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Revista Brasileira de
CIÊNCIAS DO ESPORTE
2179-3255/ © 2014, Colégio Brasileiro de Ciências do Esporte. Publicado por Elsevier Editora Ltda. http://dx.doi.org/10.1590/2179-325520143630007
ARTIGO ORIGINAL
Políticas públicas de esporte e lazer: o processo de formação do
Programa Esporte e Lazer da Cidade de Vitória – ES
Dirceu Santos Silva
a, Carlos Nazareno Ferreira Borges
b,*, André de Deus Roeldes
baPrograma de Pós-Graduação em Educação Física, Departamento de Educação Física e Humanidades, Faculdade de Educação Física,
Universidade Estadual de Campinas, Campinas, SP, Brasil
bPrograma de Pós-Graduação em Educação Física, Centro de Educação Física e Desportos, Universidade Federal do Espírito Santo,
Vitória, ES, Brasil
Recebido em 4 de fevereiro de 2013; aceito em 25 de outubro de 2013
PALAVRAS-CHAVE
Políticas públicas; Esporte;
Lazer; Formação
Resumo O objetivo deste artigo é discutir a experiência formativa do Programa Esporte e La-zer da Cidade (PELC) no município de Vitória, Espírito Santo, apontando para as potencialidades HGLÀFXOGDGHVGHVVDDomRSROtWLFD3DUDWDQWRFRQGX]LPRVXPDSHVTXLVDGHVFULWLYRDQDOtWLFD FRPDERUGDJHPTXDOLWDWLYDDSDUWLUGDDQiOLVHGHFRQWH~GR9HULÀFRXVHTXHDIRUPDomRGR PELC Vitória não conseguiu atender o processo de formação dos agentes sociais, nem as re-FRPHQGDo}HVGDVGLUHWUL]HVQDFLRQDLVGRSURJUDPD$OpPGLVVRKiXPDGHVFRQWLQXLGDGHGRV agentes sociais do primeiro para o segundo convênio do programa no município.
© 2014 Colégio Brasileiro de Ciências do Esporte. Publicado por Elsevier Editora Ltda.
KEYWORDS
Public policies; Sport;
Leisure; Formation
Public policies of sport and leisure: the process of formation of PELC Vitória–ES
Abstract The aim of this paper is to discuss the formative experience of PELC in Vitória, Es-StULWR6DQWRSRLQWLQJWRWKHSRVVLELOLWLHVDQGGLIÀFXOWLHVRIWKLVSROLWLFDODFWLRQ)RUWKLVZH FRQGXFWHGDGHVFULSWLYHDQDO\WLFDOUHVHDUFKWKURXJKTXDOLWDWLYHDSSURDFKEDVHGRQFRQWHQW DQDO\VLV,WZDVYHULÀHGWKDWWKHIRUPDWLRQRIWKH3(/&9LWyULDIDLOHGWRPHHWWKHIRUPDWLRQ process of the social agents, as well as the recommendations of the national guidelines of the SURJUDP)XUWKHUPRUHWKHUHLVDGLVFRQWLQXLW\RIVRFLDODJHQWVEHWZHHQWKHÀUVWDQGWKHVHF ond covenants of the program in the municipality.
© 2014 Colégio Brasileiro de Ciências do Esporte. Published by Elsevier Editora Ltda.
* Autor para correspondência.
E-mail: [email protected] (C.N.F. Borges).
Este é um artigo Open Access sob a licença de CC BY-NC-ND
Este é um artigo Open Access sob a licença de CC BY-NC-ND
Introdução
2SUHVHQWHDUWLJRIRLHODERUDGRGDDQiOLVHVREUHRSURFHVVR
de formação dos agentes sociais do Programa Esporte e La-zer da Cidade (PELC), no município de Vitória, estado do Es-pírito Santo. De forma sintética, o PELC corresponde a uma política pública e social do governo federal, criado em 2003,
TXH VH GHVHQYROYH SRU LQWHUPpGLR GD 6HFUHWDULD 1DFLRQDO
de Esporte, Educação, Lazer e Inclusão Social (SNELIS) do
0LQLVWpULRGR(VSRUWH23URJUDPDVHFDUDFWHUL]DFRPRÀQD
-OtVWLFRFXMDSULQFLSDOMXVWLÀFDWLYDpDFRQVFLHQWL]DomRGRV
parceiros a respeito da importância das políticas públicas de esporte e lazer, com o intuito de aprimorar o controle social e a intersetorialidade das ações (Brasil, 2012a).
A formação no programa é realizada em módulos e,
DSHVDUGHSHTXHQDVDOWHUDo}HVREVHUYDGDVQDVYDULDo}HV
de diretrizes do PELC ao longo do tempo, a estrutura
per-PDQHFH D PHVPD HP PyGXORV LQWURGXWyULR TXH GHYH
acontecer antes do início da execução do convênio, com
FDUJD KRUiULD GH KRUDV GH IRUPDomR HP VHUYLoR HP
todo o período de duração do convênio, com reuniões, no mínimo a cada 15 dias, para troca de experiências,
pa-OHVWUDVHRÀFLQDVHGHDYDOLDomRTXHFRPSUHHQGHGXDV HWDSDVDYDOLDomR,$9,DTXDOGHYHRFRUUHUGHSRLVGH
decorridos dois terços da execução do convênio; e AV II,
DWpRÀQDOGRSHQ~OWLPRPrVGRFRQYrQLR3DUDDSHVTXLVD TXHRULJLQRXRSUHVHQWHDUWLJRSURFXUDPRVFRQVLGHUDUWR
-GDVDVGLUHWUL]HVYiOLGDVQRPRPHQWRSHVTXLVDGR%UDVLO
2010; Brasil, 2012a).
No campo das políticas públicas ‘de esporte e lazer no
%UDVLO QD GpFDGD GH 0DUFHOOLQR DERUGRX TXH RGHVDÀRGDIRUPDomRSURÀVVLRQDOVHUHIHULDjFDSDFLWDomR GHSURÀVVLRQDLVTXHGHXPODGRVXSUDDVQHFHVVLGDGHVGR
mercado e, de outro, amplie a concepção de esporte e lazer como direitos sociais. Além disso, Marcellino et al. (2007)
GHVWDFDUDPTXHDDomRGRSURÀVVLRQDOQmRWHPLQFOXtGRRV
processos de recrutamento e seleção em consonância com
RVYDORUHVTXHUHJHPDVSROtWLFDVS~EOLFDVRVFXUVRVGHIRU -mação e de planejamento; as reuniões técnico-pedagógi-cas; e os intercâmbios.
Em 2003, o Ministério do Esporte avançou no campo das políticas públicas ao criar o PELC, ao propor a formação
FRPRIHUUDPHQWDSHGDJyJLFDSDUDDTXDOLÀFDomRGHSROtWL
-FDVORFDLVFRPRGLUHLWRVVRFLDLVHTXHDWHQGDPjVQHFHVVL -dades da comunidade envolvida. No entanto, só em 2010 foi
ÀUPDGDXPDSDUFHULDFRPD8QLYHUVLGDGH)HGHUDOGH0LQDV
*HUDLV8)0*FRPRLQWXLWRGHYLDELOL]DUDIRUPDomRGRV UHFXUVRV KXPDQRV$ 8)0* WHP R SDSHO GH RUJDQL]DomR H GHLQGLFDomRGHXPSURÀVVLRQDOFRPFRQKHFLPHQWRSDUDD
formação do PELC (Brasil, 2011; 2012a; 2012b).
$IRUPDomRGR3(/&DX[LOLDQDVSUiWLFDVGHDo}HVSHGD
-JyJLFDVGHJHVWRUHVDJHQWHVVRFLDLVOLGHUDQoDVFRPXQLWi
-ULDVSHVTXLVDGRUHVHRXWURVSDUFHLURVGRVJRYHUQRVIHGHUDO
estadual e municipal. A formação objetiva o debate dos temas propostos, o fomento aos processos de intervenção pedagógica, o conhecimento do programa, de suas
diretri-]HVHGDUHDOLGDGHORFDODOpPGDUHÁH[mRVREUHRSDSHOGDV
políticas públicas (Brasil, 2011).
Ao prescrever um plano de formação como
pressupos-WRSDUDDTXDOLÀFDomRGDSROtWLFDRSURJUDPDDSUHVHQWDVH FRPRXPDYDQoRHPUHODomRjVRXWUDVSROtWLFDVPLQLVWHULDLV RTXHSRVVLELOLWRXDUHDOL]DomRGRVVHJXLQWHVTXHVWLRQDPHQ
-WRV TXDLV VmR DV SRWHQFLDOLGDGHV H GLÀFXOGDGHV GDV Do}HV LPSOHPHQWDGDV GH IRUPDomR GR 3(/& 9LWyULD" ( TXDLV VmR
as aproximações e os distanciamentos com as perspectivas citadas no PELC em âmbito nacional?
Para isso, foi proposto como objetivo discutir a
expe-ULrQFLDIRUPDWLYDGR3(/&9LWyULDHDSRQWDUDVTXDOLGDGHV SRWHQFLDOLGDGHVHGLÀFXOGDGHVGHVVDDomRSROtWLFD
Percurso metodológico
7UDWRXVHGHXPDSHVTXLVDGHVFULWLYRDQDOtWLFDFRPDERUGD
-JHPTXDOLWDWLYD$XWLOL]DomRGHVVDDERUGDJHPSHUPLWLXGHV -crever, analisar e compreender as experiências vivenciadas
QR3(/&9LWyULD$SHVTXLVDGHVFULWLYDIRLDPDLVDGHTXDGD
para o estudo do processo formativo, a partir do momento
HPTXHEXVFRXGHVFUHYHUDVFDUDFWHUtVWLFDVGHGHWHUPLQD -dos fenômenos (Richardson, 1989).
$SHVTXLVDIRLUHDOL]DGDSRUPHLRGHWUrVHWDSDVDSUL
-PHLUDFRUUHVSRQGHXjDQiOLVHGRFXPHQWDOQRVGRFXPHQWRV
nacionais do Ministério do Esporte e da Prefeitura Municipal de Vitória. Destaca-se a ausência de documentos do
primei-URFRQYrQLRGR3(/&QDUHIHULGDSUHIHLWXUDRTXHLPSHGLXD UHDOL]DomRGHXPOHYDQWDPHQWRVREUHDTXDQWLGDGHGHSHV -soas atendidas no município; na segunda etapa foi realizada uma observação direta na formação do módulo introdutório
GR3(/&9LWyULDFRPRLQWXLWRGHDSUR[LPDURSHVTXLVDGRU
dos agentes sociais e gestores. A observação direta no mó-dulo introdutório foi realizada no segundo convênio do PELC
9LWyULDFRPRREMHWLYRGHDSUR[LPDUGRREMHWRGHSHVTXLVD PALABRAS CLAVE Políticas públicas; Desporte; Ocio; Formación
Políticas públicas de deporte y ocio: el proceso de formación de PELC Vitória–ES
Resumen El objetivo de este artículo es discutir la experiencia formativa del Programa Depor-WH\2FLRGHOD&LXGDGHQ9LWyULD(VStULWR6DQWRVHxDODQGRODVSRWHQFLDOLGDGHV\GLÀFXOWDGHV GHODDFFLyQSROtWLFD3DUDWDOÀQVHUHDOL]yXQHVWXGLRGHVFULSWLYRDQDOtWLFRFRQHQIRTXHFXD -OLWDWLYREDVDGRHQHODQiOLVLVGHOFRQWHQLGR6HFRQVWDWyTXHODIRUPDFLyQGHO3(/&GH9LWyULD no consiguió atender el proceso de formación de los agentes sociales, así como las recomenda-FLRQHVGHODVGLUHFWULFHVQDFLRQDOHVGHOSURJUDPD$GHPiVVHREVHUYyXQDGLVFRQWLQXLGDGGHORV agentes sociales de la primera a la segunda alianza del programa en la ciudad.
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e na terceira etapa foram realizadas entrevistas semiestru-turadas (Mattos; Lincoln, 2005) com nove agentes sociais (dos 24 agentes sociais do PELC Vitória) e dois gestores
res-SRQViYHLVSHORSURJUDPDQRPXQLFtSLR
2VVXMHLWRVHQWUHYLVWDGRVQmRIRUDPLGHQWLÀFDGRVQRDU
-WLJRSRUTXHVW}HVpWLFDVIRUDPUHSUHVHQWDGRVSHODVLJOD$6
(agentes sociais) e G (gestores). AS1, AS2 e AS3 são do
nú-FOHRGREDLUUR5HS~EOLFD$6H$6GR3DUTXH7DEXD]HLUR $6 H$6 GR3DUTXH 0DQJXH 6HFR$6 H$6 GR3DUTXH 0RVFRVR2*FRUUHVSRQGHDRVHFUHWiULRH[HFXWLYRGD6H -cretaria de Esporte, Lazer e Cultura de Vitória, e o G2 se refere ao coordenador-geral do PELC Vitória. A escolha dos sujeitos buscou alcançar os dois gestores de primeiro esca-lão (com mais responsabilidades), além dos agentes sociais
GRVTXDWURQ~FOHRVHWXUQRV
A técnica utilizada para tabulação e interpretação dos
GDGRVIRLDDQiOLVHGHFRQWH~GRTXHSHUPLWLXRUHFRUWHGRV WH[WRV GH DFRUGR FRP RV FRQWH~GRV PDLV VLJQLÀFDWLYRV$V IDVHV GD DQiOLVH GH FRQWH~GR IRUDP RUJDQL]DGDV HP WUrV SRORVFURQROyJLFRVDSUpDQiOLVHTXHWHYHFRPRREMHWLYR WRUQDURSHUDFLRQDLVDVLGHLDVLQLFLDLVHVLVWHPDWL]iODVHOHU HHVFROKHUDGRFXPHQWDomRDH[SORUDomRGRPDWHULDOTXH FRUUHVSRQGHXjIDVHGHDSURIXQGDPHQWRQDOHLWXUDHDQiOL -se; e o tratamento dos resultados, a inferência e a interpre-tação (Bardin, 2009).
Por meio da coleta de dados foi possível estabelecer três
FDWHJRULDV DQDOtWLFDV TXH JXLDUDP D SHVTXLVD D TXDOLGDGH
da formação; as potencialidades da formação para a
inter-YHQomR H DV GLÀFXOGDGHV GD IRUPDomR$QWHV SRUpP GH DSUHVHQWiODVIRUDPDSURYHLWDGRVRVGDGRVFROHWDGRVSDUD
discutir brevemente a respeito da dinâmica de formação do PELC em âmbito nacional, bem como as experiências na for-mação e na intervenção.
Estruturação do PELC
O PELC caracteriza-se como a principal ação política do Mi-nistério do Esporte no campo do lazer e tem como objetivo central contribuir com a democratização do acesso a ele, por meio da promoção de ações educativas. O programa es-timula a convivência social, a formação de gestores e
lide-UDQoDVFRPXQLWiULDVRIRPHQWRjSHVTXLVDHjVRFLDOL]DomR
do conhecimento (Brasil, 2012a).
2S~EOLFRDOYRGR3(/&IRLGHÀQLGRHPDSDUWLUGRV
três núcleos operacionais:1 1~FOHRV 7RGDV DV ,GDGHV TXH
visa ampliar as ações de democratização do acesso ao es-porte e ao lazer; Núcleos para os Povos e Comunidades Tra-dicionais, para atender grupos culturalmente diferenciados;
H1~FOHRV9LGD6DXGiYHOSDUDDWHQGHUSHVVRDVDSDUWLUGH
45 anos. As diretrizes do PELC são: auto-organização; tra-balho coletivo; intergeracionalidade; fomento e difusão da
FXOWXUD ORFDO UHVSHLWR j GLYHUVLGDGH LQWHUVHWRULDOLGDGH H
autogestão (Brasil, 2012b).
1 Em 2011, a parceria entre o Programa Nacional de Segurança
Pública com Cidadania (PRONASCI) (Ministério da Justiça) e o PELC se desfez. O PRONASCI, criado pela Lei nº 11.530, de 25 de outubro de 2007, e sua associação com o PELC tiveram como base os rela-WyULRVGH6HJXUDQoD3~EOLFDRVTXDLVPRVWUDPTXHDVWD[DVPDLV altas de homicídio são registradas nas regiões metropolitanas, e DSREUH]DHRGHVHPSUHJRVmRSUHRFXSDQWHVFRPDFHVVRSUHFiULR aos direitos.
(VVH SURJUDPD VH FRQÀJXUD FRPR XPD SROtWLFD LQWHU
-VHWRULDO QD SHUVSHFWLYD GLVFXWLGD SRU -XQTXHLUD ,QRMRVD H
.RPDWVXMiTXHVHJXHDVVHJXLQWHVRULHQWDo}HVUHD
-liza articulações intergovernamentais, federal e municipal; articulações institucionais entre os Ministérios do Esporte, da Justiça e da Cultura, além das articulações políticas com o próprio setor, como o Programa Pintando a Liberdade e o Programa Pintando a Cidadania, na confecção de materiais
HVSRUWLYRVHDUWLFXODo}HVFRPDVRFLHGDGHFLYLOTXDQGRHQ -fatiza a participação da comunidade local como protagonis-ta do convênio.
Embora se tenha um histórico de implementação de po-líticas sob a égide da democratização do acesso ao esporte
HDROD]HUQR%UDVLOFRPRRHPEOHPiWLFR3URJUDPD(VSRUWH 3DUD7RGRV(37HIHWLYDGRQRÀPGDGpFDGDGHHP WHUPRVJHUDLVSRGHVHGL]HUTXHR3(/&VHFRQÀJXUDFRPR
XPDYDQoRSDUDRFDPSRGROD]HU,VVRSRUTXHHPVXDSUHV
-FULomRHVWDEHOHFHXPSHUÀOGHSROtWLFDTXHWHPDLQWHQomR
de fortalecer os aspectos sociais. O surgimento do PELC foi pensado no Plano Plurianual (2004–2007) do Ministério do
(VSRUWHRTXHURPSHFRPRPRGHORGHJHVWmRS~EOLFDGH HVSRUWHHGHOD]HUTXHREMHWLYDYDR´UHQGLPHQWRµKHJHPR -nicamente desde o Decreto-Lei nº 3.199, de 14 de abril de 1941 (Castellani Filho, 2007).
1mR Ki FRQGLo}HV VXÀFLHQWHV QHVWH WH[WR SDUD QRV GH
-EUXoDUPRVQRGHEDWHDFXPXODGRTXHYHPVHID]HQGRVREUH
o PELC desde sua implementação, sobretudo no embate
en-WUHRVTXHDQDOLVDPDVSHFWRVUHOHYDQWHVGHVVDSROtWLFDHRV TXHWHFHPFUtWLFDVGHQVDVDRÀQDQFLDPHQWRTXDVHVHPSUH GHIDVDGRHPUHODomRjVSUHWHQV}HVGHDFHVVRGHPRFUiWLFR
ao lazer em um país continental, assim como as críticas aos modelos de gestão, em constantes mudanças em razão dos contextos políticos e econômicos no Brasil após o início do
SULPHLURPDQGDGRGRSUHVLGHQWH/XL],QiFLR/XODGD6LOYD2
1R HQWDQWR PHVPR TXH R GHEDWH GRV SDUkPHWURV
mencionados seja intenso, parece haver um consenso
TXDQGR R DVVXQWR p D LPSRUWkQFLD GD SURSRVLomR GH XP VLVWHPDGHIRUPDomRGRVDJHQWHVSDUDDTXDOLÀFDomRGD SROtWLFD 'HVVD IRUPD SRGHVH DÀUPDU TXH R 3(/& QD IRUPD FRPR HVWi SUHVFULWR UHIRUoD Do}HV HVWUXWXUDQWHV TXHTXDOLÀFDPRFRUSRWpFQLFRDGPLQLVWUDWLYRRTXHFRQ -tribui para a construção de um pilar importante na sua
HVWUXWXUDomR R GHQRPLQDGR ´6LVWHPD GH )RUPDomR GRV $JHQWHV6RFLDLVGH(VSRUWHH/D]HUGR3(/&µ20LQLVWp -rio do Esporte compreende os agentes sociais como os protagonistas para efetivação das ações, devendo compor
RTXDGURLQWHUGLVFLSOLQDUHPXOWLSURÀVVLRQDOFRPDUWLFX -lação coletiva para a construção dos saberes populares e acadêmicos (Brasil, 2010).
O manual de orientação do Ministério do Esporte indica
TXHR3(/&GHYHOHYDUHPFRQVLGHUDomRTXH
As manifestações socioculturais, artísticas, intelectu-ais, físico-desportivas acontecem tendo como
princí-SLRDJHVWmRSDUWLFLSDWLYDHGHPRFUiWLFDPHGLDGDSH -los Agentes Sociais de Esporte e de Lazer, pessoas com 2 Areias e Borges (2011) apresentaram um panorama dos
em-bates em torno da proposição do PELC como uma política pública efetiva de esporte e de lazer no Brasil. Inclusive, apontavam as ten-dências de aprofundamento do debate em razão das prioridades do 0LQLVWpULRGR(VSRUWHHPXPFHQiULRGHUHDOL]Do}HVGRVSULQFLSDLV megaeventos esportivos no Brasil.
IRUPDomR PXOWLSURÀVVLRQDO H SHUÀO GH PRELOL]DGRUHV VRFLDLVFRPOHJLWLPLGDGHMXQWRjFRPXQLGDGH%UDVLO
2004, p. 11).
A função de um agente de lazer é de um intelectual
TXHOXWDSHODHPDQFLSDomRSRSXODUSURGX]LQGRDFXOWXUDH
a moral das relações pedagógicas. Cabe ao agente articular
DUHDOLGDGHGDFRPXQLGDGHHFRQKHFHUVXDVHVSHFLÀFLGDGHV
culturais, econômicas e estruturais. Na operacionalização
GRDWHQGLPHQWRGROD]HUpQHFHVViULDXPDHGXFDomRSDUD
a participação da sociedade civil no exercício da cidadania (Mascarenhas, 2004).
Apesar dos avanços proporcionados pelo PELC, ao bus-car a formação dos agentes sociais e a democratização das
SUiWLFDV GH OD]HU IRL YHULÀFDGD XPD DSUR[LPDomR GR SUR -grama com as estratégias neoliberais. Isso se aproxima da discussão de Draibe (1993) sobre as políticas sociais em um ambiente de aprofundamento do projeto político-neoliberal
TXDQGR HVWDEHOHFH WUrV FDUDFWHUtVWLFDV FHQWUDLV D SULYDWL -zação, a descentralização e a focalização. A privatização no PELC ocorre pelo deslocamento dos serviços para o
se-WRUSULYDGRQmROXFUDWLYRFRPRDVVRFLDo}HVÀODQWUySLFDVH RUJDQL]Do}HVFRPXQLWiULDVQRGHVHQJDMDPHQWRGRJRYHUQR GDJDUDQWLDGRGLUHLWRDROD]HU$RÀPGRFRQYrQLRDSUR -SRVWDpDUHWLUDGDGR(VWDGRGRÀQDQFLDPHQWRHDFRPSDQ -KDPHQWRGDVDo}HVRTXHIRUoDRPXQLFtSLRRXLQVWLWXLo}HV FRUUHVSRQViYHLVSHORFRQYrQLRDEXVFDUHPUHFXUVRVHSDU
-FHULDV SUySULDV DXWRJHVWmR QmR VH FRQÀJXUDQGR GH IDWR
uma garantia do direito social ao lazer de forma contínua.3
A descentralização ocorre como princípio de aumento da
HÀFLrQFLDHGDHÀFiFLDGRJDVWRDSUR[LPDQGRSUREOHPDVGH JHVWmR3RUÀPDIRFDOL]DomRDSDUWLUGRPRPHQWRHPTXH RJDVWRVRFLDOWHPVLGRGLUHFLRQDGRDXPS~EOLFRHVSHFtÀFR
selecionado pela sua maior necessidade, pessoas e
comuni-GDGHVHPiUHDVGHYXOQHUDELOLGDGHVRFLDORTXHQmRXQLYHU -saliza o acesso ao esporte e ao lazer como direito de todos, mas, sim, como serviços a serem prestados pelo Estado.
Apesar de se aproximar das características do projeto neoliberal, o PELC também apresenta indícios de um
mode-ORGHJHVWmRVRFLHWDO3DXODTXDQGREXVFDDSDUWLFL
-pação da sociedade civil no desenvolvimento do convênio, além de tentar romper com o esporte hegemônico, buscan-do incentivar e promover o acesso ao lazer. O programa tem
DLQWHQomRGHIRUPDUSDUDDFLGDGDQLDRTXHPRVWUDGLIH -rentes projetos políticos em paralelo no desenvolvimento das ações políticas.
Experiências na formação e intervenção do
PELC Vitória
O PELC Vitória tem como referência a proposta nacional, e a formação dos agentes locais envolveu o aprofundamento dos princípios do programa, bem como dos conceitos de
la-36REUHDSULYDWL]DomRGR3(/&UHVVDOWDVHTXHDSyVRDIDVWD
-mento e a exoneração do ministro do Esporte, Orlando Silva, em 26 de outubro de 2011, e a autorização, pelo Supremo Tribunal Federal 67) GD DEHUWXUD GH LQTXpULWR SDUD H[DPLQDU DV LUUHJXODULGDGHV nos convênios do Ministério do Esporte e o desvio de dinheiro pú-blico, foi vetado o convênio com instituições do setor privado não lucrativo.
]HU FXOWXUD HVSRUWH H SROtWLFDV S~EOLFDV$ IRUPDomR TXH DFRPSDQKDPRVRFRUUHXHPTXDWURGLDVSRUXPSURÀVVLRQDO
contratado pelo Ministério do Esporte, com uma carga
ho-UiULD GH KRUDV R TXH UHVSHLWRX DV UHFRPHQGDo}HV GDV
diretrizes da formação nacional.
O programa, em Vitória, foi conveniado pela primeira vez em 2006, e, a partir de maio de 2007, foram contra-tados os agentes sociais para a realização da formação do módulo introdutório. Não existem registros e/ou docu-mentos na prefeitura sobre a realização dos módulos de
IRUPDomRGRSULPHLURFRQYrQLRRTXHGHPRQVWUDGHVRUJD -nização do setor público em relação aos convênios com o governo federal.
$RÀQDOGRSULPHLURFRQYrQLRD3UHIHLWXUD0XQLFLSDOGH
Vitória e o Ministério do Esporte o renovaram, e, em 2009, foi feita outra formação do módulo introdutório. Na
obser-YDomRGLUHWDIRLFRQVWDWDGDXPDPXGDQoDUDGLFDOQRTXDGUR
dos agentes sociais e dos gestores do primeiro para o
segun-GR FRQYrQLR R TXH PRVWURX D GHVFRQWLQXLGDGH GDV Do}HV
políticas. A instabilidade da permanência do programa e a
DXVrQFLDGHFRQFXUVRS~EOLFRQRFDPSRGROD]HUMXVWLÀFDP DVWURFDV FRQVWDQWHV GRV DJHQWHVVRFLDLV R TXH JHURX PDLV
gastos do Ministério do Esporte com a formação. Além disso, a formação inicial do segundo convênio só aconteceu a partir
GRTXLQWRPrVHQTXDQWRDVGLUHWUL]HVGRSURJUDPDQDFLRQDO
previam no segundo mês, conforme edital de convênio do
SHUtRGRSHVTXLVDGR&RQVLGHUDQGRDVOLPLWDo}HVGHWHFWDGDV
entre o previsto e o realizado em termos de módulos de for-mação, nas próximas seções foram discutidas as categorias
DQDOtWLFDVGDSHVTXLVDHRIDUHPRVDQFRUDGRVHPHVWXGRVQR FDPSRGDIRUPDomRSURÀVVLRQDOHPOD]HUVREUHWXGRFRPDV
contribuições de Isayama (2003, 2005, 2009).
Qualidade da formação
4XDQGRTXHVWLRQDGRVRVDJHQWHVVRFLDLVVREUHDTXDOLGDGH
da formação proporcionada pelo PELC Vitória, foi possível
DQDOLVDU HP TXH PHGLGD D IRUPDomR UHSHUFXWLX QD LQWHU
-YHQomR SHGDJyJLFD GHOH 'HVVD IRUPD SHUFHEHXVH TXH
a capacitação no primeiro convênio só existiu no módulo introdutório, não havendo uma continuidade na formação
GRV PyGXORV VHJXLQWHV 2V DJHQWHV VRFLDLV QRWDUDP TXH D TXDOLGDGHGDIRUPDomRHVWiDWUHODGDDWUrVHL[RVFHQWUDLV
1RSULPHLURHL[RIRLREVHUYDGRTXHRVDJHQWHVVRFLDLV
concebem a formação do PELC como possibilidade real de estabelecer contatos intranúcleos e internúcleos. Essa tro-ca de experiência foi compreendida como positiva para a intervenção pedagógica do programa, conforme relata o agente social:
[...]. Eu acho essa formação de fundamental
impor-WkQFLD SRUTXH DOpP GH YRFr HVWDU HP FRQWDWR FRP
todos os outros professores, de todos os turnos, e
con-WDWRFRPRVHVWDJLiULRVYRFrÀFDFRQKHFHQGRRSUR -jeto em sua essência, seus objetivos, sua história, sua
HYROXomRVXDVGLÀFXOGDGHVDOpPGHWUDEDOKDUDOJXQV FRQFHLWRVFRPRFXOWXUDHVSRUWHOD]HUHMRJRTXHQmR
são trabalhados durante o dia a dia [...] nós podemos compartilhar experiências vividas com outros colegas, trabalhar atividades diferentes, aperfeiçoando nossa
o seu modo de pensar, limitar melhor seus objetivos, trabalhar literalmente o lazer como uma atividade in-trodutória do PELC. (AS1).
Nas entrevistas com os agentes sociais do PELC Vitória foi possível perceber a relevância dada a essa formação para a troca de experiências. Esse tipo de formação apro-xima-se da proposta estabelecida por Isayama (2003),
TXDQGR HQIDWL]RX D FRQVWUXomR GH VDEHUHV H FRPSHWrQ -cias referentes ao lazer a partir de uma rede coletiva de trabalho. Essa construção de redes, segundo Nóvoa
SRVVLELOLWD D TXDOLÀFDomR H D VRFLDOL]DomR HQWUH RVSURÀVVLRQDLVDOpPGHDÀUPDURVYDORUHVSUySULRVGDV
políticas públicas locais.
No segundo eixo, os agentes sociais compreenderam a formação como um momento de apropriação de conceitos
WHyULFRVLPSRUWDQWHVSDUDDIXQGDPHQWDomRQHFHVViULDDRV REMHWLYRVGRSURJUDPD1RHQWDQWRpSHUFHSWtYHOTXHDIRU
-PDomRLQLFLDODSHVDUGHLPSRUWDQWHQmRIRLVXÀFLHQWHHVy FRPDSUiWLFDIRLSRVVtYHOGHVHQYROYHURVFRQFHLWRVDSURIXQ -dados, conforme relato da entrevista a seguir:
Na verdade eu entrei no projeto sem formação
ne-QKXPDQHPVDELDRTXHHUDRSURMHWRHQHPDLQ
-WHQVLGDGH TXH HOH DWXDYD $JRUD TXH HVWRX FRPH
-oDQGRDHQWHQGHURTXHpRSURMHWRPDVDIRUPDomR PHVPR HX DFKR TXH SUDWLFDPHQWH QHQKXPD (X HQWUHL´QXDHFUXDµHDVIRUPDo}HVTXHKDYLDPVLGR
feitas até agora não deram embasamento para nós trabalharmos. A gente foi pegando experiência
du-UDQWHRVHYHQWRV$JHQWHYDLYHQGRRTXHIXQFLRQD HRTXHQmRIXQFLRQD$6
A carência relatada pelo agente social, para atuação em
SROtWLFDVVRFLDLVFRPRR3(/&FRQÀUPDRTXDQWRDSURSRV -ta de formação pode contribuir na intervenção
pedagógi-FDGRSURJUDPD$GLÀFXOGDGHUHODWDGDSHORDJHQWHVRFLDO DSUR[LPDVHGDGLVFXVVmRGH,VD\DPDTXDQGR GHVWDFRXTXHDH[SDQVmRGRVFXUVRVGHIRUPDomRSURÀVVLR -QDOQRFDPSRGROD]HUQmRWHPVLGRVXÀFLHQWHSDUDVXSULU DVQHFHVVLGDGHVGDVSROtWLFDVS~EOLFDVMiTXHHVVDIRUPDomR QmRWHPFRQWHPSODGRDVTXHVW}HVVRFLDLVHFXOWXUDLVPDV
sim, as necessidades do lazer no mercado.
Corroborando com os dados apresentados, um dos
ges-WRUHVHQWUHYLVWDGRVHQIDWL]RXTXHDIRUPDomRGR3(/&FRP -SUHHQGHGRLVPRPHQWRV´RSULPHLURVHUHIHUHjLQWHUYHQomR GRVSURÀVVLRQDLVQDVFRPXQLGDGHVRVHJXQGRPRPHQWRVH UHIHUHjIRUPDomRGRFRQKHFLPHQWRGHQWURGRTXHVHHQWHQ -GHRXSHORPHQRVGRTXHVHFRQFHEHFRPROD]HUHSROtWLFD S~EOLFDGHkPELWRQDFLRQDOµ*
No terceiro eixo, os agentes sociais perceberam a
for-PDomRFRPRXPDSRVVLELOLGDGHGHDWXDOL]DomRHUHVVLJQLÀ -cação da aprendizagem conseguida durante sua graduação,
HUHODWRXTXHDIRUPDomRGRPyGXORLQWURGXWyULRpLQVXÀ
-FLHQWHSDUDJDUDQWLUXPDLQWHUYHQomRTXDOLÀFDGDFRQIRUPH
trechos seguintes das entrevistas:
[...]. Em minha opinião ela [a formação] veio para
DFUHVFHQWDUHPWRGRRWUDEDOKRTXHDJHQWHYHPGH
-VHQYROYHQGRQR3(/&>@FRPHVVDUHVVLJQLÀFDomRWR
-GLQKD VLF TXH R SUySULR 0LQLVWpULR GR (VSRUWH YHP SURSRU DWUDYpV GHVVD FDSDFLWDomR (QWmR DFKR TXH
SDUD PLP HVWi VHQGR IDYRUiYHO SRUTXH HX SRVVRUH
-FULDU UHYLYHU PXLWDV FRLVDV TXH HX Mi WLQKD YLVWR QD
faculdade (AS7).
Bom, essa formação é muito importante, não só na
TXHVWmR GHFRQWH~GRPDVQDTXHVWmRGHLQWHJUDomR GDHTXLSHSRUTXHRQ~FOHRQmRIXQFLRQDVR]LQKRVHP DLQWHJUDomRWDQWRGDHTXLSHGHXPQ~FOHRFRPRGRV
outros núcleos em conjunto. Então o conteúdo foi muito importante, mas essa integração de todos se conhecerem, de todos terem contato, trocar ideias, achei muito mais importante (AS8).
$TXDOLGDGHQDIRUPDomRWDPEpPIRLGHVWDTXHHPRX
-WURV WUHFKRV GDV HQWUHYLVWDV TXDQGR XP GRV JHVWRUHV IH]
um relato sobre a capacitação de 32 horas do módulo
intro-GXWyULR´>@QmRIRLVXÀFLHQWHSDUDWUDWDUGHWXGRDTXLOR TXHROD]HUHDUHFUHDomRHQVHMDPPDVpXPJUDQGHSDVVR HPUHODomRDRVSURMHWRVSDVVDGRVTXHQmRWLQKDPXPDSUH -RFXSDomRFRPDIRUPDomRGHTXDGURVµ*2XWURJHVWRU HQWUHYLVWDGRDERUGRXTXH´>@DFDSDFLWDomRp¶RSRQWDSp LQLFLDO·SDUDTXHRSURJUDPDWHQKDXPJUDQGHDYDQoRHXPD JUDQGHIRUPDWDomRTXHLUiDMXGDUHPPXLWRRGHVHQYROYL -PHQWRGROD]HUHPQRVVRPXQLFtSLRµ* 3DUDÀQDOL]DUDGLVFXVVmRVREUHDTXDOLGDGHGDIRUPDomR FRQFRUGDPRV FRP (ZHUWRQ H )HUUHLUD TXDQGR DÀU
-PDP TXH R SURFHVVR IRUPDWLYR GR 3(/& HVWi QD EDVH GRV
agentes sociais de esporte e lazer e deve contemplar inte-gração, coletividade e participação dos diversos atores do núcleo em todo o ciclo da política pública (planejamento, implementação e avaliação).
Potencialidades da formação para a intervenção
A troca de vivências entre os agentes sociais foi compre-endida como um elemento importante para a formação e interlocução entre os núcleos. No caso do PELC Vitória,
LQWHQVLÀFDUDPVH GLYHUVDV PXGDQoDV LQWHUQDV QR PRPHQWR HP TXH IRUDP YLVXDOL]DGDV DV Do}HV UHJLRQDLV (VVD WURFD
de experiência contribuiu para o maior entendimento dos conceitos no campo do lazer e surgiu como uma potencia-lidade da formação para a intervenção. Os agentes sociais relataram como potencial:
>$IRUPDomR@SDUWLOKDGDTXHKiHQWUHRVQ~FOHRVHQWUH
os coordenadores, as opiniões emitidas pelos
profes-VRUHVRVHVWDJLiULRVSRGHQGRRSLQDUID]HQGRDVDWLYL -dades com o Ministério do Esporte, uma relação mais horizontal, todo mundo igual numa mesma capacita-ção para todos (AS1).
&RPHVVDIRUPDomRMiTXHpXPSURMHWRGRJRYHUQR IHGHUDOYiULRVPXQLFtSLRVGHYiULDVUHJL}HVSDUWLFL -pam, e nessa formação a gente consegue visualizar
PHOKRURTXHpGHVHQYROYLGRHPYiULDVUHJL}HVHSRGH DSOLFDUDOJXPDFRLVDQRPyGXORTXHDJHQWHWUDEDOKD
(AS4).
De acordo com Maia (2003), a formação pessoal para a intervenção nas políticas públicas depende de um debate amplo das concepções de esporte e de lazer, e permite o
GHVHQYROYLPHQWR GR SURÀVVLRQDO SDUD SDUWLFLSDU GDV UH
-ÁH[}HV GD iUHD GR 3(/& (VVD IRUPDomR GHYH DWHQGHU RV VDEHUHV SUiWLFRV D LGHQWLGDGH SHVVRDO H D FXOWXUDO QmR
apenas o acúmulo de cursos ou técnicas. A cultura tem um
SDSHOFHQWUDOQDIRUPDomRGRVFLGDGmRVUHÁH[LYRVFRPXP
olhar para os aspectos inovadores do processo educativo. A formação para a intervenção foi presente na fala de
XP GRV DJHQWHV VRFLDLV $6 TXDQGR DERUGRX TXH R 3(/& 9LWyULD FRPSUHHQGHX ´>@ WDQWR D SDUWH WHyULFD TXDQWR DSDUWHSUiWLFDµ6HJXQGRRXWURDJHQWHVRFLDOHQWUHYLVWDGR $6RSURJUDPDpPXLWRERPHHVWiFRQWULEXLQGRSDUDR
desenvolvimento das políticas públicas locais, mas precisa melhorar a estrutura e ampliação para outros municípios.
No módulo introdutório observado, foi possível perceber
TXHDIRUPDomRDWHQGHRVVDEHUHVWHyULFRVHSUiWLFRVEHP FRPRUHIRUoDDLGHQWLGDGHORFDO1DIRUPDomRYHULÀFRXVH
uma ampliação da compreensão do PELC, dos conceitos de
FXOWXUD HVSRUWH H OD]HU DVVLP FRPR GDV DWLYLGDGHV SUiWL
-FDVSRUPHLRGDVRÀFLQDVPLQLVWUDGDVTXHSHUPLWLUDPXPD VLPXODomRGRTXHSRGHRFRUUHUQDSUiWLFDFRPDVGLQkPLFDV
lúdicas, mostras de vídeos, atividades recreativas e vivência de um microevento, atendendo as diretrizes nacionais do programa.
Essa formação transcendeu o debate do lazer como
PHUFDGRULDRTXHVHDSUR[LPRXGDSHUVSHFWLYDGHVFUL
-WDSRU0DVFDUHQKDVTXHFRPSUHHQGHDIRUPDomR
FRPRXPHVSDoRGHRUJDQL]DomRGDFXOWXUDTXHVWLRQDQ
-do os valores da ordem social vigente, de forma crítica, na busca da ampliação do lazer para além das atividades recreativas.
A formação do PELC Vitória buscou estabelecer uma nova
RUGHPVRFLRFXOWXUDOFRPRSURSRVWRSRU,VD\DPDj PHGLGDTXHDH[SHULrQFLDIRLSODQHMDGDSRUWRGRVRVVXMHL
-WRVHQYROYLGRVFRPRDX[tOLRGHXPSURÀVVLRQDOGR0LQLVWp -rio do Esporte na construção social. Os agentes sociais se envolveram e participaram, de forma crítica, e a prioridade foi a ampliação das vivências de lazer, com ênfase na auto-gestão e na transformação da sociedade.
A potencialidade de uma formação para intervenção no lazer é dependente da construção de saberes e com-petências relacionadas aos valores de uma sociedade
GHPRFUiWLFD(QYROYHXPDFRPSUHHQVmRGRSDSHOVRFLDO
do profissional, os domínios de conteúdos socializados
H RV FRQKHFLPHQWRV GH SURFHVVRV GH LQYHVWLJDomR TXH DSHUIHLoRHP D SUiWLFD SHGDJyJLFD H D DomR HGXFDWLYD
(Isayama, 2009).
'LÀFXOGDGHVGDIRUPDomR
2V DJHQWHV VRFLDLV FLWDUDP FRPR GLÀFXOGDGHV SDUD R ERP
funcionamento do programa: a desconsideração das
expe-ULrQFLDVDQWHULRUHVGRVDJHQWHVTXHWUDEDOKDPFRPOD]HUHD
falta de divulgação do programa na comunidade, conforme trechos das entrevistas:
[...]. Na verdade eles não procuram saber nada de
QLQJXpP HOHV TXHUHP WUDQVPLWLU RV FRQKHFLPHQWRV
para a gente saber como é o programa e a atitude no
Q~FOHR$JRUDHOHVQmRVDEHPRTXHHXVRXRTXHHX À]HRVFXUVRVTXHHXMiSDUWLFLSHL(QWmRDVVLPFDGD XPDTXLHVWiSDUDDSUHQGHURSURMHWRGR3(/&$6
[...]. Eu tenho formação em educação especial, eu
te-QKRIRUPDomRHPDUWHWHUDSLDTXHpSRXFRGHVHQYRO -vida dentro dos núcleos [...]. A gente tem formação,
QyVWHPRVFRQKHFLPHQWRPDVDGLÀFXOGDGHSDUDDJLU
é muito grande, falta estrutura, falta divulgação, acho
TXHGHYHULDWHUSDQÁHWDJHP$6
A falta de divulgação também foi citada por outro
agen-WHVRFLDO$6FRPRXPHOHPHQWRTXHGLÀFXOWRXRGHVHQ
-YROYLPHQWRGDVDo}HVSROtWLFDV$SDQÁHWDJHPIRLLQGLFDGD FRPRYHtFXORGHFRPXQLFDomRTXHSRWHQFLDOL]DULDDGLYXO -gação do programa na comunidade.
$SHVDUGHRVDJHQWHVDSRQWDUHPFRPRGLÀFXOGDGHDGHV -consideração das experiências anteriores, dois entrevista-dos argumentaram sobre o aproveitamento dessas experiên-cias, não existindo um consenso, conforme se pode observar nos relatos a seguir:
(XDFUHGLWRTXHVLPSRUTXHDPLQKDIRUPDGHGDUDXOD VH LGHQWLÀFD FRP RV REMHWLYRV GR 3(/& (QWmR WRGR HVVHPHXWHPSRGHIRUPDomRWDQWRSUiWLFDTXDQWR WHyULFDDFKRTXHGHXXPSRXTXLQKRGHEDJDJHPSDUD
eu trabalhar nessa dinâmica (AS8).
6LPIRLOHYDGDHPFRQVLGHUDomRVHPG~YLGDVTXHIRL 3RUTXHHXMiPH[LDFRPSLQWXUDGHURVWRTXHKRMHp XPWUDEDOKRTXHHOHVID]HPELFKLQKRVGHEDOmRTXH p XP WUDEDOKR TXH WHP VH GHVHQYROYLGR QDV UXDV GH
lazer, dentro dos núcleos (AS9).
Os agentes sociais entrevistados consideram sua
for-PDomR LQVXÀFLHQWH SDUD GHVHPSHQKDU D IXQomR GH IRUPD DGHTXDGD QR 3(/& H DYDOLDP TXH HVVD FDUrQFLD HVWi UHOD
-FLRQDGDjIDOWDGHFXUVRVQRFDPSRWHyULFRDFDGrPLFR8P DJHQWHVRFLDO$6UHODWRXTXHDIDOWDGHFRQWLQXLGDGHGR TXDGURGHJHVWRUHVIRUPDGRVSHOR0LQLVWpULRGR(VSRUWHWHP GLÀFXOWDGR R GHVHQYROYLPHQWR GDV Do}HV SROtWLFDV Mi TXH R SURJUDPD SRVVXL SUD]RV GHÀQLGRV SDUD LQLFLDU H DFDEDU 2XWUDGLÀFXOGDGHUHODWDGDSRUXPGRVDJHQWHVVRFLDLVpR WHPSRGDIRUPDomRDÀUPDQGRTXH´FHUWDVFDSDFLWDo}HVGR
Ministério do Esporte precisavam de mais tempo e de mais
SURÀVVLRQDLVQyVWLYHPRVDSHQDVXPSURÀVVLRQDOSDUDPLQLV
-WUDUWUrVGLDVGHFXUVRµ$6
Os agentes sociais entrevistados pontuaram a existência
GHXPDIDOKDQDIRUPDomRGR3(/&TXDQGRDÀUPDUDPTXH R FRQKHFLPHQWR VREUH R SURJUDPD Vy IRL DGTXLULGR QD VXD SUiWLFDDSHVDUGDUHDOL]DomRGDIRUPDomRLQLFLDO6HJXQGR RWUHFKRGDHQWUHYLVWDRSURÀVVLRQDO´>@MiYHPFRPFHUWR FRQKHFLPHQWRRUHVWRpDGTXLULGRGHQWURGRSURMHWRGHQ
-WURGDFDSDFLWDomRTXHMipDSUHVHQWDGDFRPRREULJDWyULDµ
(AS1).
8P GRV JHVWRUHV DFUHVFHQWRX TXH H[LVWH XP FDQDO GH SDUWLFLSDomRDEHUWRSDUDRVSURÀVVLRQDLVFRPSUREOHPDVQRV
núcleos entrarem em contato diretamente com a
coorde-QDomRGRSURJUDPD´>@(VVHFDQDOpDEHUWRVLVWHPDWLFD
-PHQWH D JHQWH VH FRPXQLFD PXLWR SRU HPDLO DV GLÀFXO
-GDGHVHQyVWHPRVVLVWHPDWLFDPHQWHUHXQL}HVTXLQ]HQDLV SDUDGLVFXWLUPRVHVVDVGHPDQGDVµ*
3DUDVXSULUDVGLÀFXOGDGHVGDIRUPDomRGRVDJHQWHVVR -ciais, Stoppa et al.GHVWDFDUDPTXHVHUiQHFHVViULR
organizar atividades, liderar grupos, iniciar as pessoas em
-FDVHDGPLQLVWUDUUHFXUVRVSDUDTXHJUXSRVSRVVDPXVXIUXLU
das atividades de lazer.
0DVFDUHQKDV DFUHVFHQWRX TXH DOJXPDV KDELOLGD
-GHVVmRQHFHVViULDVDUWLFXODUDUHDOLGDGHGDFRPXQLGDGH FRQKHFHUHHQWHQGHUVXDVHVSHFLÀFLGDGHVFRPRDVXDFXOWX -ra e os problemas econômicos; e elabo-rar e articular o con-hecimento de forma interdisciplinar. Os agentes sociais são chamados de educadores, sujeitos com a função de coorde-nar e executar as atividades, verdadeiros animadores;
en-WUHWDQWRGHYHPVHUVXMHLWRVFUtWLFRVHUHÁH[LYRVSDUDQmR
serem meros reprodutores do lazer mercadoria.
As limitações relatadas pelos agentes sociais e gestores são
SUy[LPDVGRVUHVXOWDGRVHQFRQWUDGRVSRU(ZHUWRQTXDQ
-GRHYLGHQFLRXDGLFRWRPLDHQWUHRTXHpSURSRVWRQDIRUPDomR
(teoria) e a intervenção dos agentes sociais nos núcleos do
3(/&SUiWLFD'HVWDFRXVHDGLÀFXOGDGHQRPRQLWRUDPHQWRH
controle social das ações de formação, em especial do módulo de formação em serviço, e chamou-se atenção para a lacuna entre a proposta de formação e a assimilação de conteúdos por
SDUWHGRVDJHQWHVVRFLDLVTXHQmRFRQVHJXLUDPDPSOLDUDFRP -preensão do lazer para além do senso comum. Além disso, as
GLÀFXOGDGHVHVWmROLJDGDVjVFRQGLo}HVPDWHULDLVHDLQVWDELOL -dade da permanência do programa na locali-dade corresponde
DXPDOLPLWDomRPDLRUTXHDIRUPDomRLQLFLDO
&RQVLGHUDo}HVÀQDLV
$SDUWLUGRVUHVXOWDGRVFRQVWDWRXVHTXHRVDJHQWHVVRFLDLV
compreenderam a formação como princípio importante para
XPDERDLQWHUYHQomRQRVQ~FOHRVGR3(/&RTXHWUDQVFHQ -de o aspecto puramente técnico. No programa, a i-deia -de
TXDOLÀFDomRIRLSRVVLELOLWDGDGHVGHRPyGXORLQWURGXWyULR QRHQWDQWRQRFDVRGH9LWyULDDWpRSHUtRGRGHÀQDOL]DomR GDSHVTXLVDRIXQFLRQDPHQWRRFRUUHXGHIRUPDGLVWLQWDGD
prevista nas diretrizes nacionais do programa.
9HULÀFRXVHXPSRWHQFLDOQDIRUPDomRGRVDJHQWHVVR
-FLDLV SDUD D LQWHUYHQomR FRP RV GLYHUVRV UHODWRV GH TXH
o intercâmbio com outros núcleos é fundamental para a
TXDOLÀFDomRGDVDo}HV$VSULQFLSDLVGLÀFXOGDGHVUHODWDGDV
pelos agentes sociais e gestores foram: falta de divulgação do programa nas comunidades; desconsideração das expe-riências anteriores; falta de estrutura e de materiais para
TXDOLÀFDomRGDVDo}HVHRSRXFRWHPSRGHIRUPDomR )RLFRQVWDWDGRTXHDIRUPDomRDPSOLRXDVSRVVLELOLGDGHV
de ações e experiências compartilhadas, além de estabelecer melhores compressão e assimilação da proposta metodológica, pedagógica, operacional e administrativa. Durante a
imple-PHQWDomR GR SURJUDPD ORFDO IRUDP ÀUPDGRV FRQYrQLRV HQ -tre o Ministério do Esporte e a Prefeitura Municipal de Vitória.
1HVVHSURFHVVRYHULÀFRXVHRHQYROYLPHQWRGHSURIHVVRUHVH HVWDJLiULRVHQWUHWDQWRQmRSHUFHEHPRVDSUHVHQoDGHRXWURV
grupos, por exemplo, pessoas das comunidades e da sociedade
FLYLOGXUDQWHRSHUtRGRREVHUYDGRGHIRUPDomRRTXHSDUHFH
mostrar uma fragilidade em termos de participação.
3HORH[SRVWRDFUHGLWDPRVTXHRVDJHQWHVVRFLDLVSRGHP
e devem saber coordenar e oportunizar a participação da so-ciedade civil, bem como integrar e animar os envolvidos no programa. O modelo de formação dos agentes sociais do PELC
REMHWLYDSRVVLELOLWDUDVFRQGLo}HVQHFHVViULDVSDUDTXHRID
-]HU SHGDJyJLFR JDQKH VLJQLÀFDGR QR FRWLGLDQR GRV Q~FOHRV 'HPRGRHVSHFLDOHVVHID]HUSHGDJyJLFRSRGHVHUTXDOLÀFDGR
SHODIRUPDomRHPVHUYLoRXPDYH]TXHRVGRFXPHQWRVQDFLR -nais do programa preveem encontros regulares ao longo do
FRQYrQLR7DLVHQFRQWURVFRQVWLWXHPWHPSRHHVSDoRGHGLiOR -go entre os gestores e agentes sociais; no entanto, essa troca de experiências não tem ocorrido no caso do PELC Vitória.
Financiamento
2 SUHVHQWH WUDEDOKR FRQWRX FRP R ÀQDQFLDPHQWR GD )XQ
-GDomRGH$PSDURj3HVTXLVDGR(VStULWR6DQWR)$3(6
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