SETEMBRO, 1881
-
EMERGÊNCIA
E
VIGOR
DE
SEMENTES
DE
GUARANA
SUBMETIDAS
A
PRÉ-TRATAMENTOS
TÉRMICOS
EMBRAPA
EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUARIA
MINISTRO DA AGR1CULFLIRA
Ângelo
Arnaury StabileDiretoria
Executiva da EMBRAPAEliseu
Robertode
Andrade AIves-
PresidenteÁgide
Gorgatti
Netto-
DiretorJosé Prazeres Ramalho
d e Castro
-
DiretorRaymundo Fonseca Souza
-
DiretorChefia
da
CPATUCristo Nazark
Barbosa
do Nascimento-
ChefeJosé
Furlan
JUnior
-
Chefe Adjunto TécnicaAntônio Itayguara
Moreirados
SantosBOLREM DE PESQUISA N.".29 Setembro, 1981
EMERGENCIA E
VIGOR
DE
SEMENTES
DEGUARANA
SUBMETIDAS A PRE-TRATAMENTOS TERMICOS
Dilson
AugustoCapucho
FrazãoEngP Agr.", M.S. em Fitotecnia, Pesqui- sador do CPATU
Francisco Jose
Câmara
FigueitêdoEngP AgrP, M.S. em Tecnologia de Se
mentes, Pesquisador da CPATU
José
Edmar
Urano deCarvalho
Eng." AgrP, Pesquisador do CPATU
Flávio
PopinigisEng." AgrP, Ph.D. em lecnologia de Se-
mentes, Gerente de Produção do SPSB
Raimundo
Parente
de OliveiraEng." Agr.". M.S. cm Estatística e Méto-
dos Quantitativos, Subchefe da UEPAE- Altamira
E M B R A P A
CENTRO DE PESQUISA AGROPECUARIA 00 TRIÓPICO OMIDO
ISSN 0100-8102
Centro
dePeçqu
isa Agropecuáriado
TrbpicoUmido
Trav.
Dr. Enéas Pinheiro,s/n
Caixa Postal,
48
66
.O00
-
Bslém, PATelex
(091) 1210Frazão, Dilson Augusto Capucho
Emergência e vigor de sementes de guaraná submetidas a pré-tra-
tarnentos térmicos, por Dilson Augusto Capucho Frazãs, Francisco José
Câmara Figueirêdo, José Edmar Urano de Carvalho, Flávio Popinigis e
Rajmundo Parente de Oliveira. Belém. EMBRAPA-CPATU, 1981.
17p. iIust . (EMBRAPA-CPATU
.
Boletim de Pesquisa, 291.1 . Sementes de guaraná - Tecnolagia. 2. Sementes de guara-
ná - Gerrninacão. I , Figueirêdo, Fra~cisco José Câmars. 11. Carva-
lho, José Edmar Urano ds. Ill. Pripinigis. Flávio. IV. Oiiveira, Rai-
mundo Parente de. V . Título. VI. Série.
CDD: 631 -521
INTRODUCÃO
. . .
5
MATERIAL E METODOS...
.
.
.
. . . . ....
. . . -
7
. . .
RESULTADOS 8 DISCUSSÃO. . .
23 CONCLUSÃO. . .
15 AGRADECIMENTOS. . .
26 REFERÊNCIAS...
16EMERGENCIA E VIGOR DE SEMENTES
DE
GUARANA SUBMET4DAS A PRÉ-TRATAMENTOS TÉRMICOSRESUMO : Sementes de guaraná (Paullinia cupana var. sorbilis (Mart.) Ducke] foram submetidas a pré-tratamentos térmicos usando-se as temperaturas de 40°C e 50% que, em combinação com os tempos de exposição de 15, 30, 45, 60, 90 e 120 minutos, constituiram os t r e
tamentoç que objetivararn-se determinar a percentagem de ernergerj- cia, bem como acelerar e uniformizar a formaçáo de mudas. A se- meadura foi feita a 2 cm de profundidade, em substrato de serragem curtida tratada com brometo de metila. Os dados finais de percen- tagem de emergência, comprimento médio do cauliculo. pesos úmido e seco das plântulas forar. tomados aos 150 dias apús o plantio. Os resultados mostraram que a melhor combinação foi a temperatura de 40°C por 90 minutos de exposição, porém não foi capaz de acelerar
e uniformizar o processo de emerggncia. O pré-tratamento a 50°C,
durante 90 e 120 minutos, fni prejudicial 5s sementes provocando a morte de quase todos os em Iriões.
INTRODUÇÃO
As sementes de guaraná apresentam
um
processo gerrninativobastante lento e desuniforme, decorrente
de fatoíes
ainda não bemesclarecidos que concorrem para que a germinacão se prolongue
por
períodos que vão além
de
180dias.
Essas sementes, raramente,germinam antes de 50 dias
após
a semeadura, assimcomo
apresen-tam um
grande
índicede
variaçãode
vigor, que concorre para umdescarte muito elevado de pl5ntulas a serem repicadas e de mudas
em estágio de desenvolvimento em viveiro.
As sementes de guaraná representam até o momento o
veiculo
mais difundido no processo de obtencão de
mudas
para aformaçáo
de
campos
de produção. Entretanto, Stoiberg & Corrêa (i9791obti-
veram
resultados
promissorescom
enraizamentode estacas
de te-miônio [ácido 4-indol-3 butírico], adicionado
a
Orthocide 50 na propor-ção de 112. A difusão d e ~ s a prática virá contornar os problemas ante-
riormente
mencionadas.
As Regras para Análise de Sementes [Brasil 1976) consideram
e
recomendam a pré-secagem a40°C,
com livre circulaçãode
ar du-rante
setedias,
eantes
das sementes seremcolocadas
no
substrato
para o teste normal de germinacão,
como um
tratamento
especialpara
superacãoda
dormenciade
muitas espkcies de sementes. En-tretanto, o efeito
do
aquecimentodas
sementes é variável e, segun- do Liberal e t aI. C19701, temperaturas de 40°C e50°C
são suficientes para superara
dormência devárias
cultivaresde
arroz. Poroutro
lado,
Weir (19591 observou que a pré-secagem a 40°C, por quatrodias,
elimina apenas parcialmentea
dormênciaem
algumas amostrasde sementes de arroz.
Segundo Akamine,
citado
por Delouche (39603,a
germinacáo desementes de Urschloa pullulans é promovida quando
armazeriadas
aseco,
por treze
semanas,a
35°C
oua
45°C.Bianchetti & Ramos [1979), ao submeterem sementes de Arauca- ria
angustifolia (Bert.]
O.
Mtze.
à secagema
4S0Ç, observaram quea viabilidade dessas sementes foi afetada
quando
comparadosos
tempos
de exposição
com
a
testemunha. Sementes expostas ase-
cagem
por três,seis e
novehoras
apresentaram, respectivamente,42%,
32%
e 43% de emergência, enquanto a testemunhaapresentou
percentagem
de82%
.Ramos 8,
St6hr
(í979a1, ao estudaremo
efeitoda
secagem
d e
sementes de Tabebuia casçinoides [LAM.)
DC.
parafins d e
armazena-mento, observaram
quea
temperatura
da
42"C,por
períodos deuma,
duas, três e quatro
horas,
nãoafetou
a germinação dessas sementes,cujas
percentagens, que variaram de842%
a 82,0°/~, não diferiramsignificativamente da testemunha 185%3. Ramos & Stohr (1979b1, ao estudarem, também, os efeitos
da
secagem, com vistas ao arma-zenamento,
de
sementesde
Sarandamicrantha
(Cham .), observaramque essas
sementes
perderam acentuadamente o poder germinativo,a partir da quinta hora de permanência
em
estufaa
42OG,sendo que
O presente
trabalho
visou verificar o efeito do pré-tratamento térmico na aceleraçãoe
uniformizaçãodo
processode
emergênciade
sementes de guaraná.MATERIAL E MÉTODOS
As
sementes utilizadas foram provenientesde
frutos completa-mente
maduros, os quais apresentavam os primeiros sinais dedeis-
cência,
e colhidas no campo de matrizes de guaraná do Centro dePesquisa Agropecuária do Trópico Úrnido-EMBRAPA, em Belém-Para.
O
ensaio foi conduzido sob condiçõesde
viveiro,
emsernentei-
ras de madeira suspensas e o
substrato
foi serragem curtida tratada previamente combrometo
de metila, com a finalidade de controlar possíveisocorrências
de
microrganismos que pudessem interferirnos resultados experimentais.
Imediatamente após a colheita dos
frutos,
o arilódio foirernovi-
do manualmente sob fluxo constante
d e
água. Ap6s o benefjciarnen- to, as sementes foram submetidas aos tratamentos que constaramde
interaçóes entre temperaturas e tempos de exposicão.Foram
usadas estufas com livre circulação de ar, regulados a 40°C e 50% e as sementes expostas por 15,
30,
45,
60,
90 ou 120 minutos.Os efeitos dos pré-tratamentos térmicos foram comparados a um tratamento controle, em que as sementes não receberam nenhum tipo de aquecimento e foram
semeadas
imediatamente após o bene- ficiamento. As sementes depois de submetidas aos pré-tratamentos, bem como asdo
controle, foramsemeadas
a2cm
de profundidade, sendo o substrato regado com água potável antes doplantio
e, a partirdaí,
emdias
alternados. Semearam-se 50 sementes porsub-
parcela experimental.
O experimento teve a
duracáo
de
150 dias, a contarda
data dasemeadura,
quando foram tomadoso s
seguintes dados : percentagem media de emergência. comprimento médio do cauliculo e pesos to- tais úmido e seco das plântulasinteiras.
Durante operíodo
expe- rimental foi anotado diariamente, a partir do inicioda
emergência, onúmero
de
sementes emergidas, que forammarcadas
para
a deter-O
comprimento docaulículo,
emcentímetros,
foi determinadopela somatória das intervalos entre o
colo
e o ápice,onde
localizam- se as gemas terminais,responsáveis
pelocrescimento
da
planta. Pa-
ra
tanto, consideraram-se
todas as plântulasde
desenvolvimentonor-
mal
no final doexperimento.
Para
a
determjnaçáo
de
pesototal
úmí-
do
e pesotatal
seco,
tornados
em
gramas,utilizaram-se
as mesmasplântulas, sendo
que
para
oprimeiro
caso
a
pesagem
foifeita
imedia-tamente ap6s ao encerramento do experimento para que n5o houves-
se desidrataçgo, enquanto no
segundo
as
mesmas foramcolocadas
em
estufas elétricasreguladas
a75OC,
por
72
horas,
s
a s
pesagensrealizadas
apósao
esfriamentoem
dessecadoreç.
O
índice
de velocidadede
emergência
(!V€]foi
determinado pelacontagem do
número
deplântulas
emergidas
par
dia,a
partirdo
iní-
cio daemergência,
até 150 dias após à semeadura,usando-se
a
fór-
mula
proposta
porMaguire
(3962).Nx
Nxf NxzIVE
=
-
4-+
.. ... ... ,..a+
DY D y -t- 1 Dy+
n
onde :
N x
é o númerode plântulas
emergidas por dia; e Oyo
inver-
so
dos
númerosde
dias
após
a semeadura.O
IVE,também
foi
corrigido conforme sugereAmara[,
citado por Bianchetti&
Amara!
(19781, epara
tanto
ele foi multiplicadopor
i 0 0 edividido
pelapercentagem
deemergência.
0 s tratamentos
foram distribuídos
emdelineamento
experimen-tal d e bIocos
ao acasocom
trêsrepetições.
A
comparação
entre asmédias
dos tratamentosfoi
feitaatravés
do
testede
Tukey, ao niveld e
5%de probabilidade [Gomes
19701.0 s
dados
expressos
em
percentagem
foram
transformados em
valores
do
arco-seno, antesda
análise estatística,segundo
aexpres-
são
y
=arc
sen
Y
percentagemS1
O0
[Snedecor1945).
RESULTADOS
A análise
da
variância
revelou
que
houve diferença altamente significativa entre ostratamentos,
segundo
o testeF,
para a percen-ta
yem
média de emergência, índicede
velocidade de emergência,comprimento médio
do
cauliculo,
peso total Umido e peso total seco das plântulas inteiras.As
caracteristicasde
emergência-
percentagemde
emergên-
cia e
índicede
velocidade
de emergência, com e sem correção-
sãomostradas na
Tabela
i.TABELA 1
-
Efeito de pré-tratamento térmico sobre as características de emer* gência de sementes de guaranáCarac,teristicas de Emergência
Pre-tratamentos Tempo de Percentagem Média fndice Médio de Velocidade
Térmicos exposição de Emergência de Emergência Sem Correção Corrigido
40°C 40°C 50°C 40°C 50°C 40°C 50°C 40°C 40°C Controle 50°C 50°C 50°C 90 minulos 30 I7 30
"
45 " 15 " 15 " 45"
120 P7 60 "o
" 60"
90 " 120 " DMS i7,85 (Graus) 0,1021Médias seguidas de letras iguais não diferem significativamente entre si, segundo o teste de Tukey, ao nível de 5% de probabilidade.
Comparando-se as percentagens
de
emergência
observou-se queas sementes submetidas
ã
temperatura
de
40°Cpor
90
minutos apre-
sentaram percentagem
m8dia
de
emergência
d e
3690, a maiorobser-
vada durante o ensaio, entretanto, esse tratamento só diferiu signi-
ficativamente de
50°C
por90
minutos e 50°Cpor
120 minutos ondeobservaram-se percentagens de emergência
de
3%e
O%,respectiva-
mente.
Esses
dados revelam quetemperaturas
elevadas,associa-
das a períodos
mais
rongosd e
exposição,
tais como90
e
120 minu-tos, provocam
danos
consideráveis 5ssementes,
chegando a causara
morte
parcialou
total dos embrióes. Maritaembora
o
trat?mento
controle, onde
a percentagemde
gerrnina~ão
foid e
20%
não
tenha
diferido significativamente do melhor tratamento, deve ser sempre usado,
quando
nãofor
possível disporde
estufas elétricas com tem-peraturas controláveis, notadamente
para
lotes de sementesde
bai-
xa
qualidade
fisiológica, comoparece
ter sido o caso doempregado
nesta
pesquisa.
Os resultados
da
comparacão dos diferentes índices médios develocidade de emergência, observados nos diversos tratamentos,
mostraram comportamento semelhante
aqueles
verificados nos tes-tes
de
germinacão,em
que
o
melhor
tratamento 140°Cpor
90 minu-tos],
também,
apresentou o maior índice (0,14303, por6m só diferindosignificativamente
de
50°C
por
90
minutos [0,0111) e 50°Cpor
120minutos
(0,0000].
O
índice de velocidade de emergência corrigidorevela resultados conf litantes com
aqueles
não corrigidos. Aemer-
gência foi iniciada aos 56 dias após à semeadura, reIativa ao trata-
mento em que as sementes foram pré-tratadas
termicamente
a 40°Cpor
f5
minutos.
No
melhor
tratamento,
asemergências
ocorreram
a
partir de 65 dias e a última aos 144 dias,enquanto
que, para o se-gundo
tratamento
menos
eficiente(50°C
por90
minutos?, as emer-gências
ocorreram
entre 83 e 149 dias..
Os-dados
da
avaliaç8adas
caracteristiças de vigor, realizadaatravés
do
comprimento médio do caulículo, pesos totaisumido
e se-co
das
'plâhtulas
r-íiitk$asc6nsideradas
normais,sã6
mostrados
na
TABELA 2 - Efeito de pré-tratamentos térmicos sobre as características de vi- gor de plãiatultas de sementes de guaraná
Características de Vigor
Pré-tratamentos Tempo de - --
Comprimento Peso total úmi- Pesa total seco térmicos expoçição rnkdio do cau- do das plântu- das plãntulas
liculo ( c m ) Ias inteiras Igl inteiras (g]
40°C 40°C 4 0°C 50°C 40°C 50°C Controle 40°C 50°C 40°C 50°C 50°C 50°C 90 minutos 60 " 120 '" 60 30 90
"
O"
45 >r 30 15 15*
45 " 120 " DMS 3,2612 522 1.4489Médias seguidas de letras iguais não diferiram significativamente entre si, segw-
do o teste de Tukey, ao nivel de 5% de probabilidade.
Ao
serem comparados oscomprimentos
doscaulículos
das plãn-tulas,
observou-se queo
pre-tratamento
térmicodas
sementes a 40°Cpor 90 minutos
apresentou
a maior média18,9333
cm], porém só dife-rindo significativamente
de
50°C
por 120 minutos, que foi estatistica-mente inferior a todos os
tratamentos.
Os dados
de
peso úmidodas
plântulasmostraram
que40°C
por90 minutos foi o melhor
pré-tratamento
térmico,com
total de6,0833g,
mas só diferindo significativamente dos pré-tratamentos t6rmicos a
50°C,
por 90 e 120 minutos, esses porsua
vez
só diferiram, também,Os resultados
do
peso seco das plântulas mostraram que os pré- tratamentos térmicos a 40°C por30
minutos [l,7633g] e a 40°C por 90minutos [1,7533g] foram os que apresentaram os
maiores
totais, massó diferindo estatisticamente dos pré-tratamentos
a
50°C,
por
90
e120 minutas.
A Tabela 3 mostra que o peso úmido mediu das plântulas, con-
sideradas de desenvolvimento normal, variou
de
0,3650
g(40°C
por60
minutos)
a0,1769
g(50°C
por 90 minutos). Por outro lado, ope-
so seco apresentou uma variação de O , l O Ô 3 g
(40°C
por
60 minutos]a 0,0700 g [Controle]. A perda de peso
médio
das plântulas,após
a
secagem,
também, é mostrada na Tabela 3, na qual observa-se queela
varioud e
72.4%
(40°C por 45 minutos) a 56.5%[50°C
por
90
mi-
nutos].
TABELA 3
-
Peso de plântulas inteiras de guaraná provenientes de sementes pré-tratadas termicamentePeso médio das plântulas Perda de Peso
ré-tratamentos
Tempo de ,,,,,is[SI
dio das p!intuIasZ$rmicos exposição normais após a se- úmido Seco cagem I "10
E
40°C 40°C 40°C 40°C 40% 40°C 50°C 50°C 50°C 50°C 50°C 50°C Controle 15 minutos 30"
45 " 60 " 90"
120"
15"
30"
45"
60"
90 " 120 a* O "Os coeficientes
de
variação para percentagemde
emergência,velocidade de emergência, comprimento
do
caulículo, pesos úmidoe
seco
das plãntulasforam
21,50%,
34,72%,
13,25*/0,
42,10%e
No presente trabalho procurou-se selecionar, através
de
pré-tra-tamentos térmicos, um
método
que aplicado às sementes de guara- ná permitisse uma emergência mais rapida e uniforme.O alto grau de significância
mostrado
atravésda
analise da va- riância,para
todos os parâmetros considerados, não significa que houve efeito dos diferentes pre-tratamentos aplicadospara
o
loteconsiderado,
pelo
fatodo
melhor tratamento não ter diferidodo
con-
trole.
Pelos resultados alcançados parece que o lote de sementes
em-
pregadas neste experimento não apresentava boa qualidade fisiológi-
ca.
Deve-se ressaltar queo
período
de
150 dias para conclusãodos
testes não deve ter sidoo
ideal,
e é provável quea
prolongaçãodo
periodo dos testes poderá proporcionar resultados mais satisf atorios,haja
vista que quando o teste prolonga-se por 180 dias ou mais,10-
tes
de
sementesde
guaraná chegama
apresentar maisde
80%
de
emergência.
Os pré-tratamentos térmicos
empregados
no lotede
sementes em estudo e o período de duração dos testes, provavelmente, não exerceram nenhuma influência napercentagem
mediade
emergên- cia, tendo em vista que ela não ultrapassou a 36% [Tabela 11. Cor- rêa [I9793 aoempregar
o pré-aquecimento, em tempos variáveisde
exposiqão, obteve, ao final de 180 dias, 58,14% de germinação quan-
do
tratou sementes sem arilódio a40°C
por seis horas e70,3g0/0
pa-ra sementes com arilódio mantidas a
40°C
por oito horas.Corrêa (1979) atribui que o ariIódio (arilo) tem certa influência
na germinacáo, principalmente, quando as sementes são expostas as temperaturas mais elevadas
e
por tempode
exposição maiores, uma vez que essa porção anatômicada
semente parece conferir pro- teção contra a desidratação, além de ser provavelmente uma fontede
reservade
umidade tendo em vistasua
estrutura aquosa. Carva- lho e t al.[I9791
concluíram que sementesde
guaraná, sem arilódio.não
suportam desidratacão e, devido a isso, elas perdem com extre- ma rapidez a viabilidade quando armazenadas a granel.Esse
dado,
zadas nesta pesquisa, quando submetidas
a
temperaturas elevadas e por tempo de exposição mais prolongados. perdem quase que to- talmentesua
capacidadede emergência.
A anotação diária,
a
partirdo
inicioda
emergência, mostra que a primeira plântula emergiu 56 dias após à semeadura.Esses
resul-tados não
concordam
com
aqueles observados por Corrêa e t a!. (19791,que ao empregarem pré-esfriamento, pré-embebição, pré-lavagem e
pré-aquecimento
em
sementes de guaraná, come
sem
arilódio, aemergência somente teve
inicio
a partirde
90 dias após o plantio.O
cálcullodo
índicede
velocidadede
emergência utilizado édiscuti-
vel quantoa
sua precisão. Por isso,foi
feita acorreção,
pois sóassim seria possível estimar-se esse Índice com certa precisão. 0 s
resultados mostrados na
Tabela
I acusaram algumas modificaçõesquando se compararam os índices com e
sem
correção.
O comprimento médio do caulículo (Tabela 23 não foi capaz
de
indicar as mesmas diferenças estatísticas observadas para percenta- gem media de germinação e índice médio de velocidade de ernergên-cia
em
todos os tratamentos [Tabela 13, o que permite supornão
seresse parâmetro eficiente para estabelecer diferencas de vigor entre
sementes de guarana de um mesmo lote, quando pre-tratadas
terrni-
camente.
Essa
hjp6tese
pode
ser reforçada
ao secompararem
os resultados observados, para esses parâmetros,quando
as
sementes foramsubmetidas
5 temperaturade
50°C
por
90
minutos. Nessecaso,
a
emergência media diferiu significativamente do melhortra-
tamento. Quanto ao comprimento médio
do caulículo,
não
foiobser-
vado esse mesmo tipo
de
diferença.Ao comparar-se o peço médio úmido
das
plântulas inteirasob-
servou-se
que
somente os pr6-tratamentos a 50°C,por
90e
120 mi-nutos, foram significativamente inferiores ao pré-tratamento que apre- sentou a maior média [Tabela
2).
Esses resultados comprovaram que as plântulas provenientes de sementes pré-tratadas a50°C
por
90 minutos
apresentaram
apenas um bom desenvolvimento emcom-
primento às custas de um menor ganho
de
peso úmido, não sendo,portanto. o comprimento médio do
caulículo
um teste que indiquedi-
ferenças reaisentre
os pr6-tratamentos empregados.Os
dados de peso seco médio da ptântula inteira mostram um comportamento semelhante àqueleobservado
para peso úmidome-
dio [Tabela 21.
Ao comparar-se o peso médio fimido e peso
médio
secoda
plânteela inteira [Tabela 21,observa-se
quea
exposiçãodas
sementesà temperatura
de
50°C,
por periodos deexposição
de
45,
60, 90
e 120 minutos, muito embora, para os três primeiroscasos,
tenha
con-
ferido um bom desenvolvimento
da
plântula em comprimento, afetou sobremaneira o ganho de peso úmido, refletinao no peso seco, nota- damente no período de exposicãopor
90
minutos, quando a diferen- ça entre esses dois parâmetros foi de 41,4%.Os coeficientes de variaqão de percentagem média
de
emergên-
cia,
indice
médiode
velocidade de emergência, pesosmédios
úmidoe seco da pIântula inteira
(Tabelas
1 e 23, embora relativamenteal-
tos, devem ser considerados como aceitáveis, uma vez que os lotes de sementes
de
guaraná são bastante heterogêneos, pois provêm de diferentes matrizes. Segundo Maia[1972),
o guaranáapresenta
umavariação
genética
muito grande, havendo desuniformidade na matu-ração
dos frutos, entre plantasde
um mesmo guaranazal, entre ca- chos de uma mesma planta e, ate mesmo,entre
frutosde
um
mesmocacho.
CONCLUSÁO
O presente trabalho permitiu concluir que:
a) os pré-tratamentos térmicos empregados nos djferentes pe-
ríodos
de
exposiçãonão
foram capazes de acelerar e uniformizar aemergência dessas sementes;
bl a
melhor percentagem
d e
emergênciafoi
nopré-tratamento
térmico
a 40°C por 90 minutos;c] os tratamentos t6rmicos a
5O0C,
por 90e
120 minutos, cau-saram, respectivamente, a morte parcial e total
das
sementes;
d]
o
períodod e
duraqão
do
tested e emergência
deve ser
pro- longado por maisde
'150
dias, para os lotes debaixa
qualidadefisio-
AGRADECIMENTOS
0 s
autores agradecem a colaboração dossenhores
Paulo César Modestode
Barros e Sebastião Urubatan AmaralMuniz, empregados
do
Centro
de
PesquisaAgropecuária
do
Tr6pico
Úmido,
e
dos
Engos.Agros. Ana Lúcia
Carvalho
Guedes eOswaldo
Ryohei Kato,respecti-
vamente,
pesquisadores
da
UEPAEJManaus
eUEPAEJAltamira.
FRAZÃO, D.A.C.; FIGUEIREDO, F.J.C.; CARVALHO,
J.E.U.
de; POPIN!GIS, F. & OLIVEIRA, R.P. de. Emergência e vigor de sementes de guaraná submetidas a pr&
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ABSTRACT: "Guaraná" seeds [PaulFinia cupana var. sorbilis (Mart.1
Ducke were pretreated termicaily at 40°C and 50°C during 15, 30, 45, 60, 90 and 120 minutes, in an attempt to determine the ernergsncy percentage as were as t o accelerate and standardire the seedlings
production, The seeds were sown on 2 crn depth in a substratum of
tanned sandust treated with methyl brornide. The data of emergency
percentage, average lenght of the primary stem, dry and humid
weight of the plant embryos were taken -150 days after planting. The best treatment was the 40°C at 90 minutes of exposjtion but it was
not able of accelerating and making uniform the germinative process.
The pretreatment of the seeds at 50°C during 90 and 120 minutes
caused the death of the almost all the embryos.
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