POLUIÇÃO PLÁSTICA: IMPACTOS SOBRE A VIDA MARINHA
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(2) POLUIÇÃO PLÁSTICA: IMPACTOS SOBRE A VIDA MARINHA 1 INTRODUÇÃO O plástico é um material derivado do petróleo, extremamente útil no cotidiano das pessoas por ser um produto versátil, resistente e de baixo custo. Este material está presente nos utensílios domésticos, em equipamentos e brinquedos, na construção civil e nos transportes, em nossas roupas e em quase todo tipo de embalagem que acomoda produtos de higiene e alimentação. No entanto, as mesmas qualidades que favorecem o seu uso intenso, também são as mesmas que influenciam o seu acúmulo nos ambientes naturais (ARAÚJO; SILVA-CAVALCANTI, 2016). Antes da Revolução industrial, apenas sobras de alimentos compunham o lixo produzido. A partir deste marco, novos materiais passaram a ser descartados pela sociedade ampliando a quantidade e variedade dos resíduos. Foram sendo incorporados materiais como, por exemplo, vidros, plásticos, isopor, borrachas, alumínios, dentre outros de difícil decomposição (DE CARVALHO DIAS, 2016). O crescimento exponencial da produção de plástico revolucionou a vida no planeta na mesma proporção que os resíduos de seu descarte inadequado têm causado grandes problemas para a vida dos animais marinhos, principalmente para as tartarugas verdes (Chelonia mydas) que quando pequenas possuem tendência carnívora e acabam ingerindo sacolas plásticas ao confundi-las com pequenos animais que lhes servem de alimento, podendo causar, em casos mais graves, a morte desses animais. (EDRIS et al., 2018). As tartarugas verdes (Chelonia mydas), de acordo com Edris et. al., (2018) que ocorrem na Costa de Peruíbe, litoral Sul de São Paulo, estão ingerindo resíduos sólidos, em sua maioria material plástico e outros derivados do petróleo, intencionalmente ou acidentalmente, atribuindo-se a este fato, a causa da morte de alguns animais. Os maiores impactos de resíduos em animais marinhos são o emaranhamento em rede de pesca e a ingestão de resíduos. No caso do emaranhamento, os animais ficam presos em redes de pesca abandonadas ou redes de espera, e ao ficar preso, o animal perde a capacidade de locomoção, dificultando a respiração e busca por alimento, podendo causar morte. Já, no caso da ingestão dos resíduos, podem causar a obstrução do aparelho digestivo e também a falsa sensação de saciedade, fazendo com que o animal não consiga se alimentar, ficando debilitado, podendo vir a óbito (PACHECO, 2016) O descarte inadequado destes utensílios nos oceanos têm provocado a extinção de uma grande parte da fauna marinha, sendo de suma importância que alternativas para o uso e descarte correto dos materiais plásticos sejam desenvolvidas. No Brasil, a Zona Costeira compreende uma faixa de 8.698 km de extensão, a qual concentra quase um quarto da população em cerca de 400 municípios. Muitas praias brasileiras estão sujeitas a uma intensa degradação ambiental (ARAÚJO; COSTA, 2016). Após sofrerem a ação do sol os materiais plásticos se transformam em partículas menores chamadas microplásticos que são facilmente confundidos com alimento pelos animais. Microplásticos estão presentes na superfície dos oceanos, em praias arenosas e ambientes lamosos, desde o Equador até os Pólos, em praias urbanas e regiões remotas do globo, e ainda, depositadas em sedimentos profundos (>2.000m) (COSTA et al., 2014). O objetivo do presente trabalho é, por intermédio de uma revisão de literatura, estudar e apresentar os principais problemas causados pelos utensílios plásticos á vida dos animais que habitam os oceanos, e contribuir para a difusão de informações e de alternativas para a solução desse problema. Anais do 10º SALÃO INTERNACIONAL DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO - SIEPE Universidade Federal do Pampa œ Santana do Livramento, 6 a 8 de novembro de 2018.
(3) 2 METODOLOGIA O trabalho foi realizado por meio de uma revisão de literatura de trabalhos científicos retirados de sites acadêmicos (Google acadêmico, Scielo e Periódicos Capes) publicados por instituições e Universidades. Foram levados em consideração os dados sobre os principais problemas causados pela poluição por resíduos plásticos na vida dos animais que habitam os oceanos.. 3 RESULTADOS e DISCUSSÃO Observou-se nos materiais estudados que o crescimento da produção e utilização de plásticos têm impactado de forma significativa a vida na Terra, sobretudo a vida dos animais marinhos que entram em contato com a maior parte desse material que circula pelos oceanos. Em decorrência da exposição ao sol os materiais plásticos se transformam em partículas menores chamadas pela literatura de microplásticos que se dispersam na água misturando-se aos alimentos dos animais que habitam as águas. Muitos desses resíduos, como por exemplo, isopor, borracha, embalagens metalizadas de biscoitos/sorvetes e pontas de cigarro, não servem para fins de reciclagem, portanto não são recolhidos, o que contribui na acumulação e aumento dos riscos (ARAÚJO; SILVACAVALCANTI, 2016). Os resíduos microscópicos ou moléculas inorgânicas que não são degradados no ambiente, podem ser absorvidos e armazenados pelo organismo, uma vez que não são metabolizados, sendo acumulados em níveis subsequentes das cadeias e redes alimentares, em alguns casos atingindo concentrações tóxicas para as espécies no topo dessas teias. Para os resíduos sólidos, a resposta é um pouco mais imediata, causando ferimentos e mortes desses animais, em casos extremos (PACHECO, 2016). Além da dispersão desse material ser causada pelos resíduos levados ao mar por redes de esgoto ou poluição de áreas litorâneas, existe uma parte significativa desse produto que é usado como matéria prima para a produção de plástico e são dispersos durante as etapas préconsumo. A matéria prima para a fabricação de plástico é, normalmente, comercializada na IRUPD GH ³SDOOHWV´ TXH VmR JUkQXORV FRP FHUFD GH PP GH GLkPHWUR VHQGR HVWHV HQFRQWUDGos em ambientes marinhos e costeiros de todo mundo, inclusive do Brasil. Estes podem ser perdidos nas etapas pré-consumo da cadeia produtiva dos plásticos e chegar direta ou indiretamente ao mar (PEREIRA, 2014). A gestão correta destes resíduos deve ser planejada com o objetivo de minimizar os problemas causados por esse material que é, nos dias atuais, cada vez mais produzido e utilizado. Muitos animais marinhos acabam ingerindo utensílios plásticos acidentalmente ou intencionalmente como apontam estudos sobre as tartarugas verdes (Chelonia mydas), que são animais de natureza herbívora, tendo como principal fonte de alimento algas e vegetais. A cada 15 espécimes de Chelonia mydas que ocorreram encalhadas e mortas no litoral de Peruíbe durante o período de monitoramento, 10 apresentaram resíduos antropogênicos, como objetos e detritos de plástico, fios de nylon e borracha, em seu trato digestivo, o que equivale a 66,7% das tartarugas submetidas às análises, corroborando dados previamente observados em outros centros de pesquisa e conservação de outros estados e países (EDRIS et al., 2018). Anais do 10º SALÃO INTERNACIONAL DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO - SIEPE Universidade Federal do Pampa œ Santana do Livramento, 6 a 8 de novembro de 2018.
(4) Em muitos casos a ingestão destes materiais por estes animais é a causa de sua morte em decorrência do acúmulo destes detritos no trato gastrointestinal do animal causando obstrução. Outro problema para os animais marinhos é emaranhamento em redes de pesca sejam estas redes abandonadas no mar ou redes de espera causando problemas de respiração e locomoção, fatores que podem levar o animal a óbito. O manejo correto das praias é um importante fator para a preservação e conservação da fauna e da flora local. Os problemas gerados pela intensa utilização da praia mostram que ainda existe um longo caminho para a efetiva solução dessa questão. É importante, por exemplo, que a instalação de infraestrutura (banheiros, chuveiros, lixeiras, etc.) seja planejada para atender a demanda de cada local. Para tal, deve ser precedida de levantamento do número de usuários que normalmente frequenta cada área da praia (ARAÚJO; COSTA, 2016). Os espaços públicos estão sob administração de órgãos governamentais que, frequentemente tem sua atuação limitada pelos entraves burocráticos e financeiros, limitando a sua ação para a resolução destes problemas, especialmente em grandes cidades. A união de forças, através do envolvimento da iniciativa privada, terceiro setor e da comunidade, com os órgãos públicos, pode render boas perspectivas de projetos que possam ajudar na melhoria das condições dos ambientes costeiros (ARAÚJO; COSTA, 2016). A prioridade na gestão dos resíduos sólidos deve ser a minimização da geração desses resíduos, por meio de mudanças de hábitos de consumo, da produção de produtos com menor quantidade de material plástico ou produzido com material reciclável (DE CARVALHO DIAS, 2016).. 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS A produção de plásticos tem efeitos positivos em nossas vidas por ser um material versátil que facilita várias tarefas do nosso dia a dia, trazendo conforto e comodidade, porém, seus resíduos podem se acumular no ambiente e prejudicar a saúde dos animais, dos humanos e do planeta. A má gestão de resíduos plásticos, a longo prazo, pode causar a extinção de espécies da fauna marinha. A limpeza dos ambientes costeiros compreende uma etapa importante para a sustentabilidade da vida na biosfera, mas é preciso evitar que resíduos cheguem ao oceano através da gestão correta, adequando os sistemas de coleta e disposição final do lixo. Recomenda-se, também, a reutilização de embalagens e outros utensílios plásticos como matéria prima para a produção de novos produtos semelhantes assim como a utilização dos polímeros verdes, como matéria prima plástica.. Anais do 10º SALÃO INTERNACIONAL DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO - SIEPE Universidade Federal do Pampa œ Santana do Livramento, 6 a 8 de novembro de 2018.
(5) REFERÊNCIAS ARAÚJO, M. C. B.; COSTA, M. F. Praias Urbanas: o que há de errado com elas?. Revista Meio Ambiente e Sustentabilidade, Curitiba, v. 11, n. 05, p. 51-58, Jan/dez. 2016. ARAÚJO, M. C. B.; SILVA-CAVALCANTI, J. S. Dieta indigesta: milhares de animais marinhos estão consumindo plásticos. Revista Meio Ambiente e Sustentabilidade, Curitiba, v. 10, n. 5, p. 74-81, Jan/maio. 2016. COSTA, M. F. et al. Contaminação ambiental por microplásticos em Fernando de Noronha, Abrolhos e Trindade. 2014. 24f. Tese (Pós-Graduação em Oceanografia) ± Programa de Pós-Graduação em Oceanografia ± Universidade Federal de Pernambuco, 2014. DE CARVALHO DIAS, J. Rotas de destinação dos resíduos plásticos e seus aspectos ambientais: uma análise da potencialidade da biodegradação. 2016. 72f. Dissertação (Mestrado em Planejamento Energético) ± Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2016. EDRIS, Q. L. et al. Análise do conteúdo alimentar de tartarugas-verdes (Chelonia mydas) mortas em encalhes na Costa de Peruíbe, litoral Sul de São Paulo. Unisanta BioScience, São Paulo, v. 7, n. 6, p. 77-98, 2018. PACHECO, G. R. C. Consequência dos resíduos sólidos presentes nos oceanos para os animais marinhos. 2016. 31f. Dissertação (Pós-Graduação em Gestão Ambiental) ± Programa de Educação Continuada em Ciências Agrarias, Universidade Federal do Paraná, 2016. PEREIRA, F. C. Microplásticos no ambiente marinho: mapeamento de fontes e identificação de mecanismos de gestão para minimização da perda de pellets plásticos. 2014. 144f. Tese (Doutorado em Ciências, área de Oceanografia). Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo. Universidade de São Paulo. 2014.. Anais do 10º SALÃO INTERNACIONAL DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO - SIEPE Universidade Federal do Pampa œ Santana do Livramento, 6 a 8 de novembro de 2018.
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