O que aprendem os jovens através dos écrans?
2. O que aprendem os Jovens com e através das Tecnologias?
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Como se pode ver na fig. 4 a realidade é semelhante em Portugal e Espanha:
29% e 28% das raparigas e 64% e 67% dos rapazes, respetivamente, estão a jogar
• no que respeita à rentabilização das Tics para trabalhos relacionados com a escola constata-se que a sua frequência varia entre 16% na Polónia e 46%
de crianças na Lituânia. Na maioria dos países, menos de uma em cada três crianças dizem que nunca ou quase nunca utilizam a Internet para trabalho escolar. Os jovens de 15-16 anos utilizam mais para fins académicos (Smahel et al.2020, p.32)
2. O que aprendem os Jovens com e através das
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a infância poderá ser prejudicial ao jogo e ao desenvolvimento da língua (Kostyrka-Allchorne, Cooper, & Simpson, 2017; Gottschalk, 2019);
• os estudos de Pereira, Filliol e Moura (2019) que referem que a utilização de videojogos pelos próprios alunos é percebida como algo positivo e, por outro lado, permite o desenvolvimento de muitas competências, nomeadamente a aprendizagem do inglês como língua estrangeira, física ou química, história ou geometria. Estas autoras encontraram estudos que sublinham o impacto, por um lado, dos jogos de vídeo no desenvolvimento cognitivo dos alunos, e, por outro lado, do acesso a várias outras aplicações para resolver problemas de natureza académica;
• o trabalho de García-Martín e Cantón-Mayo (2019) que mostra que a uti- lização de ferramentas digitais na sala de aula afeta significativamente o desempenho dos alunos adolescentes em Ciências, Matemática, Língua Espanhola e Inglês
2.1.3- outras pesquisas têm salientado relação importante e positiva entre ativi- dades online e desempenho afetivo e relacional:
• os estudos de Pereira, Filliol e Moura (2019) salientam os contributos na melhoria de aspetos de natureza mais afetiva e relacional como melhoria da resiliência, curiosidade e trabalho de equipa; as redes sociais revelam ser um instrumento importante para comunicar sobre questões escolares;
• a relação entre a utilização da tecnologia digital e as relações de natureza afetiva e relacional também tem sido efetuada. O trabalho liderado por Francesca Gottschalk em 2019 afirma que as relações sociais das crianças podem ser estimuladas pela tecnologia digital, isto é, um uso orientado ( a co visualização oferece andaimização e ajuda as crianças a ‘ler’ o que se passa no online) e moderado de atividades online poderá ajudar a interagir com os pares; - a comunicação online poderá ter uma relação positiva com a qualidade da amizade ganhando, os adolescentes, um importante sentido de proximidade e pertença social;
• o estudo realizado por Ramirez et al (2021) com cerca de 2500 estudantes entre os 9-12 anos de idade que mostra que, por um lado, não há qualquer relação entre o tempo de uso das tecnologias, em geral, com a satisfação com a vida por parte destas crianças embora, por outro lado, tenha verificado que o tempo usado com os telemóveis e a jogar videojogos está relacionado com piores realizações académicas.
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Todos estes estudos, contudo, carecem de replicação em outros contextos e controlo de outras variáveis. De facto, como refere Orben (2020) há ainda muito a estudar neste campo das vantagens académicas do uso da tecnologia e das suas im- plicações no bem-estar dos estudantes. Porém, se considerarmos algumas tarefas básicas dos adolescentes (como por exemplo a procura de um lugar na sociedade e grupo de amigos e pares; a independência emocional relativamente aos pais; a construção de um sentido de vida com amigos; o desenvolvimento de um sentido de vida próprio e fundamentado nas suas próprias pesquisas e a construção de uma rede de apoio ou grupo de amigos) compreendemos como missão maior desta fase de vida a construção de uma identidade própria e única. Assim poderíamos acei- tar, que as próprias redes sociais (social media), e as aplicações que as integram, facilitam competências básicas na adolescência: de Comunicação, Identificação, Autoexpressão, Experiências com pares, de Desenvolvimento, de Testar limites, Experiências além-fronteiras, todas elas promotoras de um crescimento e desen- volvimento pessoais essenciais.
Mas como referem Sebre e Miltuze (2021) se as redes socias oferecem estas oportunidades há que ter cuidados porque também nesta fase os adolescentes estão demasiadamente preocupados com eles e com uma aparência ideal que podem representar no mundo online o que representam riscos reais para um desenvolvimento saudável.
2.2. Atividades onLine – o que se aprende e não se devia aprender
Para os jovens, há muitas vezes uma sobreposição entre o que acontece no mundo real e o que acontece no ciberespaço. Por exemplo, uma experiência ne- gativa no mundo real pode ser exagerada através da cibercomunicação ou, então, uma experiência online pode ter repercussões na vida real e do quotidiano!
Embora a Internet permita aos jovens fantásticas oportunidades de comuni- cação, aprendizagem e de diversão, uma conduta online irresponsável e incorreta pode ter enormes repercussões na vida real. É fundamental aumentar a consciência dos jovens para os riscos e promover a literacia digital
Comportamentos agressivos através da Internet revelam que se aprende muitas vezes o que não se deve através das tecnologias. O cyberbullying é “um ato agres- sivo e intencionado levado a cabo por um grupo ou por um individuo, utilizando formas de contacto eletrónico, de forma repetida e prolongada contra uma vítima
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que não pode defender-se facilmente” (Smith et al., 2008). A tipologia de agressão relacionada com o cyberbullying tem sido estudada e apresentada por diversos autores.
Alguma literatura revista (Pessoa & Amado, 2014) apresenta como já iden- tificados comportamentos agressivos online aprendidos pelos jovens dos quais destacamos:
• Manifestação de ódio, ameaças, intimidação, (Flaming/Threats/Intimidation);
• Difamação/denigrir (Denigration/Put Down/Misinformation);
• Revelar secretos/chantagear (Outing/ Blackmail);
• Exclusão (Exclusion);
• Dissimulação/usurpação de identidade (Posing/Masquerable/Identity Theft);
• Insinuar-se ou facer-se amigo (Trickery/ Posing as a friend)
Tem sido através das redes sociais que se têm aprendido e manifestado estes comportamentos de agressão e vitimização,com mensagens de insultos, calúnias, etc... Estes comportamentos ocorrem por motivos diversos mas, muitas vezes, por diversão por parte dos agressores enquanto as vítimas se sentem sozinhas e indefesas.