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REFLETINDO SOBRE A CULTURA DE PAZ COMO PROPOSTA DE COLABORAÇÃO PARA O ENSINO

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Academic year: 2020

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(1)REFLETINDO SOBRE A CULTURA DE PAZ COMO PROPOSTA DE COLABORAÇÃO PARA O ENSINO. Nara Rosane Machado de Oliveira 1 Claudete da Silva Lima Martins 2 Francéli Brizolla 3. Resumo: Este trabalho apresenta uma reflexão sobre como adolescentes do nono ano do ensino fundamental de escolas públicas, do município de Bagé RS, percebem seu entorno social, a violência e a possiblidade de construção de uma cultura de paz, portanto se tem por objetivo apresentar uma discussão a respeito da percepção dos adolescentes a partir de suas produções textuais. Esta reflexão é oriunda da monografia de conclusão do curso de Especialização em Educação e Diversidade Cultural da Universidade Federal do Pampa, intitulada "Polícia Civil e Escolas: construindo pontes para uma cultura de paz". A pesquisa foi planejada como uma pesquisa social explicativa e teve como metodologia os pressupostos da pesquisaação, ocorreu entre os meses de abril e junho do ano de 2017, e para esta reflexão teve como sujeitos duzentos e vinte e três adolescentes, do nono ano do ensino fundamental de cinco escolas públicas de educação básica do município de Bagé. Como instrumentos de coleta de dados foram usados as produções textuais livres e voluntárias confeccionadas pelos adolescentes, os dados coletados foram organizados e submetidos à análise do conteúdo. Concluímos que as discussões sobre cultura de paz em detrimento da violência propiciam momentos de reflexão, possibilitando aos estudantes uma revisão em suas práticas cotidianas.. Palavras-chave: juventudes, escolas, cultura de paz.. Modalidade de Participação: Pesquisador. REFLETINDO SOBRE A CULTURA DE PAZ COMO PROPOSTA DE COLABORAÇÃO PARA O ENSINO 1 Aluno de pós-graduação. [email protected]. Autor principal 2 Docente. [email protected]. Co-autor 3 Docente. [email protected]. Co-autor. Anais do 9º SALÃO INTERNACIONAL DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO - SIEPE Universidade Federal do Pampa | Santana do Livramento, 21 a 23 de novembro de 2017.

(2) A REFLEXÃO DA CULTURA DE PAZ COMO PROPOSTA DE COLABORAÇÃO PARA O ENSINO. REFLETINDO SOBRE A CULTURA DE PAZ COMO PROPOSTA DE COLABORAÇÃO PARA O ENSINO 1. INTRODUÇÃO A despeito do misto de violência1, indiferenças, preconceitos e intolerâncias que sempre estiveram presentes em todas as épocas da humanidade, em todas as culturas, e considerando que ainda estão, compreendemos que a escola é o lugar de problematizar estas questões (MALDONADO, 2004). Os estudantes são críticos, sagazes e parece-nos que sempre prontos para discussões sobre assuntos da atualidade e, sobretudo, sobre temas que lhes interessam, desafiam e permitem que eles protagonizem com suas falas e interpretações. Estudantes adolescentes e suas juventudes: jovens, enquanto sujeitos que a experimentam e a sentem segundo determinado contexto sociocultural em que se inserem e, assim, elaboram determinados modos de ser jovem. [...] juventudes, [...] para enfatizar a diversidade de modos de ser jovem existente. (BRASIL, 2013, p. 16).. Acreditamos que diante de tamanha diversidade a maior parte das pessoas convive bem com as diferenças, demonstrando que a paz é mais comum do que a violência. Permitir que estudantes discutam a possibilidade de uma cultura de paz 2, propicia que eles reflitam sobre os muitos motivos que resultam em violências, faz com que pensem em suas condições de convivência social/escolar e possibilita que estejam em contato com formas de resolução de problemas e conflitos. Segundo MALDONADO (2004): [...] a educação pela paz tem como objetivo transmitir maneiras não violentas de resolver conflitos e transformar a energia do conflito [...] de modo construtivo. [...] é essencial valorizar a vida e a afetividade nos relacionamentos a fim de construir uma base sólida para os acordos que resolvem os conflitos [...] a cultura da paz baseia-se na criação de padrões de comportamento e recursos de comunicação não violentos. (MALDONADO, 2004, p. 100, 107, 113). Pensamos que toda e qualquer atitude que tenha como objetivo caminhar em direção da construção de uma cultura de paz respeitando o ser como humano, diverso e inacabado é um ato de coragem que se perpetua pela força do amor. Portanto, este trabalho tem por objetivo apresentar uma discussão a respeito da percepção de adolescentes/estudantes do nono ano de cinco escolas públicas de ensino básico, no município de Bagé, sobre seu entorno social, a violência e a Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a Violência configura-VH FRPR R ³XVR GD IRUoD física ou do poder real ou em ameaça, contra si próprio, contra outra pessoa, contra um grupo ou uma comunidade, que resulte ou tenha qualquer possibilidade de resultar em lesão, morte ou dano psicológico, GHILFLrQFLD GH GHVHQYROYLPHQWR RX SULYDomR ´ .58* HW DO S 2 Cultura de Paz é um conjunto de valores, atitudes, modos de comportamento e de vida que rejeitam a violência, e que apostam no diálogo e na negociação para prevenir e solucionar conflitos, agindo sobre suas causas. (COMITÊ PAULISTA PARA DÉCADA DA CULTURA DE PAZ, 2017, s/p) 1.

(3) possiblidade de construção de uma cultura de paz, a partir de suas produções textuais. Justificamos nossa pesquisa em virtude da relevância das temáticas discutidas para o desenvolvimento social e intelectual dos estudantes. A seguir apresento a metodologia utilizada, os resultados e discussões tecidas bem como as considerações finais do trabalho acompanhadas de algumas conclusões e das referências. 2. METODOLOGIA $ SHVTXLVD LQWLWXODGD ³3ROtFLD &LYLO H (VFRODV FRQVWUXLQGR SRQWHV SDUD XPD FXOWXUD GH SD]´3, que originou essa reflexão foi desenvolvida como uma pesquisa social explicativa, como metodologia os princípios da pesquisa-ação (THIOLLENT, 1985, p. 14 apud GIL, 2002), e, teve como objetivo a promoção da cultura de paz nas escolas de Bagé. Foi desenvolvida entre os meses de abril e junho de 2017. Para esta reflexão foram sujeitos de pesquisa duzentos e vinte e três estudantes do nono ano do ensino fundamental de cinco escolas públicas de ensino básico do município de Bagé, identificadas pelas letras A,B,C,D e E. Como instrumento de coleta de dados foram utilizadas as, produções textuais4 voluntárias, individuais e livres, que foram confeccionadas pelos adolescentes sujeitos da pesquisa, em folhas totalmente em branco, relatando seus entendimentos com relação a suas vivências com violência, as informações legais sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente (ISHIDA, 2008), e a possibilidade de construção de uma cultura de paz. A partir do instrumento produções textuais voluntárias individuais, os dados FROHWDGRV IRUDP RUJDQL]DGRV H VXEPHWLGRV j DQiOLVH GR FRQWH~GR SRLV HOD ³> @ VH ID] SHOD SUiWLFD´ %$5',1 S uma vez que foi necessário trabalhar com a subjetividade de cada resposta, bem como uma quantidade bastante expressiva de ideias, que para serem sistematizadas foram organizadas por categorias. 3. RESULTADOS e DISCUSSÃO Trabalhamos com um total de 223 adolescentes dos nonos anos, que atenciosamente e de forma muito afetiva, criativa e crítica produziram preciosidades, em suas produções livres. A seguir trazemos quem foram estes 223 adolescentes/estudantes que conosco estiveram Monografia apresentada no Curso de Especialização em Educação e Diversidade Cultural, da Universidade Federal do Pampa ± Campus Bagé, que teve como objetivo principal discutir a promoção da cultura de paz nas escolas de Bagé, por meio da implementação, do Projeto Convivência Pacífica que consiste em dialogar diretamente com alunos/adolescentes, professores, pais e comunidades escolares sobre a importância da legislação, da educação e, sobretudo, do respeito entre os sujeitos sociais, abordando com clareza a temática: conflitos escolares (violentos ou não). 4 Tratamos, em nossa pesquisa, a produção textual como gênero textual postulado por Marcuschi S RX VHMD ³HQWLGDGHV VyFLR GLVFXUVLYDV H IRUPDV GH DomR VRFLDO LQFRQWRUQiYHLV GH TXDOTXHU VLWXDomR FRPXQLFDWLYD´ GHVVH PRGR HVWDV SURGXo}HV UHDOL]DGDV pelos estudantes dos nonos anos das escolas participantes da pesquisa surgem como forma de comunicação atendendo as necessidades de expressões do ser humano, e apresentaram-se em forma de frases, poesias, desenhos, folhas em branco, parágrafos, confidências, paródias, quadrinhos todos transmitindo os sentires e compreenderes daqueles alunos. 3.

(4) Tabela 01 - Estudantes do 9º ano± Participantes da Pesquisa Idade 17 16 15 14 13 Sub/Total Total. EEEF A Mas Fem 02 03 03 03 01 12. 01 03 02 01 07. EMEF B Mas Fem 02 02 03 07. 19. 03 03 03 09 16. EMEF C Mas Fem 04 15 24 43. 01 06 10 31 01 49 92. EMEF D Mas Fem 03 03 05 01 11. 01 01 04 15 21. EMEF E Fem Mas 02 06 08 15 31. 32. 01 11 20 01 33. 64. Fonte: (OLIVEIRA, 2017, p. 75) A riqueza da diversidade, da criatividade, da criticidade de cada um dos DGROHVFHQWHV TXH SDUWLFLSRX ID]HQGR YDOHU D DVVHUWLYD GH TXH ³HQVinar inexiste sem aprender e vice-versa, e foi aprendendo socialmente que, historicamente mulheres e KRPHQV GHVFREULUDP TXH HUD SRVVtYHO HQVLQDU´ )5(,5( S , nos fez perceber e compreender que a ³FXULRVLGDGH KXPDQD YHP VHQGR KLVWyULFD H socialmente construída e reconstruída [...] como manifestação presente à H[SHULrQFLD YLWDO ´ )5(,5( S Através das produções textuais, individuais, cada um a seu tempo e jeito escreveu e/ou desenhou o que sentiu enquanto participava da pesquisa, e, através de autoria própria ou utilizando-se de autores que lhes inspiravam, com um tempo compreendido entre dez ou quinze minutos, expressaram sentimentos, preocupações, desejos, suas realidades e comunicaram mais do que podem ter suposto. Recebemos cada XP GRV VHXV UHFDGRV GRV VHXV ³JULWRV´ H DOJXQV bateram tão forte que se apresentam como constructos de novas reflexões. Os adolescentes manifestaram seu potencial reflexivo! Coube a nós observar cada uma das duzentas e vinte e três produções, com olhos marejados de uma emoção que nos colocou ora, totalmente, dentro dos contextos produzidos; ora transformou-nos tão somente em observadores encantados com a sensação de reafirmação e esperança na Educação. Para essa discussão e análise trouxemos uma, das produções em forma de poesia, que suscitou inquietações:. Figura 01.Produção Livre ± Poesia, conforme (OLIVEIRA, 2017, p. 98).

(5) Nessa escrita a lápis, o adolescente não colocou o nome do autor da poesia, eleita por ele, para dizer da sua realidade e do dia a dia de muitos adolescentes, exatamente iguais a ele, o que na verdade, pouco nos importou, uma vez que a PHQVDJHP GD SRHVLD ³$K 'HVJUDoDGRV´ do autor Bertolt Brecht foi o que realmente, mobilizou, em nós, o que o adolescente queria comunicar. Há na expressão poética uma crítica social sobre os movimentos que ocorrem nas cidades e um grito de desespero existencial de alguém que tem muito a dizer e quase nunca é ouvido. Cidadãos que dividem seus espaços em uma cidade que os torna invisíveis, tanto que a vontade de alguns é que a cidade desapareça. Demonstra o grau de preocupação do adolescente, com a violência que o cerca todos os dias, e a vontade de levantar-se juntamente com outros para que as injustiças cessem. A escolha desse estudante comprova que há nos adolescente uma ³DFXLGDGH FDSD] GH DSUHHQGHU DV GLILFXOGDGHV GD VRFLHGDGH > @ TXH R ID] XP FUtWLFR DJXGR PRUGD] LU{QLFR VXWLO > @´ 287(,5$/ S A profundidade da mensagem provoca reflexões, emociona, alerta-nos para essa acuidade juvenil, ratifica a importância do papel da escola na vida dos adolescentes, como espaço de socializar e crescer e incita-nos a refletir sobre nossas práticas docentes. 4. CONSIDERAÇÕES FINAIS Ao percorrermos os caminhos desta pesquisa, nos foi possível desenvolver alguns olhares mais atentos às falas dos adolescentes. Percebemos que as discussões sobre cultura de paz propiciam momentos de reflexão, possibilitando aos estudantes uma revisão em suas práticas cotidianas, uma vez que demonstraram suas preocupações e desejos. As produções ao revelarem as angústias com a violência permitem um olhar sobre uma cultura de paz como mudança comportamental, e aqui cabe ressaltar que para esta reflexão trouxemos apenas, uma, entretanto analisamos outras duzentas e vinte e duas, de teores significativos e nas mais diversas configurações, o que ratifica que as percepções dos adolescentes são atuais, críticas, criativas e podem contribuir na construção de uma educação para paz. Motivada pela expressão da produção livre do adolescente/estudante, apensada a esta reflexão, e pelo poeta Bertolt Brecht refletimos que há em cada FLGDGH OXJDUHV ³GHVJUDoDGRV´ SRU VXD ORFDOL]DomR JHRJUiILFD VHX FRQWH[WR KLVWyULFR VRFLDO VXD ³LQYLVLELOLGDGH JRYHUQDPHQWDO´ H há em todos os espaços de cada FLGDGH SHVVRDV ³GHVJUDoDGDV´ SRU VXDV FHUWH]DV SRU VXDV DUURJkQFLDV VXDV demandas pessoais, suas lutas pelo poder e seu tão somente estar, sem sentir-se pertencer. Diante dos resultados gerais da pesquisa de pós-graduação, e de perguntas como: Qual leitura os professores de estudantes, como o adolescente da pesquisa, fazem diante de uma expressão assim? Estão estes docentes atentos a este tipo livre de expressão? Como enxergam esse tipo de manifestação? Estão estas manifestações previstas ou passíveis de existir em suas práticas docentes? Há, YHUGDGHLUDPHQWH ³YRQWDGH´ GH WUDQVIRUPDU DPELHQWHV H FRPXQLGDGHV FRPR D GR adolescente/estudante que se espelhou através do Brecht? Que concepção de (in) (ex) clusão tem os docentes que estão em contato com adolescentes/estudantes como esse? Há nas práticas docentes os reflexos de suas concepções? está sendo.

(6) construída outra pesquisa cujo escopo será qualificado em âmbito de mestrado acadêmico5. Nessa nova perspectiva a pesquisa está organizada como uma pesquisa social qualitativa, exploratória, com os pressupostos da sócio poética (GAUTHIER, 2015), tem por objetivo: compreender como as concepções de (in) (ex) clusão) social de professores da área de humanas, do ensino médio, do município de Bagé RS, estão reveladas em seus planejamentos e práticas docentes. Terá como sujeitos de pesquisa, seis professores de escola pública, de ensino médio, da área de humanas e seu desenvolvimento se dará entre agosto de 2018 e 2019, logo após qualificação. Por fim nos é possível compreender que em educação a busca por respostas parece-nos interminável, entretanto no caminho para construção das respostas encontramo-nos com novos conhecimentos e vamos edificando saberes que compartilhados, muito provavelmente, tornar-se-ão novos questionamentos. 5. REFERÊNCIAS BARDIN, L. Análise de conteúdo. Lisboa, Portugal: Edições 70 LDA, 2009.. BRASIL. Secretaria de Educação Básica. Formação de professores do Ensino Médio, Etapa I ± Caderno II: o jovem como sujeito do Ensino Médio/Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica. Curitiba: UFPR/Setor de Educação, 2013.. COMITE PAULISTA PARA A DÉCADA DA CULTURA DE PAZ. A UNESCO e a cultura de paz. [acesso em 27.11.2016] Disponível em: http://www.comitepaz.org.br/a_unesco_e_a_c.htm.. FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 2014. GAUTHIER, J. Sociopoética e a formação do pesquisador integral. Revista Psicológica, Diversidade e Saúde. V 4, nº 01, 2015. [acesso em: 10.05.2017] Disponível em: https://www5.bahiana.edu.br/index.php/psicologia/article/view/459. GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 4 ed.São Paulo: Atlas, 2002. ISHIDA, V. K. Estatuto da Criança e do Adolescente: doutrina e jurisprudência. São Paulo: Editora Atlas S.A, 2008. MALDONADO, M. T. Os construtores da paz: caminhos da prevenção da violência. São Paulo: Moderna, 2004. MARCUSCHI, L. A. Produção textual, análise de gêneros e compreensão. São Paulo: Parábola Editorial, 2008. OLIVEIRA, N.R.M. Polícia Civil e Escolas: construindo pontes para uma cultura de paz. 129f. 2017. Monografia (Especialização em Educação e Diversidade Cultural), Universidade Federal do Pampa, Bagé, 2017. ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Relatório mundial sobre a violência e a saúde (Resumo). Washington, DC: OMS, 2002. [acesso em: 20.11.2016] https://www.opas.org.br/wp-content/uploads/2015/09/relatorio-mundial-violenciasaude.pdf OUTEIRAL, J. O. Adolescer: estudos sobre adolescência. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 1994.. 5. Curso de Mestrado Acadêmico em Ensino, iniciado em agosto 2017 e término previsto para 2019/1 na UNIPAMPA, Campus Bagé..

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