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Association between nutritional status and Score Glasgow Prognostic Score patients with the cancer

In document Nutr. clín. diet. hosp. 2017; 37(3) (página 131-138)

Fraga Silva, Naira Marceli

1

; Lozzer Barcelos, Ana Cristina

1

; Passamani Noé, Elise

1

; Tintore Cuzzuol, Jamila

1

; Papera Valente, Katarina

2

; Russo Hortencio, Taís Daiene

3

; Araújo Guedes de Moraes, Rafael

4

;

Regina Guandalini, Valdete

1,5

1 Centro de Ciências da Saúde. Departamento de Educação Integrada em Saúde. Vitória, ES, Brasil.

2 Programa de Pós Graduação em Nutrição e Saúde - Centro de Ciências da Saúde. Vitória, ES, Brasil.

3 Departamento de Medicina. Universidade Estadual de Campinas, Campinas, São Paulo.

4 Hospital Cassiano Antônio Moraes. Vitória, ES, Brasil.

5 Universidade Federal do Espirito Santo.

Recibido: 12/mayo/2017. Aceptado: 28/julio/2017.

RESUMO

Introdução:A desnutrição é um achado comum em pa- cientes oncológicos e sua etiologia é multicausal, sendo in- fluenciada significativamente pela resposta inflamatória sistê- mica. Os indicadores de inflamação podem ser ferramentas úteis na avaliação nutricional dos pacientes com câncer.

Objetivo:Avaliar a associação entre o estado nutricional e o Escore Prognóstico de Glasgow modificado (EPGm) em pa- cientes com câncer.

Métodos:Pacientes admitidos em um hospital universitá- rio, com diagnóstico confirmado de câncer, participaram deste estudo. Exames laboratoriais de albumina e proteína C-reativa (PCR) foram realizados para obtenção do EPGm. A avaliação nutricional foi realizada por meio da Avaliação Subjetiva Global (ASG), índice de massa corporal (IMC) e variáveis an- tropométricas.

Resultados:Foram avaliados 70 pacientes com idade mé- dia de 58,51±14,85 anos, dos quais 50 (71,5%) apresenta-

ram algum grau de desnutrição pela ASG, destes 27 (38,6%) apresentaram desnutrição grave. As categorias de risco do EPGm estiveram presentes em 41 (58,6%). O Escore Prog- nóstico de Glasgow modificado associou-se à presença da desnutrição (p<0,05).

Conclusão:O Escore Prognóstico de Glasgow se associou ao estado nutricional definido pela Avaliação Subjetiva Global.

PALAVRAS CHAVES

Escore Prognóstico de Glasgow desnutrição, câncer, infla- mação.

ABSTRACT

Introduction: Malnutrition is a common finding in pa- tients with cancer; its etiology is multifactorial and signifi- cantly influenced by the systemic inflammatory response.

Inflammation indicators can be useful tools in the nutri- tional assessment of patients.

Objetive: To evaluate the association of the nutritional status with modified Glasgow Prognostic Score (mGPS) in cancer patients.

Methods: We evaluated patients who were admitted to university hospital with a confirmed diagnosis of cancer par- ticipated in this study. Laboratory tests for albumin and C-re- Correspondencia:

Valdete Regina Guandalini [email protected]

active protein (CRP) were conducted to obtain mGPS scores.

Nutritional assessment was carried out by subjective global assessment (SGA), body index massa (BMI) and anthropo- metric variables.

Results:A total of 70 patients with a mean age of 58.51

± 14.85 years were evaluated, of which 50 (71.5%) pre- sented some degree of malnutrition, of these 27 (38.6%) presented severe malnutrition. The risk categories of mGPS was present in 41 (58.6%) patients.

Conclusion:The modified Glasgow Prognostic Score was associated with the nutritional status defined by the Global Subjective Assessment.

KEYWORDS

Glasgow Prognostic Score, malnutrition, cancer, inflam- mation.

LISTA DE ABREVIATURAS ASG: Avaliação Subjetiva Global.

AMBc: Área Muscular do Braço Corrigida.

CB: Circunferência do Braço.

CMB: Circunferência Muscular do Braço.

EMAP: Espessura do Músculo Adutor do Polegar.

EPGm: Escore Prognóstico de Glasgow modificado.

IMC: Índice de Massa Corporal.

PCR: Proteína C-reativa.

PCT: Prega Cutânea Tricipital.

TCLE: Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

INTRODUÇÃO

A desnutrição é um dos distúrbios nutricionais mais fre- quentes em pacientes com câncer, variando de 30% a 80%

em todo o mundo1, de acordo com os critérios utilizados para sua definição, localização e estadiamento tumoral e ti- pos de tratamento2. A desnutrição representa um risco para o paciente com câncer, pois se correlaciona com o maior tempo de internação, com a presença de complicações, com a redução da resposta ao tratamento, além de asso- ciar-se ao pior prognóstico e de ser um fator independente para menor sobrevida3-6.

Há crescente evidência de que a ativação da resposta in- flamatória sistêmica crônica seja um dos primeiros e mais im- portantes fatores que contribuem para a desnutrição do pa- ciente com câncer, acelerando sua perda de peso e de massa muscular7.

O método mais comum para avaliar a inflamação é a pro- teína C-reativa (PCR)7que junto a outros parâmetros, como albumina, propiciou o desenvolvimento de escores para avaliar a inflamação e o prognóstico de pacientes com cân- cer, como o Escore Prognóstico de Glasgow modificado (EPGm)8,9.

Considerando a premissa que as concentrações de PCR se elevam e as de albumina tendem a reduzir no paciente onco- lógico, o EPGm foi desenvolvido, ao integrar-se, em escala de classificação, as concentrações de ambas8,9. É um método simples que tem sido relacionado à menor sobrevida de pa- cientes oncológicos, independente do estadiamento tumoral em diversos tipos de cânceres7-10.

Alguns estudos7,11,12,13, têm investigado a associação entre os marcadores inflamatórios e o estado nutricional em pa- cientes oncológicos, o que demonstra a importância em am- pliar esta análise, aplicando a combinação de marcadores bio- lógicos clássicos. Assim, este estudo teve o objetivo de avaliar a associação do estado nutricional com o EPGm em pacientes com câncer.

MÉTODOS

Trata-se de um estudo de corte transversal, realizado em um hospital universitário localizado em Vitória, Espírito Santo (Brasil). Foram avaliados pacientes com diagnóstico confirmado de câncer do trato gastrointestinal, incluindo esôfago, estômago, pâncreas, intestino e vias biliares, as- sim como pacientes com câncer de pulmão, candidatos à ci- rurgia e admitidos na Unidade de Cirurgia Geral e Repa- radora no período de agosto de 2014 a agosto de 2016. A amostra não foi probabilística, e buscou a participação de todos os pacientes admitidos no período do estudo que preenchessem os critérios de inclusão, sendo estes: ser possível a avaliação do estado nutricional nas primeiras 48 horas de internação, apresentar idade igual ou superior à 20 anos; não apresentar infecções, doenças hepáticas e não estar recebendo albumina endovenosa. O trabalho foi aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa da Universidade Federal do Espírito Santo sob o nº CAAE27954014.0.0000.5 060 e todos os pacientes assinaram o Termo de Consen- timento Livre e Esclarecido (TCLE).

Avaliação do Estado Nutricional

A avaliação antropométrica foi realizada por avaliadores previamente treinados, e consistiu-se na aferição do peso cor- poral (Kg), estatura (m), circunferência do braço (CB) em centímetros, prega cutânea triciptal (PCT) (mm) e espessura do músculo adutor do polegar (EMAP) em milímetro. Para afe- rição do peso, foi utilizada uma balança digital portátil Tanita®, com capacidade máxima de 150 quilos e precisão de 100 gramas. A estatura foi medida por meio de um Estadiômetro Personal Caprice Sanny® com altura máxima ASSOCIAÇÃO ENTRE ESTADO NUTRICIONAL EESCOREPROGNÓSTICO DEGLASGOW MODIFICADO EM PACIENTES COM CÂNCER

de 210 cm. As medidas de circunferência foram realizadas com fita métrica Sanny® de material não elástico e capaci- dade de até 2,00m. Para medidas de PCT e EMAP, foi utilizado Adipômetro Científico Lange® de precisão e sensibilidade de 0,1mm. Todas as medidas foram realizadas conforme preco- nizado por Lohman et al14.

O IMC para adultos foi avaliado de acordo com World Health Organization, 200215, considerando os seguintes inter- valos: baixo peso se IMC <18,5 kg/m2; eutrofia se IMC ≥18,5 a 24,9 kg/m2e excesso de peso >24,9 kg/m2. Para os idosos foram utilizados os valores propostos por Lipschitz, 199416, sendo baixo-peso IMC ≤ 22kg/m²; eutrofia, IMC entre 22kg/m² e 27kg/m²; e sobrepeso IMC > 27kg/m².

Posteriormente foram calculados a circunferência muscular do braço (CMB) e a área muscular do braço corrigida (AMBc).

Para a classificação da CMB (cm) e da AMBc (cm2), foram uti- lizados os valores em percentil propostos por Frisancho17para avaliação do percentual de adequação.

A Avaliação Subjetiva Global (ASG) foi utilizada como mé- todo de referência para avaliar o estado nutricional. Outros estudos em pacientes oncológicos utilizaram este mé- todo18,19 pois contempla aspectos da história clínica, como mudanças de peso, alterações da ingestão alimentar, pre- sença de sintomas gastrointestinais, alterações da capaci- dade funcional, além de avaliar, junto ao exame físico, a perda de gordura subcutânea e de massa muscular e a pre- sença de edema e ascite. Os resultados são expressos em três categorias: pacientes bem nutridos (ASG A), com des- nutrição suspeita/moderada (ASG B) ou com desnutrição grave (ASG C)20.

Avaliação da Resposta Inflamatória

A avaliação da resposta inflamatória foi realizada através das concentrações de proteína C-reativa (PCR) e pelo EPGm.

O EPG foi proposto em 2003 por FORREST et al.8e trata- se de uma combinação das concentrações de PCR e albu- mina. O EPGm apresenta três categorias: 0, 1 e 2. Pacientes com valores normais de PCR (<10 mg/L) e albumina (>3,5g/dL) ou somente com concentrações de albumina alte- rada (<3,5 g/dL) apresentam melhor prognóstico, correspon- dendo ao escore 0. São classificados como escore 1 aqueles com altos níveis de PCR (>10 mg/L) e valores normais de al- bumina (>3,5g/dL). Por fim, pacientes com inflamação sistê- mica apresentando altos níveis de PCR (>10 mg/L) e hipoal- buminemia (<3,5g/dL) correspondem ao escore 2, portanto pior prognóstico9.

A concentração sanguínea de PCR foi determinada utili- zando-se o método imunoturbidimétrico com látex do kit Wiener® lab. e, para a definição dos valores séricos de albu- mina, foi utilizado o kit Albúmina Wiener® lab., por meio do método calorimétrico.

Análise estatística

O teste de Kolmogorov-Smirnov foi usado para verificar a normalidade das variáveis quantitativas. As variáveis contí- nuas foram apresentadas em média e desvio padrão e as va- riáveis categóricas, em percentuais. O teste Qui-Quadrado e o Teste Exato de Fisher foram utilizados para comparação das variáveis categóricas, de acordo com o estado nutricional de- finido pela ASG. As análises estatísticas foram realizadas pelo software SPSS 21.0 e o nível de significância estabelecido para todos os testes foi de 5,0%.

RESULTADOS

A amostra foi composta por 70 indivíduos com idade média de 58,51±14,85 anos, dos quais 36 (51,4%) eram mulheres e 36 (51,4%) idosos. Quanto à localização da neoplasia, o trato gastrointestinal inferior foi mais acometido, com 30 (42,9%) casos, seguidos por neoplasia do trato gastrointesti- nal superior, presentes em 21 (30,0%) dos pacientes. Na ca- tegoria “outros”, foram agrupados câncer de bexiga, renal e tecidos moles (Tabela 1).

A tabela 1 ainda apresenta a prevalência de desnutrição, segundo o IMC, a ASG e o risco prognóstico de acordo com o EPGm. Dos pacientes avaliados, 27 (38,0%) apresenta- ram baixo peso, segundo o IMC, 50 (71,5%) encontravam- se com algum grau de desnutrição pela ASG, dos quais 27 (38,6%) apresentavam desnutrição grave e 21 (30,0%) dos pacientes apresentavam pior prognóstico, segundo o EPGm.

A tabela 2 mostra a prevalência de desnutrição pelos di- ferentes métodos utilizados para a avaliação do estado nu- tricional. A ASG foi o método mais capaz de identificar a desnutrição, quando comparada aos demais métodos, pos- sivelmente dada às suas características anteriormente apresentadas.

Os valores de PCR e albumina são apresentados na Tabela 3. As concentrações séricas de PCR mostraram-se elevadas na maioria dos pacientes, independentemente do estágio da vida, enquanto a presença de hipoalbuminemia foi menos prevalente em ambos os grupos.

A Tabela 4 descreve a distribuição e a associação das va- riáveis estudadas e o estado nutricional. Observa-se que o EPGm (p=0,034) se relacionou ao estado nutricional, pois pa- cientes gravemente desnutridos estavam mais frequente- mente inflamados. A hipoalbuminemia (p=0,034) e níveis ele- vados de PCR (p=0,033) também se associaram ao estado nutricional.

Não houve associação entre o EPGm com as variáveis an- tropométricas e com o índice de massa corporal (dados não mostrados em tabela).

DISCUSSÃO

A avaliação da inflamação sistêmica tem extrapolado o âm- bito das pesquisas e vem crescentemente sendo incluída no atendimento clínico21, tornando promissora a utilização do EPG. Os resultados do presente estudo apontam que o EPGm se associou ao estado nutricional definido pela ASG.

A prevalência de desnutrição pela ASG foi de 70,5%, valo- res similares, foram observados em estudos da mesma natu- reza12,18, entretanto não se associou as variáveis antropomé- tricas. Desta forma, a ASG é capaz de avaliar diversos aspectos do estado clinico e nutricional, que não são avalia- dos por medidas objetivas, como as variáveis antropométri- ASSOCIAÇÃO ENTRE ESTADO NUTRICIONAL EESCOREPROGNÓSTICO DEGLASGOW MODIFICADO EM PACIENTES COM CÂNCER

Tabela 1.Caracterização da amostra segundo sexo, faixa etária, localização do tumor, estado nutricional e inflamatório.

ªTeste Qui-quadrado;bTeste Exato de Fisher.

Variáveis Total Adulto Idoso p valor

Idade 58,51 ± 14,85 46,30 ± 10,20 70,0 ± 7,37

N (%) N (%) N (%)

70 (100,0) 34 (48,6) 36 (51,4)

Sexo

Masculino 34 (48,6) 13 (38,2) 21 (61,8)

0,102a

Feminino 36 (51,4) 21 (58,3) 15 (41,7)

Localização do tumor

TGI superior 21 (30,0) 11 (52,4) 10 (47,6)

0,225b

TGI inferior 30 (42,9) 18 (60,0) 12 (40,0)

Pâncreas 07 (10,0) 02 (28,6) 05 (71,4)

Vias Biliares 05 (7,10) 02 (40,0) 03 (60,0)

Pulmão 03 (4,30) 01 (33,3) 02 (66,7)

Outros* 04 (5,70) - 04 (100,0)

Índice de Massa Corporal

Baixo Peso 27 (38,0) 14 (38,9) 13 (38,6)

0,981a

Eutrofia 26 (36,6) 13 (36,1) 13 (38,2)

Excesso de Peso 17 (23,9) 9 (25,0) 8 (23,5)

Avaliação Subjetiva Global

Bem nutrido 20 (28,6) 10 (29,4) 10 (27,8)

0,831a

Moderadamente desnutrido 23 (32,9) 09 (39,1) 14 (60,9)

Gravemente desnutrido 27 (38,6) 15 (55,6) 12 (44,4)

Escore Prognóstico de Glasgow

Risco Baixo (Escore 0) 29 (41,4) 13 (44,8) 16 (55,2)

0,790a

Risco Intermediário (Escore 1) 20 (28,6) 11 (55,0) 09 (45,0)

Risco Elevado (Escore 2) 21 (30,0) 10 (47,6) 11 (52,4)

cas. Estas medidas avaliam compartimentos corporais e por isso não são capazes de detectar a depleção muscular ini- cial23, fato que coloca a ASG como método preferencial para avaliar o estado nutricional destes pacientes, que apresentam como característica rápida perda de peso e alterações meta- bólicas expressivas.

Durante o processo inflamatório, tanto os níveis de PCR quanto de albumina são orquestrados pelos valores séricos das citocinas pró-inflamatórias, sobretudo IL-6 e TNF-α24,25. Valores elevados de PCR relacionaram-se à desnutrição nos pacientes avaliados, assim como à redução da albumina sérica. Evidências apontam que a PCR acima de 5mg/L é um preditor independente para a perda de peso em indiví- duos com câncer gástrico e esofágico4. Níveis reduzidos de Tabela 2. Prevalência de desnutrição por diferentes métodos

diagnósticos.

ASG: Avaliação Subjetiva Global; Área Muscular do Braço corrigida;

CMB: Circunferência Muscular do Braço; EMAP: Espessura do Músculo Adutor do Polegar; IMC: Índice de Massa Corporal.

Métodos Prevalência de Desnutrição (%)

ASG 71,5

AMBc 55,8

CMB 51,4

EMAP 44,3

IMC 38,0

Tabela 3.Valores de proteína C-reativa e albumina segundo estágio da vida.

*Teste Qui-quadrado.

Parâmetros n (%) Adulto Idoso P valor*

Proteína C-reativa

≤10.0 mg/dl 29 (41,4) 13 (44,8) 16 (55,2)

0,635

> 10.0mg/dl 41 (58,6) 21 (51,2) 20 (48,8)

Média (Dp) 33,73 ± 58,53 31,23 ± 38,10 36,10 ±73,31

Albumina

≥ 3.50 g/dl 45 (64,3) 21 (46,7) 24 (53,3)

0,804

< 3.50 g/dl 25 (35,7) 13 (52,0) 12 (48,0)

Média (Dp) 3,64 ± 0,45 3,62 ± 0,41 3,65 ± 0,49

Tabela 4.Associação entre estado nutricional, Escore Prognóstico de Glasgow modificado, albumina e proteína C-reativa.

EPGm: Escore Prognóstico de Glasgow; PCR: Proteína C-reativa; Teste Qui-quadrado; * p<0,05.

Avaliação Subjetiva Global Bem Nutrido

(A) n (%) Suspeita/Moderadamente Desnutrido

(B) n (%) Gravemente desnutrido

(C) n (%) p valor EPGm

0 11 (37,9) 12 (41,4) 06 (20,7)

0,034*

1 07 (35,0) 05 (25,0) 08 (40,0)

2 02 (9,50) 06 (28,6) 13 (61,9)

Albumina

≥ 3.50 g/dl 17 (37,8) 18 (33,3) 13 (28,9)

0,034*

< 3.50 g/dl 03 (12,0) 08 (32,0) 14 (56,0)

PCR

≤10,0 mg/dl 11 (37,9) 12 (41,4) 06 (20,7)

0,033*

>10.0 mg/dl 09 (21,9) 11 (26,9) 21 (51,2)

albumina têm sido associados a desfechos clínicos desfa- voráveis26.

O EPGm elevado tem se relacionado à desnutrição e à re- dução da sobrevida em pacientes com câncer, além de con- tribuir na intervenção clínica e no uso de medicamen- tosa13,16,26-29, o que tem despertado o interesse para sua incorporação nas diretrizes clínicas, além de compor a defini- ção e o tratamento da caquexia associada ao câncer27,30.

Nossos achados demonstraram associação entre as classes do EPGm e as classes da ASG. Outros estudos que avaliaram esta relação também observaram associação entre esses pa- râmetros em pacientes com câncer gástrico/esofágico6,31 e colorretal12. Costa et al.26 observaram correlação entre o EPGm e o percentual de perda ponderal em paciente com câncer do trato gastrointestinal.

A desnutrição decorre de uma complexa relação de fatores e sua avaliação também exige o emprego de métodos que contemplem suas possíveis causas. A ASG e a Avaliação Subjetiva Produzida Pelo Próprio Paciente (ASG-PP) são os instrumentos mais recomendados, uma vez que avaliam a perda de peso recente, os sintomas gastrointestinais comuns entre os pacientes com câncer, bem como as alterações da in- gestão alimentar e da capacidade física; no entanto, não con- templam a presença da inflamação sistêmica.

A inflamação contribui com a rápida perda de peso e de massa muscular, com a anorexia, além de induzir o processo de caquexia, com significativa redução da sobrevida e da qua- lidade de vida dos pacientes22,32.

Ressalta-se, como limitações, a cautela necessária para a interpretação dos exames bioquímicos utilizados, uma vez que a PCR não é específica para o câncer, sofrendo alterações em situações como infecções, traumas e cirúrgicas24. Quanto à albumina, pode ser influenciada por fatores como hidrata- ção corporal, estresse metabólico ou infecções25, o que foi considerado na interpretação dos resultados.

CONCLUSÃO

O Escore Prognóstico de Glasgow se associou ao estado nutricional definido pela Avaliação Subjetiva Global, no grupo de pacientes avaliados, entretanto, novos estudos desta na- tureza deve ser realizados, dada a relevância e importância em considerar a resposta inflamatória no processo de desnu- trição do paciente com câncer.

AGRADECIMENTOS

Agradecimento especial ao Hospital Universitário Antônio Cassiano Moraes (HUCAM) e ao Serviço de Nutrição.

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In document Nutr. clín. diet. hosp. 2017; 37(3) (página 131-138)

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