TítuloO saber de experiência feito e a educação ambiental crítica: um diálogo para a transformação
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(2) FLÁVIA FINA FRANCO. E. AMADEU JOSÉ MONTAGNINI LOGAREZZI. Palavras chave Educação de pessoas jovens e adultas. Educação ambiental crítica. Metodologia comunicativocrítica. Saber de experiência feito. Transformação Key-words Youth and adult education. Critical environmental education. Critical communicative methodology. knowledge of done experience. Transformation.. Introdução. so, apropriação, uso e abuso da Natureza e recursos ambientais em geral [...] está sujeita à assimetria do poder nas. -. relações sociais, expondo ao risco [...] a repartição dos benefícios (a geração de riqueza) e prejuízos (a geração de danos e riscos ambientais) do acesso, apropriação, uso e abuso da Nature-. de rejeitos urbano-industriais, o uso exage-. za e recursos ambientais em geral [...] está sujeita à assimetria do poder nas relações sociais, expondo ao risco am-. -. biental os grupos sociais vulneráveis às condições ambientais em processo de degradação (como as populações marginalizadas nos centros urbanos), ou de-. oceanos e da atmosfera, entre outros, e. pendentes de recursos naturais em pro-. acontecem em ritmo que ultrapassa o da. cesso de exaustão (como as populações indígenas e extrativistas) agravando a já delicada situação de opressão social e exploração econômica a que tais grupos sociais são impostos pelos setores diri-. -. ciada ao apropriar-se mais dos recursos e outra parcela é prejudicada ao sofrer mais. -. os riscos ambientais, como. [...] a repartição dos benefícios (a geração de riqueza) e prejuízos (a geração de danos e riscos ambientais) do aces-. 1122. ambientalMENTEsustentable, 2015, (II), 20.
(3) A educação ambiental crítica diretamente com a crise socioambiental -. -. as quais possam contribuir para uma. socioambientais quanto a existência e a realidade de suas/seus2 discurso genérico sobre o futuro e quem. -. são as/os protagonistas da questão socioambiental precisa ser superado, em que. dades e os obstáculos para essa transfor-. -. 1. , por seu. -. caráter emancipatório e dialógico, contripelo projeto que oferecia o ensino fundaas quais contribuem com o aumento e a persistência das desigualdades no mundo,. -. -. A educação de pessoas jovens. na de biologia para uma turma de ensino. e adultas -. das/os, cresciam e, como a prática do-. 1. Nesse momento discorreremos. mais sobre as correntes, sugerimos a leitura. , “a recusa à ideologia machista, que implica necessariamente a recriação da linguagem, faz parte do sonho possível em favor da mudança do mundo”. educação ambiental”. ambientalMENTEsustentable, 2015, (II), 20. 1123.
(4) FLÁVIA FINA FRANCO. E. AMADEU JOSÉ MONTAGNINI LOGAREZZI. tinuada (somos todas/os educadoras/es e emancipatória das/os educandas/os da adultas e sobre a temática socioambiental com o intuito de compreender a articula-. principalmente por estas/es se encontra-. abordam majoritariamente aspectos técnicos em detrimento da dimensão social da. -. A educação ambiental crítica somente aos processos de analfabetismo e. de pessoas jovens e adultas. as/os educadoras/es e, consequentemen-. as a possibilidade de se educarem e de aspecto central do processo de ensino e. desse estudo, pois em concordância com ela apresenta fortemente. bientais e sociais mais justas (SANT’ANA,. 1124. -. ambientalMENTEsustentable, 2015, (II), 20.
(5) uma abordagem educacional dialógica, engajada, includente e ativa, elabora-. Nesse sentido, acreditamos nas possibi-. da a partir de várias disciplinas, que. -. informa e fortalece [as]os estudantes a se tornarem ativistas, transforman-. “essa riqueza. do o aprendizado em ação ao abordar. e complexidade de saberes advêm do en-. as causas dos problemas ambientais.. frentamento de situações-limite de sobrevivência, que requer grande criatividade, De acordo com. comunicação e solidariedade”. -. -. necessário “estabelecer um diálogo entre. -. os saberes e a experiência que jovens e. -. adultos já acumularam e trazem para a sala de aula como parte da sua bagagem intelectual”. escola e a comunidade, a escola e o am-. Seguindo o pensamento de. , em. que todas/os nós experimentamos e esta-. Ao buscar na literatura internacional sobre essa temática, encontramos a pesqui-. em que os “dados fornecidos pela própria. sadora -. vida” enriquecem nosso processo forma-. biental de adultos , que relaciona o pro3. sentido, e aborda as temáticas socioambientais. experiências possuem forte potencial de. “saberes de experiência feitos”, que precisam ser respeitados, compreendidos e incorporados ao “environmental adult education”. ambientalMENTEsustentable, 2015, (II), 20. 1125.
(6) FLÁVIA FINA FRANCO. E. AMADEU JOSÉ MONTAGNINI LOGAREZZI. Esses saberes construídos fora da esco-. Por que não aproveitar a experiência. la não podem e não devem permanecer. que têm [as alunas e] os alunos de viver. fora dela. Precisamos conhecer esses. em áreas da cidade descuidadas pelo. saberes e aprender a relacioná-los aos. poder público para discutir, por exem-. saberes escolares, de forma que o que. plo a poluição dos riachos e dos cór-. é aprendido fora da escola possa co-. regos e os baixos níveis de bem-estar. laborar com que é aprendido dentro, e. das populações, os lixões e os riscos. vice-versa. Colaboração que procura. que oferecem à saúde das gentes[?]. construir uma prática dialógica, capaz. Por que não há lixões no coração dos. de gerar um processo de trabalho em. bairros ricos e mesmo puramente re-. comunhão que fortaleça os seres huma-. -. -. De acordo com potencialidade do saber de experiência. -. e educadores/as, assumimos uma postura -. rador, mais aprofundamos a tomada de. sujeitos e toda a comunidade possam par-. consciência em torno da realidade, mais. ticipar, dialogar, possam ser educandas/os e educadoras/es, e que, tendo consciên-. -. cia de seu inacabamento, possam buscar tica dialógica pode contribuir para uma -. -. -. -. tão socioambiental é um tema gerador o. -. 1126. ambientalMENTEsustentable, 2015, (II), 20.
(7) Objetivos dessa modalidade de ensino e aos sabe-. trata de como incorporar a temática am-. ca, com seu lar, com o seu bairro, com seu. Busca-se compreender de que maneira res de experiência feitos podem contribuir. no âmbito do processo de ensino e apren-. compreender e a entender as possibilidaesses dois campos para a busca de su-. também como integrante das lutas so-. A escolha metodológica. como “um espaço de construção de justiça”. desenvolve-. remos a investigação, em que “não esco-. -. lhemos apenas uma maneira de fazer pesquisa, mas também de estar no mundo, de compreendê-lo, construí-lo e reconstruí-lo com quem vive a dimensão da realidade por nós estudada.”. -se importante no sentido de propiciar. ambientalMENTEsustentable, 2015, (II), 20. projeto é coerente não só com o tema da. 1127.
(8) FLÁVIA FINA FRANCO. E. AMADEU JOSÉ MONTAGNINI LOGAREZZI. pesquisa, com os referencias, com a metodologia, mas também com a maneira de. -. compreender o mundo e de estar e agir. ,. baseada nas “interações que ocorrem na vida social, uma vez que se centra nas dimensões sociais que provocam a ex-. clusão e nas que levam à inclusão, pois têm a transformação da realidade social. -. como um objetivo chave.”. participantes da pesquisa: a pesquisadocompreensão sobre os conceitos do sa-. ra, as/os educandas/os e as/os professo-. ber de experiência feito e de criticidade,. -. A metodologia comunicativocrítica. -. , a. 4. -. -. -. pensar e de perceber dos sujeitos do conquestão “a quem sirvo com a minha ciência?”, Barcelona e, no Brasil, foi e está sendo difundida -. 1128. ambientalMENTEsustentable, 2015, (II), 20.
(9) -. A pesquisadora/or e sujeitos do contexto estudado não são iguais, mas essa rela-. Nesse sentido, se. a minha opção é libertadora, se a realidade se dá a mim não como algo parado, imobilizado, posto aí, mas na relação dinâmica entre objetividade e subjetividade, não posso reduzir os grupos populares a meros objetos de minha pesquisa. Simplesmente, não posso conhecer a realidade de que. da realidade, se dá na “prática da transfor-. participam a não ser com [elas e] eles. mação da realidade”. como sujeitos também deste conhecimento que, sendo para [elas e] eles, um conhecimento do conhecimento. -. anterior (o que se dá ao nível da sua experiência cotidiana) se torna um novo conhecimento. Se me interessa conhe-. -. cer os modos de pensar e os níveis de percepção do real dos grupos populares estes grupos não podem ser meras. pesquisadora/or o negue e/ou o julgue de saber sobre o dos sujeitos da realidade estudada, estará assumindo uma postura. com os sujeitos do contexto estudado,. antidialógica, negando as possibilidades -. um diálogo igualitário que pretende romtemológico, normalmente considerados. [...] se o/a pesquisador/a julga que o seu saber acadêmico tem maior valia e é capaz de compreender a leitura de mundo [da e] do participante da pes-. pesquisa, ou seja, nesse diálogo tanto as. quisa, mesmo que [esta e] este não a. -. revele, despreza a importância do diálogo em tal processo e age orientando-se pela “teoria da ação antidialógica”. ambientalMENTEsustentable, 2015, (II), 20. 1129.
(10) FLÁVIA FINA FRANCO. E. AMADEU JOSÉ MONTAGNINI LOGAREZZI. Assim, ao optarmos por essa metodologia,. dimensão que trata do. pretendemos, em conjunto com as pessoe interpretar esse contexto de acordo com. -. -. -. do. -. -. Metodológica questões de maneiras distintas, porém -. importância de que os dados sejam discutidos diante da dualidade da realidade. O caminhar De acordo com. a pergunta da pesquisa, com a formu-. entendermos a metodologia comunicati-. -. -. de coleta e de análise de dados, sempre Ontológica: sobre essa dimensão, a realidade é natural e social, não depende só pela escola que compreenderia o contexto. 1130. ambientalMENTEsustentable, 2015, (II), 20.
(11) modelo educativo comumitário, a partir do qual se compreende a escola como uma lista com as quatro escolas munici-. instituição central de nossa sociedade.”. um modelo que articula de maneira dialógica a comunidade escolar, familiares das/ os estudantes e a comunidade do entorno. projeto de pesquisa e sobre a disponibilidade do, entramos então com a submissão do -. ca de coleta de dados, porém pretende-. -. tais técnicas, além de possibilitarem uma maior proximidade entre a/o pesquisadode 1998 e possui classes de ensino fun-. ra/or e os sujeitos do contexto pesquisa-. -. -. -. madamente 1123 estudantes, de acordo. , “um. 6. de. ambientalMENTEsustentable, 2015, (II), 20. e. 1131.
(12) FLÁVIA FINA FRANCO. E. AMADEU JOSÉ MONTAGNINI LOGAREZZI. consensuado com a pessoa da realidade. -. -. -. que ministram ou ministraram aulas para. a/o pesquisadora/or com as pessoas participantes para que sejam esclarecidos os -. momentos importantes na trajetória do-. -. -. -. -. -. educandas/os e educadoras/es da educaa/o pesquisadora/or com um grupo de. -. sujeitos do contexto pesquisado e possibilita tanto o contato com experiências, conceitos saber de experiência feito e cri-. descritas pelos autores como uma maneique a/o pesquisadora/or presencie dire-. 1132. projeto de pesquisa para a equipe dessa. ambientalMENTEsustentable, 2015, (II), 20.
(13) escola, o assessor pedagógico sugeriu que enxergou maior identidade e proximi-. -. o professor de ciências, consensuamos. os dias minutos antes do término da aula,. essa proposta e também proposta de que, -. desde o ano passado e cursa o segundo -. em diálogo com o professor, consideraNos primeiros passos em sala de aula optamos por não iniciar ainda com as obserqual nesse dia tem três aulas dessa discia com as/os estudantes antes de co-. -. poder estar naquela turma por questões de. ambientalMENTEsustentable, 2015, (II), 20. 1133.
(14) FLÁVIA FINA FRANCO. E. AMADEU JOSÉ MONTAGNINI LOGAREZZI. -. Ao longo dessa etapa, foi percebida e senAo optarmos por essa metodologia, assuocorria durante a aula, anotar no diário, -. -. ros passos e acordamos que seria inteelementos transformadores, que indicam -. 8. notou-se que o tempo. O primeiro momento da análise compre-. memória das/os estudantes para o diálogo. ÂMBITO. Um olhar inicial. -. Obstaculizadores. Sistema. alidade social”. Transformadores. preender, interpretar e/ou transformar a re-. vida. Elemento 1 Elemento 2 Elemento .... dade das análises vincula-se ao propósito -. Mundo da. Elemento 1 Elemento 2 Elemento .... ocorreu, pois nesse dia as/os estudantes não. de produção ou de incidência, com base em. 1134. ambientalMENTEsustentable, 2015, (II), 20.
(15) -. cuidado do professor com as/os estudantes, ao respeitar os saberes aprendidos. etapa seguinte seria o retorno dessa inter-. fora do ambiente escolar que essas pes-. as estratégias de ensino para essa modamica, discutindo-os diante da compreen-. -. dessas/es estudantes, antes de irem para. sim, considerando que no processo de. as escolas, possuem jornada ‘dupla’ de -. -. -. caremos aqui os elementos por ora iden-. tes, o que pode contribuir para as faltas,. das/os estudantes na escola, o que pode sim como a idéia de tempo perdido que tendo como foco o saber de experiência. gumas/uns estudantes acreditam que, por -. Nesse contexto, alguns dos elementos -. nessa realidade, apontados como trans-. -. formadores, seriam o respeito e o diálogo sionais da escola e entre essas/es e as/os estudantes, assim como a solidariedade e. ambientalMENTEsustentable, 2015, (II), 20. 1135.
(16) FLÁVIA FINA FRANCO. E. AMADEU JOSÉ MONTAGNINI LOGAREZZI. -. -. -. -. -. -. -. -. -. ambiental na gestão ambiental do meio am-. -. -. 1136. ambientalMENTEsustentable, 2015, (II), 20.
(17) -. -. autogestão e necessidade de uma outra. ambientalMENTEsustentable, 2015, (II), 20. 1137.
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