AS PRÁTICAS DE BEM ESTAR E O USO DAS TECNOLOGIAS NA TERCEIRA IDADE
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(2) Modalidade de Participação: Iniciação Científica. AS PRÁTICAS DE BEM-ESTAR E O USO DAS TECNOLOGIAS NA TERCEIRA IDADE 1 Aluno de graduação. [email protected]. Autor principal 2 Participante. [email protected]. Co-autor 3 Aluno de graduação. [email protected]. Orientador. Anais do 10º SALÃO INTERNACIONAL DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO - SIEPE Universidade Federal do Pampa | Santana do Livramento, 6 a 8 de novembro de 2018.
(3) AS PRÁTICAS DE BEM-ESTAR E O USO DAS TECNOLOGIAS NA TERCEIRA IDADE: PERSPECTIVAS PARA UMA MELHOR QUALIDADE DE VIDA Resumo: O ³bem-estar´ está relacionado à disposição plena do corpo e da mente e nos confere a sensação de segurança, conforto e tranquilidade nas atividades que realizamos no decorrer do dia-a-dia. Por outro lado, sua ausência pode ser um gatilho que acarretará em enfermidade. À vista disso, em meio a toda essa turbulência da rotina, várias pessoas acabam esquecendo e afastando-se de sua pretensa qualidade de vida, em que a sociedade dita padrões e exige produção para um ciclo de movimentos. Aliado a isso, somos assoberbados de responsabilidades e devemos administrar um emaranhado de sentimentos. Nesse sentido, questiona-se sobre o conceito ideal de bem-estar ou até mesmo se existe um consenso para tal definição. Pensando nessas realidades, o Grupo de Pesquisa e Estudos Integrados à Educação: /LQJXDJHQV H /HWUDPHQWRV HODERURX XP SURMHWR GH H[WHQVmR LQWLWXODGR ³/HWUDPHQWR GLJLWDO uso de recursos tecnológicos e práticas corporais em espaços não-IRUPDLV´ R TXDO WHP FRPR objetivo desenvolver práticas com a terceira idade, a partir de recursos tecnológicos aliados à consciência corporal e letramento digital. O mesmo acontece numa Instituição de Longa Permanência aos Idosos/ILPIs e é executado por pesquisadores do referido grupo e por doze voluntários. Para melhor compreendermos essas realidades e sensibilizarmos a sociedade sobre a relevância do projeto, utilizaremos como base de análise, os diários de bordo dos voluntários que atuam no projeto, os quais são produzidos semanalmente, junto com suas observações na execução do projeto. Podemos concluir que o projeto de extensão, propõe/propôs antes de qualquer coisa, um papel social, que transpassa barreiras e realidades enfrentadas por estes residentes, além de oportunizar uma interação entre seus pares. Para os voluntários, a execução deste projeto tornou-se uma vivência única, pois o projeto propiciou socialização, clareza e uma compreensão dos espaços não-formais de aprendizagem. Palavras-chave: Idoso; ILPIs; bem-estar; tecnologias; terceira idade. Qual seria o conceito ideal de bem-estar? Existe um consenso? Para muitos, bem-estar remete à felicidade, saúde, amigos e amor, sendo um dos estados de satisfação pelo qual a maioria das pessoas tem buscado. Logo, deveríamos refletir uma compreensão em relação à qualidade de vida, assim como, os inúmeros fatores que influenciam e determinam como esses indivíduos se percebem e/ou sentem. Segundo a OMS, bem-estar pode ser definido como saúde mental, da seguinte forma: A importância da saúde mental é reconhecida pela OMS, desde a sua origem, o que VH UHIOHWH QD VXD SUySULD GHILQLomR GH VD~GH FRPR ³QmR VLPSOHVPHQWH D DXVrQFLD GH GRHQoD RX HQIHUPLGDGH´ PDV FRPR ³XP HVWDGR GH FRPSOHWR EHP-estar físico, PHQWDO H VRFLDO´ 1RV ~OWLPRV DQRV HVWD GHILQLomR JDQKRX XP PDLRU GHVWDTXH HP resultado de muitos e enormes progressos nas ciências biológicas e comportamentais. Estes, por sua vez, aperfeiçoaram a nossa maneira de compreender o funcionamento mental e a profunda relação entre saúde mental, física e social. (OMS, 2001, p. 30). Podemos pensar, então, que bem-estar é a disposição plena do corpo e da mente, a qual nos confere a sensação de segurança, conforto e tranquilidade nas atividades que realizamos no decorrer do dia-a-dia. Sua ausência, com o passar do tempo, pode ser um gatilho que acarretará em muitos impasses, pois retraímos e internalizamos muitos sentimentos e agonias, manifestando-se em nosso organismo de outras formas, estabelecendo uma linguagem corporal, como um mecanismo de defesa..
(4) À vista disso, em meio a toda essa turbulência do dia a dia, várias pessoas acabam esquecendo e afastando-se de sua qualidade de vida, numa sociedade que dita padrões e exige produção para um ciclo de movimentos. Desta maneira, a OMS nos traz dados que mostram a estimativa da população em relação ao seu envelhecimento: Provavelmente haverá aumento do número de doentes, devido ao envelhecimento da população, ao agravamento dos problemas sociais e à desestabilização civil. As perturbações mentais já representam quatro das dez principais causas de incapacidade em todo o mundo. Esse crescente ônus representa um custo enorme em termos de sofrimento humano, incapacidade e prejuízos econômicos. (OMS, 2001, p. 29). No decorrer da vida torna-se irrefutável e imprescindível à busca por este estado de êxtase - o bem-estar. Entretanto, em relação aos idosos, essa pretensão se torna ainda mais dependente do espaço e das pessoas, pois com a limitação da saúde e o movimento comprometido, ocasiona em dificuldades, tornando-se um sentimento utópico. Por isso, manter-se ativo e com ações diárias, as quais contemplem o equilíbrio entre o corpo e a mente em sua totalidade, constitui-se um dos meios de conservar sua sanidade, harmonizar e compensar o avanço cronológico. As tecnologias tidas como ferramentas aproximam aqueles que estão distantes e, ao mesmo tempo, distancia aqueles que estão mais próximos. Por outro lado, quando utilizadas de maneira consciente e eficiente, têm muito a contribuir com o bem-estar de todos, inclusive, de pessoas mais velhas, as quais demonstram ter mais resistência em relação ao uso das Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDIC). As tecnologias intelectuais e os dispositivos de comunicação conhecem nesse fim do século XX mutações massivas e radicais. Em consequência, as ecologias cognitivas estão em via de reorganização rápida e irreversível. A brutalidade da desestabilização cultural não deve nos desencorajar de discernir as formas emergentes mais positivas socialmente e de favorecer seu desenvolvimento. Como um dos principais efeitos da transformação em curso aparece um novo dispositivo de comunicação no seio de coletividades desterritorializadas muito vastas que chamaUHPRV ³FRPXQLFDomR WRGRV-WRGRV´ (LÉVY, 1996, p. 112-113).. Deste modo, o autor relata sobre o marco da evolução tecnológica cuja finalidade é aproximar as pessoas, criando redes de comunicação, as quais possibilitam essa troca de informações. Em decorrência desses avanços, não podemos negligenciar o distanciamento ocorrido entre as pessoas, prevalecendo a comunicação todos-todos que faz com que aqueles que estão mais próximos fiquem isolados em meio ao que é virtual. Com o avanço cronológico dos idosos e políticas públicas inconsistentes, busca-se uma identidade para as instituições, em que estas possam ser definidas ou denominadas. Para tentar expressar a nova função híbrida dessas instituições, a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia sugeriu a adoção da denominação Instituição de Longa Permanência para Idosos (ILPI). Entretanto, na literatura e na legislação, encontramse referências indiscriminadamente a ILPIs, casas de repouso, clínicas geriátricas, abrigos e asilos. Na verdade, as instituições não se autodenominam ILPIs. (CAMARANO, 2010, pg. 234).. As Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs) carecem de atividades, projetos e ações que trabalhem com questões relacionadas ao bem-estar com o propósito de não permitir que os idosos que lá residem tornem-se indivíduos estacionários, sem motivação alguma para nada..
(5) Pensando nessas realidades apresentadas, o Grupo de Pesquisa e Estudos Integrados à Educação: Linguagens e Letramentos, elaborou um projeto de extensão intitulado ³/HWUDPHQWR GLJLWDO XVR GH UHFXUVRV WHFQROyJLFRV H SUiWLFDV FRUporais em espaços nãoIRUPDLV´ FXMR objetivo é desenvolver práticas com a terceira idade, a partir de recursos tecnológicos aliados à consciência corporal e letramento digital. Este projeto foi idealizado por dois pesquisadores: um profissional de Educação Física e outro da Pedagogia, ambos da área da educação e saúde. Junto a eles, somam-se a coordenadora do projeto e doze voluntários, acadêmicos do curso de Pedagogia de uma universidade pública. Os envolvidos neste projeto estão inseridos em espaços não-formais de aprendizagem, promovendo ações que trabalhem fora da realidade escolar, visto que os enfrentamentos, desafios e práticas que a sociedade necessita suprir, não cabem mais nos espaços educacionais, vão para além dos muros da escola. A inovação do nosso trabalho e originalidade do mesmo surgiu através do trabalho de conclusão de curso de um dos pesquisadores idealizadores, o qual realizou as mesmas atividades com alunos da educação infantil, promovendo a conscientização corporal de crianças em seu pleno estágio de formação física, cognitiva e intelectual. 7HPRV R FRQKHFLPHQWR GH TXH DV WHFQRORJLDV GH LQIRUPDomR H FRPXQLFDomR 7,&¶V podem modificar e propor a interação nas relações do sujeito tanto consigo mesmo quanto com o ambiente em que vive (Lévy, 1996). Desta maneira, devemos buscar alternativas que proponham um deslocamento do sujeito, para que ele se transponha e disponibilize a conhecer outras áreas. O desenvolvimento do mesmo, conta com a intervenção em uma ILPIs, localizada na cidade de Bagé, a qual possui cinquenta idosos, de ambos os gêneros, com as mais variadas limitações físicas e mentais. Dentre essas, optamos por trabalhar com três grupos: os idosos que se movimentam, os que possuem sequelas de Acidente Vascular Cerebral (AVC) e os cadeirantes. O projeto conta com a intervenção dos voluntários na interação com idosos, através da utilização do vídeo game XBOX 360, o sensor de movimento kinect, e o data-show, em que os mesmos fazem uso de jogos relacionados ao esporte, os quais trabalham suas habilidades motoras, coordenação fina, coordenação óculo-manual e óculo-pedal, noção de espaço e tempo, usando seus movimentos para apresentar outra realidade. Analisando e entrelaçando este projeto e todas as realidades mencionadas anteriormente, escrevemos este trabalho, para apresentar as práticas que vivenciamos semanalmente, enquanto profissionais, formados e em formação, visando divulgar, relatar e propagar, para além do nosso grupo de pesquisa, comunidade e região. Os encontros do projeto acontecem com planejamentos prévios. O grupo se reúne e organiza as atividades que serão realizadas na semana seguinte a partir da autoavaliação das práticas realizadas na semana que anterior. O encontro é finalizado com a escrita dos diários de bordo, nos quais os voluntários descrevem suas ações, observações sobre o espaço e reflexões sobre as atividades desenvolvidas. Para melhor compreendermos essas realidades e sensibilizarmos a sociedade sobre a relevância do projeto, utilizamos como instrumentos, os diários de bordo dos voluntários que atuam no projeto. Podemos concluir que o projeto de extensão, propõe/propôs antes de qualquer coisa, um papel social, que transpassa barreiras e realidades, enfrentadas por estes residentes. O mesmo oportuniza, ainda, uma interação do sujeito com seus pares, visto que, quando se juntam para o momento do jogo, seus colegas os incentivam e vibram com seus êxitos, por enfrentarem suas limitações. A execução dessa proposta tornou-se para os voluntários uma vivência única, pois o projeto propiciou socialização, clareza e uma compreensão dos espaços não formais, visto que.
(6) estes estão habituados em realizar atividades em ambientes educacionais e, sua maioria, sentia a necessidade de conhecer e atuar em espaços como este. REFERÊNCIAS CAMARANO, Ana Amélia. Kanso, Solange. As instituições de longa permanência para idosos no Brasil. R. bras. Est. Pop., Rio de Janeiro, v. 27, n. 1, p. 233-235 jan./jun. 2010. LÉVY, P. O que é virtual? 1996. ed.1. Tradução de Paulo Neves. Editora 34: São Paulo. 1996. OMS. Relatório Mundial da Saúde. A Saúde Mental pelo Prisma da Saúde Pública. 2001. Disponível em: http://www.who.int/whr/2001/en/whr01_ch1_po.pdf Acesso em: 07 set, 2018..
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