aunque El Diario no está enmarcado p o r este t i p o de ejercicio, el de M u c h a es u n d o c u m e n t o entrañable, cuya publicación es b i e n -venida.
E r i k a Pañi Centro de Investigación y Docencia Económicas
P A B L O Y A N K E L E V I C H , L a
revolución mexicana en América Latina.
Intereses políticos, itinerarios intelectuales, M é x i c o , I n s t i t u t o
de Investigaciones D r . J o s é María L u i s M o r a , 2 0 0 3 , « H i s t o r i a Internacional», 1 7 5 p p . I S B N 9 7 0 6 8 4 0 7 8 8Las revoluciones rusa y mexicana estallaron c o n pocos años de diferencia. Sin embargo, basta u n vistazo para notar que sus efec-tos en A m é r i c a L a t i n a n o p u d i e r o n ser más d i s t i n t o s . Para los r e v o l u c i o n a r i o s rusos, su m o v i m i e n t o era u n m o d e l o para t o d o el m u n d o y, sobre t o d o gracias a su a p o y o , se crearon partidos comunistas en t o d a A m é r i c a L a t i n a c o n el o b j e t i v o de replicar l o que ocurría en Rusia. A diferencia de los r e v o l u c i o n a r i o s rusos, los mexicanos nunca consideraron su l e v a n t a m i e n t o c o m o u n m o d e l o para el resto del m u n d o , n i siquiera para A m é r i c a L a t i -na, y nunca i n t e n t a r o n armar m o v i m i e n t o s políticos parecidos al suyo. E n consecuencia, se suele suponer que la revolución m e x i -cana prácticamente n o t u v o efecto en A m é r i c a L a t i n a , p o r l o menos durante los p r i m e r o s veinte años.
Este asombroso y o r i g i n a l l i b r o de Pablo Y a n k e l e v i c h revela que de ningún m o d o fue así. L a revolución mexicana ejerció una influencia p r o f u n d a en muchos intelectuales latinoamericanos y, p o r m e d i o de ellos, en sectores más amplios de la población, sobre t o d o las clases medias y los estudiantes. E l l i b r o también demuestra que los presidentes mexicanos, desde Venustiano
Carranza hasta A l v a r o O b r e g ó n y Plutarco Elias Calles (el l i b r o n o abarca el p e r i o d o de L á z a r o Cárdenas), i n t e n t a r o n p o n e r la opinión pública latinoamericana en su favor.
U n a parte esencial del l i b r o se dedica a analizar las p e r s o n a l i -dades de los intelectuales latinoamericanos y sus percepciones y actividades en relación c o n la revolución mexicana. Puede pare-cer paradójico que el país en el que fue más intenso el interés p o r la revolución mexicana, en p a r t i c u l a r en sus p r i m e r o s años, fue el país de A m é r i c a L a t i n a que menos se parece a M é x i c o : A r g e n tina. A diferencia de M é x i c o , A r g e n t i n a era u n país de i n m i g r a n -tes d o n d e la p o b l a c i ó n indígena desempeñaba u n papel menor. A diferencia de la e c o n o m í a mexicana, orientada esencialmente hacia Estados U n i d o s , la argentina durante este p e r i o d o se v i n c u -ló sobre t o d o c o n E u r o p a .
L a f i g u r a argentina que m o s t r ó más interés p o r M é x i c o y su R e v o l u c i ó n fue M a n u e l U g a r t e , u n escritor y político m u y c o -n o c i d o . A l igual que m u c h o s otros i-ntelectuales y figuras políti-cas, U g a r t e estaba p r o f u n d a m e n t e preocupado p o r la creciente influencia de Estados U n i d o s en el continente y p o r su d i p l o m a cia i m p o s i t i v a . U g a r t e soñaba c o n una confederación l a t i n o a m e -ricana que se opusiera a Estados U n i d o s . Para él, la revolución mexicana representaba una de las primeras manifestaciones cla-ras de u n nacionalismo latinoamericano dispuesto a desafiar el p o d e r creciente del coloso del n o r t e .
A l p r i n c i p i o , U g a r t e n o tenía una idea m u y clara de quién era u n verdadero nacionalista y quién n o . Llegó a M é x i c o en 1912 y tachó a M a d e r o de ser u n títere del i m p e r i a l i s m o estadouniden-se. D e s p u é s de 1913 y del golpe apoyado p o r Estados U n i d o s que d e r r o c ó a M a d e r o , se d i o cuenta de su error. A l p o c o t i e m -p o , a raíz de la invasión estadounidense en Veracruz, la sim-patía de U g a r t e giró hacia Venustiano Carranza, q u i e n le pareció la personificación del nacionalismo mexicano. U g a r t e creó el C o mité P r o M é x i c o , que t u v o gran influencia n o sólo en A r g e n t i
-na, sino también en C h i l e y U r u g u a y . Intelectuales i m p o r t a n t e s de estos países f i r m a r o n resoluciones en a p o y o a la revolución mexicana y, sobre t o d o , a su oposición a Estados U n i d o s . U g a r -te trató de organizar en Buenos A i r e s una gran manifestación en favor de M é x i c o , en p a r t i c u l a r c o n estudiantes, pero la policía se l o impidió. C o n t i n u ó sus actividades p r o mexicanas, en p a r t i c u lar durante la segunda guerra m u n d i a l ; c o m o A r g e n t i n a y M é x i -co permanecieron neutrales, se establecieron lazos oficiales de solidaridad entre los dos gobiernos.
O t r o intelectual argentino que quedó m a r a v i l l a d o c o n la re-volución mexicana fue el socialista J o s é Ingenieros. L o que más le interesó de M é x i c o fue l o que consideró sus rasgos socialistas. Estaba fascinado p o r los intentos de Felipe C a r r i l l o P u e r t o de establecer una especie de régimen socialista en Yucatán y sostuv o correspondencia intensa c o n él. También estaba p r o f u n d a -mente interesado p o r la función de la Confederación R e g i o n a l de O b r e r o s M e x i c a n o s ( C R O M ) , que ejerció gran influencia d u rante los periodos de O b r e g ó n y, sobre t o d o , de Calles. A d i f e -rencia de Ingenieros, el marxista peruano J o s é Carlos Mariátegui no percibía rasgos socialistas en M é x i c o , sino que describió la revolución mexicana, p o r la que sentía gran simpatía, c o m o u n a "revolución democrático-burguesa".
N o todos los intelectuales latinoamericanos que de u n m o d o u o t r o se r e l a c i o n a r o n c o n la revolución mexicana eran idealistas que buscaban expresar su s o l i d a r i d a d c o n M é x i c o . H a b í a u n t i p o m u y d i s t i n t o de intelectual latinoamericano que intentó aprove-char la revolución mexicana para satisfacer sus ambiciones, t a n t o financieras c o m o políticas, o simplemente para obtener gratifica-ción personal. E l caso más patente y quizás más extravagante fue u n o de los personajes latinoamericanos más c o n t r o v e r t i d o s y paradójicos, el poeta peruano J o s é Santos C h o c a n o . C o m o había expresado su simpatía p o r M a d e r o , t u v o que salir de M é x i c o cuando H u e r t a t o m ó el poder. L u e g o regresó a M é x i c o y se ganó
la confianza de Pancho V i l l a , a q u i e n describió en u n poema co-m o u n " d i v i n o g u e r r i l l e r o " . V i l l a le perco-mitió trazar u n p r o g r a co-m a p o l í t i c o para su revolución. Santos C h o c a n o se veía a sí m i s m o c o m o una especie de Bolívar al frente de la revolución mexicana. C u a n d o V i l l a se resistió a v e r l o así y, sobre t o d o , se negó a reno-varle los subsidios, Santos C h o c a n o de p r o n t o descubrió que la gran figura de M é x i c o era Carranza. Estaba c o n v e n c i d o de que él sería el cerebro y Carranza la acción. O b v i a m e n t e , Carranza n o estaba tan c o n v e n c i d o . E n consecuencia, así c o m o había t r a i -c i o n a d o a V i l l a , C h o -c a n o trai-cionó a Carranza y se alió -c o n el d i c t a d o r y presidente guatemalteco Estrada Cabrera, que busca-ba i n c o r p o r a r Chiapas a Guatemala.
Santos C h o c a n o casi muere cuando u n levantamiento p o p u l a r d e r r o c ó la dictadura en Guatemala y consideró al poeta peruano u n o de sus i n s t r u m e n t o s . Las protestas, en p a r t i c u l a r de los i n t e -lectuales conservadores, p e r m i t i e r o n que C h o c a n o saliera c o n v i d a y pudiera abandonar Guatemala. A p a r t i r de entonces des-c u b r i ó su des-clara v o des-c a des-c i ó n p o r los dides-ctadores. Se ades-cerdes-có al d i des-c t a d o r venezolano Juan Vicente G ó m e z y al peruano Leguía. Esto le permitió salir prácticamente i n t a c t o de una acusación de asesinat o . A p r i n c i p i o s de la década de 1920, cuando Vasconcelos c r i asesinat i -có las actividades de Santos C h o c a n o en M é x i c o y l o tachó de bufón, éste soltó una d i a t r i b a v i r u l e n t a c o n t r a aquél. D e s c r i b i ó a Vasconcelos c o m o u n "farsante [ . . . ] que traduce y recopila l o que franceses, ingleses y alemanes h a n escrito sobre Pitágoras y los hindúes y l o quiere hacer pasar c o m o s u y o sin saber palabra de griego n i de sánscrito".
C u a n d o o t r o poeta peruano, E l m o r e , en defensa de Vasconce-los, t u v o u n altercado c o n Santos C h o c a n o y l o golpeó, éste sacó una p i s t o l a y l o mató. Fue declarado culpable de asesinato, pero las maniobras legales del d i c t a d o r peruano Leguía, p o r q u i e n Santos C h o c a n o sentía gran admiración, p e r m i t i e r o n que p r o n t o fuera l i b e r a d o .
Yankelevich describe a toda o t r a serie de intelectuales de dis-t i n dis-t o s países de A m é r i c a L a dis-t i n a y la manera en que los afecdis-tó la revolución mexicana. Sin embargo, el l i b r o n o se l i m i t a a la his-t o r i a inhis-telechis-tual. También revisa los esfuerzos que h i c i e r o n los r e v o l u c i o n a r i o s mexicanos, sobre t o d o Carranza, O b r e g ó n y Calles, p o r orientar la opinión pública latinoamericana en favor de la revolución mexicana. Describe las actividades que realizar o n en este sentido desde perealizarsonajes b i e n conocidos, c o m o I s i -d r o Fabela, hasta personajes completamente olvi-da-dos, c o m o M a r t í n e z A l o m í a , u n propagandista m u y inteligente y capaz.
U n capítulo especial está dedicado a las políticas de Carranza hacia A m é r i c a L a t i n a . E n esto, los intereses de M é x i c o eran m u c h o más concretos. Agentes mexicanos t r a t a r o n de c o m p r a r armas en Centroamérica, m o v i l i z a r la opinión pública e i m p e d i r que el d i c t a d o r guatemalteco, Estrada Cabrera, llevara a cabo sus planes de i n t e r v e n i r en M é x i c o .
Además del nacionalismo mexicano, de los aspectos sociales y políticos de la C o n s t i t u c i ó n Mexicana de 1917 y del comienzo de la r e f o r m a agraria, h u b o o t r o l o g r o que despertó profundas simpatías hacia M é x i c o : las políticas educativas de J o s é Vascon-celos, q u i e n fue una influencia central para los intelectuales y educadores de gran parte de A m é r i c a L a t i n a .
Este l i b r o se basa en una cantidad e n o r m e de fuentes, tanto primarias c o m o secundarias. Y a n k e l e v i c h consultó archivos de M é x i c o y A r g e n t i n a , además de periódicos de t o d a América L a -tina y, obviamente, las memorias y biografías de algunos de los personajes más importantes que describe. Es u n trabajo p i o n e r o , extremadamente b i e n investigado y m u y b i e n escrito, que des-cribe y analiza aspectos hasta ahora descuidados y desconocidos de la revolución mexicana.
F r i e d r i c h K a t z
University of Chicago