O OLHAR CRÍTICO DO SUPERVISOR PIBID SOBRE SUA PRÁTICA

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(1)O OLHAR CRÍTICO DO SUPERVISOR PIBID SOBRE SUA PRÁTICA. Leticia Leite Chaves 1 Angélica Tarouco 2 Liziane Mena 3 Crisna Daniela Krause Bierhalz 4. Resumo: O Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID), teve início na Universidade Federal do Pampa - Campus Dom Pedrito no ano de 2014, com o intuito de contribuir com a formação dos discentes da licenciatura em Ciências da Natureza e de inseri-los em escolas públicas, proporcionando a troca de experiências e criando um elo entre a universidade e a educação básica. Atualmente o subprojeto está sendo desenvolvido em 4 escolas do munícipio, contando com 35 bolsistas, 1 coordenador e 4 supervisores. Sabendo da relevância do trabalho realizado pelos supervisores, objetivou-se neste trabalho, compreender como o supervisor Pibid- Dom Pedrito avalia sua prática tanto na escola como com os bolsistas. Caracterizou-se esta pesquisa metodologicamente como qualitativa, explicativa e como um levantamento, no qual utilizou-se como instrumento um questionário contendo três perguntas, onde o público alvo foram os supervisores do Pibid-Dom Pedrito Baseado nos relatos, constatou-se a importância do Pibid no desenvolvimento profissional e na formação dos professores supervisores. Visto que algumas relataram que o programa fez com que as mesmas saíssem de sua zona de conforto, utilizassem práticas que nunca haviam utilizado e assumissem o papel de professoras pesquisadoras. Este trabalho foi desenvolvimento com o apoio financeiro da CAPES.. Palavras-chave: Supervisoras; Autoanalise; Mediação; Universidade; Escola. Modalidade de Participação: Iniciação Científica. O OLHAR CRÍTICO DO SUPERVISOR PIBID SOBRE SUA PRÁTICA 1 Aluno de graduação. leticianleite@hotmail.com.br. Autor principal 2 Aluno de graduação. taroucoa@gmail.com. Co-autor 3 Aluno de graduação. lizianemena1@gmail.com. Co-autor 4 Docente. crisnabierhalz@unipampa.edu.br. Orientador. Anais do 9º SALÃO INTERNACIONAL DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO - SIEPE Universidade Federal do Pampa | Santana do Livramento, 21 a 23 de novembro de 2017.

(2) O OLHAR CRÍTICO DO SUPERVISOR PIBID SOBRE SUA PRÁTICA. 1. INTRODUÇÃO O Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID), teve início na Universidade Federal do Pampa ± Campus Dom Pedrito no ano de 2014, com o intuito de contribuir com a formação dos discentes da licenciatura em Ciências da Natureza e de inseri-los em escolas públicas, proporcionando a troca de experiências e criando um elo entre a universidade e a educação básica. Atualmente o subprojeto conta com 35 bolsistas, 1 coordenador e 4 supervisores, distribuídos em quatro escolas: Escola Municipal de Ensino Fundamental Bernardino Tatu, Escola Estadual de Ensino Fundamental Doutor Getúlio Dornelles Vargas, Escola Municipal Rural de Ensino Fundamental Sucessão dos Moraes e Escola Municipal Ensino Fundamental Argeny de Oliveira Jardim. Destaca-se que tanto coordenador, como supervisor e bolsistas possuem funções pré-determinadas. Segundo o documento legal os supervisores são ³3URIHVVRUHV GDV HVFRODV S~EOLFDV HVWDGXDLV PXQLFLSDLV RX GR 'LVWULWR )HGHUDO participantes do projeto institucional designados para supervisionar as atividades GRV EROVLVWDV GH LQLFLDomR j GRFrQFLD´ (Capes, 2010, p. 9). Entre as suas funções destaca-se: Informar à comunidade escolar sobre as atividades do projeto, elaborar, desenvolver acompanhar atividades dos bolsistas ID, controlar a frequência dos bolsistas ID nas atividades e participar dos seminários de iniciação á docência promovidos pelo projeto. A partir da apresentação da organização do PIBID no município de Dom Pedrito/RS e da importância do supervisor na melhoria da qualidade da formação dos licenciandos, objetiva-se neste trabalho, compreender como o supervisor PibidDom Pedrito avalia sua prática tanto na escola como com os bolsistas. Este estudo caracteriza-se metodologicamente como qualitativo, explicativo e como um levantamento, no qual utilizou-se como instrumento um questionário com três perguntas. 2. METODOLOGIA Categorizou-se este trabalho como qualitativo referente à abordagem e, em relação ao objetivo classificou-se como explicativo, já que têm como ideia central reconhecer os fatores que determinam ou que contribuem para a ocorrência dos fenômenos, considera-se o tipo de pesquisa que mais aprofunda o conhecimento da realidade, porque explica a razão, o porquê das coisas (GIL,2000). Referente ao procedimento classificou-se como um levantamento, pois neste tipo de estudo tem como característica principal a interrogação direta das pessoas cujo comportamento se deseja conhecer. Basicamente, solicita-se informações a um grupo significativo de pessoas acerca do problema estudado para, em seguida, mediante análise quantitativa, obterem-se as conclusões correspondentes aos dados coletados (Gil, 2000). Esta pesquisa teve como instrumento um questionário com 3 perguntas, entregue para as supervisoras do PIBID, com o objetivo de compreender como o.

(3) supervisor PIBID avalia sua prática tanto na escola como com os bolsistas. São elas: De que forma identificar os problemas e dificuldades que vão surgindo e buscar soluções junto ao seu supervisionado? De que forma você acompanha seu bolsista e auxilia no processo de ensino e aprendizagem? Você acredita que sua atuação como supervisora, contribuiu com a sua formação continuada e provocou alguma mudança em sua prática docente?. As supervisoras foram identificadas com as letras A, B, C e D. 3. RESULTADOS e DISCUSSÃO Em relação ao perfil dos supervisores todos são do sexo feminino, com idade acima de 30 anos, com jornada de trabalho entre 20 horas (1), 40 horas (2) e 60 horas (1) e tempo de serviço variando de 5 a 22 anos. Três das supervisoras fazem parte do PIBID desde sua implantação em 2014 e uma delas passou a integrar o programa no ano de 2016. A exigência do edital, no que tange á formação, licenciatura na área do subprojeto ao qual estará inserida, é cumprida por todas. Possuem licenciatura em Biologia, Ciências da Natureza, Física e Matemática com habilitação em Física. Das 4 supervisoras, 2 tem pós graduação na área do Ensino de Ciências(especialização), uma está em fase de conclusão, o que demonstra que a mesma tem interesse em sua qualificação, e uma não possui pós graduação. Em relação a capacidade de resolver problemas das supervisoras, todas as supervisoras concordam que a identificação dos problemas, bem como, as soluções dependem de um bom relacionamento do grupo. Um dos fatores que favorece esse bom relacionamento, resultando em um desenvolvimento significativo é defendido por Nóvoa (2009), como a dimensão coletiva da prática docente. Já que para este autor ³RV QRYRV PRGRV GH SURILVVLRQDOLGDGH GRFHQWe implicam um reforço das dimensões coletivas e colaborativas, do trabalho em equipe, da intervenção conjunta QRV SURMHWRV HGXFDWLYRV GH HVFROD ´ (NÓVOA, 2009, p. 31). Neste sentido a supervisora D acrescenta: ³Acho que ser supervisor também é isso, pensar não só em si mas também nas pessoas com quem se está trabalhando´. A concepção da supervisora é enfatizada por Vygotsky(1996) que considera que a mediação é um processo que caracteriza a relação do homem com o mundo e com os outros sujeitos. Ainda sobre esta questão a supervisora D, complementa: ³Acho que o supervisor tem que ter jogo de cintura, para com seus bolsistas, saber instigá-los, desafiá-los e dar suporte ao qual tanto necessitam, cabe aos supervisores ser um amigo e não um cobrador de tarefas, para que os planejamentos e suas aplicabilidades tenham o efeito desejado e assim, saibam apreciar o que estão desenvolvendo e aprendendo´. Manter este vínculo afetivo com seus bolsistas faz com que os licenciandos desenvolvam segurança, evitando bloqueios afetivos e cognitivos, favorecendo o trabalho socializado e auxiliando o mesmo a lidar com seus erros e aprender com eles. Em relação ao acompanhamento dos bolsistas, as supervisoras afirmam que os auxiliam, através de acompanhamento semanal, diálogo, na elaboração das oficinas, apoiando suas ideias e dando sugestões, sempre valorizando seus supervisionados. Sendo assim, ressalta-se a importância dos encontros que potencializem a comunicação, visto que, ouvir o outro ajuda educandos e educador a perceber que as experiências, as vivências, as opiniões e modos de ser são.

(4) diferentes para cada pessoa. O outro se torna um espelho composto por muitos outros espelhos a refletir as individualidades que estão em constante formação. A valorização e o respeito a opinião do outro vão sendo então construídos por meio de trocas que se estabelecem entre educandos e educadores (ZANINI e LEITE apud KONRATH, 2013, p. 28). Comprovando esta afirmação a supervisora D, declara que: ³Os bolsistas trocam informações tanto com o professor quanto com os alunos e transformam essas informações em conhecimento e sabedoria´. A supervisora C declara que ³o bolsista concluinte não poderia mais participar do PIBID em função de estar envolvido no seu TCC e estágio, ³senti dificuldade em trabalhar com esses DFDGrPLFRV´ D PHVPD DLQGD DFUHVFHQWD ³jV YH]HV IDoR Do}HV que no meu ponto de vista não seriam PLQKD WDUHID´. Esta argumentação da supervisora justifica-se pelo fato de o bolsista estar dedicado em outras atividades exigidas pelo curso, deixando de atender suas demandas, sendo este um dos desafios enfrentados. Em relação a contribuição do PIBID na formação continuada as supervisoras afirmam que trouxe muitas contribuições, resultando em mudanças em sua prática docente, fazendo com que as mesmas fizessem uma autoanalise de seu desenvolvimento enquanto docentes. A supervisora B revela que: ³O PIBID está sendo um divisor de águas em minha vida profissional porque o mesmo fez com que eu saísse da minha zona de conforto e assumisse um papel diferente, o de professor pesquisador, pois precisei buscar novos saberes para valorizar minha prática como docente buscando sempre estar atualizada´. A educadora Freire (2008, p. 50) afirma que refletir sobre o que faz é fundamental para o educador, pois torna possível ele fazer melhor amanhã o que fez e pensou hoje. Nesse aprendizado cotidiano ele ganha a dimensão da importância do que fez e, desse modo constrói o espaço para o exercício da vigilância indispensável do seu pensar crítico. A supervisora C relata que a implementação do PIBID foi muita válida, pois está trazendo contribuições tanto para sua prática enquanto docente quanto para a escola. Afirmando que: ³O PIBID trouxe práticas jamais utilizadas na escola, fez o ambiente laboratório de Ciências ser utilizado de forma funcional´ A partir dessa afirmação nota-se a relevância da relação universidade escola, pois além de oportunizar ao bolsista a experiência de colocar seus conhecimentos adquiridos na universidade em prática, também proporciona aos supervisores uma reflexão sobre sua prática e um questionamento construtivo, através de ações compartilhadas. (GATTI, ANDRÉ, GIMENES e FERRAGUT, 2014) Seguindo esta concepção alegam que esta relação: Favorece o desenvolvimento de estratégias de ensino diversificadas e o uso de laboratórios e outros espaços; aumenta a motivação do docente pelo seu maior envolvimento em atividades diversificadas e interessantes, propicia mudanças em perspectivas profissionais e aprendizagens e contribui para a melhoria de seu desempenho. (GATTI, ANDRÉ, GIMENES e FERRAGUT, 2014, p.104-105). Nessa perspectiva, o que se refere as atividades realizadas através do PIBID, confirma-se que estas colaboram para o desenvolvimento da escola, tendo em vista que a universidade tem se utilizado do espaço escolar com bastante frequência atendendo às expectativas da escola, trazendo contribuições para a mesma..

(5) 4. CONSIDERAÇÕES FINAIS Fundamentado no que foi descrito pelas supervisoras foi possível ratificar a relevância da boa relação entre supervisor e bolsista para que haja um bom desenvolvimento destes. Sabe-se que o PIBID faz parte da política pública que incentiva a formação para educação básica e para a valorização do magistério sendo indiscutível que o programa tem a preocupação com a formação dos licenciandos, porém é importante verificar e analisar de que forma o programa está colaborando na prática, no desenvolvimento profissional e na formação dos professores supervisores. A partir das respostas das supervisoras é possível afirmar que há uma precaução em deixar os licenciandos à vontade no âmbito escolar, apoia-los e proporcionar o suporte necessário a eles em relação à prática pedagógica na sala de aula e, nota-se também que acompanhar e supervisionar as atividades dos licenciandos não são as únicas funções realizadas pelas supervisoras, existe uma preocupação e compreensão em relação a formação dos licenciandos, isto é, as supervisoras atribuem-se como co-formadoras no Programa. Este trabalho foi desenvolvimento com o apoio financeiro da CAPES.. 5. REFERÊNCIAS FREIRE, M. Educador: educa a dor. São Paulo, 2008. GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 4º ed. São Paulo, 2000. KONRATH, R. Roda de Conversa na e da Educação Infantil: São Leopoldo, 2013. NÓVOA, A. Professores: imagens do futuro presente. Lisboa, 2009. VYGOTSKY, L. Pensamento e linguagem. São Paulo, 1996. Brasil, CAPES. Portaria nº 260, de 30 de dezembro de 2010 ± Aprova as normas do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência- Pibid [acesso em 24 set 2017]. Disponível em: https://www.capes.gov.br/images/stories/download/legislacao/Portaria260_PIBID201 1_NomasGerais.pdf GATTI, B. A. et al. Um estudo avaliativo do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (Pibid). São Paulo; 2014 [acesso em 24 set 2017]. Disponível em: https://www.capes.gov.br/images/stories/download/bolsas/24112014pibidarquivoAnexado.pdf..

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