TítuloO Viveiro educador como espaço para a educaçâo ambiental
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(2) Gustavo Nogueira Lemos. e. Renata Rozando Maranhão. A política nacional de educação ambiental brasileira. A Política Nacional do Meio Ambiente, instituída pela Lei 6.938, de 31 de agosto de 1981, pode ser considerada como o marco da preocupação ambiental brasileira, pois foi a primeira lei a tratar do tema, de forma extremamente avançada para a. ser permanente e continuada, devendo. época em que foi editada (CAÇAIS, 2007).. estar presente, de forma articulada, em to-. Essa lei apresenta a necessidade de se. dos os níveis e modalidades do processo. promover a “educação ambiental a todos. educativo, dentro e fora da escola.. os níveis de ensino, inclusive a educação da comunidade, objetivando capacitá-la. Atribui não só ao poder público mas às. para participação ativa na defesa do meio. instituições educativas, órgãos integrantes. ambiente”.. do Sistema Nacional de Meio Ambiente – SISNAMA, aos meios de comunicação de. Em seguida, a Constituição Federal Brasi-. massa, às empresas, entidades de classe,. leira de 1988, em seu artigo 225, destinou. instituições públicas e privadas e à socie-. ao poder público o papel de “promover a. dade como um todo o compromisso em. educação ambiental em todos os níveis de. atuar com ações educativas relacionadas. ensino e a conscientização pública para a. às questões socioambientais.. preservação do meio ambiente”. A lei instituiu também um Órgão Gestor Nesse contexto, em 1999, foi instituída a. composto pelo o Ministério do Meio Am-. Política Nacional de Educação Ambien-. biente e o Ministério da Educação, com o. tal brasileira – PNEA, por meio da Lei nº. papel de coordenar a PNEA em uma atua-. 9.795, a qual foi regulamentada em 2002,. ção conjunta, e com o desafio de contribuir. pelo Decreto nº 4.281.. para a formação de cidadãos conscientes, participativos e engajados na construção. A PNEA representou grandes avanços le-. de sociedades sustentáveis em suas múl-. gais para o campo da Educação Ambien-. tiplas dimensões.. tal trazendo em seu bojo princípios que definem que a educação ambiental deve. 174. ambientalMENTEsustentable, 2008, (II), 6.
(3) O Viveiro Educador como espaço para a Educação Ambiental. Contextualizando.... Apesar de identificarmos as conseqüências danosas advindas do atual modelo de produção e consumo, e a questão am-. A magnitude e diversidade inerentes à. biental estar cada vez mais em evidência. problemática socioambiental dos tempos. na mídia e na pauta política globalizada,. atuais tem tornado o seu enfrentamento. ainda caminhamos no sentido da degra-. um desafio complexo, cercado por aspec-. dação, orientados pela necessidade de. tos dificultadores, ligados a segmentos. fortalecer a economia das nações e seg-. responsáveis por prover grande parte das. mentos hegemônicos.. necessidades criadas pela sociedade moderna.. Essa realidade tem acentuado de forma marcante as desigualdades sociais em. Os impactos ambientais causados por. todo o mundo e promovido conflitos de di-. atividades como agricultura e pecuária. versas naturezas, ampliando cada vez mais. extensivas, exploração madeireira, mi-. o processo de exclusão social e enraizan-. neração, siderurgia, indústria petrolífera,. do no imaginário popular um sentimento. automobilística, de celulose, especulação. de impotência em relação à possibilidade. imobiliária e tantas outras atividades, já. de transformação de tal realidade.. não podem mais ser tratadas como exageros, argumentos infundados de ambien-. Nesse sentido, é essencial desconstruir. talistas radicais. Elas têm uma dimensão. certos paradigmas e verdades dadas. alarmante, e estão aí expostas promoven-. como absolutas, que consolidam e legiti-. do cada vez mais degradação e redução. mam tais valores, buscando construir rela-. da qualidade de vida, comprometendo. ções sociais de outra natureza, que apre-. recursos que são patrimônio da coletivida-. sentem formas alternativas e mais justas. de, direito assegurado dessa e das próxi-. de se relacionar com a economia e o meio. mas gerações.. ambiente, com a produção e o consumo, com o individual e o coletivo, pautados. É preciso rever a forma como nos relacio-. pela sustentabilidade, pela solidariedade e. namos com tais segmentos, e os produ-. pela valorização das culturas locais.. tos e serviços por eles gerados. Cada um deles atende a demandas provenientes. Trilhar o caminho reverso requer a constru-. do padrão de comportamento atual, de-. ção de novas vias para a educação. Uma. mandas estas que em muitos casos são. educação que desperte o espírito crítico e. impostas, fundamentadas por interesses. reflexivo, a participação e responsabilida-. alheios ao bem estar social.. de socioambiental e o desejo de transformação.. ambientalMENTEsustentable, 2008, (II), 6. 175.
(4) Gustavo Nogueira Lemos. e. Renata Rozando Maranhão. Muito mais do que uma educação que. assim como, a rever valores, métodos e. transmita conhecimentos sobre ecologia e. objetivos. O que transforma uma estrutura. a dinâmica dos ambientes naturais, busca-. simples, utilizada cotidianamente de forma. se promover processos de formação que. desapercebida, em uma estrutura cheia de. despertem nas pessoas o espírito crítico e. significados e aprendizados, a qualidade. questionador, assim como o interesse em. das relações que se mantém com ela e. se organizar para interagir coletivamen-. dentro dela.. te com as questões que interferem a sua qualidade de vida. Nesse contexto, a escola é certamente a. De que educação ambiental estamos falando?. estrutura educadora mais importante em nossa sociedade, que assume um papel fundamental nesse processo. Mas cabe. Para revertermos o panorama socioam-. destacar que nem todos estão nas escolas. biental em que vivemos, precisamos de. e que diversos outros fatores contribuem. uma intervenção conjunta entre os diver-. na formação do indivíduo. Nessa perspec-. sos atores da sociedade visando enfrentar. tiva, para que os processos de educação. essa realidade, em que as injustiças socio-. ambiental possam ser permanentes e con-. ambientais estão cada vez mais acirradas.. tinuados, temos que atuar nos espaços e. Nesse contexto, conforme apresentado. estruturas existentes em nossa sociedade. por Sorrentino et al. (2005), a educação. com potencial para a formação de educa-. ambiental deve atuar frente à superação. doras e educadores ambientais capazes. das injustiças ambientais, da desigual-. de irradiar pró-atividade e comprometi-. dade social, da apropriação capitalista e. mento, e com isso, contagiar cada vez. funcionalista da natureza e da própria hu-. mais pessoas dispostas a contribuir.. manidade.. Um bom exemplo de estrutura que pos-. Com base nesses aspectos é que deve-. sibilita o aprendizado vivenciado, dialógi-. mos respaldar a nossa reflexão sobre que. co e questionador acerca das temáticas. tipo de educação ambiental queremos. socioambientais é o Viveiro Educador. O. trabalhar. Atualmente, no Brasil e no mun-. processo de aprendizagem desencadea-. do, existem diversas ações de educação. do pela utilização intencional de um vivei-. ambiental sendo desenvolvidas, de dife-. ro florestal pode proporcionar a reflexão. renciadas formas, com diferenciados pú-. crítica sobre os diferentes aspectos que o. blicos e procedimentos. São muitos os. cercam, estimulando as pessoas a realiza-. avanços obtidos, mas ainda não conse-. rem ações em prol do bem estar coletivo,. guimos atingir as transformações almeja-. 176. ambientalMENTEsustentable, 2008, (II), 6.
(5) O Viveiro Educador como espaço para a Educação Ambiental. das. Encontramos uma expressiva parte. nossa necessidade de mudança e o que. das ações calcadas em um senso comum. de fato nos move.. de que a educação ambiental é restrita a seminários e palestras sobre temáticas. Nesse sentido, após identificarmos onde. ambientais; ou que a educação ambiental. queremos chegar, diversas são as possibi-. deve ser feita com crianças e no espaço. lidades de atuação do educador ambiental,. escolar; ou então com coleta seletiva e re-. e cabe a cada grupo criar e desenvolver a. ciclagem de lixo.. sua forma, de acordo com a sua experiência e trajetória e as especificidades, poten-. Todas essas ações têm a sua contribuição. cialidades e demandas locais.. e a sua importância, mas será que dessa forma conseguiremos efetivamente atingir. O Departamento de Educação Ambiental. os objetivos de fundo que movem os edu-. do Ministério de Meio Ambiente do Brasil,. cadores ambientais? Se todos deixassem. entre os anos de 2004 e 2008, apresentou. de jogar lixo no chão, se todo o nosso lixo. enquanto política pública o Programa Na-. fosse separado e reciclado e se todas as. cional de Formação de Educadores Am-. crianças aprendessem sobre meio am-. bientais – ProFEA, o qual define a forma-. biente teríamos um mundo mais justo e. ção de educadores ambientais por meio. um ambiente mais saudável? Saber mais. de 4 processos educadores: educomuni-. sobre meio ambiente é o suficiente para. cação, estímulo à participação em foros e. uma mudança de ação e reflexão do in-. colegiados, formação de educadores am-. divíduo e do coletivo? Será que cabe às. bientais e estruturas educadoras.. crianças reverter esse quadro ou é uma responsabilidade de todos e necessidade. Nesse artigo vamos nos ater à reflexão. da mudança do modelo econômico e de. sobre Estruturas Educadoras, utilizando. desenvolvimento em que vivemos?. como exemplo o Viveiro Florestal enquanto espaço educador, aqui denominado Vi-. Esses questionamentos apresentados são. veiro Educador.. algumas das inúmeras perguntas que devem respaldar e orientar uma ação educativa e ser objeto de reflexão contínua. Antes de definirmos de que forma iremos atuar, com que público e com quais objetivos, devemos refletir sobre qual é nossa visão de futuro e de mundo, quais são as causas dos nossos problemas, quais são as relações sociais existentes, qual é a. ambientalMENTEsustentable, 2008, (II), 6. 177.
(6) Gustavo Nogueira Lemos. e. Renata Rozando Maranhão. Viveiros educadores: espaços para reflexões e intervenções de educação ambiental. degradadas entre outras possibilidades. São espaços onde a produção de mudas é tratada como porta de entrada para questionamentos mais profundos sobre as raízes dos problemas socioambientais vividos, assim como para as possibilidades. Podemos caracterizar um viveiro florestal como um espaço estruturado destinado à produção, proteção e manejo de mudas de espécies vegetais até que tenham idade e tamanho suficientes para resistirem às condições adversas do meio e terem um crescimento satisfatório quando plantadas em definitivo (PAIVA, 2000). O que diferencia um viveiro educador de um viveiro florestal convencional é a intenção de utilizá-lo como espaço de aprendizagem, orientado por elementos e procedimentos pedagógicos destinados a formação das pessoas que com ele interagem. Nessa perspectiva, Viveiros Educadores são estruturas desenvolvidas para a produção de mudas onde, além de produzilas, desenvolvem-se de forma intencional, processos que buscam ampliar as possibilidades de construção de conhecimento, exercitando em seus procedimentos e práticas, reflexões que tragam em seu bojo, o olhar crítico sobre questões fundamentais para a Educação Ambiental como: ética, solidariedade, responsabilidade socioambiental, segurança alimentar, inclusão social, recuperação de áreas. 178. de enfrentamento. Nesse contexto, as diferentes possibilidades de atuação individual e coletiva frente a esses problemas, passam a ser o foco das atividades desenvolvidas, e o processo de produção de mudas ganha outro significado, mais amplo e profundo, buscando refletir sobre a forma como o ser humano tem se relacionado com o ambiente, a partir do olhar sobre as causas e efeitos da diminuição da vegetação nativa, estabelecendo, dessa forma, conexões entre as relações culturais, econômicas, políticas e sociais envolvidas no processo de degradação ambiental. A produção de mudas e o plantio de árvores são temas geradores bastante eficientes. Por meio deles é possível estimular o alcance da compreensão sistêmica que a questão socioambiental exige. As ações propostas pelos grupos envolvidos com a condução do viveiro educador devem desencadear o surgimento de projetos que tenham poder de influência e transformação da comunidade em que está inserido, exercitando a postura ativa e cidadã dos envolvidos, tendo como objetivo contribuir para a viabilização das trans-. ambientalMENTEsustentable, 2008, (II), 6.
(7) O Viveiro Educador como espaço para a Educação Ambiental. formações socioambientais necessárias. O conceito de projeto político pedagógi-. ao resgate da cultura do plantar, da quali-. co há tempos é associado e debatido em. dade de vida e do bem estar humano.. processos de educação formal. Todavia, o seu significado ainda é desconhecido ou. Para tanto, é necessário que as pessoas,. muito pouco utilizado por grande parte. grupos e instituições que estejam a frente. das pessoas e dos grupos que atuam no. das atividades, busquem se estruturar, e. campo “não formal” da educação.. caminhar na direção da construção de um projeto político pedagógico que oriente a. Um Projeto Político-Pedagógico (PPP). condução de todo o processo.. consiste na elaboração de uma proposta educacional para determinado espaço,. É nesse movimento de construção coleti-. grupo ou processo, apresentando desde. va, em que as diversas possibilidades de. seus referenciais conceituais, filosóficos e. abordagem e aprendizagem são explora-. políticos até a forma como será operacio-. das e organizadas com o intuito de des-. nalizado. Para que ele tenha a sua eficá-. pertar o espírito crítico, que o viveiro passa. cia, ele não pode se restringir a um docu-. a ter sua dimensão educadora exercitada.. mento que reúne os elementos relativos ao processo educacional deflagrado em um viveiro, mas também como um processo. Mas afinal, o que é o projeto político pedagógico?. de gestão contínua e democrática, que deve envolver todos os indivíduos, grupos e instituições com os quais o viveiro dialoga e se relaciona (BRASIL, 2005). É um. “Todo projeto supõe ruptura com o presente e promessas para o futuro. Projetar significa tentar quebrar um estado confortável para arriscar-se, atravessar um período de instabilidade e buscar uma estabilidade em função de promessa que cada projeto contém de estado melhor do que o presente. Um projeto educativo pode ser tomado como promessa frente determinadas rupturas. As promessas tornam visíveis os campos de ação. documento que deve explicitar o sonho de futuro de um determinado grupo e apresentar estratégias para caminhar rumo aos objetivos construídos. Buscando orientar a construção do PPP e facilitar a sua compreensão, conforme orienta o Programa Nacional de Formação de Educadores Ambientais – ProFEA, é importante organizá-lo em três marcos estruturantes:. possível, comprometendo seus atores e autores” (Gadotti, 1994). ambientalMENTEsustentable, 2008, (II), 6. 179.
(8) Gustavo Nogueira Lemos. e. Renata Rozando Maranhão. O marco conceitual. O marco operacional. Nele devem estar expressos os princípios,. É onde será apresentado o planejamento. os valores, a ética, o sonho de futuro e a. das estratégias e ações que serão desen-. concepção de sociedade partilhados pelo. volvidas no âmbito do viveiro, enunciando. grupo. É importante enunciar os referen-. de forma clara e objetiva as metas propos-. ciais teóricos e conceituais que irão orien-. tas e as metodologias que serão utilizadas. tar as ações do viveiro, a compreensão de. para o seu alcance. É necessário definir. educação ambiental do grupo, as bases. um cronograma de atividades alinhado. metodológicas que serão desenvolvidas,. com as metas definidas, destacando a. assim como, os objetivos, papéis e missão. composição e as funções das equipes. do viveiro educador.. envolvidas, assim como, as bases e normas de organização e funcionamento do. O marco situacional. viveiro.. Refere-se ao conhecimento e sistematiza-. É essencial explicitar as estratégias de. ção das informações sobre a realidade em. monitoramento e avaliação que serão uti-. que o viveiro está inserido. Nesse sentido,. lizadas, e ainda, definir o planejamento or-. observa-se a necessidade da realização. çamentário, identificando os recursos de-. de um diagnóstico amplo, atento aos di-. mandados e os disponíveis, assim como,. versos aspectos relacionados ao território. meios para captar o que for necessário. de abrangência.. inicialmente e um planejamento estratégico que promova a sustentabilidade do. Informações como o histórico de ocupa-. viveiro.. ção, aspectos físicos da região e as características da população devem estar. Alguns questionamentos podem estimular. expressos, destacando seus anseios,. e orientar a elaboração da proposta peda-. demandas e prioridades e desvelando. gógica. Entre eles destacam-se:. os conflitos, contradições e entraves ao processo. É necessário ainda, mapear as ações de educação ambiental desenvolvidas, assim como, os potenciais parceiros, grupos e instituições que atuam na região. É com base nessas informações que as ações serão planejadas.. • Quais são os princípios e diretrizes que irão guiar a condução do viveiro? • Qual é a visão de futuro e de mundo do grupo? • Quais são os referenciais teóricos e práticos que orientam este processo? • Onde se pretende chegar com a implantação do Viveiro Educador no. 180. ambientalMENTEsustentable, 2008, (II), 6.
(9) O Viveiro Educador como espaço para a Educação Ambiental. contexto em que está inserido? • Quais são os objetivos a serem atingi-. calidade e complexidade envolvida nesse processo.. dos? • Com quais grupos sociais iremos trabalhar?. Uma abordagem parcial e reducionista pode desencadear o efeito contrário ao. • Qual será o território de abrangência?. esperado e proporcionar uma educação. • Existem experiências exitosas e poten-. ambiental superficial, sem o espírito crítico. ciais parceiros no território de abran-. e transformador.. gência do viveiro? • De que forma iremos trabalhar para. Implantar viveiros educadores sem rea-. atingirmos efetivamente os objetivos. lizar uma análise conjuntural e política,. do viveiro?. assim como, um diagnóstico prévio, feito. • Quais são os que temas devem ser. de forma participativa junto à comunida-. abordados nas reflexões do grupo?. de envolvida, pode ocasionar a criação de. • Como estabelecer as conexões neces-. estruturas subutilizadas, e, numa perspec-. sárias entre os temas propostos?. tiva mais ampla, transformar o viveiro em. • Quais são os recursos financeiros e. um “mito” de estrutura não funcional. É. materiais disponíveis para a execução. imprescindível que a pertinência do viveiro. da proposta?. no contexto local seja uma demanda le-. • Com quais pessoas pretende-se conduzir as atividades demandadas? • Quais são as estratégias para monito-. gitimada pela comunidade, uma proposta embasada nas demandas locais, e não, uma ação isolada e impositiva.. rar e avaliar o processo? • Que indicadores podem ser utilizados?. Cabe destacar que o Projeto Político Pedagógico deve ser aberto e flexível para. As respostas a estas questões devem for-. permitir que as experiências vivenciadas. necer os subsídios necessários para que o. sejam objeto de reflexão e sejam incorpo-. grupo avalie a pertinência da proposta, e. radas, de forma dialógica, à proposta em. reflita sobre as razões pelas quais se en-. construção.. volveram no processo, assim como, definir qual é a via mais eficaz para atingirem os. Nesse sentido, o monitoramento e a ava-. objetivos almejados.. liação das ações desenvolvidas devem ser realizados de forma regular, para que. As reflexões e ações desencadeadas a. o processo seja aprimorado permanente-. partir das atividades desenvolvidas no vi-. mente.. veiro devem buscar estabelecer as conexões necessárias à compreensão da radi-. ambientalMENTEsustentable, 2008, (II), 6. 181.
(10) Gustavo Nogueira Lemos. e. Renata Rozando Maranhão. Possibilidades de atuação do viveiro educador. Esse processo deve ser continuado, e desencadear na comunidade estudantil, uma relação de identidade com o espaço com o qual convive, interage e aprende cotidia-. A complexidade e o caráter sistêmico das. namente, estimulando em suas atividades. questões envolvidas com o viveiro torna. o respeito e o cuidado com o ambiente e. essencial o uso de abordagens interdiscipli-. as pessoas que a cercam.. nares no processo pedagógico desenvolvido. Desse modo, recomenda-se a adoção. Nesse sentido, o viveiro educador deve. das diversas linhas de atuação, abordando. possibilitar o desenvolvimento de ativi-. questões sociais, ambientais, econômicas,. dades relacionadas a todas as disciplinas. políticas, culturais e humanas. Apresenta-. oferecidas no currículo escolar, de forma. mos a seguir algumas possibilidades de. que as questões socioambientais sejam. atuação do viveiro educador.. trabalhadas transversalmente.. O Viveiro e a Escola. Ao trabalhar a educação ambiental com. Buscando ampliar as possibilidades educadoras do ambiente escolar, podemos utilizar como espaço educacional não somente a sala de aula, mas também outras estruturas como um viveiro, uma horta, um jardim de ervas medicinais, um bosque de espécies nativas ou uma biblioteca, onde os alunos possam refletir sobre novas possibilidades de atuação coletiva, bem como, em formas positivas de expressar suas potencialidades individuais. A utilização do viveiro como espaço de aprendizagem deve proporcionar a convivência em um ambiente fértil para o desenvolvimento de atividades que trabalhem de forma ampla e transversal aspectos sociais, ambientais, culturais e políticos.. crianças, adolescentes e adultos nos espaços escolares, os conhecimentos ali gerados precisam ser internalizados no diálogo e interação entre a escola, a família e a comunidade. Estimular e instrumentalizar os professores para utilizar o viveiro como espaço educador integrado ao Projeto Político Pedagógico escolar é um dos grandes desafios desse processo. Os viveiros educadores inseridos na escola devem oportunizar intencionalmente a realização de atividades em prol de uma educação ambiental crítica, transformadora e emancipatória, abordando a temática socioambiental como estímulo a reflexões mais profundas. Esse processo deve proporcionar aos alunos a possibilidade de construir coletivamente a sua concepção de desenvolvimento, pautada na necessidade de valorizar cada vez. 182. ambientalMENTEsustentable, 2008, (II), 6.
(11) O Viveiro Educador como espaço para a Educação Ambiental. mais as vertentes ambiental, social e hu-. estações do ano, e garantir a autonomia. mana na busca por uma sociedade, mais. alimentar das famílias.. justa e sustentável. Viveiros públicos, comerciais, comunitá-. Segurança Alimentar. rios ou mesmo privados podem, em uma perspectiva educadora, contribuir para a. Pensar sobre segurança alimentar é refletir. constituição de pomares comunitários ou. sobre a qualidade do processo de produ-. mesmo individuais, estimulando a produ-. ção de alimentos, do campo à mesa. Isto. ção de mudas frutíferas, e o seu posterior. pressupõe a adoção de sistemas produ-. plantio.. tivos ambientalmente adequados, socialmente justos, que valorizem o trabalho das. Esse processo, poderá desencadear diver-. pessoas envolvidas em todas as etapas da. sas reflexões e abordar em suas atividades. produção do alimento e sejam economica-. questões como o resgate e a aproximação. mente viáveis, proporcionando uma distri-. do ato de plantar, a responsabilidade so-. buição equânime e saudável para toda a. cioambiental, a postura crítica e atuante. população.. diante da realidade apresentada, entre outros.. Em geral, a produção de frutas é concentrada em grandes pólos e regiões, havendo. Os viveiros e a comunidade envolvida po-. a necessidade de grandes deslocamentos. dem se organizar, realizar feiras e ginca-. para a sua distribuição e comercialização,. nas, trocar sementes e mudas, e aproxi-. o que representa custos extras e, em mui-. mar-se uns aos outros. Nesse processo,. tos casos, o comprometimento da quali-. com o passar do tempo, todos terão aces-. dade do alimento.. so a uma grande diversidade de espécies frutíferas. Esses frutos, oferta extra de ali-. Uma forma de enfrentar essa problemáti-. mentos, podem representar uma grande. ca, é estimular e fortalecer a produção lo-. fonte de renda, desde que, adequadamen-. cal de alimentos, valorizando as espécies. te processados em geléias, sorvetes, do-. nativas, a cultura alimentar de cada região. ces, compotas entre outras possibilidades. e a comercialização local e solidária do. e, em seguida, comercializados de forma. que for produzido.. solidária.. Nesse sentido, uma alternativa viável é a. Nesse processo ganha-se na qualidade. formação de pomares de qualidade, com. da alimentação, na diminuição dos gastos. uma grande diversidade de espécies, ca-. com produtos industrializados e principal-. pazes de fornecer frutas durante todas as. mente na promoção de saúde.. ambientalMENTEsustentable, 2008, (II), 6. 183.
(12) Gustavo Nogueira Lemos. e. Renata Rozando Maranhão. A iniciativa dos viveiros educadores não. o protagonismo cotidiano em ações que. pretende superar a questão da segurança. busquem reverter o atual quadro de degra-. alimentar, que envolve uma complexa pro-. dação socioambiental em que vivemos.. blemática, mas ser uma ação que contribua complementarmente para a conquista. Ações como a coleta de sementes, a pro-. da emancipação alimentar.. dução de uma muda ou o plantio de uma árvore, estimulados por processos educa-. Inclusão Social. dores coletivos desenvolvidos no viveiro, podem trazer aos participantes o senti-. Como enfrentar as questões adversas e. mento de pertencimento, repercutindo. unilaterais da economia que levam à ex-. positivamente em ações pró-ativas. É vital. clusão social e vedam à população menos. que as ações desenvolvidas tragam em. favorecida o acesso ao mercado de traba-. seu bojo a coletividade e o pensamento. lho, à moradia, aos serviços coletivos de. sistêmico, orientando a caminhada rumo. saúde, educação, lazer e a um ambiente. a construção de sociedades sustentáveis,. equilibrado? Atuar em processos forma-. nas quais o direito a ter direitos seja reco-. tivos que contribuam com a transforma-. nhecido em toda sua plenitude.. ção dessa realidade, constitui-se em um desafio prioritário. Buscar conhecimentos. As práticas desenvolvidas no viveiro tam-. e práticas construtivas, calcadas na com-. bém devem estimular a atuação do grupo. paixão, na ética, no compromisso com o. envolvido em conselhos, fóruns, grupos. bem-estar coletivo e na justiça social, é a. de trabalho, associações, cooperativas,. chave para a superação dos fatores que. enfim, em todas as formas de organização. acarretam a exclusão social.. social com potencial de mobilizar e motivar a população a ter acesso aos espaços. A participação em ações desenvolvidas. políticos de seu território.. no viveiro educador podem oportunizar a profissionalização, a geração de renda e o. Dessa maneira, as ações e aprendizados. acesso a empregos e postos de trabalho,. desencadeados pelo convívio em um vi-. mas deve, acima de tudo, enfrentar as di-. veiro educador podem contribuir conside-. mensões centrais que propiciam a exclu-. ravelmente em um processo de inclusão. são social.. social.. A oportunidade de conviver e interagir em um processo pedagógico de inclusão social, por meio de um viveiro educador, pode estimular os participantes a vivenciarem. 184. ambientalMENTEsustentable, 2008, (II), 6.
(13) O Viveiro Educador como espaço para a Educação Ambiental. Profissionalização e Geração de Emprego e Renda. no intercâmbio de experiências exitosas e na construção compartilhada de novos referenciais.. Alinhar a condução das atividades do viveiro educador às políticas públicas de. Inúmeras técnicas e habilidades podem. desenvolvimento social, em especial, as. ser desenvolvidas e fortalecidas a partir da. de geração de trabalho e renda, pode pro-. atuação em um viveiro educador, desde. porcionar resultados extremamente posi-. que conduzidas de forma intencional, com. tivos nos processos de profissionalização. a contribuição de parcerias qualificadas e. desencadeados.. direcionadas à formação profissional e geração de novas alternativas de mercado.. Podemos destacar três eixos estratégicos. Coleta de sementes, produção de mudas. na busca pela profissionalização e a ge-. nativas, ornamentais e medicinais, recu-. ração de emprego e renda: a capacitação. peração de áreas degradadas, técnicas de. profissional pautada em aspectos peda-. enxertia e estaquia, fruticultura, implanta-. gógicos emancipatórios, o acesso ao cré-. ção de sistemas agroflorestais, arboriza-. dito popular ou microcrédito e a geração. ção urbana, paisagismo, jardinagem, arte-. de alternativas de mercado.. sanato, entre outras possibilidades devem ser buscadas e desenvolvidas.. Um viveiro conduzido como espaço de convívio solidário e voltado para a práti-. O “ecomercado” é uma frente ainda em. ca de valores humanos deve proporcionar. formação e desenvolvimento na econo-. aos envolvidos a oportunidade de cons-. mia atual. Essa perspectiva de relação. truir sua profissionalização sobre sua pró-. econômica cresce a cada dia, e diante do. pria base vocacional de dons e habilida-. acelerado ritmo das mudanças climáticas. des naturais.. globais, não será mais uma frente marginal de atuação, e sim, um padrão de compor-. Deve-se buscar a construção de um perfil. tamento consciente, estimulado e popula-. profissional caracterizado pela busca por. rizado em todo o mundo.. relações econômicas e comerciais mais justas.. Essa atuação demanda pessoas com formação integral e sistêmica, capazes de ler. O momento requer um esforço de forma-. e interpretar a realidade de forma crítica,. ção de profissionais comprometidos com. com capacidade de trabalhar em grupo,. as transformações socioambientais, o que. partilhar responsabilidades e interferir em. implica no desenvolvimento e utilização de. seu meio de forma responsável, criativa e. metodologias e instrumentos adequados,. sustentável.. ambientalMENTEsustentable, 2008, (II), 6. 185.
(14) Gustavo Nogueira Lemos. e. Renata Rozando Maranhão. Arborização Urbana. para que a comunidade assuma uma postura consciente e atuante, na transforma-. Desencadear um processo de arborização. ção do ambiente em que vive.. de centros urbanos é, no atual contexto, uma necessidade ambiental, principal-. Viveiros conduzidos por associações de. mente nas grandes cidades, onde há, em. moradores, centros de educação ambien-. geral, uma cobertura vegetal insuficiente.. tal, escolas, prefeituras e outras institui-. Além da função paisagística, as árvores. ções, podem assumir um papel de prota-. plantadas amenizam uma série de fatores. gonismo nesse processo, adotando uma. negativos presentes no meio urbano.. rua, um bairro, ou mesmo, dependendo de sua dimensão, a cidade toda.. O processo de requalificação urbana passa pela arborização de seus espaços de con-. Para isso, é necessário estabelecer parce-. vívio social. Esse processo tem um enorme. rias que assegurem e legitimem esse pro-. potencial pedagógico e proporciona às co-. cesso, uma vez que o poder público muni-. munidades envolvidas a oportunidade de. cipal é o responsável pela arborização das. rever a forma como suas ruas, bairros, pra-. cidades. Nesse sentido, deve ser buscada. ças, parques e lares estão estruturados.. a articulação necessária para a anuência e participação de secretarias municipais. Diversas atividades educativas podem ser. de meio ambiente, departamentos de par-. desencadeadas a partir da arborização. ques e jardins, e outros órgãos envolvidos. urbana. O simples ato de plantar e cuidar. na concretização dessa iniciativa.. do que foi plantado, atrelado à processos educativos, desde que devidamente conduzidos, pode despertar sentimentos de solidariedade, ética, coletividade e responsabilidade socioambiental.. O viveiro como instrumento de organização social de Comunidades e Assentamentos Rurais. Nesse processo, a comunidade pode restabelecer laços a muito tempo perdidos. Trabalhar coletivamente em assentamen-. nos grandes centros, e aproximar-se da. tos e comunidades rurais é um grande. cultura do plantar.. desafio. A falta de organização social, a dificuldade em atuar em grupo e as ques-. Desse modo, os viveiros educadores po-. tões de gênero que desestimulam e com-. dem ter na arborização urbana uma impor-. prometem a participação feminina, são os. tante frente de atuação, proporcionando. principais entraves para o desenvolvimen-. através das práticas geradas, o estímulo. to de ações coletivas no campo.. 186. ambientalMENTEsustentable, 2008, (II), 6.
(15) O Viveiro Educador como espaço para a Educação Ambiental. Um viveiro educador pode ser um eficaz. como, a divisão das tarefas e a divisão da. instrumento de ação, capaz de promover. produção final devem ter regras bem defi-. o avanço da capacidade de organização. nidas, de forma que as pessoas se sintam. coletiva dentro de um assentamento, seja. esclarecidas e seguras em trabalhar em. por meio de pequenos viveiros implanta-. grupo.. dos individualmente em cada quintal ou pela organização coletiva em torno de um. É importante criar e valorizar espaços de. viveiro comunitário.. reunião que proporcionem a todos a oportunidade de se expressarem e contribui-. Um grupo pequeno de famílias pode con-. rem com o processo.. duzir e administrar coletivamente um viveiro comunitário, executando todas as tare-. Mutirões e outras formas de cooperação. fas que a atividade necessita, sem com. podem surgir a partir da aproximação ge-. isso, comprometer a execução das outras. rada pelo hábito de se reunir e discutir co-. atividades produtivas que cada família ne-. letivamente estratégias de enfrentamento. cessita.. dos problemas da comunidade.. Com sete famílias administrando coletiva-. O trabalho coletivo no viveiro pode gerar. mente um viveiro, cada uma delas traba-. um vínculo de responsabilidade e confian-. lhará apenas um dia por semana, desde. ça entre os envolvidos, de forma que com. que execute todas as tarefas diárias, dei-. o tempo, a credibilidade esteja presente. xando os outros seis dias livres para ou-. nas relações pessoais, e esse compor-. tras atividades produtivas. Cabe ressaltar. tamento se estenda a outros âmbitos da. que este é apenas um dos possíveis mo-. comunidade.. delos de administração de um viveiro em assentamentos e comunidades rurais.. Um grupo pequeno de pessoas desenvolvendo uma atividade de sucesso, que. A reflexão sobre como conduzir as ativida-. traga melhorias para a comunidade, é um. des e envolver a comunidade no proces-. grande exemplo, e pode influenciar o surgi-. so deve levar sempre em consideração o. mento de outras iniciativas de organização. contexto local e suas especificidades.. e produção coletiva. Começar pequeno, mas de forma coletiva e organizada pode. No início do processo, é vital criar coleti-. trazer grandes resultados para todos.. vamente, regras claras de administração e convivência. Atividades como coleta de. A perspectiva educadora surge quando. sementes, produção das mudas, manu-. ocorre um fortalecimento local permitindo. tenção do viveiro e comercialização, assim. que a comunidade se organize socialmen-. ambientalMENTEsustentable, 2008, (II), 6. 187.
(16) Gustavo Nogueira Lemos. e. Renata Rozando Maranhão. te em busca de seus direitos e qualidade. vas se torna ferramenta significativa na re-. de vida.. visão dos custos de produção e, portanto, dos preços finais no mercado.. Comércio Solidário Portanto, devem ser considerados os vaMuitas experiências coletivas de trabalho. lores humanos e a contribuição dos em-. e de produção estão se disseminando em. preendimentos ao bem-estar social e am-. diversos locais. São cooperativas de pro-. biental. Tais fatores têm se tornado cada. dução, de crédito, de serviços e de consu-. vez mais importantes na escolha de que. mo, associações de produtores, empresas. mercadorias consumir.. em regime de autogestão, bancos comunitários e organizações populares, no cam-. Empresas, investidores e consumidores. po e na cidade. Essas iniciativas fazem. são agentes sociais, cuja responsabili-. parte de um processo de transformação. dade vai além da geração de empregos. dos modelos econômicos atuais, em uma. e impostos, se estendendo à promoção. economia solidária (SINGER, 2002).. do bem-estar e da qualidade de vida da sociedade. É vital que os atores sociais. O comércio solidário procura criar meios. envolvidos passem de agentes passivos a. e oportunidades para melhorar as condi-. cidadãos atuantes e pró-ativos.. ções de vida e de trabalho dos produtores, especialmente os pequenos, buscan-. Nessa perspectiva, é importante que as. do construir uma relação mais justa entre. atividades desenvolvidas pelo viveiro edu-. consumidores e produtores.. cador estimulem a adoção de práticas comerciais calcadas nos princípios e premis-. Nesse processo, busca-se ultrapassar as. sas do comércio solidário.. dificuldades de comercialização do atual modelo econômico, e garantir aos produ-. É desejável que, na medida do possível, os. tores, o acesso a mercados justos, pauta-. viveiros educadores procurem se associar. dos em processos sustentáveis.. a outros viveiros com o intuito de constituir redes de produção e comércio solidário. É vital que os caminhos adotados asse-. de mudas, que proporcionem o intercâm-. gurem a sustentabilidade da produção, e. bio regional e garantam a perpetuação de. a transparência na composição do preço,. espécies nativas, que em muitos casos se. que acarrete no pagamento justo pelos. encontram em vias de extinção.. produtos ou serviços prestados. Aprender a identificar e dimensionar os custos so-. O plantio das diferentes mudas produzi-. ciais e ambientais das atividades produti-. das em um viveiro pode gerar, desde que. 188. ambientalMENTEsustentable, 2008, (II), 6.
(17) O Viveiro Educador como espaço para a Educação Ambiental. adequadamente extraídos e devidamente. material de consumo necessário à produ-. processados, frutas secas ou in natura,. ção de mudas. Em uma perspectiva local. doces, conservas, compotas, óleos, resi-. tal medida pode reduzir o valor do frete. nas, “garrafadas” e uma infinidade de pro-. envolvido no transporte, tanto das com-. dutos artesanais desenvolvidos a partir de. pras quanto da distribuição da produção,. espécies da flora nativa.. reduzindo os custos envolvidos e possibilitando uma economia energética acima. Sistemas de troca devem ser incentiva-. de tudo.. dos, valorizando a cultura local e a flora da região, enfatizando ainda, o valor social. Como se vê, atuar coletivamente e em. agregado à produção.. uma perspectiva solidária só fortalece as ações desenvolvidas pelos viveiros edu-. Estimular e fortalecer ao longo do pro-. cadores, seja nas vertentes ligadas a pro-. cesso, o valor simbólico da troca, seja em. dução e comercialização, ou ainda pela. feiras organizadas, em pontos de venda. característica humana e pedagógica que o. descentralizados ou mesmo diretamente. processo tem.. com outros membros da comunidade, é extremamente desejável.. Considerações finais Não existe ainda uma regulamentação que promova a certificação e o controle de qualidade das mudas para o mercado interno. Certamente, produzir mudas e plantar ár-. no Brasil. Como estratégia de superação a. vores com o intuito de arborizar as cidades. essa questão, as associações ou redes de. e recuperar as áreas degradadas de vege-. viveiros que trabalham com produção de. tação nativa não é suficiente para reverter. mudas na perspectiva do comércio solidá-. o quadro atual de degradação socioam-. rio, devem certificar os produtos com sua. biental. É preciso que ocorram amplas re-. própria marca, criando um selo com nome. formas de ordem política e econômica.. próprio, como forma de atestar a origem dos produtos que são comercializados. No entanto, trata-se de uma demanda. nos pontos de venda solidários.. prioritária em todo o planeta, seja pela importante função que a vegetação exerce na. Outro aspecto que deve ser enfatizado. manutenção dos recursos hídricos e regu-. quando se fala em comércio solidário é o. lação do ciclo hidrológico, pela proteção. sistema de compras coletivo. Os produto-. e fertilização dos solos, pela perpetuação. res devem buscar negociar coletivamente. da fauna silvestre, ou ainda, por estimular. a compra de embalagens, adubos e todo. questionamentos sobre que medidas po-. ambientalMENTEsustentable, 2008, (II), 6. 189.
(18) Gustavo Nogueira Lemos. e. Renata Rozando Maranhão. demos tomar frente ao eminente avanço. ma propositiva e engajada em defesa da. das mudanças ambientais globais.. coletividade, no enfrentamento das questões socioambientais que interferem ne-. A partir do envolvimento em ações desta. gativamente na qualidade de vida de sua. natureza oportuniza-se a reflexão sobre os. comunidade.. fatos, razões e interesses pelos quais nossa sociedade seguiu nessa direção. Refletir sobre tais aspectos é essencial para. Referências bibliográficas. questionarmos as escolhas feitas e compreendermos que é possível trilhar outros caminhos, calcados pela solidariedade, pela universalização da qualidade de vida, pela valorização do ambiente, e do ser humano, como sujeito atuante na construção de um mundo melhor. A problemática ambiental é extremamente complexa, envolve em sua raiz questões de caráter social, econômico, político e cultural, e deve ser encarada de forma ampla, conjugando esforços nas mais diferentes frentes de atuação, para que as transformações almejadas tornem-se realidade. Nesta jornada é importante utilizarmos de forma intencional e consciente os espaços e estruturas existentes em nossa sociedade com potencial para a formação de educadoras e educadores ambientais.. BRASIL. MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE, Diretoria de Educação Ambiental. Org. Fábio Deboni da Silva (2005): “Projeto Político Pedagógico Aplicado a Centros de Educação Ambiental e às Salas Verdes – Manual de Orientação”. Brasília. CAÇAIS, R. C., (2007): “Política Nacional de Educação Ambiental Lei 9.795/99”. Revista Eletrônica da Escola Superior de Advocacia Comunicação - Artigos Ordem dos Advogados do Brasil – Secção de São Paulo. 7p. GADOTTI, M., (1994): “Pressupostos do Projeto Político Pedagógico”. In: MEC, Anais da Conferência Nacional de Educação para Todos. Brasília. MATAREZI, J. (2005): “Estruturas e Espaços Educadores: Quando espaços e estruturas se tornam educadores”. In: FERRARO JÚNIOR, L.A. (Org.). Encontros e Caminhos: Formação de educadoras (es) ambientais e coletivos educadores. Ministério do Meio Ambiente, Diretoria de Educação Ambiental. Brasília. PAIVA, H.N.; GOMES, J.M. (2000): “Viveiros Florestais”. Viçosa: Universidade Federal de Viçosa. SINGER, P. (2002): “Introdução à economia solidária”. São Paulo, Fundação Perseu Abramo. 126p. SORRENTINO, M.; TRAJBER, R.; MENDONÇA, P.; e FERRARO, L. A., (2005): “Educação Ambiental como Política Pública”. Educação e Pesquisa, São Paulo, v. 31, n. 2, 16.. Nesse contexto, o viveiro educador surge como uma possibilidade a ser exercitada, cabe a cada um que com ele se envolver, o desafio de extrapolar as fronteiras da produção de mudas para atuar cotidianamente também em outras frentes, de for-. 190. ambientalMENTEsustentable, 2008, (II), 6.
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