estivessem encadernados.. 31.
(32) COMO ERA REALIZADO O CRESCIMENTO DO ACERVO DA BIBLIOTECA? Havia uma ponderação com o crescimento do acervo da biblioteca. Como ressalva Maria Victoria Jávita Miralles na sua obra sobre a Biblioteca do Colégio de San Esteban de Murcia este crescimento tinha que ter em atenção a missão da Companhia de Jesus, as necessidades dos seus utilizadores e por fim os avanços científicos. La Ratio Studiorum presenta una serie de reglas dedicadas específicamente a selección del fondo bibliográfico en las bibliotecas jesuíticas20. Para as escolhas das obras era tido em conta a opinião do docente da disciplina, e o bibliotecário. Para a aquisição da obra era necessária a autorização do Prefeito do colégio. Uma das formas que os bibliotecários tinham para ter conhecimento de novas obras era através de contacto com outras bibliotecas jesuíticas. Esta era uma forma prática de ter conhecimento do que se lia nos outros colégios da Ordem e manter uma uniformização entre eles. Outra via de aquisição de obras era através da doação e ofertas. Muitas vezes as pessoas mais abastadas das localidades onde se localizavam os colégios doavam alguns livros, ou davam-lhes uma verba destinada à compra dos mesmos, o Rei D. João III enviou livros para o Colégio de Salvador, como nos diz Serafim Leite. Mas também acontecia o caso de um religioso morrer e deixar a sua biblioteca ao colégio. Outra via importante de aquisição de publicações eram as tipografias que existiam em muitos colégios jesuíticos. As grandes casas jesuíticas possuíam as suas tipografias, é o caso particular da Universidade de Coimbra e Évora em Portugal. Os livros eram dispendiosos mesmo com a invenção dos caracteres móveis por Gutenberg o preço dos livros baixou, mas estes continuaram a ser um objecto de luxo. Os jesuítas produziam muitas obras em consequência dos seus aturados estudos, não só isso como também tinham muitos manuais escolares, que os ajudavam na sua tarefa pedagógica, um bom exemplo de um manual é a obra do Padre Jesuíta Manuel Álvares De instructione grammatica libri três. A gramática latina escrita por este autor foi um instrumento precioso no ensino do latim por mais de um século. As Regras do Prefeito dos Estudos determinavam que as bibliotecas dos colégios deveriam possuir os livros editados pela Companhia. 20. - Jávita Miralles, Maria Victoria. La Biblioteca de los Jesutas del Colegio de San Esteban de Murcia. Murcia, 2007. p. 46. 32.
(33) AS DIMENSÕES QUE ESTES ACERVOS DOCUMENTAIS PODIAM TER As bibliotecas dos colégios da Companhia de Jesus podiam ser grandes, médias e pequenas. Considera-se uma biblioteca grande, aquela cujo seu acervo documental teria sete mil ou mais livros, as médias eram compostas entre dois mil e seis mil obras, abaixo dos dois mil livros eram designadas de pequenas como define Maria Victoria Jávita Miralles. A biblioteca do Colégio do Funchal enquadra-se no conjunto das bibliotecas medianas o seu acervo era composta por três mil duzentos e quarenta e oito volumes, como podemos observar da análise realizada ao inventário produzido por ordem do Edital de 10 de Julho de 1769. QUEM. TINHA. ACESSO. ÀS. BIBLIOTECAS. DOS. COLÉGIOS. JESUÍTICOS? As bibliotecas jesuíticas encontravam-se abertas à sua comunidade colegial mas também a população em geral. Pelas Regras da biblioteca constatamos que era praticado o empréstimo domiciliário. Mas para que o bibliotecário entregasse as obras requisitadas pelo utilizador este deveria ter uma autorização do Reitor do colégio. É por esse motivo que o estudioso madeirense Henrique Henriques de Noronha fez um agradecimento ao Padre Miguel Victus, então Reitor do Colégio do Funchal. Das obras emprestadas eram feitos registos indicando a sua localização o título da obra emprestada, os dados pessoais do requisitante e a data de devolução. LOCALIZAÇÃO DAS BIBLIOTÉCAS DOS COLÉGIOS Sobre a localização destas bibliotecas não existe estipulado um local. Da análise que realizamos as plantas de colégios em Portugal, Espanha e no Brasil verificamos que elas tinham um local próprio, geralmente situavam-se no primeiro andar do colégio, tinham que ser salas amplas e com janelas para aproveitar a luz natural. Para o acondicionamento das obras eram utilizados materiais de boa qualidade, pois se as estantes de madeira que iriam receber os livros fossem de má qualidade estariam mais expostas a pragas. A, este propósito Luiz António Gonçalves da Silva refere que no colégio do Rio de Janeiro foram usadas madeiras nobres para as estantes.. 33.
(34) HORÁRIO DE FUNCIONAMENTO DAS BIBLIOTECAS As bibliotecas dos colégios dos jesuítas funcionavam de manhã e de tarde, igual o que acontece hoje com as bibliotecas das escolas que acompanham o horário de funcionamento das aulas.. 2- ANÁLISE DA BIBLIOTECA DO COLÉGIO DE SÃO JOÃO EVANGELISTA Ao estudarmos a biblioteca do Colégio de São João Evangelista do Funchal somos assaltados pela curiosidade em saber qual a sua localização no edifício, se tinha um bibliotecário responsável, e ainda quem eram os seus utilizadores? Tendo a biblioteca do Colégio uma dimensão considerada teria que lhe ser destinada um espaço próprio. Sobre a sua localização os dados são escassos, não conseguimos localizar a planta da época da ocupação do colégio pelos Padres da Companhia para situar a mesma. As, informações que recolhemos sobre a possível localização da biblioteca é transmitida pelo Professor Rui Carita deveria situar-se ao lado da antiga capela interior, onde se encontra hoje as instalações da Cooperativa Militar, junto ao pátio interior que dá para a rua do Castanheiro.21 Uma biblioteca grande como a que nos encontramos a estudar tinha que ter alguém responsável por ela. Mais uma vez por desconhecimento de onde se encontra a documentação referente a gestão do Colégio, não conseguimos consultar o regulamento da mesma instituição. Por este motivo não comprovamos a existência de um bibliotecário. Mas como afirmamos anteriormente existia sempre um Padre responsável pela biblioteca e nesta que nos encontramos a estudar não seria diferente. Os utilizadores da biblioteca do Colégio eram sobretudo a sua comunidade estudantil, bem como o seu corpo docente da instituição e os seminaristas. Esta biblioteca encontrava-se aberta a comunidade em geral. Refere o Professor Rui Carita alguns madeirenses teriam tido mesmo acesso continuo a este espólio, como refere. 21. CARITA, Rui. História da Madeira. Funchal: S.R.E.C., 2008, v.5,p.393. 34.
(35) Henrique Henriques de Noronha, agradecendo as facilidades e as informações concedidas pelo então reitor do colégio, padre Miguel Victus.22. 2.1. ESTUDO DO CATÁLOGO A biblioteca do Colégio de São João Evangelista foi trasladada em 1775 para a cidade de Lisboa, onde acabou por ser integrada na biblioteca da Real Mesa Censória. Hoje ao consultarmos o Catálogo Nacional de Reservados verificamos que existem dezasseis livros que apresentam a marca de posse da biblioteca que nos encontramos a estudar. Por marca de posse entendemos o nome de uma pessoa, ou entidade expressa na guarda superior, ou na folha de rosto de uma obra que confere saber quem é o possuidor do livro. Esta marca de posse pode ser concedida por um ex-líbris, carimbo, ou simplesmente por uma nota manuscrita. Devido a ausência do fundo bibliográfico desta biblioteca a reconstituição só nos é possível através do catálogo elaborado da mesma pelo padre Mário João, por ordem do Corregedor da Comarca, em consequência da publicação do Edital de 10 de Julho de 1769. A metodologia utilizada para a descrição das notícias bibliográficas foi dois tipos de fontes: a fonte normativa para a descrição do livro antigo impresso, a ISBD (A), versão portuguesa da Biblioteca Nacional de Portugal edição de 1985. A segunda fonte utilizada foram os catálogos nacionais de vários países que nos permitiu o reconhecimento das edições que existiram destas obras e assim identificar as publicações que pertenciam a esta biblioteca. Para esse reconhecimento, foi tido em conta o formato da obra, o local de publicação e a data, dados que nos são fornecidos pelo catálogo que nos serve de base. O catálogo da livraria do Colégio de São João Evangelista foi elaborado segundo as directrizes dadas pelo diploma régio de 1769. Assim sendo, encontra-se disposto por sete áreas do saber, são elas: teologia, jurisprudência, filosofia, matemática, medicina, história e belas letras.. 22. Idem. 35.
(36) 2.1.1. CATÁLOGO DA TEOLOGIA O catálogo de Teologia é composto por mil cento e vinte e nove entradas. Com os seus mil quinhentos e cinquenta e um volumes é o maior dos sete catálogos que constituem o inventário da biblioteca do Colégio de São João Evangelista. Numa análise conjunta das obras do presente catálogo verifica-se que vinte e seis porcento das obras saíram dos prelos da França, a nação que se segue é a Espanha com vinte e cinco porcento das publicações. Outro Estado que se destaca pela forte presença é Portugal, com vinte porcento dos livros. Os restantes trinta porcento são divididos pelos prelos da Bélgica, Alemanha, Itália e da Suíça. Dois porcento das referências do presente catálogo não citam o local de publicação. Assim, analisando as publicações que compõem este catálogo pelos quatro séculos, constata-se que o século XV é constituído por doze volumes, sendo a impressão mais antiga a obra de Leonardo de Utino, dada ao prelo na localidade de Vicenza, no ano de 1480. A maior parte das obras deste século são oriundas do centro impressor de Veneza, com um total de cinco publicações. Mas podemos distinguir outros centros impressores como Bolonha, Valência, Lyon e Paris. Trinta e nove porcento das obras foram dadas ao prelo no século XVI. Neste século podemos distinguir trinta e seis centros impressores. O mais activo é Paris, com dezasseis porcento das publicações. Segue-se o activo centro de Lyon, com quinze porcento. O terceiro prelo que se destaca é o de Anvers que reúne onze porcento das edições. Das, cidades de Salamanca e Colónia identificamos sete porcento das edições deste catálogo. A cidade portuguesa mais activa neste século é Lisboa, com seis porcento dos livros. Esta mesma percentagem é apresentada pela cidade de Veneza. Ao compararmos os países de edição, pelos seus centros impressores presentes e o número de edições aí realizadas verificamos que a França reúne o maior número de publicações, e que estas obras vêm de cinco prelos gauleses. Já a nação com mais centros impressores presentes neste século é a Espanha, e dos seus onze centros impressores presentes achamos noventa e duas publicações. Voltando á análise dos países com o maior número de edições o Estado que se segue é a Bélgica, com apenas dois centros impressores identificamos cinquenta e duas edições vindo à frente de países como a Alemanha com os seus quatro centros não vai além das trinta e seis publicações. Apuramos que a Itália está presentes com seis centros impressores, sendo o total das 36.
(37) suas edições de cinquenta livros. De Portugal distinguimos trinta e sete edições vindas de quatro centros impressores. Os países com menor número de centros de impressão são a Suíça e a Holanda com apenas um centro. O gráfico abaixo ajudará a visualizar o que foi aqui dito.. . . . . . . . . . . . . . Gráfico 1- Fonte própria O século XVII é o mais numeroso com cinquenta e dois porcento das publicações. Neste século podemos distinguir quarenta e um centros de impressão. Destes quarenta e um centros o mais activo é a cidade de Lyon com cento e vinte uma edições, segue-se a cidade de Lisboa com cento e dezoito publicações. O terceiro centro com mais impressões é Madrid com oitenta e quatro livros. Fazendo a comparação entre os países de edição pelos seus centros impressores presentes e o número de edições aí realizadas, verifica-se que no século XVII a nação com mais publicações é a Espanha. Dos seus prelos saíram cento e sessenta e cinco publicações. Estes livros são provenientes de treze centros impressores, são eles Madrid, Salamanca, Barcelona, Valladolid, entre outras. De Portugal identificamos cento e cinquenta e seis edições vindas de cinco centros impressores portugueses. Segue-se um gráfico para ajudar a visualizar o que aqui foi dito. 37.
(38) ,10 ,01. .- -. ,.. 0. ,/1 .2 1. 3 ., ,, .+0 /. '$' '$. Gráfico 2- Fontes própria O século XVIII contém menos obras do que os dois séculos anteriores por ter sido neste, o século em que a Companhia de Jesus foi expulsa de Portugal. As noventa obras deste século vêm de vinte prelos da Europa. O centro impressor com mais volumes é Lisboa, com vinte e dois porcento, seguido de Veneza com quinze porcento. O terceiro centro impressor mais activo é a cidade de Madrid com doze porcento. O século XVIII é ainda constituído por outros centros impressores, com menor percentagem de obras. O gráfico abaixo apresenta os centros impressores e a percentagem de livros que cada um tem neste catálogo.. . ,6. ,6. ! ! ,6 ,6 ,6 36 .6. ,6 # ,26 ,6 ( 26 ,6 16 ,6 ,.6. 36 ! ,6 ,6 --6 " /6. Gráfico 3 - Fonte própria. 38.
(39) Semelhante ao que efetuamos para os séculos anteriores, comparamos os países de edição pelos seus centros impressores presentes e o número de edições aí realizadas. Verificamos que neste século a nação com mais publicações é Itália. Se Itália detém o maior número de edições, o país com o maior número de centros impressores é a Espanha. Dos seus sete centros de impressão reconhecemos vinte e quatro obras. A seguir à Espanha é a Itália que apresenta o maior número de centros impressores. Portugal apenas apresenta três centros, destes detectamos vinte e oito edições. O número elevado de publicações faz com que Portugal seja o segundo país com mais publicações neste século. O gráfico apresentado exibe a divisão dos países de edição, os seus centros de edição e os números de edições aí realizadas.. . . . . . . . . . . Gráfico 4- Fonte própria Ao analisarmos as línguas em que estas obras foram publicadas constatamos que sessenta e cinco porcento dos livros estão em latim. A segunda língua com mais publicações é a castelhana. Só nove porcentos das obras são publicadas em português, além destes três idiomas existem obras editadas em inglês e italiano. O catálogo da Teologia é o maior dos sete catálogos como já tivemos oportunidade de referir. Num catálogo tão vasto descobrimos uma grande variedade de autores, de diferentes nacionalidades. Pela análise que fizemos dos títulos deste catálogo verificamos que existem obras de teologia dogmática, escolástica, pastoral e moral. Todas editadas em países católicos, com a excepção da teologia moral que apresenta obras publicadas na Alemanha. Existem algumas edições da Bíblia, sendo a mais antiga 39.
(40) datada de 1524. Neste catálogo destacam-se as obras dedicadas aos Salmos. O Livro dos Salmos que se encontra no Antigo Testamento é designado o coração do Livro Sagrado. As edições das obras dedicadas a este livro da Bíblia vêm da Alemanha, França, Espanha, Itália, entre outros países. A amplitude do catálogo de Teologia deste Colégio permite que haja uma grande abrangência nesta temática, distinguimos obras dedicadas ao estudo de casos de consciência, área de estudo nos colégios da Companhia, mas também sermões, todos eles editados em Portugal. Obras escritas por Santos, comentários bíblicos, comentários à vida de Cristo, análise de livros da Bíblia, missais. O Fundador da Companhia de Jesus publicou uma obra dedicada aos exercícios espirituais, na biblioteca do Colégio do Funchal esse assunto mereceu grande atenção por parte do Padre Bibliotecário. Além de estudarem a doutrina cristã, mostraram ter grande interesse em conhecer novas realidades religiosas. Chegamos a esta conclusão através das obras sobre o judaísmo, e a do Profeta Hosseam, o Profeta da Misericórdia dos muçulmanos que encontramos neste catálogo. No século XVII encontramos uma única obra portuguesa dedicada ao Anjo da Guarda. Neste acervo podemos encontrar obras dedicadas à meditação, saídas dos prelos espanhóis e italianos. Os catecismos também encontram-se neste acervo, são uma obra importante para os auxiliar nos seus propósitos de evangelização. As constituições da Companhia também faziam parte desta colecção, além das constituições sinodais do Bispado do Funchal. Distinguimos ainda as obras dedicadas ao culto de Nossa Senhora. Estas obras são na sua maioria de edições portuguesas. Por fim destacamos os sermões da Quaresma. A Quaresma é época mais importante da cristandade e merecia ser vivida de uma forma sentida. A preparação para viver a Páscoa era através dos muitos sermões dedicados a este tempo. Também encontramos alguns sermões dedicados ao Advento. Na biblioteca de São João Evangelista na área da Teologia o autor mais lido é São Tomás de Aquino. Este autor está presente neste catálogo com vinte e três obras, estas são obras impressas nos séculos XV e XVI. Outro autor muito lido é o sacerdote belga Denis de Chartreux, também podemos destacar as obras do autor espanhol Luís de Granada. Este frade Dominicano foi professor de teologia moral e filosofia. Este autor dedicou-se ao estudo dos assuntos ascéticos. Neste catálogo evidencia-se o grande número de obras de autores estrangeiros, mas encontramos as obras do português Sebastião Barradas. Este Padre Jesuíta foi professor na Universidade de Coimbra e de. 40.
(41) Évora, as suas pregações eram ditas com tal intensidade que foi considerado o Apóstolo de Portugal.. 2.1.2. CATÁLOGO DE JURISPRUDÊNCIA Ao catálogo da Teologia segue-se o inventário da Jurisprudência. Esta é a área do saber que se dedica a ciência do direito. O inventário desta disciplina é composto por duzentas e oitenta e nove entradas. Em termos de quantidade de livros, ou seja, de volumes a Jurisprudência é composta por quinhentos e quarenta e quatro tomos. Estes quinhentos e quarenta e quatro tomos dividem-se pelos séculos XV ao XVIII. Assim sendo, o século XVII é o mais presente como quarenta e três porcento das obras, seguindo-se o século XVI com trinta e dois porcento, por fim o século XVIII com vinte e três porcento. Do século XV existem duas edições, uma do prelo alemão de Nuremberg e a segunda da prensa da cidade italiana de Bolonha ambas datadas de 1493. Neste inventário deparamo-nos com diferentes centros impressores da Europa. A presença destes centros impressores variam consoante o século em que nos encontramos a analisar. Assim sendo, analisando as obras do século XVI verificamos que vêm dos centros impressores da Bélgica, Suíça, Espanha, Portugal, Alemanha, França e Itália. Apuramos que a maior parte das obras vêm dos dois centros impressores de França. A estes segue-se os três centros italianos. Destes três centros o mais activo é Veneza com dezassete publicações. O terceiro país de edição com mais publicações é Portugal, dos seus dois centros presentes identificamos quinze edições. Se analisarmos os países pelos centros impressores e não pelo número das suas edições verificamos que a Espanha é quem detém o maior número de centros editores. Os países que se seguem são a Alemanha e a Itália que apresentam três centros editores. Portugal e França apresentam dois centros cada um. Os países com menor expressão em termos de centros são a Bélgica e a Suíça com apenas um centro. O gráfico abaixo ajudará a visualizar esta divisão.. 41.
(42) 0.. 1 .. / .. .. 2. /2. .2 /. 1 0. /. *&*. 0. *&! . Gráfico 5- Fonte própria É no século XVII que se reúne o maior número de edições, cento e vinte quatro obras. Publicações provenientes de diferentes centros. Desta feita a cidade francesa de Lyon é a que detêm mais edições com trinta e sete porcento, já Roma vem em segundo lugar com treze porcento das publicações. A cidade portuguesa de Coimbra contém onze porcento das impressões ocupando o terceiro lugar. Mas encontramos edições provenientes de centros como: Lisboa, Frankfurt, Colónia, Madrid, Veneza, Nápoles, Córdoba, Paris, Génova, Anvers, Valladolid e outros. O gráfico abaixo ajuda-nos a visualizar a percentagem de cada centro impressor.. !++ " .7 /7. .7 .7 .07. % /7 # /7 ..7. 17 " .7 # /7 "! 37. 17 $ 047. "! .7 .-7. # /7. Gráfico 6- Fonte própria 42.
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